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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Sabe tão bem comprar um livro novo!

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Uma das coisas que a minha família raramente me recusou até eu começar a trabalhar foi a compra de livros. Comprar um livro novo nunca fez mal a ninguém! Nunca tive todos os brinquedos que quis, nem todos os CDs e DVDs, muito menos consolas de jogos. Nem sempre podia ter a roupa que estava na moda, ou incorrer em gastos supérfluos só porque sim. 

 

Por outro lado, até era incentivada a comprar um livro novo de vez em quando. Se não ia eu à livraria, alguém me ia trazendo um ou outro consoante os meus gostos. Lembro-me de a minha tia me trazer muitos livros d'Os Cinco, d'Uma Aventura e daqueles cheios de pop-ups e relevos. Já em pequena queria ter os livros, não apenas para os ler, mas porque gostava de os ter, do entusiasmo de papel a cheirar a novo, das lombadas e capas intocadas, sem vincos, sem vestígio de pó, humidade ou outra humanidade, porque gostava de lhes tocar e de os ver na estante, sabendo que eram meus. Claro que também ia à biblioteca e trazia de lá muitos livros, claro que lia os livros da escola, mas comprar um livro novo era todo uma outra experiência. E a Feira do Livro?! Mais um hábito ao qual fui iniciada desde bem pequena, com repercussões para o resto da vida. É raro o ano em que não vá lá, pelo menos para comprar um livro simbólico.

 

Farto-me de comprar livros, pelo que nem sempre consigo ler todos. No entanto, a promessa de que os poderei ler quando bem me apetecer não tem comparação. Olho-lhes para os títulos, organizo-os na estante, imagino-me a conhecer essas palavras que ainda me são desconhecidas. Não me lembro dalguma vez ter sido doutra forma. Se me dissessem que já veio gravado no meu código genético, eu acreditaria.

 

Por estes motivos, uma das minhas actividades favoritas é visitar livrarias (por motivos estratégicos e de variedade de oferta, a Fnac tem sido a minha predilecta). Gosto de pegar em vários livros que me pareçam interessantes, amontoá-los no colo e sentar-me a dar-lhes uma vista de olhos. Ultimamente, de forma a reduzir desilusões, antes de comprar um livro novo tenho tentado ler as primeiras páginas. Também costumo analisar o que os meus contactos do Goodreads com gostos semelhantes tenham opinado. Perco algum tempo por semana nesta selecção, cujo objectivo oscila entre uma compra hipotética ou um sonho-acordado. Nem sempre tenho orçamento para comprar o que quero, nem sempre os livros em análise parecem justificar o gasto. Mas esse contacto inicial ninguém me tira!

 

Hoje de manhã encomendei um livro que ainda há-de demorar uns dias ou semanas a chegar. Em situações como esta, o mais difícil é a espera. A expectativa. O entusiasmo. A contagem decrescente. O prazer e a vontade de lhe pegar que se encontram suspensos pelo processamento, expedição, envio... Eu até consigo arranjar o livro em formato digital, "mas não é a mesma coisa". Se eu pudesse, se eu tivesse dinheiro e logística, tinha tudo em papel. Tudo em estantes que nunca mais acabam. 

 

É tão bom comprar um livro novo, não é?

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