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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Ser desleixada ou não, eis a questão!

No outro dia, maquilhei-me "mais a sério": uma camada de base finíssima, risco e sombra nos olhos, batom q.b.. De facto, não sou menina de me encher de pós e correctores, de primers e de iluminadores. No que toca à roupa, também não ia malzinho de todo, mas pronto, não consigo trocar a minha mochila por mala feminina alguma deste mundo.

Pronto, caiu o Carmo e a Trindade! Cheguei à faculdade e logo duas ou três pessoas me perguntaram, automaticamente, se eu iria encontrar-me com o meu namorado, que estava toda composta, maquilhada, arranjada, blá blá blá. Um ex-colega do Ricardo, ao saber que não, eu nem estaria com ele nesse dia, chegou mesmo a dizer que iria fazer-lhe queixinhas do meu aspecto, como se eu fosse uma criminosa e não tivesse o direito de ter mais cuidado com o meu aspecto num determinado dia. Sei que foram comentários meio a brincar, mas deixaram-me estupefacta com o tipo de mentalidade que ainda se mantém na cabecinha das pessoas.

Então eu só posso estar bonita para agradar ao meu namorado? Só posso arranjar-me se for ter com ele? No resto dos dias, posso (devo!!!) ser a pior Maria Rapaz de sempre, posso andar toda oleosa, maltrapilha e desmazelada, sem respeito por mim própria e pela minha imagem? Ah!, mas se calhar ando a dar umas facadinhas à relação, embonecando-me para outro, que isto nunca se sabe.

Que lindo...

 

Não, eu digo não!

Há dias em que me sinto mais feminina, há outros em que não. Há dias em que acordo cheia de pica para me encher de perfumes, maquilhagens, desodorizantes, cremes e loções várias, e depois visto o meu melhor casaco, com a minha melhor camisa, com as minhas melhores calças. Há outros em que me contento com o creme hidratante na cara, com uma camisola de malha, as calças que encontrar primeiro e ala, que se faz tarde! Tenho direito à minha própria maneira de expressão individual e social, tenho direito a parecer ranhosa ou maravilhosa, consoante me sinta de corpo e espírito para isto ou aquilo.

Quando andava no secundário, arranjava-me mais do que me tenho arranjado no último ano de faculdade, mas agora estou a tentar mudar o péssimo hábito de me desleixar. Sim, ando cansada, não me sobra tempo nem para espremer borbulhas. No entanto, a maneira como cuido de mim também transmite aos outros o meu potencial, por isso escolho sacrificar alguns minutos de sono para construir uma imagem de mim própria que deixe uma boa impressão nos outros e que me faça sentir confortável, reflectindo o que sou por dentro: esforçada, dedicada, animada e confiante.

No século XXI, já não deveria ser normal pensar-se que as mulheres só se arranjam para satisfazer os homens. Nós, o nosso corpo e - veja-se - o nosso cérebro valemos por nós. Não me considero uma feminista de grande monta, mas defendo que há certas ideias do suposto senso comum que devem ser, inevitavelmente, combatidas.

 

Mas isso sou eu, que sou uma badalhoca!

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