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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Sobre o que é que gostarias de escrever?

Ontem, reencontrei alguns antigos colegas, numa surpresa que se preparou à professora que nos acompanhou como directora de turma do 5º ao 9º ano, no colégio (beijinhos, professora Antónia, seguidora silenciosa deste blogue!).

Não via a maior parte deste grupo há imenso tempo, talvez anos. Só nos vamos "seguindo" de vez em quando pelas redes sociais e penso que não estávamos juntos desde o baile de finalistas do 9º ano... até ontem. Pensei que ia ser estranho reencontrar estes colegas 5 anos depois, mas foi uma óptima surpresa. Talvez tenhamos mudado imenso, talvez tenha sido eu a mudar, mas, pelos vistos, os grandes hobbies de cada um parecem não ter sofrido alterações significativas. No meu caso, ainda sou recordada pelos meus antigos colegas, que conheço desde os 5 ou 6 anos, como uma miúda que escreve imenso. Obviamente, continuar a escrever um (vá, dois em um) blogue também ajuda a manter uma certa expectativa, digo eu.

O que me leva ao assunto principal da presente publicação: um destes colegas perguntou-me sobre o que é que eu gostaria de escrever. E a minha resposta foi qualquer coisa como "não sei". Contudo, foi uma pergunta que me fez começar a reflectir.

Eu sei que gostaria de vir a escrever qualquer coisa de significativo, que fizesse a diferença e que não fosse apenas mais um mono na estante de alguém, mas, para que isso aconteça, sinto que preciso de crescer mais um tanto e que preciso de perceber mais sobre determinados assuntos que me interessam particularmente e que poderiam servir de suporte para um possível livro que eu venha a escrever. Um romance, um livro teórico ou mesmo um conto necessitam de tempo para amadurecer (primeiro, na cabeça; depois, no papel) e de disponibilidade mental que não lhes consigo conceder neste momento. Provavelmente, tanto hei-de esperar pelo momento certo, que ainda me apanharei a certo ponto a dar a desculpa de ser "tarde de mais". Como é óbvio, dificilmente chegarei aos calcanhares dos autores, portugueses ou estrangeiros, que admiro; não considero que seja possível viver amarrada para sempre nessa sombra e, deste modo, resta-me acreditar que, um dia destes, ainda me há-de sair qualquer história da cabeça que valha a pena ser lida.

Há coisas que temos de fazer e ponto final e, para mim, uma dessas coisas é escrever. Sobre o quê, ainda não estou certa. Enquanto as personagens que imagino (que existem, disso tenho a certeza) se encontram em negociações entre si e tentam descobrir o que as move, vou-me contentando em escrever sobre a única personagem que conheço melhor, que sou eu. Se nem eu sei ainda o que ando para aqui a fazer neste mundo, se nem eu sei para que é que estou reservada, como raio poderia eu saber o que as personagens que desejo criar serão capazes de concretizar no papel?

Não chega saber como se escreve um livro, nem como se estruturam os capítulos, os parágrafos e as frases. Eu também pretendo descobrir como contar a história de personagens especiais e específicas sem aborrecer/ofender/criticar/expor ninguém e sem ser mal entendida. Sou uma perfeccionista e reconheço que já escrevi umas tantas páginas de outros "exercícios de escrita" que são bons (caso contrário, nunca teria ganho nenhum prémio nem as pessoas me teriam dito que não sou nada má a escrever). Só que, no que toca à possibilidade de publicação oficial de uma obra substancial, sou muito reticente e pouco confiante quanto às minhas capacidades de criação literária.

 

Além disso, ainda estou muito fresquinha. 20 anos são duas décadas, mas passei os últimos 14 na escola, cerca de 6 a pensar no que poderei fazer da minha escrita e apenas uns 3 ou 4 a compreender em quem é que me poderei tornar. Por agora, só vejo possíveis possibilidades, para o que um dia escreverei e serei.

Já estive mais longe de saber "o que se segue". Entretanto, como respondi ontem à pergunta do meu colega ("sobre o que é que gostarias de escrever?"), encontro-me num estado amorfo - isto é, pouco dinâmico para a arte da criação, seja lá do que for. Há demasiadas questões não relacionadas e mais imediatas a invadirem-me, como em que é que eu gostaria de trabalhar?, que mestrado escolher depois da licenciatura?, será possível eu ser tudo o que quero ser profissionalmente ao longo da minha vida?. Com todas estas questões em mente, a ansiedade de comer meio mundo não me deixa muito espaço para a outra metade que falta - e vocês nem imaginam o quanto me martirizo por ainda não ter descoberto a fórmula para aproveitar o mundo todo!

 

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