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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Sobre quem conversa e quer conversar

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Hoje, desmantelei um dos meus receios. 

 

Não me considero uma pessoa tímida, antes pelo contrário, mas ultimamente tenho sentido muita dificuldade em travar conversas com desconhecidos. Acho que esta fase começou com a entrada no mestrado: tentei falar com alguns dos meus colegas, conhecê-los melhor, mas não sou de insistir, então também perdi motivação para iniciar contactos. Motivação e confiança, na verdade.


Então, esse desconforto começou a transbordar para outros contextos. Passei a sentir que, ao falar com pessoas novas, ao falar-lhes do que conheço, faço e penso, estaria a maçá-las. Por isso é que escrever aqui se tornou, mais do que nunca nos últimos três ou quatro anos, um escape para organizar ideias e comunicá-las sem ter medo de estar a importunar; afinal, quem lê o que escrevo fá-lo porque, à partida, tem essa intenção.


Note-se que eu nunca senti este pudor, que me é tão estranho e fez parte da minha perda de autoconfiança recente. Eu gosto de falar, daí gostar de ser professora. Gosto de estar com pessoas, não costumo ter fobias sociais. Não faz sentido ter vergonha de iniciar conversas, na forma como leio a minha narrativa pessoal. Talvez eu tenha mudado e já não possa definir-me da mesma forma. Talvez já não seja tão extrovertida quanto imagino. Ou talvez seja, mais uma vez, uma fase.


Dito isto, tenho tentado expor-me outra vez a situações em que seja obrigada a falar com mais gente e conhecê-las pela primeira vez. Se o músculo social existir, há que exercitá-lo. Se essa veia da extroversão existir, há que bombear sangue para lá.


Sendo assim, depois dalgumas tentativas nos últimos meses (como ir aos clubes de leitura), hoje, nas Creative Mornings, voltei a sentir prazer em conhecer e interagir com desconhecidos. A oportunidade de exposição ao julgamento alheio não me deixou ansiosa. Deixou-me extenuada, mas feliz e, de facto, criativa.


Nem sequer aconteceu nada de especial no evento, pelo menos nada que não fosse previsto. No entanto, desta vez, não me senti censurada ou vulnerável. Senti-me parte de qualquer coisa. Não forcei a conversa com ninguém. As pessoas vieram ter comigo, na maior parte das vezes. Quiseram-me falar dos seus projectos e ideias, perguntaram pelos meus. Não houve nenhuma voz a sussurrar "por que haveriam os outros de te querer ouvir?".


Foi libertador voltar a sentir-me - e a ver-me - assim. É quase como rever uma amiga antiga com quem tivesse perdido contacto. Gosto disto, de não ter receio de, simplesmente, estar.

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