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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Ainda não percebi o que têm contra os high school sweethearts

Estava aqui a ler os comentários a esta publicação recente d'A Pipoca Mais Doce, quando me deparo com uns quantos que só começaram a atirar abaixo aqueles que já namoram desde a juventudezinha dos 14, 15, 16 anos e que casaram, têm filhos, são muito felizes... e nem se importam com barriguinhas de conforto que tenham surgido entretanto! Diz até um comentário, que me vejo obrigada a citar (desculpem lá qualquer coisinha):

Quando os anónimos de cima chegarem aos 30,40,50, e começarem a ter curiosidade sobre como será sexo com outras pessoas (ou quando o/a parceiro/a lhes indicar que tem curiosidade, isto, SE os parceiros tiverem dito alguma coisa antes de mijarem fora do penico...), talvez finalmente percebam alguma coisa. Isso do "Não há amor como o primeiro", é conversa para boi dormir, e tanga para evitar que mulheres ganhem experiência "a mais", seja lá o que isso for...

 

Pronto, e só mais um:

É tudo muito lindo até traírem ou serem traídas.. quem só teve uma pessoa acaba por o fazer um dia..

 

Estes são apenas dois dos muuuuitos exemplos de comentários estúpidos, ressabiados, infelizes, frustrados - ou será impressão minha? É que, sinceramente, eu compreendo as pessoas que não querem casar, que não estão para relações e que preferem ter o seu espaço (até uma certa medida, que dá sempre jeito ter alguém para fazer conchinha e para nos aquecer os pés, nem que seja só num enrolanço). Mas não consigo compreender esta gentinha que acha buéda cool andar a saltar de cama em cama, de coração em coração, e depois ainda clama aos céus que dá jeito ter experiência, que é tudo muito melhor do que só ter tido uma pessoa e uma cama na vida, que esses são todos sonsinhos e não sabem o que perdem.

Para que conste, eu só tive uma experiência antes desta que estou a ter agora, e essa foi uma experiência que nem a pessoa nem a cama chegou, que foi assim uma coisa mesmo fraquinha, e sinceramente teria vivido muito bem sem ela (não teria aprendido muitas manhas que conheço hoje em dia, é claro, porque o que não nos mata, engorda-nos). É que há gaijos e gaijas mesmo esturricados da cabeça, não há? Assim mesmo tostadinhos e crocantes (e praticamente a saberem e a cheirarem a queimado).

Namoro desde os 17 anos com o mesmo amor de pessoa, já lá vão quase 3 e - chamem-me ingénua - quero é que continuemos a ser tão felizes quanto somos agora. Sim, é muito cedo para fazer previsões, o futuro não pertence a ninguém e nunca se deve dizer "nunca" nem "para sempre". Obviamente, de vez em quando entramos em choque, temos personalidades antagónicas, não concordamos. No entanto, penso que ambos continuamos a acreditar que, quando as duas partes envolvidas gostam mesmo uma da outra, quando há vontade de manter a coisa num bom caminho, é possível haver uma parceria (sim, as relações são parcerias, só naquela) que se aguente, dure desde os 15 ou desde os 55 anos.

Pelo menos, que essa gentinha parva deixe os outros viver em paz, numa ilusão ou não, mas bem mais satisfeitos do que eles. Até porque não há nada como viver na consciência de que, no final do dia, haverá alguém à nossa espera, nem que seja na cabeça, no coração ou noutros sítios quaisquer - ehehehe.

E não me venham com estatísticas, porque eu também as tenho e os exemplos que me rodeiam diariamente tanto comprovam que o primeiro amor é o melhor, quanto que se for à segunda e à terceira e à quarta há tanta probabilidade de correr bem como se tivesse sido a primeira. (Infelizmente, a maioria dos exemplos que tenho para dar correram mal, em qualquer vez que tenham ocorrido, salvem-se os que correram bem, que eu quero contrariar as tendências.)

Sim, eu cheguei a ir à Feira do Livro!

Escusado será dizer que anteontem fui à Feira do Livro e cometi a "pequena" loucura de comprar quatro (dois deles para oferecer), pagos com o meu dinheirinho, já que ganhei recentemente mais um prémio literário. Foi essa a minha maneira de festejar o dia de Portugal, valorizando a literatura nacional. Ainda pedi um autógrafo à Sô-dona Pipoca (que é mesmo doce!, mais simpática do que pensava) no seu primeiro livro, que já tinha há um tempo, e ao Rui Zink, n'O Suplente, que comprei propositadamente no momento. O outro livro que adquiri não podia deixar de ser um do José Luís Peixoto, mais especificamente o Dentro do Segredo, pelo qual nutria uma enorme curiosidade e que não encontrava em nenhum site de vendas em segunda mão. 

 

 

 

Do milho à Pipoca

Conheci a Pipoca através do seu primeiro livro, mal ele foi lançado. Como já é costume desde que me lembro, estava na livraria do Continente, a alimentar os olhos e o ego. Sempre gostei de estar rodeada de livros e de os observar, tocar e cheirar, livros novos quase que acabados de ser imprimidos, com as suas capaz coloridas, atraentes, brilhantes, modernas. Também não desdenho dos antigos, mas os livros recentes trazem-me uma espécie de alento, uma motivação que penso que só eu é que consigo entender de mim para mim, para continuar a escrever e talvez, um dia, também consiga ter um deles com o meu nome no espaço reservado ao do autor, dezenas de páginas preenchidas com palavras que pensei e organizei, ou seja - se é que o poderei chamar assim - o meu legado artístico. E, na capa desse livro que me chamou a atenção, estava uma rapariga nova, apesar de já adulta, que, descobri eu ao folhear a sua "obra", tinha um grande sentido de humor e sabia cativar-me praticamente do nada. Lembro-me de, ainda nesse dia, ter contado à minha avó que admirava a Ana Garcia Martins, escritora recém-descoberta, formada em Comunicação Social e cuja "fama" derivava de um blogue que escrevia há uns anos... E eu sempre adorei blogues, já fazendo, nessa altura, parte deste mundo (ainda que de um modo muito verdinho, mas fazia).


Mas os tempos de juventude não duram para sempre e a Pipoca também cresceu. Agora, já não é a rapariga que figura na contracapa da colectânea de textos do seu blogue homónimo. Confesso que já não lhe acho tanta piada, nem à sua imagem, nem aos seus textos, o que poderá ter a ver, se calhar, com as idades que eu (leitora) e ela (narradora na primeira pessoa) temos, que ainda são um bocadinho distantes. Agora, a Ana é uma mulher já na casa dos 30, eu ainda nem aos 20 cheguei, e hei-de continuar a identificar-me durante muito tempo com a Ana que começou a escrever na blogosfera em 2004... até porque a Ana adulta é uma apaixonada por moda e, disso, eu só percebo o suficiente para estar confortável na minha pele (e nas minhas vestimentas), é casada e está grávida (brrrrrr, no!).