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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

dois "likes"

   Se existe algo nesta vida que merece um "gosto", são os momentos de inspiração e os abraços sentidos.


 


   Sabe tão bem ter, de repente, uma brilhante ideia! Aquela sensação de entusiasmo eleva-nos a auto-estima. Sentimo-nos capazes de qualquer coisa e não descansamos enquanto o produto da nossa mente, do nosso espírito livre e criativo, não vê a luz do dia. É a melhor terapia que existe para um dia menos bom ou para quando nos sentimos em baixo, bem debaixo da fossa. De repente, vemos cor, vida, sol, estrelas... vemos tudo!


 



Blue Dove, de Picasso


 


   E aqueles abraços que nos confortam para o resto da eternidade...? Ou assim pensamos nós, bem apertadinhos nos braços de quem nos quer bem. O amor parece indestrutível, não é verdade? Tornamo-nos indestrutíveis, inatingíveis, jamais intocáveis pelos males que nos rodeiam! Inspiramos e sentimos o aroma que nos tolda os sentidos, rendendo-nos ao seu maravilhoso efeito. Ludibriante, não é? O nosso nariz enterrado nas roupas, no peito ou na pequena covinha entre o ombro e o pescoço do nosso protector... Poderíamos permanecer assim até ao fim dos nossos dias.


 






então

   Estavas a olhar profunda e atentamente para mim. Estarias curioso, impaciente ou inexpressivo? Não sei, não sei. No entanto, ali estavas, tão perto e disponível...! Podia ter congelado o momento. Nós os dois, mortais em nada iguais, víamo-nos frequentemente em situações tais que difícil seria esquecê-las. Tu, moreno, despenteado, nada meu, alimentavas a minha aura, tornando-a superior a qualquer dimensão.


   Então, abracei-te. Perdoa-me - não resisti. Culparei, assim, a tua irresistibilidade e aroma de mais ninguém. Saciei o desejo de um aperto, aproximando os meus erros dos teus, tornando-os um pouco menos humanos e mais perdoáveis. Não foram bons, aqueles efémeros segundos? Não te marcaram? Não, eu sou a tua marca e, tu, a minha. 


   O derradeiro momento da separação, do beijo de despedida e do leve, breve e desmotivado aceno chegou, mas tu fugiste dele. Não olhaste para trás; nunca olhas para trás. Porquê? Só queria, uma vez na vida, ter a satisfação e o consolo de te poder atirar um beijo ou presentear-te com um sorriso (já) saudoso.


   Sinto saudades de um desses momentos de despedida, porque, antes dele, haverá sempre um abraço.