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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O que é que significa "comer bem"?

Desde que vim viver sozinha, tenho tirado bastante proveito da nova liberdade no menú diário. Adoro cozinhar (mesmo não sendo grande cozinheira) e adoro ainda mais ir ao supermercado e escolher o que vou comer nos próximos dias (uma grande fatia do meu salário vai para a comida, sem dúvida). Tenho muito gosto em preparar a minha lancheira com o almoço e os snacks todas as manhãs e fazer sopa todos os Sábados ou Domingos para os jantares do resto da semana.

Gosto particularmente da parte de poder decidir o que é "comer bem" para mim. Para a minha avó, comer bem é comer muito, sem olhar muito para os rótulos e sem comer muitos fritos nem muita comida rápida. Para mim, comer bem significa comer um pouco de tudo, olhar para os rótulos à procura da quantidade de açúcar e poder equilibrar os doces, a comida rápida e os fritos com alimentos mais saudáveis.

Se à noite me vai apetecer comer um bolo, durante o dia limito-me a comer "coisas saudáveis", sem açúcar - mesmo que me apeteça comer um bolo todos os dias. Acho parvo e bastante inútil privarmos o nosso corpo e a nossa gula daquilo que nos satisfaz. Se eu gosto de comer os donuts da cantina lá da faculdade, por que raio me hei-de estar a censurar? Para mim, a chave é o equilíbrio. Talvez escreva de boca cheia, porque nunca tive problemas de excesso de peso (muito pelo contrário), mas parece-me haver sempre alguma forma de restabelecer o equilíbrio. Quanto mais nos proibirmos, pior. Mais vale enchermo-nos daquilo de que gostamos e ficarmos bem durante mais tempo do que andarmos a fazer olhinhos àquela pizza e acabarmos a comer essa mesma pizza, só que depois de já termos comido outras brincadeiras que achámos mais inofensivas na altura.

Faz-me impressão quem anda por aí na blogosfera ou nas redes sociais a comer saladas e vegetais cozidos todo o santo dia. E depois é as papas de aveia. E as panquecas fit. E o café sem açúcar. Mexe-me com os nervos. Comer deve ser um prazer, não uma rotina sem graça. Eu não como muito, mas quando como faço-o com todo o gosto e várias vezes ao dia.

 

Exemplo do meu menú para um dia normal de trabalho:

6h45 - pequeno-almoço: leite de soja com mistura de cacau e cereais e pão barrado com queijo Philadelphia a acompanhar OU cereais num iogurte natural sem açúcar light. Mistura de muesli de chocolate com cereais de trigo integral com fibra (razão: como chocolate logo pela manhã, pouco mas que faz logo a diferença, com cereais e proteína a rodos, que me saciam até chegar ao trabalho, uma hora e meia depois, ou de preferência até meio da manhã).

9h - snack ocasional: levo algum tempo a chegar ao trabalho, porque tenho de andar 10 minutos de casa até à estação de comboios, esperar pelo comboio nacional que pode chegar a horas ou não, fazer a viagem de 45 minutos e andar mais 10 até à faculdade. Assim, caso me dê a fome, como fruta, bolachas de coco, cereais integrais ou pão.

10h30 - snack obrigatório: é inevitável ter fome a meio da manhã, por isso como a tal dose de frutas, bolachas, cereais integrais ou pão. Por vezes, levo para o trabalho uma combinação de dois desses elementos.

12h - almoço: esta refeição varia muito e não me preocupo se estou a comer "mal" ou "bem". No entanto, o estrago nunca pode ser grande, porque nunca levo batatas fritas (muito menos de pacote) e, na verdade, o único alimento que frito além de batatas é a carne... com óleo de coco ou azeite, gorduras consideradas aceitáveis.

15h - lanche: a mesma variação que o lanche da manhã.

17h-20h - jantar: janto mal chego a casa, o que pode acontecer entre as 17h e as 20h. Tenho sempre sopa preparada no fim-de-semana, por isso posso comê-la sem mais nada quando tenho menos apetite ou acompanhar com carne ou fruta. Quando me dá na gana, frito batatas, só pela goludice.

22h-00h: snack antes de dormir ocasional: quando vou para a cama, dá-me por vezes vontade de voltar a comer. Normalmente, escolho bolachas ou leite de soja.

 

Ao comer várias vezes, nunca chego a ter muita vontade para me encher de gulodices. No entanto, como sempre uma por dia, nem que seja bolachas.

Comer bem torna-se fácil, porque "comer bem" náo significa só comer alimentos verdes, carne grelhada e fruta. Basta habituarmo-nos a comer pão integral, cereais sem uma grande dose de açúcar e a misturarmos gulodices com acompanhamentos "limpos" para vivermos um bocadinho mais felizes, ou não? Mais uma vez, esta é a minha teoria. Se me apetece comer um Toblerone inteiro numa noite, como-o e pronto, ou não? Se me lembrar de emborcar 200 gramas de gelado de chocolate, faço-o, ou não? Se me apetecer comer um bife de porco com ovo estrelado e batatas fritas, é só pegar na frigideira, ou não?

 

Deixo também uma enorme dica sobre como fazer sopa: abrir o frigorífico, pegar nos vegetais, tomate e cebola que aparecerem, cozer tudo, adicionar sempre um "elemento surpresa" (bacon, fiambre, carne, peixe, delícias do mar), truturar e guardar sempre sopa no frigorífico para mais refeições. Basicamente, tudo o que é vegetal faz bem, mas o "elemento surpresa", mesmo que seja só uma salsicha, dá sabor à mistura e motiva-nos a comer os vegetais. Com tudo triturado numa sopa, até nem nos apercebemos da quantidade de coisas verdes que estamos a consumir.

 

E agora, ainda há razão para termos uma alimentação pouco variada? 

 

Já agora, nem me venham com cenas de "comer bem é comeres coisas saudáveis a semana inteira e teres um dia de descanso". Por favor, eu não consigo viver sem bolos, bolachas e bifes! Antes com mais 5% de gordura no corpo do que sem esses 5% de gordura mas a bater com a cabeça nas paredes de fome! Todos os dias são de desbunda, se todos os dias também nos comprometermos a comer um bocadinho de tudo na roda dos alimentos - foi o que me ensinaram na primária e olhem que ainda hoje me lembro disso.

 

Comer bem tem de ser, acima de tudo, criarmos os nossos limites, conhecermos o nosso corpo e as nossas necessidades, de acordo com a nossa estrutura corporal e as exigências do nosso dia-a-dia. Tanto há dias em que dou aulas das 9h às 16h, quanto há dias em que fico 7 horas sentada a uma secretária a preparar conteúdos. Como é óbvio, não vou comer exactamente o mesmo nesses dias, se é que me entendem.

 

#amigosdoaçúcarunited #abaixoopeixecozido #abaixoasopaaborrecida #eucomooquemedernagana #boloseverywhere #oreoscomfruta #antescom30porcentodegorduranolomboqueescravadaproteína #movimentodelibertaçãodasbatatasfritas #dietadoeuéquesei

 

Disclaimer: a autora deste blogue é professora de línguas, por isso qualquer conselho ligado à nutrição por ela produzido deve ser entendido como experiência do senso comum e não um dado científico.

O que é que uma miúda magra faz no ginásio? E por que se preocupa ela com o que come?

O ginásio não é só para os gordos e para os que querem ser bisontes musculados. Felizmente, encontramo-nos numa época muito open minded, mais do que nunca virada para o bem-estar e para a acção em prol de uma melhor saúde.
Por isso é que comecei a frequentar o ginásio pelo menos três vezes por semana, mesmo que só treine meia hora. Vou ao ginásio sem outro objectivo prioritário que não combater o sedentarismo. O que eu quero mesmo é superar as minhas limitadas aptidões físicas que me assombram desde sempre. Já fui gordinha, depois da puberdade fiquei um palito, mas nunca deixei de ser pouco flexível, pouco resistente ao esforço físico, pouco flexível e lenta a correr (detesto correr, como bem sabem!). E descoordenada (já aceitei que os cinco anos de dança contemporânea e os dois de hip-hop não me valeram grande coisa). Não vou ao ginásio para emagrecer, nem para perder peso.
Obviamente, ao longo dos últimos três meses de treino tri-semanal tenho notado algumas diferenças. Sou capaz de correr o dobro do tempo com 30% mais velocidade do que em Setembro. Levanto mais 20kg com as pernas e mais 7,5kg com os braços. Já faço flexões aceitáveis. Perdi quase dois quilos, deixei de ter tanta gordura acumulada em zonas estranhas para alguém de 20 anos (costas e braços, mais um duplo queixo em desenvolvimento) e, por consequência, sinto os músculos mais definidos. Durante as primeiras semanas andei cheia de borbulhas na testa e no pescoço, tal era a porcaria acumulada debaixo da pele, mas há dois meses que praticamente não tenho acne.
Tudo isto veio por arrasto, mas provavelmente não resulta somente do exercício físico, porque entretanto também deixei de comer tanto pão branco, doces e bolos e passei a olhar para os valores nutricionais dos alimentos que ingiro (proeza influenciada por uma amiga minha; agora sou uma agarradinha dos rótulos). Deixei ainda de beber tanto leite de vaca, substituindo-o por leite de soja, que não precisa de açúcar, e diminuí a dose de cereais com açúcar (junto arroz tufado com cacau ao arroz de trigo integral). Antes bebia iogurtes líquidos da Activia e da Corpos Danone (poços de açúcares adicionados que nos iludem), mas agora como quase sempre iogurtes naturais e junto-os a meia colher de chá de mel e aos cereais de que já falei, ou aveia. Tento sempre que possível substituir a batata, o arroz ou a massa por salada (adooooro salada, de tudo) ou equilibrar as porções. Ah!, e introduzi a gelatina 0% e mais doses de fruta nos meus lanchinhos.
Depois de começar a evitar o açúcar, a gordura e os hidratos de carbono, tenho-me sentido mais leve e com mais energia. Mesmo que o chocolate e o pão permaneçam os meus grandes amores e nem sempre seja possível evitar os doces e os fritos (afinal, a comida é feita para quatro cá em casa, não só para mim), a pouco e pouco sei que mal já não me fazem, desde que sejam acompanhados ou compensados com outro tipo de refeições.
Em suma, eu sou uma falsa magra de 53,8kg e 1,69m. Sou mais leve e mais magra porque não tenho muita massa muscular, a mais pesada e visível em comparação à massa gorda. Se eu ganhar peso, não há problema, desde que seja pela constituição de músculo.

Já agora, quem acha que as aulas de Step e Zumba são para meninos, devia experimentar umas quantas sem perder o ar e a compostura.

Pela boca morre o peixe

Ando bem fartinha desta conversa da Organização Mundial de Saúde, mais das organizações ambientais, acerca do que devemos ou não comer. Sinceramente, daqui a nada nem um pauzinho de esparguete podemos saborear. E ele são as carnes vermelhas que blá blá, e ele são as carnes frias que mi mi, e ele é o leite que tem hormonas animais, e os enchidos que têm colestrol, e coitadinhas das vaquinhas que andamos a comer, e o peixe que consumimos que traz uma pegada ecológica com consequências indesejáveis...
Muito em breve, só poderemos pastar ervas daninhas. A pouco e pouco, parece que as autoridades do assunto nos querem tirar o pão para a boca (pois, pois, que o pão leva farinha, que é obtida através dos cereais, cuja plantação exaustiva desgasta os terrenos... e os cereais costumam ter glúten... ai ai, que já faltou mais!).
No fundo, eu só gostava que nos começassem a dizer o que é que PODEMOS comer, em vez de todos os dias saírem notícias sobre o que NÃO PODEMOS comer.
Ah e tal, basta ir a lojas de produtos naturais e vegetarianos, tipo o Celeiro, ou às secções dietéticas dos supermercados.
MEUS BONS AMIGOS, ACHAM QUE EU VIREI RICA PARA ANDAR A COMPRAR BOLACHAS DE 3€???

Em suma, a minha bisavó, alentejana de nascença feita alfacinha, deve ter falecido aos 102 anos pelo excesso de bifes, chouriço, migas e iogurte que comeu na sua vida. Não fossem as hormonas animais, o colesterol, o glúten e a lactose e ainda cá estaria para ver nascer meia dúzia de trinetos.

 

Pela boca morre o peixe.