Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O meu dentista, amor e uma cabana (e um aparelho)

Contextualização: o meu dentista é um senhor muito simpático, falador e culto, que me pergunta o que ando a ler todas as vezes (todos os meses) em que lá vou. Inclusivamente, falamos sobre temas diversos, género coisas da vida e trivialidades (vá, eu tento, com as mãos dele enfiadas na minha boca, belhac). Já agora, uso aparelho há 2 anos e 5 meses e já ouço há quase um ano que "daqui a 6 meses o tiro".

 

Conversa de hoje...

- Quando é que me livro disto?

- Lá para 2017.

- Yey, mesmo a tempo de me casar! [nota: sarcasmo]

- Não, lá para Setembro [tradução: lá para o Natal]. Mas espera lá, vais-te casar em 2017?

 

NÃO. EU ESTAVA A GOZAR. PRIMEIRO QUERO LIVRAR-ME DE ORTODONTISTAS VÁRIOS E DEIXAR DE TER ESTE AR DE PITA DE 14 ANOS, PARA AS CRIANÇAS/PRÉ-ADOLESCENTES ME LEVAREM A SÉRIO E EU PODER SER PROFESSORA DELES. SÓ ASSIM ARRANJAREI UM EMPREGO, SÓ ASSIM TEREI DINHEIRO E SÓ ASSIM ME PODEREI CASAR COM O MEU FOFINHO, QUERIDINHO RICARDINHO. AMOR E UMA CABANA O TANAS.

 

Sem stress, lá para 2050, estarei despachada!

Meanwhile, in bracesland...

Amanhã vou instalar o aparelho no maxilar de baixo da minha boquinha. Já me disseram que vai ser beeeeeem mais doloroso do que foi com o de cima. Eu cá só acredito ao sentir. Quando, há mais de um ano, comecei a aventura do aparelho, não sofri assim tanto. Doeu-me comó caraças nalguns dias, mas c'est la vie. Diz-se que a beleza custa, não é? Eu cá vou-me treinando para quando puser uns implantes mamários de copa H, que vão, obviamente, ajudar imenso a minha escoliose recém-re-descoberta.

 

Ah, ainda não tinha contado? Pois, a modos que o meu fémur esquerdo tem menos 1cm do que o direito, o que me criou uma compensação enorme de músculo no ombro esquerdo e não no direito, causando-me um problemão do camandro na postura corporal. Já quase não posso treinar no ginásio, graças a esta minha peculiaridade, enquanto não arranjar uma palmilha ortopédica para me equilibrar o corpo. Sim, eu sou uma caixinha de anormalidades, obrigada por repararem.

Aspirinas e piercings

Voltei, meus caros, já voltei! Na verdade, há já meia dúzia de horas que estou em casa, mas, não me levem a mal, estive mais preocupada em "digerir" a anestesia local que me deixava de cara à banda, nariz e zona malar também, como se me tivesse dado um AVC (mas apenas facial) - seja o Diabo cego, surdo e mudo, bato três vezes na minha secretária de madeira, vade retro, vade retro. Penso que vocês até poderiam viver sem tomar conhecimento destas informações, só que "não seria a mesma coisa", além de que o meu objectivo neste momento é partilhar convosco a minha felicidade (temporária) pelo efeito miraculoso de uma aspirina de 500mg. À parte uma moínha na gengiva, está tudo controlado. Tenho uma cratera onde antes morou o meu canino de leite (sim, aos 18 anos, eu ainda tinha aberrações destas na minha boca) e onde, daqui a uns meses, estará o canino definitivo instalado, o tal que provocou uns quantos pontos no céu da boca e será puxado para o seu devido lugar através de uma corrente adjacente ao aparelho propriamente dito - apelidado por sua excelência, o meu namorado, de piercing bocal, que impressionaria qualquer rebelde ultra tatuado e furado, que se vista de preto e espanque velhinhas que tentam atravessar as passadeiras a 0,0000000001 km/h. Porque, tipooooo, eu sou buéda fixe, topam?

E, agora, outro tipo de informações...

Hoje inagurei a minha época balnear, um pouco mais tarde do que a maioria dos comuns mortais, mas igualmente feliz. O sol estava no ponto, nem muito fraco nem muito forte (ajuda eu ter ido apenas entre as 9 e as 11 horas), a água apresentava-se extremamente gelada (ui, tão raro em Sesimbra, tão raro...!, cof, cof) e saí de lá tão amarela quanto entrei (atendendo ao facto de eu ser meia asiática, esse será o meu estado normal, não se apoquentem, que eu não padeço de nenhuma doença tropical e/ou contagiosa).

 

Já agora, assim como quem não quer a coisa, ligaram-me hoje a avisar que a minha operação ao céu da boca, para começar a puxar o canino que lá tenho preso, anteriormente marcada para dia 1 de Agosto, foi antecipada para AMANHÃ. Ainda com esperança de não ter de sofrer o tormento de estar acordada durante esse grande acontecimento, rezei a todos os santinhos (mesmo àqueles em que não acredito, ou seja, quase todos) para que a anestesia fosse geral mas, adivinhem lá, apesar de eu ser uma piegas (foi o Passos Coelho que nos chamou a todos e, em mim, confirma-se), uma mariquinhas pé de salsa como a minha avó costuma dizer, a anestesia será local (entenda-se, TEMPORÁRIA). 

 

Nada de alarmanços caso não se escreva nada aqui no próximo par de dias - encontrar-me-ei demasiado ocupada a autocomiserar-me acerca do meu sofrimento dentário ou a sorver sopas com carne moida ou papas para bebé através duma palhinha. Façam apenas o favor de me enviar telepaticamente montes de caixas de analgésicos. Agradecida.

Pára-choques precisa-se

Ter aparelho nos dentes não é pêra doce. Também não é amarga, mas chamar-lhe doce está fora de questão. Como é óbvio, trará os seus benefícios inegavelmente visíveis ao fim de cerca de dois anos, três ou quatro que sejam, benefícios esses que ficarão para a vida, enquanto continuarmos a tratar bem da nossa boca. Por outro lado, enquanto o tempo de tratamento não chega ao fim, é chato. É mesmo chato.
Pessoalmente, tenho sorte por raramente ficar com dores após ir trocar os arames e os elásticos todos os meses ao dentista. Com isso, não tenho sofrido grandemente. Sempre que lá apareço, o homem diz-me que "vai meter um arame mais forte e que vai doeeeeer", mas a mim custaram-me mais os arames fraquinhos do que estes que tenho colocado nos últimos meses.
Uma vez, estava a comer uma tosta mista e o arame soltou-se do encaixe, o que me valeu umas quantas arranhadelas na bochecha e na gengiva até, dois dias depois, ter ido à clínica que fica perto da minha casa reapertá-lo de urgência. A partir daí, comecei a evitar tudo o que é alimento estaladiço ou um pouco mais rijo, um conselho que me haviam dado no dia em que tinha metido o aparelho, mas de que eu me esqueci - inconscientemente, devo tê-lo ignorado.
De resto, não tenho razões de descontentamento maior. Não gosto de Coca-Cola nem de pastilhas elásticas, duas guloseimas pelas quais o pessoal (pelo menos o cumpridor) de sorriso metálico se mataria para voltar a saborear. E, apesar de adorar gomas, não sou viciada nelas e consigo moderar-me, uns dias melhor do que noutros - vou-me aguentando.
Alguns amigos meus que passaram ou que estão a passar pela ingrata época do aparelho, tal como eu, costumam ter imensos problemas com comida presa em tudo quanto é dente e arame. Às vezes, a boca deles fica um nojo e conseguem ver-se amostras de uma dieta diária inteira apenas com um sorriso. Já eu, não sei bem por feito de que arte, não sofro desse mal e não preciso de estar a escovar os dentes a cada meia-hora. Ainda não tenho aparelho no maxilar de baixo, mas tenho uma barra palatina no céu da boca (os primeiros dias com ela foram uma agonia, que nem engolir eu conseguia!!!), e as baixas expectativas que guardava para a higiene da minha boca foram surpreendentemente superadas com muito mais sucesso do que julguei - uma vitória, juro-vos!

O primeiro inconveniente a apontar e que, mesmo assim, não me incomoda por aí além, é o meu maxilar inferior, por não ter aparelho até ao próximo mês de Outubro ou Novembro, estar a ficar recuado em relação ao maxilar superior - apesar de eu mal me aperceber, os arames têm realmente força e estão a fazer bem o seu trabalho - pelo que é imperativo que mos consigam alinhar assim que possível.
O segundo inconveniente, que não tem que  ver directamente com a colocação do aparelho, sendo mais a causa de o ter posto, é ter um canino a rebentar-me no céu da boca, devido ao incompetente do seu homónimo de leite que não quis cair e ficou a emplastrar a cena. Para lhe colocar uma mola como as que tenho nos outros dentes, ligada às restantes, vou ter de ser operada no Verão. Espero que não se impressionem facilmente, mas vão ter de me rasgar o céu da boca e levar-me 160€ assim duma assentada - e o conteúdo susceptível de vos chocar é mais o custo da operação do que propriamente o sangue envolvido.
O segundo inconveniente, aquele que já apresenta uma relevância alarmante, é o meu aparelho ser o causador de diversas e frequentes aftas na boca do senhor meu namorado. Sim, está bem, o arrebatamento (COUGH, VIOLÊNCIA) dos meus beijos não ficará, decerto, impune neste assunto, mas fogo, uma pessoa apaixonada não olha a aparelhos que arranham e magoam o seu compincha do amor. Num momento de entusiasmo, uma pessoa apaixonada está-se pouco lixando para ninharias tão "pouco" importantes quanto ter um perigoso abre-latas na boca.

Pois, e é isto. É muito engraçado ter um sorriso metálico todo colorido, etc e tal, mas só quem o tem é que sabe o que lhe saberia bem! Eu cá contentava-me com um desconto do género "ponha um aparelho, leve um pára-choques para a sua cara-metade!".

"High in the clouds"

Ontem, depois de jantar, faltou-me a paciência para escrever, o que não é habitual acontecer quando as férias já vão a meio. Achei estranho, mas não liguei. A seguir, comecei a sentir imenso sono. Ainda assim, continuei a falar com o meu namorado na Internet. Só que bem me parecia que algo estava errado! A memória faltava-me, sentia os reflexos de resposta demasiado retardados e nada do que eu dizia fazia muito sentido de acordo com a minha personalidade. Passei imenso tempo a queixar-me de passar o Natal com a minha família pequena, de quatro pessoas, enquanto eu já tinha ultrapassado isso. Que se danasse, eu não ter uma família grande e animada! Mas, ontem à noite, eu continuava a bater no ceguinho, inconscientemente sem saber bem a razão.
Entretanto, inexplicavelmente cansada ao limite, decidi ir dormir de vez. Então, naquele estado de dorme-não-dorme, no espaço daqueles trinta segundos antes de adormecer, lembrei-me: tinha tomado um Brufen de 400mg para as dores nos dentes, uma autêntica bomba no meu organismo.
Eu estava pedrada com analgésicos anti-inflamatórios... dêem-me um desconto.

Agora, encontro-me no dilema de passar o Natal com dores nos dentes ou de passar o Natal num estado meio azombiezado.