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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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A culpa não é da Pépa

À semelhança da maioria dos bloggers que se têm insurgido sobre o assunto, também eu concordo que não há nada de chocante no discurso da Pépa que não seja o seu horrível sotaque à menina-bem e a quantidade de vezes que repete, aleatoriamente, a palavra "tipo" (além de que, pessoalmente, a acho extremamente parecida a uma rapariga da minha turma, uma autêntica figurinha, o que é bastante hilariante).
Acho, pelo contrário, que as pessoas estão a dar demasiada importância à felicidade alheia. Sim, porque a rapariga parecia estar bastante satisfeita com a sua vida, realizada pessoalmente e no trabalho. Estas maledicências são apenas o produto de muita mesquinhez à la 'tugas, que parecem não ter mais nada com que se preocuparem senão com a falta de dom para a retórica de miúdas de vinte anos.
Sabiam que 100 mil funcionários públicos, incluindo 50 mil professores, estão em risco de serem despedidos sem qualquer indemnização? Sabiam que ainda não se sabe, em Janeiro!!!, qual vai ser a carga fiscal a ser aplicada nos impostos deste ano? Sabiam que hoje, em plena Assembleia da República, dois deputados se iam comendo vivos, já para não falar das respectivas bancadas partidárias e de que cenários como este não são pontuais, mas sim diários? Sabiam que, após a divulgação destas e de outras péssimas notícias, ainda houve um grupo de políticos e pseudo-figuras do panorama nacional que se riram na cara dos jornalistas, quando confrontados com a reacção do "povo" em relação às novas medidas de austeridade?! Não, a maioria das pessoas que andam a gozar com a Pépa nem sequer consegue ver o telejornal se não for para saber do bom do futebol, que o pontapé na bola é que é interessante e decide quanto dinheiro é que se tem ao fim do mês para alimentar os filhos, principalmente se for logo seguidinho de uma extremamente educativa Casa dos Segredos (o cumular de toda a javardice e labreguice nacional e arredores).
Jamais nos devemos esquecer de que quem se anda a preocupar com a Pépa, a melhor distracção que poderiam arranjar para o dia de hoje em particular, é quem também está em risco de perder o seu emprego, se é que já não perdeu, ou até os filhos dessa gente, a quem o futuro se assemelha a uma noite de nevoeiro cerrado, de tão escuro e imprevisível que se apresenta.
Enquanto as Pépas deste país têm roupinha bonita para vestir, um emprego na área da sua formação e o desejo de ter uma mala de 1000€, mesmo que sejam apontadas como escalabrosas e inconvenientes dada a situação económica internacional, quem lhes nutre dor de cotovelo continuará infeliz, sempre infeliz, com o sonho medíocre de dar umas cambalhotas com o João Mota e ter umas botas Timberland falsificadas, compradas na feira de Carcavelos. Pensem nisso.

Vão levar com a "igualdade de oportunidades" no c... no rabinho!

Não sei se sabem mas... poderá começar a ser obrigatório pagar propinas no ensino secundário.
Orgulhamo-nos de viver num país ao nível dos mais desenvolvidos da União Europeia ou até do mundo, de haver igualdade de oportunidades para todos dentro da comunidade... mas, no fim de contas, igualdade de oportunidades só se for para os ricos.
Não nos venham encher a cabeça com porcarias, como se fôssemos todos burrinhos, nomeadamente nos livros de Geografia - eu sei do que falo. Ainda hoje, no século XXI, tentam fazer com que os jovens   acreditem numa data de mentiras, uma autêntica lavagem cerebral ao "povinho" - que nós é que mandamos, que o poder parte de nós, que as estatísticas provam o nosso grau de desenvolvimento relativamente ao resto do mundo, etc e tal.
Contudo, esta nova ideia constitucional vem provar exactamente o contrário, e só lhe ficará indiferente quem quiser. O acesso ao ensino, um dos direitos fundamentais de qualquer pessoa, está-nos a ser claramente negado. Já não chegava os nossos pais pagarem impostos exorbitantes, nem as "taxas simbólicas" que pagam no início de cada ano lectivo, nem o ensino superior estar cada vez mais caro, porque agora também pensam em cobrar umas propinas quaisquer no ensino secundário, sinónimo de mais despesas. E isto pouco tempo depois de ter sido instituída a escolaridade obrigatória até ao 12º ano! Sim, sim, esperem por essa. Se o panorama económico, financeiro e, consequentemente, social de Portugal permanecer como se encontra neste momento (já nem falo em piorar), voltaremos à cepa torta, em que as pessoas só conseguem estudar até ao 2º ou 3º ciclo, se tanto, à semelhança de há cinquenta anos atrás, quando éramos um país "retardado" (retardado sem aspas é aquele em que vivemos agora). Neste momento, há quem tenha dificuldade em ter dinheiro para comer, quanto mais para ir à escola!
Começo a acreditar piamente que não estamos a passar por uma mera época de austeridade. O que observo é a decadência de um país até à morte. Há quem consiga fugir, há quem esteja de pernas e mãos atadas. Os "sobreviventes" são uma minoria, a classe média entrou em vias de extinção e não existe governante nenhum que conserve o mínimo de respeito pelos seus compatriotas.
Enquanto estudante, esta notícia deixou-me revoltada. Não digo que o tenha ficado por mim, dado que estou prestes a terminar a "escolaridade obrigatória", mas não deixei de o ficar por todos os jovens que vivem e viverão em Portugal enquanto esta realidade vigorar. O que poderá parecer uma mera notícia, é mais um passo gigante para o desespero.
Espera-se sempre que um país progrida com o decorrer dos anos. Portugal está a regredir.

14 de Novembro

Acordei para esta solarenga quarta-feira que, noutro contexto, seria igual a tantas outras quartas-feiras, sentindo-a como se se tratasse de um feriado. Despertei por despertar, passarei o dia a estudar, talvez vá passear entretanto. E hoje parecia-me realmente um feriado, asseguro-vos!, que se insurgia no nosso calendário em honra de todos os que vamos perder nos próximos anos. Sem nada para "celebrar", a greve geral de 14 de Novembro de 2012 tornou-se o último suspiro desses felizes dias em que podíamos dormir até ao meio-dia e reunir a família para um almoço às três da tarde ou, noutros casos, não fazer nada de nada, existindo simplesmente.

 

Belas recordações...! Disfrutemos, então, desta pseudo-celebração, antes que também nos tirem o direito à greve!

14 de Novembro

Acordei para esta solarenga quarta-feira que, noutro contexto, seria igual a tantas outras quartas-feiras, sentindo-a como se se tratasse de um feriado. Despertei por despertar, passarei o dia a estudar, talvez vá passear entretanto. E hoje parecia-me realmente um feriado, asseguro-vos!, que se insurgia no nosso calendário em honra de todos os que vamos perder nos próximos anos. Sem nada para "celebrar", a greve geral de 14 de Novembro de 2012 tornou-se o último suspiro desses felizes dias em que podíamos dormir até ao meio-dia e reunir a família para um almoço às três da tarde ou, noutros casos, não fazer nada de nada, existindo simplesmente.


 


Belas recordações...! Disfrutemos, então, desta pseudo-celebração, antes que também nos tirem o direito à greve!

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

o dito candidato a êxito musical sobre que escrevi ontem


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<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><strong>LETRA:</strong></div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><strong>"</strong>Se o país aguenta mais austeridade...?</div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;">Ai aguenta, aguenta... (bis)<strong>"</strong></div>

a célebre frase daquele economista muito famoso... ah, sim, o Fernando Ulrich

Quase poderia ser a letra de uma música popular muito conhecida. Com alguma sorte, poderia ser a de uma música cantada pela Madonna. No entanto "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta...!" foi apenas mais uma frase extremamente infeliz dita por alguém que merecia qualquer coisa não menos grave do que uma valente bofa na boca, ou seja, pelo Fernando Ulrich, o presidente executivo do BPI. Apesar da minha ingénua e, talvez, pretensiosa idade, sinto-me curiosamente à vontade para lhe atribuir a qualidade de traste e pedir desesperadamente que nunca mais ninguém o deixe falar em público. Isto é, a menos que a opinião de sua excelência se baseie nalgum dado que desconheço como, por exemplo, que será da generosidade do seu bolso que os portugueses serão alimentados durante os próximos dez a vinte anos. É só uma ideia...


(Por acaso, eu e o Sr. Ulrich temos uma característica em comum: nenhum de nós é licenciado.)

a célebre frase daquele economista muito famoso... ah, sim, o Fernando Ulrich

Quase poderia ser a letra de uma música popular muito conhecida. Com alguma sorte, poderia ser a de uma música cantada pela Madonna. No entanto "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta...!" foi apenas mais uma frase extremamente infeliz dita por alguém que merecia qualquer coisa não menos grave do que uma valente bofa na boca, ou seja, pelo Fernando Ulrich, o presidente executivo do BPI. Apesar da minha ingénua e, talvez, pretensiosa idade, sinto-me curiosamente à vontade para lhe atribuir a qualidade de traste e pedir desesperadamente que nunca mais ninguém o deixe falar em público. Isto é, a menos que a opinião de sua excelência se baseie nalgum dado que desconheço como, por exemplo, que será da generosidade do seu bolso que os portugueses serão alimentados durante os próximos dez a vinte anos. É só uma ideia...

(Por acaso, eu e o Sr. Ulrich temos uma característica em comum: nenhum de nós é licenciado.)