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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Esclarecimento: zonas de interdição de automóveis anteriores a 2000 em Lisboa

Para quem ainda tem dúvidas acerca de que automóveis podem circular no centro de Lisboa desde 15 de Janeiro de 2015, podem obter a lista pormenorizada no site da Câmara Municipal. Existem três zonas de emissões reduzidas na capital, consoante a data de fabrico das viaturas: EURO 1 (veículos construídos antes de julho de 1992), EURO 2 (veículos de 1996 ou posteriores) e EURO 3 (em geral, veículos ligeiros fabricados depois de Janeiro de 2000 e pesados depois de Outubro de 2000). Para mais informações acerca dos limites dessas zonas, aqui vos deixo o link do pseudo-edital, para que não restem perguntas.

Para os carochas, para os Opel Corsa cinzentos, para os Volkswagen Pólos e todos os calhambeques deste país

Sei que ainda não aprofundei muito o assunto por aqui, mas estou a tirar a carta de condução desde Dezembro. A coisa vai bem, muito obrigada, tirando as últimas duas aulas em que me puseram um carro nas mãos (Mercedes CLA de Novembro de 2014, upa upa), sempre à hora de ponta, primeiro ao fim da tarde, hoje ao início da manhã, e eu pensei que ou me daria uma coisinha má ou que alguém morreria por minha culpa, tipo uma criança indefesa ou um velhote daqueles que ocupa os muitos cafés do bairro de Alvalade enquanto conversa com os vizinhos.

Mas, daqui a dois meses (prevê-se), serei eu uma condutora mais ou menos eficaz, mas encartada seja como for, mas o bólide cá de casa (aka carrinho da minha avó) terá de me encher as medidas, porque não há outro. Nem orçamento para o trocar. E este bólide é de '98. E, a partir de hoje, não poderá entrar no centro de Lisboa, desde a Praça de Espanha até à Avenida de Ceuta. Não é que me faça falta andar todos os dias de carro em Lisboa, fica-me bem mais barato em dinheiro e tempo usar os transportes píublicos (que, felizmente, são suficientes para os meus percursos habituais), mas alguma vez há-de fazer falta, nem que seja para passear, e aí é que vão ser elas.

Uma pessoa sujeita-se a encontrar um agente da autoridade e a levar uma multa ou uma pessoa contenta-se em não ir a Lisboa de todo?

Infelizmente, a minha situação não é, de bué bué bué de longe (como no Shrek), a pior. Há pessoas que precisam do carro para irem trabalhar todos os dias. Há pessoas que vivem em zonas mal servidas pelos transportes públicos, fora quando nem os têm no raio de quilómetros a fio. Há pessoas a quem fica mais económico servirem-se da sua viatura pessoal do que andarem nas confusões dos autocarros, dos comboios, dos eléctricos e do Metro de Lisboa. E quem são as grandes figurinhas deste país para dizerem a essas pessoas que o seu bolidezinho de estimação não pode entrar no centro de Lisboa? Quem são eles, que ganham milhares de euros ao final do mês, para dizerem a um cidadão que ganhe o ordenado mínimo para arranjar uma alternativa ao único automóvel de que dispõe, um Volkswagen Polo de 1998 como é o da minha avó, ou para comprar um novo, mais recente por apenas dois anos? E depois, para o ano? Já passam a ser os anteriores a 2001? A 2002? A 2003?

Seja ou não por interesses desconhecidos (cof, acordos com marcas, cof), alheios a todas as desculpas de mau pagador que esta é uma medida ecológica, que pretende zelar pelo bom ar da capital, a hipocrisia vigente na alma e nas mãos desta gente que nos governa parece não ter limites. Ainda no ano passado as viaturas proibidas eram apenas as fabricadas antes de 1993 ou 1995, agora já se passou para 2000 e, para não haver dúvidas, um dia há-de chegar à obrigatoriedade de ter um carro com menos de cinco anos, dois, um. Decidam-se! Ter um carro neste país não é um luxo. Se as famílias têm capacidade para ter um, é mesmo porque não têm outra forma de se deslocar. A maioria da população não sonha com carros do ano X, da marca Y, com características Z, mas sim com um carro utilitário e que, por favor, todos os santinhos nos guardem disso, só vá avariando assim muito raramente.

É pedir demasiado querer ir trabalhar com um popó de 1994? Ou, se é para trabalhar, tem de ser em grande forma e aparato?

E pronto, é neste mundo que eu já conduzo.

'tugas na estrada!

   Se há alguma característica dos portugas de que nos devemos, certamente, orgulhar (ou não) é o dom nato que temos para formar filas de quilómetros e quilómetros no meio da auto-estrada, porque… há um acidente qualquer.


   Na verdade, nem sequer é preciso ser um acidente. Hoje, passei na A2 no sentido Norte-Sul, entre Almada e Corroios, e por lá começava a parar o trânsito. Diz a minha avó “pronto, já estão a ver o acidente!”. Só que, ao contrário do que ela – e eu – pensava, não era acidente, coisa nenhuma. Talvez lhe possamos chamar um “incidente”, com algum jeitinho. Tratava-se somente de um carro que se encontrava à beira da estrada, incólume, aparentando uma mera avaria ligeira ou uma falta de bateria ocasional. No entanto, apesar da pouca importância que a situação tinha, aos olhos de alguém que pensasse objectivamente, o trânsito quase estagnara por quinhentos metros. E não, o condutor do carro nem sequer era muito giro e já lá estava outro rapaz a ajudá-lo (por acaso, esse até tinha um ar interessante!), pelo que não havia motivo para preocupações nem paragens.


   Mas, como é certo e sabido, o bom portuga adora espectáculo, desde que este não seja de qualidade, e quanto mais vulgar for, melhor! Ver dois carros estacionados à beira da estrada e dois homens com colete fluorescente?! Eles alinham! Imaginem lá se fosse uma moça novinha em trajes menores em cima do capot! Estes ‘tugas, ‘pá…

'tugas na estrada!

   Se há alguma característica dos portugas de que nos devemos, certamente, orgulhar (ou não) é o dom nato que temos para formar filas de quilómetros e quilómetros no meio da auto-estrada, porque… há um acidente qualquer.

   Na verdade, nem sequer é preciso ser um acidente. Hoje, passei na A2 no sentido Norte-Sul, entre Almada e Corroios, e por lá começava a parar o trânsito. Diz a minha avó “pronto, já estão a ver o acidente!”. Só que, ao contrário do que ela – e eu – pensava, não era acidente, coisa nenhuma. Talvez lhe possamos chamar um “incidente”, com algum jeitinho. Tratava-se somente de um carro que se encontrava à beira da estrada, incólume, aparentando uma mera avaria ligeira ou uma falta de bateria ocasional. No entanto, apesar da pouca importância que a situação tinha, aos olhos de alguém que pensasse objectivamente, o trânsito quase estagnara por quinhentos metros. E não, o condutor do carro nem sequer era muito giro e já lá estava outro rapaz a ajudá-lo (por acaso, esse até tinha um ar interessante!), pelo que não havia motivo para preocupações nem paragens.

   Mas, como é certo e sabido, o bom portuga adora espectáculo, desde que este não seja de qualidade, e quanto mais vulgar for, melhor! Ver dois carros estacionados à beira da estrada e dois homens com colete fluorescente?! Eles alinham! Imaginem lá se fosse uma moça novinha em trajes menores em cima do capot! Estes ‘tugas, ‘pá…