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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os bebés podem curar tudo, não é?

Em 2016, por coincidência na mesma altura em que decidi ficar a trabalhar noutro continente, deram-me uma sobrinha. Na verdade, não me foram apresentados os termos e condições deste presente, nem sequer o modelo de que se tratava (na altura, até poderia ser um sobrinho, ou dois, ou três). Só sabia que, daí a alguns meses, se tudo corresse bem, existiria pelo menos mais uma pessoa cá fora, neste mundo: acabou por ser uma luzinha chamada Luizinha.

 

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Não pude acompanhar a Luizinha enquanto cresceu na barriga da sua mãe, a minha amiga Daniela. Mas fui a segunda ou terceira pessoa a saber da possibilidade de ela existir. Pude assistir a uma das ecografias, quando vim a Portugal no Natal. Nessa manhã, confirmei: um bebé emociona-nos, mesmo quando ainda não está deste lado. Choramos por eles, quase antecipando o quanto nos farão rir, as alegrias que trarão a quem os rodeia. Das restantes ecografias, recebi as imagens pelo telemóvel. Até receber as primeiras fotografias duma recém-nascida, e depois duma bebé a rir-se, e depois duma bebé palradora numa chamada de vídeo, e depois duma bebé que comia sopa, e depois duma bebé que se empoleirava no berço a dançar. 

 

Tive de deixar passar grande parte do primeiro ano da Maria Luiza. Durante muito tempo, não pude pegar-lhe enquanto foi pequenina e frágil, não a pude visitar, não pude ser uma presença assídua, nem abraçar a Daniela para lhe agradecer o facto de, desde o primeiro resquício de vida desta pessoa, me ter sido permitido fazer parte deste processo, da vida desta criança. No entanto, desde o primeiro dia, eu fui a Tia Bea, graças a esta sobrinha que me ofereceram pela via do coração.

 

Agora que tenho passado mais tempo com esta família que me faz tão bem à alma e que, ao visitá-la, me acolhe como se também eu fosse uma extensão do seu núcleo, tenho a certeza:

 

Os bebés podem curar tudo.

 

Um bebé é uma data de coisas: sendo um novo ser humano, constitui a prova de que o futuro está ali à esquina; é uma fonte de amor que jorra de mãos gordinhas e gengivas tenras, cabeças aveludadas, aroma a leite e toalhitas, rendas na roupa, gorros tricotados, sapatos onde nem cabem os nossos dedos;

...um bebé é a personificação do optimismo, porque um bebé ri e nós rimos também, um bebé descobre as folhas e as árvores e nós sentimos que também os vemos pela primeira vez; um bebé atira-se para o nosso colo e faz-nos acreditar que somos especiais (mesmo quando faz o mesmo a mais mil e quinze pessoas); um bebé olha-nos nos olhos e os astros alinham-se para que tudo pareça estar no sítio onde sempre tivera de estar; um bebé nem está connosco e é como se estivesse sempre ao nosso lado.

 

Um bebé nem sabe falar e já deixa a sensação de que, bem feitas as contas, já sabe tudo sobre a vida. Quando estou com a Luizinha (infelizmente, não tantas vezes quanto gostaria), ou quando a vejo em fotos, vídeos, ou memórias, sinto que tudo tem remédio. Sinto que tudo no mundo está alinhado. Sinto que há paz. Ela sorri e eu não posso deixar de sorrir. Ela grita e eu grito também. Dizem que os bebés imitam o que os adultos fazem... e se formos nós a imitá-los? 

 

Os bebés curam, nem que seja temporariamente, o que nos fere sem se ver. Não são enfermeiros, nem médicos, nem políticos, mas tiram-nos de letargias e permitem-nos ter esperança. Não são comediantes, mas arrancam-nos as maiores gargalhadas. Não são professores, mas ensinam-nos a reparar no mundo como se fosse a primeira vez. Se só passassem anúncios da Dodot, da Johnson & Johnson e da Chicco em horário nobre na televisão, provavelmente o mundo seria um bocadinho melhor. 

 

Adoro bebés - em particular, a minha luzinha chamada Luizinha. ♥

 

 

Uma luzinha chamada Luizinha... 😍

Uma publicação partilhada por Beatriz (@beatrizcanasmendes) a

 

(Se eu sou assim com os filhos dos outros, imaginem como será quando me calhar a mim...) 

 

Nota: a Luizinha é, provavelmente, a bebé mais calma que eu já vi. Desta forma, talvez a minha opinião aqui expressa reflicta essa paz que ela emana. Conselho... consultem um especialista antes de arranjar um exemplar. 

 

 

Baby Boom [Boom, Boom, BOOOOOM!] no Instagram

Por estes dias, principalmente entre a época natalícia e o início do novo ano, anunciaram-se múltiplas gravidezes por esses perfis de Instagram fora. De repente, parece que todas as sugestões de posts apresentam uma barriga a crescer, uma ecografia, uma deixa sugestiva. É assim o amor e a esperança dum futuro cheio de bençãos e alegrias. Fico contente por se ver mais gente a partilhar energia positiva. Destacam-se também as mensagens de carinho. É bonito de se ver e ler. Também há muitos bebés a nascer ultimamente. Parece que se renova toda uma geração a nível mundial numa questão de meses!

 

No entanto, relógios biológicos mais susceptíveis devem manter-se afastados. A sério. Não se aguenta tanta ternura, queixinhos minúsculos e mãozinhas enrugadas de gordurinha, bochechinhas rosadas, cabelinhos de cetim no cimo da cabeça...

 

Lindo, lindo, mas penso que vou rebentar de fofice muito brevemente.

Dah!

Uma pessoa tem o seu primeiro dia de trabalho e quando chega a casa tem a Kate Middleton a parir. Isto é o universo a dizer-lhe que o sacrifício que está a fazer trabalhando num call center, a telefonar a gente indisponível e mal-educada (grupo ao qual pertenceu até hoje) durante 8 horas por dia, é um acto de extrema realeza e que essa mesma pessoa devia ser distinguida com um grau honorífico qualquer por Sua Majestade, a rainha Isabel II de Inglaterra, futura bisavó babadérrima.

Eu sei que nada tem que ver com nada, mas ocorreu-me...

coisas dos blogues

Se repararem, as visitas de um blogue aumentam exponencialmente a partir do momento em que o seu autor tem um bebé ou um cachorro. Ambos são cutchi cutchi, amorosos e blá blá, aspas-aspas, fazendo as delícias dos leitores, que não se coíbem de comentar tamanha fofice e ingenuidade dos pequenotes. Igualmente engraçado (eu chamo-lhe apenas "engraçoso", só para ser do contra) são as frases espontâneas das criancinhas. Toda a gente lhes acha imensa piada! E, no fundo, nem eu deixo de ler algumas das publicadas no Cocó na Fralda, porque sou humana e os humanos sentem-se atraídos por pirosices. (Esta foi a última.)
Infelizmente, como devem calcular, filhos são criaturas que dispenso neste momento da minha vida e, se querem saber, cachorros também não os há por cá. Tenho, sim, três cães, dois gatos e uma tartaruga, mas já são todos bem crescidos e já nenhum apresenta aquele ar de bebé, com olhinhos que brilham e focinho arrebitado (a tartaruga não tem focinho, tem bico, mas vocês perceberam a ideia). Quando publico fotos deles, não há quem não se mostre indiferente. Nada. Nenhuma reacção. Nicles de rien.
Talvez seja por isso que o meu blogue anda às moscas. Talvez seja por isso que ninguém se interessa, porque, afinal, procrastinar é fixe, mas não tanto quanto bebés.

Random Baby Koala, directamente copiado de um site qualquer a que não prestei atenção.

uma imagem vale mais do que mil palavras


 



   Não sei quem foi o autor desta bela foto, que conseguiu captar um momento tão belo e puro, entre um bebé e um tigre - seres tão distintos e, em determinado instante, tão cúmplices - mas tocou-me o coração, e raras são as fotografias que têm este efeito em mim. Simplesmente fantástico!

   Reparem bem no focinho do tigre e na sua expressão... Não vos parece que ele reclama por ser libertado do seu cativeiro, onde se encontra tristemente exposto a uma multidão eufórica, inquieta e desconcertante, como se não passasse de uma atracção de circo? Quase parece que está a tentar transmitir uma mensagem ao bebé... Senti-me realmente emocionada pela expressividade de uma mera imagem.