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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Um cão

Em memória do Bijagó, do Caracol e do Misha, para o Dinky e para a Bianca, tal como para todos os cães. Todos, todos, todos.

Um cão não aspira a outra coisa que não ser um cão. Um cão nunca chega a definir um objectivo de vida além de viver e sobreviver segundo a sua natureza, procurando, deste modo, alguém com quem partilhar essa luta. Ainda assim, é demasiado independente dos da sua espécie para que se torne facilmente seu aliado. A sua ascendência lupina incentiva-o a procurar um alfa.
Por isso, quando encontra um alfa em forma humana, um líder, é a ele que passa a obedecer. E, se essa humanidade do seu novo humano existir realmente, o contrato é recíproco. É deste modo que nasce uma parceria que, se tudo correr bem, poderá ser vitalícia, prometendo o cão e o humano lealdade um ao outro.
Num ambiente caracteristicamente doméstico, ambos cumprem a sua parte do acordo. Em poucas palavras, auxiliam-se mutuamente. O humano dá guarida ao cão, comida e todos os cuidados que, sozinho, o último não poderia providenciar. O cão, por seu turno, protege o território que partilham, olhando também, por afinidade, por todos os que se encontrarem nesse espaço, sejam humanos ou animais. Surge o conceito de núcleo familiar, a matilha mista por que ansiava.
Dentro dessa matilha, o cão procura satisfazer (e, por vezes, exibir-se) perante o seu dono. Portanto, não se importa de acarretar com todas as tarefas que lhe forem atribuídas e ainda, sem que sejam designadas, as restantes que for capaz de realizar. Se houver crianças humanas por perto, zela pelo seu bem-estar, dá-lhes atenção, junta-se às suas brincadeiras, cria outras, é paciente e, propositadamente ou não, acarinha-as. Se vir estranhos aproximarem-se de elementos da sua matilha ou do seu território ou se os seus sentidos apurados detectarem algo pouco usual, ladra a plenos pulmões. Se alguém adoece, mantém-se por perto. Se alguém está triste, consola. Se alguém está feliz, multiplica a felicidade. A natureza do cão é ser altruísta, pensando e agindo pelo e para o bem do grupo.
Porém, como todo o ser à face da terra, dos mais irracionais aos mais racionais, o cão não é perfeito. Apresenta-se frequentemente confuso quanto ao sítio onde fazer chichi ou quanto aos objectos em que pode fincar os dentes; o seu pelo nunca pára de cair em novelos; a sujidade, completamente indiferente no seu habitat natural, senão rica em agradáveis odores para o nariz canino, não é assim tão bem cheirada no habitat humano, onde coabita presentemente; jamais é capaz de decorar os lugares para onde não pode subir nem os alimentos que não lhe estão destinados… É guloso, teimoso, cabeça-dura, chantagista, inquieto, barulhento, pedincha pouco ciente do conceito de higiene…
Responsável, atento, leal, sentimental, sensível, amoroso, um compincha para todas as horas, minutos, segundos e milésimos de segundo, sensato, saudavelmente louco, desafiador, esponja absorvente das emoções que o rodeiam, desde o início do seu contrato e, se lhe derem oportunidade, até ao fim - físico ou metafísico.
Um cão nasce para servir a sua matilha e o seu alfa, pelo que o papel do seu alfa e da sua matilha deve ser garantirem-lhe o fruto do trabalho conjunto da pequena comunidade: conforto, comida, amizade, um lar. Não se trata de um contrato verbal, pois as falhas de comunicação são constantes entre indivíduos de espécies diferentes, trata-se sim de um contrato cego, surdo e mudo, independente da linguagem, do audível e do palpável: é um contrato selado com o coração, tal como em todas as verdadeiras amizades. Não é em vão que se diz que o cão é o melhor amigo do homem; nós é que temos o dever e a honra de o merecer.

Misha, Abril de 1998

Caracol, Dezembro de 2005

Dinky, Novembro de 2009

Bijagó, Verão de 2010

Bianca, Outubro de 2012

cães...!

   A minha cadela, a Bianca, anda a aprender a arte da chantagem emocional. Deve ter aprendido com o Dinky e o Bijagó! Ora, vai uma pessoa fechar-lhe a porta no focinho, porque ela teima em entrar dentro de casa (se entrar, enche tudo de pêlos e de terra, coisas que pode espalhar à vontade pelo enorme quintal à sua disposição), e logo se vê comovida por aqueles olhinhos de cachorrinho mal morto (de carneirinho, ela não tem nada), que pedem, silenciosamente, não me deixes sozinha! Eu sou mais adorável que os teus trabalhos de férias!.


   Segue-se o sentimento de culpa. Sim, minha linda, sim! Tu és mais adorável que os meus trabalhos! Acho que, afinal, os faço mais daqui a bocado.


   Moral da história: se querem ser bons alunos, não tenham cães. 


 


(...)


 


   Ei... Mas eu tenho quatro cães e a minha média é de 17 valores...! Só posso concluir o seguinte: tenho super-poderes.


 


 


PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, AQUI VOS DEIXO O OLHAR


 


 






Bianca, a manipuladora