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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Um elogio à Internet (já agora, este blog completou ontem 9 anos)

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Terminada uma relação, a primeira começada numa idade adulta, reconheci em mim a necessidade de voltar a sentir-me vista. Apreciada. Amada. Desejada. Queria sentir que alguém poderia olhar para mim e pensar "que maravilhoso exemplar feminino da espécie humana", "quanta inteligência e formosura numa só jovem" ou mesmo "comia" (este era o meu grau de exigência, infelizmente, mas melhores dias vieram).

 

Como qualquer millennial dedicada ao seu trabalho, trabalho esse mais solitário, uma millennial que odeia festas e encontros com mais de cinco pessoas, e que já tinha a piscina de "oportunidades imediatas" esgotada, virei-me para o fiel online dating. Cenário familiar do ano anterior, em que, perante o fim duma relação muito mais longa e com um fim três mil vezes mais doloroso do que a presente, as redes sociais para conhecer pessoas com fins de interesse mais ou menos exclusivo já não eram território estrangeiro. No entanto, desta vez descarreguei e experimentei todas as aplicações relacionadas, qual estudo de mercado, o que não me impediu de acabar a usar apenas a do costume, a favorita, aquela que eu recomendo até às pedras da rua: OkCupid.

 

Acredito ferozmente que a Internet e as ferramentas que nos oferece têm o poder de mudar a nossa vida para melhor. Muito melhor. Basta saber seleccionar o que interessa e fazer valer o que nos é oferecido. Ficarei eternamente agradecida a quem teve a brilhante ideia de criar redes sociais, as de matchmaking também. 

 

Se não tivesse sido pela Internet, eu não conheceria pelo menos três amigas a quem cheguei por algum evento que, apesar de ocorrer offline, se divulgou online; e não conheceria o meu ex-namorado, de quem fiquei amiga, e cuja convivência me tem enriquecido emocional e intelectualmente; e não conheceria o meu actual namorado, sobre quem tenho escrito imenso, que me inspira todos os dias e que tem todo o potencial para ser, também, o meu último namorado de sempre ou, pelo menos, por muito tempo.

 

Fico maravilhada ao enfrentar os factos: qual a probabilidade de conhecer estas pessoas que são, hoje, praticamente indissociáveis da identidade que projecto para mim própria? Qual a probabilidade de acordar ao lado dum sujeito chamado João, com quem partilho muito poucos interesses, que cresceu a cinquenta quilómetros de mim? Qual a probabilidade de o João e eu nos termos cruzado, porque estudámos a menos de quinhentos metros durante três anos, mas nada nos ligava à partida, excepto o nome da universidade que ambos apresentamos no currículo?

 

Qual a probabilidade de termos começado a conversar, não fosse eu ter terminado uma relação umas semanas antes dele achar que se deveria concentrar para o grande exame, quase a tornar-se médico e a mudar-se para outra cidade? E se o João não tivesse esperado mais umas semanas, como os pais lhe andavam a recomendar? E se eu tivesse continuado a insistir na minha relação anterior, mesmo que por apenas mais uma quinzena?  E se eu não tivesse ressuscitado a minha conta do OkCupid? E se eu não tivesse publicado uma fotografia com o meu gato que o João veio a comentar, e se o João não tivesse tido uma segunda chance de tentar chegar à fala comigo, apesar de rezar a lenda que eu já ignorara uma mensagem dele antes de apagar a minha primeira conta?

 

A abrangência da Internet e a probabilidade dum grande amor, ou de grandes amizades, convergem aleatoriamente em narrativas que poderiam ter acontecido doutra forma qualquer. Doutra forma qualquer. Mas não assim. É com este pensamento que me permito invadir por uma gratidão infinita pelo efeito borboleta que me trouxe até ao momento presente. Talvez até me sentisse agradecida por outros resultados, se fosse o caso, mas permitam-me questionar: como é que é possível melhorar? Não existe melhor, pois não? Gosto tanto desta realidade como a conheço.

 

A Internet contém uma vida de possibilidades. Tivesse eu nascido uns anos antes, não me identificaria como nativa, não navegaria tão bem os mares da tecnologia que me trouxeram o João e outras pessoas de quem gosto tanto. Sem preconceitos ou amarras, uso ferramentas apenas visíveis através de um ecrã de seis polegadas para construir o mundo como ele é para mim, agora. Porque sei que tenho, de facto, um mundo nas minhas mãos. Um mundo abstracto que se materializa num mundo palpável. Um mundo onde podemos conhecer o amor da nossa vida, onde podemos conhecer amigos que nos trazem tanta bonança, onde podemos encontrar o emprego dos nossos sonhos, onde podemos partilhar as nossas obras, onde podemos aprender e partilhar conhecimento ao qual não teríamos acesso há duas décadas.

 

Estamos a meio de 2020, no meio dum pandemia. Estamos a meio duma vivência crescentemente digital, fugindo do mundo físico e dos encontros cara-a-cara, alimentando uma existência por mensagens escritas e conferências em vídeo. E que existência poderosa pode ser, se aprendermos a retirar o melhor que a Internet tem para nos sugerir! Afinal, considero que o melhor do mundo online é ter o condão de enriquecer o mundo offline, se soubermos orquestrar a transição e a complementaridade. Esta é uma época instrumental para testarmos mais modos de ser e estar num contexto único.

 

Quando abraço o João, lembro-me frequentemente do quão frágil esta realidade - esta, assim - será sempre. Oh, os pequenos acasos que nos fizeram finalmente cruzar - se não na Cidade Universitária, pelo menos num "não-lugar" chamado OkCupid. Um pequeno "se", nada deste abraço. Nada de ter conhecido o João. Nada de tudo o que surgiu. Nem, na verdade, este dia 1 de Julho de 2020 em que me sinto tão satisfeita com o que a Internet me tem dado - incluindo este blog e toda a partilha e procrastinação proporcionadas em - fez ontem - 9 anos.

 

No topo, fotografia tirada ontem, 30 de Junho de 2020, às 21h50 (em jeito de celebração de mais um marco na existência do Procrastinar Também é Viver). A minha janela e o pôr-do-sol estival, tardio, claro. Quase parece anunciar o bem que há-de chegar.

Best of Procrastinar 2018-2020

Ora, bom dia! [Deve ser a primeira vez que inicio um texto desta forma; há uma primeira vez para tudo...]

 

Reconheço que não tenho sido uma companhia muito assídua, mas estes dias são uma amálgama de semanas, então tenho perdido a noção do tempo, assim como uma certa inspiração para escrever. Porém, acompanhando o fim do estado de emergência, conto recomeçar o hábito de publicar qualquer coisa uma vez por semana, seja sobre livros, filmes, séries, eventos ou aleatoriedades.

 

Entretanto, uma vez que as procrastinações estão quase a celebrar os seus 9 anos (em Junho), decidi organizar uma lista de "Best of Procrastinar" dos últimos 2, isto é, entre Março de 2018 e Abril de 2019. Assim, aqui fica o registo ou repositório das minhas 40 publicações preferidas, ordenadas da mais recente à mais antiga. Não vos convido a ler todas, que 40 textos são muita palavra, mas acredito que haja uma ou outra que tenham gostado de ler pela primeira vez e à qual vos apeteça voltar, ou que encontrem algum título desconhecido que vos interesse e assim conheçam um pouco mais do que existe lá para trás, no passado do blog. 

Sem mais demoras...

 

BEST OF PROCRASTINAR 2018-2020

 

  1. O tempo em conflito
  2. O amor e a loiça
  3. Quem é que escreveu o teu texto?
  4. Dá vontade de dizer "forever and ever"
  5. Procrastinar ainda é viver?
  6. São só fotografias
  7. A última romântica
  8. As férias
  9. Gosto tanto de viajar sozinha!
  10. Vistos, ouvidos e validados
  11. A nécessaire da pessoa com quem fui de férias
  12. As dores de um blog
  13. Emprestar livros: uma reflexão simpática
  14. Como concretizar todas as ideias que nos aterram na cabeça?
  15. Escrever, pôr tudo cá fora: Bullet Journal, journalling, to-do lists e outros estrangeirismos de caneta no papel
  16. Sobre quem conversa e quer conversar
  17. Não terminar livros
  18. Há um ano em Portugal
  19. Viver na ditadura da popularidade, criatividade, identidade única e algoritmos
  20. Ler e ser lido; escrever sobre quem escreveu
  21. Eu, Inês
  22. Sabe tão bem comprar um livro novo!
  23. Ser adulto é...
  24. Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações
  25. Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica
  26. 36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal
  27. Vergonha alheia
  28. Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas
  29. Este não é um texto sobre estradas
  30. Ainda Alain de Botton e o amor: como 'The Course of Love' também me conquistou
  31. Pensamentos sobre tentar escrever um livro (outra vez), auto-censura e outras inquietações
  32. Há dias
  33. Estar, apenas
  34. O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton
  35. Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?
  36. As viagens também servem para arejar as ideias
  37. As pessoas não se sentam para beber café
  38. Sobre a felicidade dos outros
  39. Sobre flores (e copos, vá)
  40. Com o que se parece um desgosto?

 

Para mim, procurar o que escrevi nos últimos anos foi um exercício construtivo. A verdade é que serviu para reler alguns textos dos quais já não me lembrava, para perceber a evolução do que escrevo e para revisitar momentos ou pensamentos nos quais, muitas vezes, já nem me reconheço. A memória prega-nos partidas, já escrevia Julian Barnes em The Sense of an Ending, por isso escrever um blog vai atrasando o esquecimento ou, talvez, imortalizando aquilo que me pareceu relevante partilhar.

 

A quem passa por aqui, obrigada pelas procrastinações contínuas e por tornarem o acto da escrita menos solitário!

Quem é que escreveu o teu texto?

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Nos dias que correm, parecemos ser todos produtores de conteúdo instantâneos. Independentemente da faixa etária, utilizamos a Internet e aplicamos  asnossas competências digitais de forma inata, porque nascemos com cada vez mais dispositivos electrónicos à nossa volta e são-nos dadas cada vez mais comandos, telemóveis, computadores, tablets e mil engenhocas para as mãos quando somos cada vez mais novos. Por isso, a possibilidade de produzir conteúdo para um público vasto é um dado adquirido, ainda por cima num país como Portugal, onde facilmente nascemos com veia de escritor (até aqueles que pouco lêem). 

 

Tenho passado algum tempo no LinkedIn e, nesta rede social em particular, fico assoberbada pela quantidade do que por lá se escreve, a rodos. Fica a impressão de que há sempre algo para contar, toda a gente tem algo a contar, toda a gente é inspiradora e toda a gente conhece outro alguém com uma história inspiradora. Atenção: os textos que por lá se lêem nem são maus; são só "poucochinhos". A democratização das técnicas de storytelling (meras fórmulas) não traz necessariamente histórias que interessam, sem criar mais ruído. À parte a prática do amor próprio e ao próximo, que muito admiro e prezo, olho para esta entropia de histórias com pesar e cepticismo. A verdade é que quantidade não é qualidade, e muito menos novidade.

 

Felizmente, há histórias bem contadas e textos muito bons, que perfazem uma boa fatia do que tenho lido. E o que é uma história bem contada ou um texto muito bom? Claro que este meu próprio texto resulta de um exercício de altivez propositado, e que haverá critérios para todos os gostos. Assim, atrevo-me a apontar que, para mim, acima de tudo, um bom texto é um texto em que consigo ler a voz do autor. É um texto que não se parece com outros, seja pelo género, registo, tema, conteúdo, forma, respeito ou desrespeito pelas regras gramaticais... É um texto onde (sobre)vive alguém, e onde se nota um esforço de inovação e de permanência de uma tal voz autêntica, que não se copia. Quem escreveu o teu texto? Quem é que habita o teu texto? Quem é o autor assumido do teu texto? Foste tu a escrevê-lo ou poderia ter sido outra pessoa qualquer?

 

Como resposta a estas perguntas, não há mesmo fórmulas possíveis. Não há "princípio-meio-fim", título cativante ou primeira frase cheia de impulso que salve um texto. Estes são só o ponto de partida para algo que pode ser nosso, se o deixarmos acontecer, porque há mais além manuais de escrita criativa. Há pessoas.

Sete anos a procrastinar (que também é viver)

Na nossa cultura, o número sete tem um significado místico, simbólico. Já ouvi falar duma teoria qualquer segundo a qual, de sete em sete anos, iniciamos novos ciclos na nossa vida. De sete em sete anos, podemos olhar para trás e perceber que somos pessoas diferentes do que éramos sete anos atrás.

 

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Neste dia 30 de Junho, celebram-se sete anos de Procrastinar Também é Viver (que teve outros nomes no início, mas este foi o que ficou). 

 

Partindo do facto óbvio de que, há sete anos, eu era apenas mais uma miúda adolescente, como tantas outras, cujos objectivos imediatos na vida eram ter uma nota desnecessariamente alta no exame nacional de MACS (disciplina que continuo a odiar na forma de Métodos de Investigação), entrar em Ciências da Comunicação na FCSH (ainda bem que não aconteceu) e erradicar o acne (preocupação que ainda me acompanha), é igualmente óbvio que muita coisa coube entre 2011 e 2018.

 

Coube metade do secundário, coube a licenciatura, coube meio mestrado inacabado, vinte meses a viver do outro lado do mundo, o fim do "amor" (inserir um sem número de aspas) adolescente assolapado e estúpido, coube todo um grande amor feliz, couberam grandes desilusões, coube a recuperação de dois anos caóticos, mas também muitas surpresas agradáveis, coube (graças ao blogue) uma reportagemquinze minutos na televisão nacional, sabe-se lá quantos cursos, estágios, trabalhos e empregos, a carta de condução e agora o primeiro carro, coube mais duma centena de livros, talvez duas, pude viajar e conhecer algumas cidades europeias, participar em programas de intercâmbio, houve sempre espaço para o Harry Potter e para Narnia, houve espaço e tempo para conhecer imensas pessoas, para conhecer a maioria dos meus amigos, para criar não sei quantos canais de YouTube, ter uma banda ranhosa, começar a escrever uns vinte livros que nunca consegui levar além da décima página...

 

Aliás, como devem sentir todas as pessoas quando passam pela transição da adolescência para a vida adulta, fica a parecer que toda a nossa existência se resume aos acontecimentos dos últimos anos.

 

Por fim, nem me atrevo a adivinhar o que terei feito daqui a sete anos, onde terei ido ou quais os grandes marcos alcançados desde este momento até então. Daqui a sete anos terei trinta anos, o que me parece, simultaneamente, tão remoto e tão palpável, tão outra realidade ao virar da esquina. Serei mais velha do que qualquer um dos meus amigos, ainda que metade deles já esteja mais perto dos trinta do que dos vinte neste momento.

 

Contudo, não nego que tenho imensa curiosidade em saber o que vai caber nestes anos todos. De facto, tenho tido a sorte (digo eu, optimista incurável) de não conseguir planear quase nada do que me tem acontecido, embora gaste imenso tempo a fazer planos e castelos no ar. Acredito que os próximos oitenta e quatro meses não fujam muito à regra.

 

O que eu gostaria de perguntar à minha versão de trinta anos: fizeste o doutoramento, continuas a ser professora, conseguiste entrar na academia, residiste noutra cidade ou país, fizeste Erasmus, abriste o tal negócio com alguns amigos ou sozinha, já escreveste algum livro, compraste uma casa, viveste ou vives mais algum grande amor, casaste, tiveste filhos, está toda a gente viva e de boa saúde, continuas a escrever no blogue, continuas a procrastinar o que não deves???

 

Um dia, hei-de saber. 

 

Façamos um brinde imaginário aos próximos sete, imprevisíveis, anos. Que sejam tão ou ainda mais felizes do que os anteriores! E que este blogue e quem o lê continue a fazer parte dos meus dias. Que continuemos todos por aqui. 

 

Obrigada por continuarem a ler o que não me cabe na caixa craniana e por continuarem a dar sentido à minha procrastinação. Que ela seja a vossa também. 🎉

Nota à blogosfera

Ando a adiar esta publicação há demasiado tempo. Há muito a ser dito, mas poucas palavras para o expressar, por isso aqui vão as melhores que tenho.

 

Desde que vim morar para Bangkok, a minha vida tem sido uma constante de desconforto, descobertas e avalanches várias. No semestre passado, trabalhei, literalmente, até às lágrimas. Sete dias por semana. Nos dias supostamente livres, tinha de planear aulas. Ao fim de semana, era eu a estudante.

 

Assim, sei que muita coisa na minha vida mudou. Foi tudo um bocado de repente, atabalhoado, daí o choque ter sido maior. Tenho batido muito com a cabeça em paredes de vidro esse aço, tenho-me esfolado toda nesta aventura. Há dias mesmo muito maus, e outros muito bons. Os meus alunos fazem-me sorrir, dando-me segurança acerca da qualidade do meu trabalho. Nem tudo são rosas: há mesmo, mesmo dias em que só me apetece ir embora JÁ.

 

No entanto, no meio de toda esta comoção, da falta de tempo ou de paciência ou de tema para escrever no blogue, vocês continuam desse lado. Alguns já vêm de tempos anteriores e mais pacíficos, outros terão chegado agora ou há pouco tempo, mas cada "favorito", cada ligação, cada comentário e cada e-mail valem mil dias de praia!

 

Obrigada.
Obrigada, tantas vezes.

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Viver num país exótico não tem de ser necessariamente uma experiência exótica todos os dias, areais paradisíacos, rooftops privilegiados e massagens. Desde que cá cheguei, tenho-me sentido a andar com uma nuvem à frente do nariz. Tenho tanta mensagem por responder, tanto comentário a que não dei seguimento. Estou agora a sair desta nuvem, pouco a pouco, porque sei que dia se melhores virão. Estou optimista. A vida só me tem dado chocolates nos últimos anos e uma das provas disso até é este blogue. Esta nuvem vai desaparecer! Vai-me deixar ser positiva e voltar ao estado alerta.

 

Obrigada, outra vez. Obrigada por continuarem a ler o que eu escrevo, ainda que seja tão escasso. Obrigada por me fazerem querer produzir conteúdo cada vez melhor e explorar temas diferentes.

 

Este blogue é muito especial para mim, porque é o meu projecto pessoal há SEIS ANOS! Eu sei, não parece muito, mas isso é para aí metade da minha vida, se não contarmos com as fraldas e a escola primária. Tenho muito orgulho no que faço aqui, porque não é pago nem patrocinado por nada (se bem que um dinheirinho extra vem sempre dar um jeitão), mas mesmo assim eu continuo a voltar e a tentar melhorá-lo. O que eu escrevia quando o criei não tem, claramente, nenhuma semelhança com o que para aqui vai agora, mas olhem... É bestial poder ver essa evolução, na escrita, na pessoa, nos interesses, nas transições...

 

Então pronto, era só isso: obrigada!

O amor, os blogues e as fofocas

 

Na semana passada, nesse dia emblemático em que o Benfica, o Papa e o Salvador Sobral deram tantas alegrias a Portugal e aos portugueses, outra surpresa mexeu comigo: umas fotos muito curiosas de dois dos meus blogueiros de eleição, que alegadamente estariam separados/divorciados e em torno dos quais até se tinha gerado um zum zum de admiração, angústia, tristeza, de repente muitos seguidores a comentarem que, assim, até deixariam de acreditar no amor, que eles eram o par perfeito, levantaram-se mãos ao céu (ou emoticons tristes no Instagram)... Enfim, eu fui uma delas. 

A separação desse casal dos blogues teve um impacto bastante grande em mim. Eu serei sempre a primeira a dizer que as aparências iludem e que de amor ninguém percebe quase nada. Para mim, andamos todos ao mesmo: vai-se por tentativa e erro, a ver se os nossos métodos funcionam com os da outra pessoa. Para mim, casais felizes na Internet também podem ser uma farsa ou um retrato dum conto de fadas, porque só quem anda no convento sabe o que lá vai dentro. Raramente me deixo iludir ao ponto de acreditar que é tudo lindo e maravilhoso lá por casa, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, 7 dias por semana.

No entanto... olhem, qualquer coisa mexeu comigo quando soube desta separação. Talvez por eu costumar dizer que há uma tríade de Ricardos na blogosfera que garantem o sucesso de relações - o meu, o dessa blogger e o duma terceira. (Eu sei que é um bocado presunçoso e ligeeeeeiramente tendencioso pensar nestes termos, mas uma pessoa tem de acreditar nalguma coisa.) Talvez por eu passar demasiado tempo na Internet a pensar na vida dos outros (o que não deixa de ser uma possibilidade credível). Talvez eu até me tenha sentido chocada por ter crescido a ver essa relação a desenvolver-se e, sem me ter apercebido, essas pessoas fazerem um bocadinho parte do meu dia-a-dia e da minha concepção do que é o mundo em geral e o sucesso profissional.

Acho que todas estas são opções muito válidas! E sabem porquê? Porque a verdade incontornável é que a Internet permite-nos ter uma relação, maioritariamente unilateral e quiçá falaciosa, com os escritores, produtores de vídeo, jornalistas ou cronistas. É uma relação não correspondida, mas que nos acompanha por anos e anos. Chegamos da escola e lemos o texto mais recente ao lanche, saímos do trabalho e pelo caminho vemos o novo vídeo. Essas pessoas tocam nas nossas vidas de maneiras muito mais permanentes do que certas partes das nossas famílias.

Assim, foi uma enorme alegria ver que esse casal de que estou a falar desde o início passou tempo de qualidade um com o outro, a julgar pelas fotos que mostram no Instagram. Muitos especulam que será uma reconciliação, mas a mim nem é a possível reconciliação que mais me interessa - é o facto de parecerem felizes e em paz enquanto estão juntos. Não interessa se permaneceram amigos ou outra coisa qualquer. Interessa que, no final, há esperança. Pode ter sido um casal a divorciar-se, mas é uma ligação que não morre, mesmo alé dos filhos.

Às vezes, também me pergunto o que aconteceria se eu e o Ricardo nos separássemos (emocionalmente, porque fisicamente a coisa não pode ficar mais aguda). Número um, não me parece provável que aconteça nos próximos tempos. Número dois, nunca se sabe, por isso não custa puxar pela cabeça e colocar hipóteses na mesa. Acho que, no final, o que mais importaria seria declararmos a paz. Se essa paz viesse na forma duma amizade ou dum carinho especial que não se apaga, significatia que a última meia década não teria acontecido em vão.

Noutra nota... Obviamente que, se os sujeitos em questão publicaram as fotos, já estariam à espera do efeito. Muita gente iria comentar e largar a sua posta de pescada. Neste caso, as fofocas são inevitáveis e quem criticar seja quem for por comentar a situação (hummm, como por exemplo, eu) não tem grande estrutura argumentativa para defender a sua causa. Deste lado, ainda temos poder para escolher o que queremos partilhar e o que preferimos omitir da praça pública. Certamente, este casal/ex-casal não terá escolhido partilhar estes desenvolvimentos de forma inocente e desinformada. Assim, toma lá a minha posta, à qual tenho igual direito.

 

Viva a felicidade! Viva o amor! Viva os sururus que mantêm a blogosfera fofoqueira entretida! Viva a gente contente e satisfeita!

A favor dos quadros de honra

Descobri anteontem uma publicação do blogue da Rita Ferro Alvim que me intrigou bastante, a par dos comentários deixados pelos seus leitores. Já data de 2014, mas o assunto é transversal a qualquer ano e contexto.

Então: será melhor haver quadros de mérito e de honra nas escolas... ou não?


Sendo eu uma aluna que estudou nove anos no ensino básico privado e três no ensino secundário público, mais dois anos no ensino universitário público e desde há dois meses para cá no ensino universitário cooperativo (ensino público, com certas vantagens e estatuto de privado) tenho a confessar que já vi de tudo, em todos os níveis de ensino. Felizmente, tenho uma experiência variada para partilhar, o que provavelmente me dará muito jeito, se sempre prosseguir com o bicho de me tornar professora.

Depois de todas estas experiências ao longo da minha curta vida, e como aluna "de mérito" desde que me lembro, assim como provável-futura professora, confesso que sou a favor dos quadros de excelência, ou de honra ou de mérito, ou quaisquer outros que reconheçam as capacidades e o esforço dos alunos. E não, não só devem ser premiados os alunos com boas notas - os que revelam talento nas artes, os que são áses do desporto, os que se envolvem em actividades empreendedoras e os que se destacam pelas suas qualidades empáticas e solidárias devem-no ser de igual forma (método que vem a ser cada vez mais aplicado).

 

Blogger típica? Eu não!

No outro dia, pus-me a pensar no que é que me torna assim tão diferente das outras pessoas que escrevem blogues. Provavelmente, não somos assim tão distintos - pensei eu para mim mesma. Ainda assim, consegui uma lista significativa de características que não nos são comuns, pelo menos comparando-me com muitos dos bloggers que vejo terem muito sucesso por essas praças. Shall we read it?

 

Não sou uma blogger típica. Sou uma blogger muito amadora, muito fora do circuito, muito pouco adaptada e ainda menos adaptável. 

Não tenho uma máquina fotográfica de boa qualidade, a minha já tem 7 anos e a câmara do telemóvel é fraca. 

Não tenho cães de raça fotogénicos, só rafeiros envergonhados, além de trêss gatas pardas e uma tartaruga que se confundem com os móveis. 

Não tenho um namorado estrela-de-cinema (musculado, barbeado ou de barba certa), que me leve a passear a sítios exóticos ou que me compre muitas prendas vistosas. 

Não tenho filhos fofinhos. Aliás, não tenho filhos.

Não tenho amigos com quem saia à noite ou com quem vá a festivais. 

Não saio à noite, nem vou a festivais. 

Não sou muito sarcástica nem mordaz. 

Não vou ao ginásio como se fosse o templo da minha religião, não corro e também não tenho roupa desportiva de marca. 

Não tenho roupa de marca, calçado de marca, cosméticos ou maquilhagem de marca.

Não sou linda, só sou maravilhosa (confirmam os meus amigos, e eu acredito).

Não tenho parcerias com outros blogues nem faço muitos giveaways. 

Não tenho um cabelo Pantene. 

Não sou fashionista, sou só um bocadinho feminista. 

Não sofro de amores mal resolvidos. 

Não leio os livros da moda.

 

Sou uma blogger-seca, não é?

Uma relação também tem vantagens!

Uma relação envolve muito sangue e suor, esforços de tirar a respiração, sacrifícios pessoais de fazer gritar as pedras da calçada, lágrimas constantes, cenas de pancadaria nunca antes vistas, impropérios largados como bufinhas depois duma feijoada... Enfim, uma data de coisas más. Mas isso só pode ser uma relação que não a minha, porque ouvi dizer que o meu rico fofinho, mais-que-tudo, amor e amigo de todas as horas se candidatou a um curso técnico de multimédia cujos alguns dos módulos são codificação e organização de sites, HTML, Java, programação e etcs e tais muito engraçados. E quem e o que é que vai beneficiar com isto? Eu e este blogue, está visto! Já me foi prometida uma extreme makeover totalmente gratuita e tudo!

As prioridades de um blogue

Num artigo recente alusivo ao Dia do Blogue (31 de Agosto), a Cristina Ferreira contou o seguinte ao Observador: "Lembro-me de, desde o início, comentar com a equipa que não havia nada pior para mim, como consumidora de blogues, do que abrir um deles e não existir novidade nesse dia. Era como se a blogger se tivesse desleixado e esquecido de mim" e que, por isso, faz questão de ter publicações novas todos os dias no seu, o muuuuito famoso Daily Cristina (com o qual eu não simpatizo, diga-se de passagem). 

 

Opiniões acerca da Cristina Ferreira à parte, sejam boas ou más, eu não poderia deixar de discordar plenamente de cada palavrinha do que ela referiu. Não sei se já repararam, mas este blogue, este antro nojento de procrastinação, é uma ofensa a qualquer actividade virtual regular. Tanto posso passar uma semana sem dar sinal de vida, como posso lembrar-me de vomitar meia dúzia de conteúdos por dia. Afinal, o blogue é de quem o tem. Se o blogger tem coisas novas para contar, conta. Quando não tem, cala-se, antes que saia porcaria. Na blogosfera (como em tudo), mais vale pouco e bom do que muito a encher chouriços.

Não passo a vida subservientemente a pensar em como agradar aos meus leitores e como escrever todos os dias no blogue para que eles não fiquem tristinhos, porque, por outro lado, eu também não espero que os blogues que eu sigo tenham lá novidades a toda a santa hora. Vocês sabem que ambos temos vidas, certo? Certo, Cristina Ferreira? É que, se estivermos sempre preocupados em ter o blogue actualizado, acabamos por não viver na vida real. E, se não vivemos na vida real, também não temos nada sobre o que escrever.

 

Lamento imenso se por aí houver quem gosta é de estar em cima dos blogues dos outros, à espera que caia uma nova publicação e que, com isso, todos os seus problemas se evaporem. Caso esperem regularidade e desenvolvimentos todos os dias, mais vale verem novelas, que têm sempre o mesmo horário de segunda a sexta-feira, excepto em noite de bola. Sorryyyyy :/