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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Para os amantes dos cães, com carinho

É impossível não nos derretermos com esta doçura. Sentimo-nos quase a engolir o nosso próprio coração. Ter um cão é sofrer todas as atrocidades consequentes, como cocós e chichis no meio da cozinha, nos pés dos sofás, restos de água e de baba pelo chão, nunca mais comer uma refeição em paz sem dois olhos fixos em nós e um nariz arrebitado a rasar o prato (principalmente quando comemos no colo com tabuleiros) ou sem um focinho periclitante que nos toca insistentemente no cotovelo (no caso dos cães maiorzinhos, os pequeninos só guincham por atenção)... Sei lá, ter um cão implica limpar muito vomitado de carpetes que nos foram legadas pelos nossos bisavós ou tetravós ou whatever, é apanhar muita carraça e ficar com fobia de pulgas (mesmo depois de lhe pormos coleiras e ampolas e pomadas que tais), é tentarmos dar-lhe banho e apanharmos nós uma banhada, é ficarmos com o coração apertado quando ficam doentes sem saberem muito bem o que lhes está a acontecer...

Enquanto amante de cães, este vídeo tocou-me mesmo cá dentro e eu nem costumo ser assim tãããããão emocional (ok, um bocadinho). Porque tudo o que é pequenino é bonito e querido e porque todos os cães, grandes ou minorcas, me fazem querer adoptá-los com um simples olhar. Sou assim, muito frágil e facilmente manipulável quando estabeleço contacto canino.

Mas haverá alguém por aí que fique indiferente aos muito famosos "olhos de cachorro"?

Amor de bicho - antes e depois

Andam por aí a circular uns artigos com fotos de tipo "Antes e Depois" de animais de estimação com os seus respectivos donos (ou deverei dizer irmãos?) e eu derreto-me sempre que as vejo, principalmente aquelas que têm um intervalo de muito tempo. Também eu tenho dois cães, dois gatos e uma tartaruga, já tive mais cães que, infelizmente, já não ladram por cá, e por isso também sei o que é crescer com eles e reflectir acerca do que já passámos juntos, do nosso crescimento, porque o engraçado é assistir à evolução dos dois lados. Assim, aqui vos deixo as minhas fotografias favoritas da Internet!

 

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(10 anos depois)

 

 

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(17 anos depois)

 

 

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(14 anos depois)

 

 

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(12 anos depois)

 

 

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(10 anos depois)

 

 

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(15 anos depois)

 

 

*RETIRADAS DAQUI*

Um cão

Em memória do Bijagó, do Caracol e do Misha, para o Dinky e para a Bianca, tal como para todos os cães. Todos, todos, todos.

Um cão não aspira a outra coisa que não ser um cão. Um cão nunca chega a definir um objectivo de vida além de viver e sobreviver segundo a sua natureza, procurando, deste modo, alguém com quem partilhar essa luta. Ainda assim, é demasiado independente dos da sua espécie para que se torne facilmente seu aliado. A sua ascendência lupina incentiva-o a procurar um alfa.
Por isso, quando encontra um alfa em forma humana, um líder, é a ele que passa a obedecer. E, se essa humanidade do seu novo humano existir realmente, o contrato é recíproco. É deste modo que nasce uma parceria que, se tudo correr bem, poderá ser vitalícia, prometendo o cão e o humano lealdade um ao outro.
Num ambiente caracteristicamente doméstico, ambos cumprem a sua parte do acordo. Em poucas palavras, auxiliam-se mutuamente. O humano dá guarida ao cão, comida e todos os cuidados que, sozinho, o último não poderia providenciar. O cão, por seu turno, protege o território que partilham, olhando também, por afinidade, por todos os que se encontrarem nesse espaço, sejam humanos ou animais. Surge o conceito de núcleo familiar, a matilha mista por que ansiava.
Dentro dessa matilha, o cão procura satisfazer (e, por vezes, exibir-se) perante o seu dono. Portanto, não se importa de acarretar com todas as tarefas que lhe forem atribuídas e ainda, sem que sejam designadas, as restantes que for capaz de realizar. Se houver crianças humanas por perto, zela pelo seu bem-estar, dá-lhes atenção, junta-se às suas brincadeiras, cria outras, é paciente e, propositadamente ou não, acarinha-as. Se vir estranhos aproximarem-se de elementos da sua matilha ou do seu território ou se os seus sentidos apurados detectarem algo pouco usual, ladra a plenos pulmões. Se alguém adoece, mantém-se por perto. Se alguém está triste, consola. Se alguém está feliz, multiplica a felicidade. A natureza do cão é ser altruísta, pensando e agindo pelo e para o bem do grupo.
Porém, como todo o ser à face da terra, dos mais irracionais aos mais racionais, o cão não é perfeito. Apresenta-se frequentemente confuso quanto ao sítio onde fazer chichi ou quanto aos objectos em que pode fincar os dentes; o seu pelo nunca pára de cair em novelos; a sujidade, completamente indiferente no seu habitat natural, senão rica em agradáveis odores para o nariz canino, não é assim tão bem cheirada no habitat humano, onde coabita presentemente; jamais é capaz de decorar os lugares para onde não pode subir nem os alimentos que não lhe estão destinados… É guloso, teimoso, cabeça-dura, chantagista, inquieto, barulhento, pedincha pouco ciente do conceito de higiene…
Responsável, atento, leal, sentimental, sensível, amoroso, um compincha para todas as horas, minutos, segundos e milésimos de segundo, sensato, saudavelmente louco, desafiador, esponja absorvente das emoções que o rodeiam, desde o início do seu contrato e, se lhe derem oportunidade, até ao fim - físico ou metafísico.
Um cão nasce para servir a sua matilha e o seu alfa, pelo que o papel do seu alfa e da sua matilha deve ser garantirem-lhe o fruto do trabalho conjunto da pequena comunidade: conforto, comida, amizade, um lar. Não se trata de um contrato verbal, pois as falhas de comunicação são constantes entre indivíduos de espécies diferentes, trata-se sim de um contrato cego, surdo e mudo, independente da linguagem, do audível e do palpável: é um contrato selado com o coração, tal como em todas as verdadeiras amizades. Não é em vão que se diz que o cão é o melhor amigo do homem; nós é que temos o dever e a honra de o merecer.

Misha, Abril de 1998

Caracol, Dezembro de 2005

Dinky, Novembro de 2009

Bijagó, Verão de 2010

Bianca, Outubro de 2012

BOM DIAAAA!

Acordei com o ribombar da trovoada. Levantei-me na cama, depois de ouvir algumas musiquinhas que me ajudaram a abrir os olhos ao dia, desci as escadas e dirigi-me à cozinha. Pelo meio do caminho, encontrei o Dinky, ensopado em medo dos trovões, que correu a fugir para a cama mais próxima, a da minha avó. Arrastei-o de lá, o bicho todo desorientado, e assumi a derrota - levei-o para o meu quarto. Lá o fiz deitar em cima da manta, para não sujar o édredon, e dirigi-me, uma vez mais, à cozinha. Vi uma frigideira cheia de bifinhos de porco e molho de bifinhos de porco. Meti aquilo ao lume e, dentro de três minutos, já me estava a regalar com um pequeno-almoço de trezentas mil calorias, quatrocentas, quinhentas, bifinho no pão, pão no molho, tudo para a boca*, e a minha avó que nem venha queixar-se que eu não como e que estou tão magra que um dia desapareço. Sinto-me 200% preparada para o fim-de-semana de estudo intensivo.


 


* Não aconselhável a estômagos sensíveis ou a pessoas com a mania que estão gordas. Eu tenho desculpa porque sou um bicho devorador de 46,5kg!

cães...!

   A minha cadela, a Bianca, anda a aprender a arte da chantagem emocional. Deve ter aprendido com o Dinky e o Bijagó! Ora, vai uma pessoa fechar-lhe a porta no focinho, porque ela teima em entrar dentro de casa (se entrar, enche tudo de pêlos e de terra, coisas que pode espalhar à vontade pelo enorme quintal à sua disposição), e logo se vê comovida por aqueles olhinhos de cachorrinho mal morto (de carneirinho, ela não tem nada), que pedem, silenciosamente, não me deixes sozinha! Eu sou mais adorável que os teus trabalhos de férias!.


   Segue-se o sentimento de culpa. Sim, minha linda, sim! Tu és mais adorável que os meus trabalhos! Acho que, afinal, os faço mais daqui a bocado.


   Moral da história: se querem ser bons alunos, não tenham cães. 


 


(...)


 


   Ei... Mas eu tenho quatro cães e a minha média é de 17 valores...! Só posso concluir o seguinte: tenho super-poderes.


 


 


PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, AQUI VOS DEIXO O OLHAR


 


 






Bianca, a manipuladora