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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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As pessoas não se sentam para beber café

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As pessoas não se sentam para beber café. Esta constatação ocorreu-me enquanto eu, sentada a beber café, percebi que a maioria dos clientes se ficava pelo balcão. Um café. Um café e um pastel de nata, por algum golpe do acaso. Até há quem leve o café num daqueles copos de plástico ou cartão para "ir bebendo".

 

Estas pessoas não se sentam para beber café. Então, pergunto-me: quão triste ou sintomático é este facto? Não há tempo a perder. Não há tempo para beber café. Alguns só se sentam para tomar o pequeno-almoço, mas não os vejo permanecerem no mesmo lugar por mais do que o estritamente necessário. É tudo à pressa.

 

Não há tempo para apreciar o momento. Não há tempo para as pessoas se sentarem a beber café. É tudo a correr.

 

Para mim, não há melhor do que me poder sentar, nem que seja por dez minutos, a beber café e a ler (ou a escrever, que é o que estou a fazer neste instante, como podem conferir nestas palavras).

 

Só há tempo para trabalhar. Dá-se o nosso tempo aos outros, mas não de forma directa. Troca-se tempo por um rendimento e não há oportunidade para se trocar esse tempo por memórias em família, enriquecimento pessoal, saídas com amigos, sítios novos, um café e um livro.

 

Esta é uma das minhas dores do crescimento. Tenho uma fobia enorme a ser também contagiada por esta falta de dez minutos para parar e pensar. Ou, apenas, desligar.

 

Fotografia ilustrativa não patrocinada, infelizmente. 

Café para os alunos que estudam na Cidade Universitária

Esqueçam o café do Refeitório I, aquela máquina só o dissolve em água.

O café da cave da Faculdade de Letras é o melhorzinho desta prezada instituição - livrem-se de experimentar o dos bares!

Se não se importarem de se deslocar duas estações de Metro, o melhor café (especialmente capuccinos, mmmm) bebe-se na máquina do ginásio Pump Fitness Spirit, à saída do Metro do Campo Pequeno, na Avenida da República. 

 

Não têm de quê, isto é serviço público!

Já agora, gente doutras faculdades vizinhas, recomendam mais algum sítio?

A saga do capuccino

Eu só queria um capuccino, daqueles da máquina da cave da faculdade, que custam quarenta cêntimos, têm muito leitinho e muita espuma, sem serem demasiado doces nem demasiado acafezados, quentinhos e acabadinhos de sair. São os melhores capuccinos que alguma vez provei, aqueles que se compram nas máquinas automáticas. Guardo-lhes um grande afecto e nunca me desiludiram, como poderão inferir pela quantidade de diminutivos utilizada e pela devoção implícita nas minhas solenes palavras.

 

A aventura começou à saída da biblioteca. Está lá plantado um café, mas eu sou forreta e sabia que a máquina jamais me iria deixar ficar mal. Cheguei à máquina e... só tinha uma nota de dez euros. E trinta cêntimos em moedas pretas. A sério. Por dez cêntimos (ou dez euros trocados)...! Mas eu estava determinada e já tinha metido na cabeça que não conseguiria sobreviver a mais quinze minutos de estudo intenso sem a porcaria dum capuccino barato. Por isso, uma vez que não me quiseram trocar a nota no bar, fui a todas a reprografias abertas que encontrei e mandei fazer fotocópias desnecessárias, só para me darem troco em moedas. O pior é que, como eu já desconfiava que seria o desfecho das minhas infrutíferas tentativas, as empregadas limitavam-se a olhar para a nota que eu lhes estendia e a dizer "pagas depois, 'miga". Enquanto isto, andava a minha amiga Cassandra atrelada a mim, coitadinha, a perder tempo útil de estudo, e eu a perder paciência, e eu a perder todas as esperanças de arranjar qualquer coisa que me arrebitasse o raciocínio pós-almoço, e ela muito passiva e a meter-me pena...

 

Posto isto, foi assim que, ao fim de quase meia-hora desperdiçada, regressei à biblioteca e paguei 1,10€ por um capuccino demasiado doce e nada forte num copo de papel reciclado. Passei o resto da tarde a penar em cima dos livros. Isto passou-se anteontem, mas só agora recuperei do esforço intelectual descafeinado daquela tarde.

 

***

 

Ironia da minha faculdade: a caixa multibanco só dá notas de 20€, mas os alunos sobrevivem a cafés de máquina, pagos em esmiuçalha do fundo da carteira.