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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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A Carolina Deslandes, "Adeus Amor Adeus" e aquele nozinho no coração

A Carolina Deslandes teve uma espécie de condão para lançar o último disco numa altura em que, por acaso, eu precisei de uma nova banda sonora. Nessa mesma altura, também precisei de - e felizmente consegui - novos livros, viagens a novos sítios, novos ombros amigos, novos desafios e, na verdade, tudo novo. (Quem nunca se sentiu assim, a precisar de uma fase de renovação, não é verdade?) Então, de certa forma, a Casa da Carolina também foi um pouco minha, onde tentei arrumar e reorganizar o que me faltava.

 

Bem sei que nem todas as pessoas serão as suas maiores fãs, mas eu, também não sendo das maiores, admiro-a. Acho que, apesar de não concordar pessoalmente com tanta exposição, consigo reconhecer que o público entra em contacto com uma mulher jovem que parece trabalhadora, focada, que consegue equilibrar a vida pessoal e profissional e que provavelmente tem atingido muitos dos seus objetivos pessoais nos últimos tempos. É bonito e até gratificante na terceira pessoa.

 

 

Entretanto, a vida continua. A Primavera acabou, o Verão passou e até estamos quase no Inverno. Parece poético e talvez o seja. Este ano e as estações que se sucederam poderiam encaixar simbolicamente na minha história. Poderiam fazer parte do storytelling. E, como que encerrando um período catártico, a Carolina também diz "adeus" num vídeo que, depois de nos amassar a bagagem e prender em nostalgias, pontadas agudas e agitações invisíveis, nos liberta. Nem tudo pode ser para a vida toda, mas mais estará para vir quando tiver de ser.

 

A miúda gostou e gosta.

 

Não consigo parar de ouvir a música "A Miúda Gosta" (Carolina Deslandes)

Tenho um problema musical em mãos (neste caso, em ouvidos): não consigo deixar de ouvir a música "A Miúda Gosta".

 

 

Claro que, por essas blogosfera e redes sociais fora, o álbum Casa, da Carolina Deslandes, tem-se revelado uma espécie de livro de hinos ao que é lindo, maravilhoso, romântico, sentido, catártico, representativo do que é mais puro e inocente nos nossos corações empedernidos, que se vão tornando moles a cada nova música.

 

Quanto a mim, costumo dizer que embirro com modas, só consigo ver as séries e os filmes, ouvir os artistas, ler os livros quando eles deixam de ser o centro das atenções das massas, mas tive de abrir uma excepção para este álbum Casa, nem que seja porque fui uma das milhares de pessoas que se derreteu com A Vida Toda há mais dum ano e que ganhou uma curiosidade miudinha acerca do que sairia da mesma origem.

 

É neste contexto que, primeiro, me apaixonei pela música "Agora", a qual encaixou que nem uma luva em circunstâncias que já vão passando, e também por esta, "A Miúda Gosta". Digo que tenho um problema, porque passo a vida a ouvi-la, de vez em quando farto-me, mas horas depois já estou com saudades de voltar ao mesmo. Nem sequer penso que seja uma música a ser transformada em hit, passa despercebida. Então, porquê esta insistência em encher a cabeça sempre com a mesma toada?

 

Eu não percebo nada de música (ter tido uma banda por seis meses e ter feito covers ranhosos para o YouTube não conta, pois não?). Mas acho que percebo uma coisa ou outra de palavras. Ou simplesmente de intuição e lamechice. Assim sendo, decidi vir aqui partilhar convosco que a miúda gosta d' "A Miúda Gosta", e fica bem disposta...

 

Gosto que esta música trate o amor como uma coisinha tontinha, porque é, "pura insensatez". O pessoal fica mesmo apanhado, não fica? É mesmo uma droga, não é? Ficamos a flutuar, como inspira a batida da canção, a delicadeza dos instrumentos. Não é?

 

Além disso, acho que aquilo de que eu mais sou fã é que esta canção também venha relembrar-nos de que não é realmente verdade quando dizemos que não podemos mudar os outros. Parece-me que sim, não necessariamente a sua identidade ou os traços que mais os caracterizam, mas talvez os seus hábitos ou opiniões sobre alguns assuntos: "eu nem gosto de cartas nem postais, mas a miúda adora, diz que até cora"; "eu nem gosto de falar de sentimentos, mas a miúda pede, ri sozinha e pede, então lá vou eu"; "sabe que eu não danço, mas eu não descanso sem a ver feliz". Apanha-se um sentimentozinho e troca-se as voltas à malta. 

 

E, depois, toda esta "miudez" dos sentimentos, todo este aparvalhamento, tontice... Ela é a miúda, ela quer, e o adulto sério faz "o que ela quiser, pura insensatez", "e ela, sem medo, dá-[lhe] um abraço", uma parvoeira. Não faz sentido, mas é mesmo assim, pelo que me lembro. 

 

Não procedendo a grandes psicanálises, conclui-se, então, que esta miúda gosta e fica bem disposta ao lembrar-se de como esta tolice pegada é engraçada, bem foleira, mesmo que não lhe ande a tocar a ela. Já tocou, pelo menos, e já foi bem bom. Já não morro ignorante! 😂