Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Tirar a carta não é o sonho que parece

Sucumbindo aos clichés do costume, adianto que, em breve, haverá um novo perigo na estrada. Lá para Abril, se tudo correr bem! No entanto, até lá, ainda tenho muuuuito para penar.

Para os que ainda não passaram pelo drama de tirar a carta, eis o panorama geral (pelo menos, o meu):

  • os intrutores de código que me calharam na rifa devem pensar que estão a ensinar-nos a mais maravilhosa ciência alguma vez conhecida, restrita apenas a uma elite super inteligente;
  • um dos instrutores é um tipo que veio de Bragança, não diz as vogais (t'ã a ver, é prfte!), tem 1,90m de altura e um caparro que se vê no Algarve - confirmei na segunda aula com ele que "já foi PT" (personal trainer, mas PT é mais bonito), e é claro que já foi, que tolice a minha ter pensado o contrário. Ainda assim, confirmo que tem uns olhos azuis muito bonitos e um ar muito simpático - isto é, apesar de nos intimidar um nadinha, devido aos 40kg de massa muscular com que se apresenta;
  • já a outra instrutora parece um amor de pessoa, mas não deve ter ido com a minha cara - mas eu também a acho muito parecida à Ana Garcia Martins aka Pipoca, se ela não tivesse usado aparelho, não usasse bons cremes ou arranjasse o cabelo tipo à anos 80 (ok, aqui estou a ser realmente mázinha, peço desculpa). Provavelmente, a senhora também sentiu as minhas vibrações que lhe revelaram a pouquíssima pachorra que me sobra para estudar o código da estrada (o que vou acabar por fazer, inevitavelmente, não se preocupem);
  • as aulas de código são REALMENTE uma seca - vim a confirmar não se tratar de um mito. Quando se começa parece tudo muito engraçado, por ser novidade, mas chega-se à 12ª aula e já só nos apetece passar o resto da vida a depender dos transportes públicos. A coisa ainda se torna mais fofinha quando percebemos que os instrutores têm preferidos - e nós não fazemos parte desse grupo;
  • salvam-nos as aulas de condução, que são sempre divertidas. Ainda vou na 4ª ou na 5ª, mas mesmo com a instrutora (cheia de paciência, esta) sempre a malhar na minha falta de coordenação, tenho gostado imenso de conduzir. Porém, há que sublinhar que ainda só comecei a usar os pedais na aula passada, pelo que toda uma panóplia de aventuras e desventuras ainda deve estar para acontecer.

Aguardem novos relatos e rezem pela minha saudinha. Seria bom que tirar a carta fosse um mar de rosas!

Para os carochas, para os Opel Corsa cinzentos, para os Volkswagen Pólos e todos os calhambeques deste país

Sei que ainda não aprofundei muito o assunto por aqui, mas estou a tirar a carta de condução desde Dezembro. A coisa vai bem, muito obrigada, tirando as últimas duas aulas em que me puseram um carro nas mãos (Mercedes CLA de Novembro de 2014, upa upa), sempre à hora de ponta, primeiro ao fim da tarde, hoje ao início da manhã, e eu pensei que ou me daria uma coisinha má ou que alguém morreria por minha culpa, tipo uma criança indefesa ou um velhote daqueles que ocupa os muitos cafés do bairro de Alvalade enquanto conversa com os vizinhos.

Mas, daqui a dois meses (prevê-se), serei eu uma condutora mais ou menos eficaz, mas encartada seja como for, mas o bólide cá de casa (aka carrinho da minha avó) terá de me encher as medidas, porque não há outro. Nem orçamento para o trocar. E este bólide é de '98. E, a partir de hoje, não poderá entrar no centro de Lisboa, desde a Praça de Espanha até à Avenida de Ceuta. Não é que me faça falta andar todos os dias de carro em Lisboa, fica-me bem mais barato em dinheiro e tempo usar os transportes píublicos (que, felizmente, são suficientes para os meus percursos habituais), mas alguma vez há-de fazer falta, nem que seja para passear, e aí é que vão ser elas.

Uma pessoa sujeita-se a encontrar um agente da autoridade e a levar uma multa ou uma pessoa contenta-se em não ir a Lisboa de todo?

Infelizmente, a minha situação não é, de bué bué bué de longe (como no Shrek), a pior. Há pessoas que precisam do carro para irem trabalhar todos os dias. Há pessoas que vivem em zonas mal servidas pelos transportes públicos, fora quando nem os têm no raio de quilómetros a fio. Há pessoas a quem fica mais económico servirem-se da sua viatura pessoal do que andarem nas confusões dos autocarros, dos comboios, dos eléctricos e do Metro de Lisboa. E quem são as grandes figurinhas deste país para dizerem a essas pessoas que o seu bolidezinho de estimação não pode entrar no centro de Lisboa? Quem são eles, que ganham milhares de euros ao final do mês, para dizerem a um cidadão que ganhe o ordenado mínimo para arranjar uma alternativa ao único automóvel de que dispõe, um Volkswagen Polo de 1998 como é o da minha avó, ou para comprar um novo, mais recente por apenas dois anos? E depois, para o ano? Já passam a ser os anteriores a 2001? A 2002? A 2003?

Seja ou não por interesses desconhecidos (cof, acordos com marcas, cof), alheios a todas as desculpas de mau pagador que esta é uma medida ecológica, que pretende zelar pelo bom ar da capital, a hipocrisia vigente na alma e nas mãos desta gente que nos governa parece não ter limites. Ainda no ano passado as viaturas proibidas eram apenas as fabricadas antes de 1993 ou 1995, agora já se passou para 2000 e, para não haver dúvidas, um dia há-de chegar à obrigatoriedade de ter um carro com menos de cinco anos, dois, um. Decidam-se! Ter um carro neste país não é um luxo. Se as famílias têm capacidade para ter um, é mesmo porque não têm outra forma de se deslocar. A maioria da população não sonha com carros do ano X, da marca Y, com características Z, mas sim com um carro utilitário e que, por favor, todos os santinhos nos guardem disso, só vá avariando assim muito raramente.

É pedir demasiado querer ir trabalhar com um popó de 1994? Ou, se é para trabalhar, tem de ser em grande forma e aparato?

E pronto, é neste mundo que eu já conduzo.

Os meus amigos conduzem

Os meus amigos conduzem... carros. Viaturas de categoria B, com volante, mudanças, cinco ou sete lugares, tejadilho, porta-bagagens, motor a gasolina ou a gasóleo. Os meus amigos já não andam só de bicicleta, nem de transportes públicos, nem de triciclo. Os meus amigos, da minha idade, já têm carta de condução, mas isso é o menos. Eles conduzem, eles praticam a acção de conduzir além das aulas práticas, eles estacionam o carro à frente da minha casa e dão boleia a quem precisar. Os meus amigos perguntam-me se eu preciso que me levem a algum sítio, mesmo aqueles meus amigos que demoraram três vidas a tirar a carta até os pais lhes pagarem o resto do código e que andam a estudar sinais de trânsito desde o 11º ano.

Isto é tudo muito estranho e ainda me estou a habituar à ideia de que já tenho idade por aí a andar na estrada, como os grandes modelos adultos da minha vida, a minha avó e o meu pai. Na minha cabeça, só os "pais" é que têm carro e carta de condução, só eles podem conduzir.

Eh pá, eu que me livre de não ser a próxima a tirar a carta! Hei-de arranjar a massa para isso, hei-de conseguir, hei-de bulir até marar os miolos!