Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O luto e a impotência da perda: The Year of Magical Thinking (Joan Didion)

LRM_EXPORT_276497739492560_20190608_131208256.jpeg

 

Life changes fast. Life changes in the instant. You sit down to dinner and life as you know it ends.

 

Já perderam alguém querido de um momento para o outro? Já vos aconteceram situações inesperadas que mudaram a vossa vida para sempre?

 

É este o mote para todo o livro The Year of Magical Thinking, de Joan Didion. Deve ser o livro mais triste, mas também dos mais bonitos que li este ano. Joan Didion é conhecida por ter tido uma carreira completamente ligada à escrita, nomeadamente na Vogue, na revista The New Yorker e como guionista (como o remake de A Star is Born de 1976), mas este é um livro, digamos, de memórias.


Quem também conheceu no trabalho e a acompanhou durante mais de quarenta anos de vida foi o marido, o também escritor John Dunne. The Year of Magical Thinking não é só sobre ele, mas sobre o seu falecimento e o ano que se seguiu. Este é um livro sobre o luto, o que por si só é triste, mas que neste caso tem todo o contexto dum casamento feliz que lhe precedeu.

 

O luto de Didion consiste numa tentativa constante de reconstrução dos factos que levaram ao momento em que John se sentou para jantar e teve um ataque cardíaco, revisitando recordações desde o momento em que se casaram até à noite de 30 de Dezembro de 2003. Por isso, o sentimento de impotência prevalece, mesmo quando são contadas memórias felizes. A autora quer ter respostas que, na verdade, são óbvias. Como e de que morreu o marido? Ela poderia ter feito alguma coisa para o evitar? Como é que poderiam ter tido uma vida ainda melhor? Deveria ter lido melhor os sinais, tanto os sinais médicos quanto os esotéricos? Que entrelinhas lhe falharam?

 

Para mim, o mais importante a reter e a apreciar neste livro é o raciocínio de alguém que perdeu a sua pessoa favorita no mundo, embora não acredite que seja o melhor trabalho escrito fale Didion. O que faz deste livro tão bonito é o carinho omnipresente e a falta que faz a pessoa com quem se escolheu passar a vida.


Por outro lado, a dor. Li a maior parte de The Year of Magical Thinking antes de adormecer e tive quase sempre sonhos relacionados com a perda súbita de alguém, ou com a impotência e casualidade da maioria dos eventos na nossa vida, que não podemos controlar. A procura desse controlo é vã, mas devolve-nos algum conforto, por nos fazer parecer que estamos a tentar tanto quanto possível. No caso de Didion, nada iria mudar o facto de o marido sofrer de problemas cardíacos, com predisposição genética e detectados várias décadas antes da morte, mas mesmo assim a procura incessante de respostas mostra-se tão inevitável quanto a doença (da filha de ambos, Quintana) e a morte.


Assim, se procuram entender melhor o a relação entre os vivos e os mortos, o amor que sobrevive a qualquer um, se perderam um ente querido e precisam de consolo e catarse, se querem ler sobre casamentos e histórias de amor que só a morte separa... The Year of Magical Thinking é o que vos faz falta na estante. Não é uma leitura emocionalmente fácil, mas de certeza que nos enternece.

 

-----

🤯E agora que já terminei este livro fininho, mas pesadote... O que recomendam de mais leve e para a boa disposição das pré-férias, com dias tão bonitos?

Há alguma receita para o amor?

Reposta curta:

Não, não há nenhuma receita para o amor.

Resposta longa: Há apenas possíveis ingredientes. Eu nunca fui boa cozinheira, por isso faço sempre misturas estranhas. Vai por tentativa e erro. Mais um ingrediente aqui, menos um ingrediente ali. Da próxima sai melhor. Se não é desta, será doutra.

Não há receitas para o amor, mas há cozinheiros que, ao trabalharem em equipa, conseguem criar pratos equilibrados a partir do desequilíbrio de sabores.

Eu sei que tive a sorte de conhecer o melhor chef do mundo há muitos anos. Há poucas aventuras que eu queira ter sem ele. Passo a vida a pensar "o Ricardo havia de gostar deste sítio, quem me dera que o Ricardo visse isto, o que é que o Ricardo diria daquilo?, o Ricardo ia adorar estar aqui". Mesmo quando vivia em Portugal, mesmo quando vivíamos a três quilómetros um do outro e nos víamos quase todos os dias antes e depois das aulas e do trabalho, eu já sabia que, como ele, há poucos.

O amor não tem receita, mas as relações humanas têm, todas elas. Quando começámos a namorar, quando ainda estava tudo muito fresco e eu contei ao meu pai que só namorávamos, oficialmente, há duas semanas, ele disse que o mais importante devia ser sempre o respeito mútuo. Foi o único conselho que recebi, mas devo dizer que há muito mais por trás desta única palavra.

O respeito não existe facilmente, é preciso muito mais. Tenho aprendido, a cada dia que passa, que, para haver respeito, tem de haver uma certa admiração pelo outro. Pelo que ele é capaz de fazer, pelas ambições, pelos feitos, pelo feitio, pela disposição, pela maneira como encara a vida. Só assim é que consigo respeitar alguém e só assim sou capaz de respeitar o Ricardo, não necessariamente apenas enquanto meu namorado, mas enquanto amigo, filho de alguém, irmão de alguém, futuro pai, cidadão deste mundo, profissional e membro desta e doutra comunidade ou equipa.

E, além do respeito, sempre achei necessário haver um compromisso. Falar de bebés e contas bancárias aos 17 e aos 19 anos pode parecer despropositado, mas funcionou, porque eram e são esses os nossos planos e ideias para o futuro. Partilhar expectativas em relação ao que se espera duma família e do seu funcionamento faz parte duma relação que não se deseja ser um desperdício de tempo. Quando se assume um compromisso, seja aos 15 ou aos 85 anos, tem de haver um contrato explícito. Aos 22 e 24 anos, falamos dos mesmos assuntos, uma e outra vez, à procura de consenso permanente, para verificar se continuamos na mesma página. Continuamos, mais do que nunca. Lemos livros diferentes, mas viramos as páginas em simultâneo. 

Provavelmente, tudo o que idealizamos ainda há de levar mais meia década a concretizar-se. Chegaremos sem grande esforço a perto de dez anos de negociações, preparações, projectos, ideias. Talvez por virmos de famílias e pais que teriam precisado bastante de viver este processo demorado antes de nos terem, somos uns gatos escaldados.

Receita para o amor não há, mas há comunicação e abertura numa parceria como qualquer outra. Precisamos de melhorar isto, aquilo não pode ser mudado, aqueloutro está bom. 

 

IMG_20121206_124722.jpg

 

E agora vocês, quais são os ingredientes da vossa história de amor e parceria? ♥ 

Dos pedidos de casamento

Quando era mais nova, sempre sonhei em viver momentos de filme, cheios de lamechice, obviamente fruto dos filmes de Hollywood e da Disney: rapaz conhece rapariga, apaixonam-se, ele pede-a em casamento assim de surpresa num local mega especial (ou numa ocasião engraçada), casam-se, têm filhos e vivem felizes para sempre (ou até se divorciarem ou se fartarem um do outro, uma alternativa que sempre tive no meu imaginário, infelizmente).


Pois bem, intrigava-me principalmente a parte do pedido de casamento e a sua simbologia. O homem é que pede: check. Anel de diamantes: check. Mulher admiradíssima aceita: check. Salva de palmas de quem ouve o pedido e respectiva resposta: check. Sinceramente, nunca sequer questionei o facto de ser o homem a pedir a mulher em casamento. Parece que eu vivia num conto de fadas, onde as mulheres trabalham, sim senhor, onde estudam e ganham o seu salário, mas onde esperam que o seu príncipe encantado lhes venha perguntar se lhes dão a sua mãozinha e o pezinho (Cinderela style) em matrimónio.

 

E depois descobri que, na vida real, nem sempre esses pedidos fazem sentido, a menos que estejamos num reality show ou nos EUA. Porque, na vida real, perguntei logo ao meu primeiro arranjinho, nas primeiras semanas, se aquilo era para casar ou não (missão suicida, portanto), o moço disse um sim muito vago e eu, apesar de ligeiramente fascinada por obter feedback, por muito a despachar que fosse, também senti que aquilo não devia dar o pano para mangas como eu queria.

 

O meu dentista, amor e uma cabana (e um aparelho)

Contextualização: o meu dentista é um senhor muito simpático, falador e culto, que me pergunta o que ando a ler todas as vezes (todos os meses) em que lá vou. Inclusivamente, falamos sobre temas diversos, género coisas da vida e trivialidades (vá, eu tento, com as mãos dele enfiadas na minha boca, belhac). Já agora, uso aparelho há 2 anos e 5 meses e já ouço há quase um ano que "daqui a 6 meses o tiro".

 

Conversa de hoje...

- Quando é que me livro disto?

- Lá para 2017.

- Yey, mesmo a tempo de me casar! [nota: sarcasmo]

- Não, lá para Setembro [tradução: lá para o Natal]. Mas espera lá, vais-te casar em 2017?

 

NÃO. EU ESTAVA A GOZAR. PRIMEIRO QUERO LIVRAR-ME DE ORTODONTISTAS VÁRIOS E DEIXAR DE TER ESTE AR DE PITA DE 14 ANOS, PARA AS CRIANÇAS/PRÉ-ADOLESCENTES ME LEVAREM A SÉRIO E EU PODER SER PROFESSORA DELES. SÓ ASSIM ARRANJAREI UM EMPREGO, SÓ ASSIM TEREI DINHEIRO E SÓ ASSIM ME PODEREI CASAR COM O MEU FOFINHO, QUERIDINHO RICARDINHO. AMOR E UMA CABANA O TANAS.

 

Sem stress, lá para 2050, estarei despachada!

O George Clooney não é um DILF

Talvez a diferença de idades entre mim e o Geoge Clooney seja demasiado grande para que eu entenda o burburinho que se passa em volta do seu casamento, por fim, aos 53 anos. É certo que ele é ainda um pouco mais velho do que o meu pai, o que não melhora as coisas, mas será que, mesmo que eu fosse mais velha, conseguiria encontrar-lhe o tão famoso charme que a maioria das criaturas do sexo feminino lhe atribui? Não sei. Só sei que, normalmente, não deixo de conseguir avaliar homens mais velhos, mais conhecidos como DILF - Dads I'd Like to F***. E o George Clooney está longe de ser um DILF. Ele não é um DILF. Eu sabê-lo-ia, acreditem. É tudo muita publicidade e pouca realidade.

Agora parem lá de se pelar e olhem para a carinha bem vulgar do moço, vá. Não é assim tão mau que o suposto solteirão de Hollywood tenha dado o nó.

 

Parabéns ao noivo, seja como for!

 

 

Mais fotos do casamento do George Clooney aqui.

"Such a stupid question"



Ok. Vamos lá falar de pedidos de casamento. 


Em primeiro lugar, a minha pessoa defende, por norma, que os pedidos de casamento são desnecessários e, até, um símbolo da submissão feminina ao controlo masculino, como se só os homens tivessem legitimidade para pedir as mulheres em casamento, e não o contrário. Aliás - como se a vontade de casar não fosse algo a ser pensado em conjunto! Faz-me espécie, na maioria dos casos. Admito que é uma tradição bonita quando bem executada e que as futuras noivas ficam todas histéricas de contentes e é uma alegria e tal, maaaaaaaaaas...

Portanto, para contrariar o meu coração de gelo e a minha falta de sensibilidade para com os rituais da sociedade, alguém tinha de divulgar um vídeo como o acima colocado: um pedido de casamento fofinho e original que, no final, me deixou a soluçar. A SOLUÇAR. Não me limitei a deitar uma lagriminha de crocodilo, eu SOLUCEI. É incrível, até eu fiquei espantada com a minha emotividade. Afinal, sou de lágrima fácil, mas não propriamente no que toca a este tipo de coisas, que eu acho foleiras até mais não. E o pior é que eu achei este pedido de casamento foleiro e gostei dele na mesma, ainda que o noivo me pareça uma pessoa bestialmente presumida e não me inspire confiança por aí além (também é actor e é norte-americano, duas premissas que o fazem descer de imediato na minha consideração). O que o salva é que, desta vez, teve uma excelente ideia que não me deixou indiferente, pelo que será parcialmente perdoado pela sua arrogância.

Continuo a achar um bocado exibicionista ter publicado a gravação do pedido, do género "sou mesmo bom, vejam como sou um noivo/marido fantástico e contentem-se com a vossa humanidade e os vossos gestos de amor medíocres... pff, vocês são meros mortais e nunca conseguirão alcançar o meu nível de fabulosicidade!", só que, lá está, se ele não a tivesse disponibilizado no Youtube, eu nem sequer teria tido a oportunidade de descobrir que é possível porem-me a chorar baba e ranho durante (o que me pareceu) uma infinidade de minutos, perante uma situação de que nem sou fã - o que, bem pensado, esteve longe de ser o ponto alto da minha vida, mas não nos alonguemos para além do que eu queria realmente dizer.


O que eu queria realmente dizer era...

Caramba, esta cena deve ter dado trabalho a fazer! Ah, e o tipo complicou a vida a muitos dos homens deste planeta, aumentando a fasquia e as expectativas das criaturas do sexo feminino que viram este vídeo e que, de agora em diante, hão-de ficar muito desiludidas se eles não as pedirem em casamento com esta criatividade! Passam a estar todos condenados a ter de puxar pela cabeça, a menos que queiram levar com um balde de água fria em cima! (Ainda não sei se isso é bom ou se é mau...)


Contudo, antes de dar esta publicação como terminada, pretendo reafirmar a minha posição: isto dos pedidos de casamento é muito lindo, muito emotivo, muito rónhónhó, mas, pelos motivos que já mencionei, por mim, dispenso-os na vida real. E não - Ricardo e outros cépticos que acharão que estou só a armar-me em insensível, apesar de, lá bem no fundo, estar roidinha de inveja - não estou a afirmá-lo da boca para fora, esta é a verdade-verdadinha.

os novos melhores partidos para casar

Kate Middleton, és uma mulher antiquada. Casar com príncipes está fora de moda; o que está a dar é casar com criadores de redes sociais. Afinal, enquanto os príncipes estão falidos, mais coisa menos coisa, os novos cérebros da Internet até já têm as suas empresas cotadas na bolsa e têm lucros que crescem 200% por ano.



Ontem, Mark Zuckerberg, deu o nó, numa cerimónia íntima, com Priscilla Chan.