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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Bioliderança: Porque seguimos quem seguimos? (Paulo Finuras)

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O título Bioliderança poderá suscitar algumas dúvidas ao leitor absolutamente leigo, mas o subtítulo deixa pouco espaço para que elas persistam: Porque seguimos quem seguimos?


Ultimamente, tenho-me interessado por muitos temas relacionados com a psicologia humana, muito em parte devido a uma disciplina do mestrado em que me inscrevi como opcional, Cognição e Criatividade. Tenho gostado muito de aprender como é que os nossos cérebros funcionam, seja em termos de emoções, processos cognitivos, percepção, recepção de estímulos, reacções, e ainda como é que ele evoluiu desde os tempos ancestrais até ser o que se pensa ser hoje em dia.


Há algumas semanas, acabei por encontrar uma série de entrevistas sobre psicologia evolutiva do podcast Quarenta e Cinco Graus, apresentado por José Maria Pimentel, e um dos convidados foi o Prof. Paulo Finuras, autor deste livro. Eu nem sabia que em Portugal se faz investigação nesta área, nomeadamente ligando-a às ciências políticas, sociais e à gestão. Fiquei muito interessada na conversa com este convidado e acabei por comprar o Bioliderança.

 


Bioliderança é um livro curto, mas assertivo. Na Introdução, é logo explicado: a maioria dos capítulos rege-se pelo sistema pergunta-resposta, alongando-se por poucas páginas de cada vez, facilitando a leitura e aguçando a curiosidade. Algumas dessas perguntas são:

  • Por que razão nos deve interessar o tema da Liderança? (capítulo 1)
  • Por que razão a maioria dos líderes são homens? (capítulo 7)
  • Por que motivo falham os líderes e a liderança? (capítulo 9)
  • Por que razão continuamos a seguir líderes autoritários e dominadores? (capítulo 11)
  • Qual a relação entre a genética e a liderança (capítulo 15)


Parece muito interessante, não é verdade? Aconselho particularmente a quem ocupa posições de liderança a nível profissional, quem se encontra desagradado com a forma como é liderado e a quem quer perceber melhor como elegemos os nossos políticos/gestores/chefes e como fazê-lo melhor.

 

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A transdisciplinaridade e a fácil transferência deste conhecimento para diferentes áreas e mercados de trabalho é uma das vantagens mais significativas de Bioliderança. Quem diria que poderíamos colocar - entre outros - biologia, psicologia, gestão de recursos humanos e política num só tema?


Entre tantos motivos e conclusões que cada um de nós poderá encontrar para ler um livro assim, destaco alguns que foram centrais para mim. Entender quais as diferenças entre ter poder e ter autoridade; perceber algumas das origens da desigualdade entre homens e mulheres em posições de liderança; quais os vários tipos de líder; qual a razão de haver um perfil físico mais ou menos transversal aos chefes políticos; como é que o nosso cérebro, programado pelas circunstâncias ancestrais, se deixa enganar por esses moldes "desactualizados" no século XXI; quais os desafios resultantes dessa disparidade e como atenuá-los - são estes alguns dos tópicos que mais me suscitaram a atenção.

 

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No entanto, depois de tanto elogio a este livro e ao trabalho do Prof. Paulo Finuras, não posso deixar de apontar algumas falhas que talvez possam ser colmatadas noutras edições ou livros. Por exemplo, a pontuação, as incoerências e as gralhas. Sei que nem todos temos de ser excelentes escritores, mas um livro com tanto potencial para fazer divulgação científica ao grande público poderia ter sido sujeito a uma revisão e edição cuidadas. Ainda por cima, sendo um livro tão curto, nem seria um processo muito demorado ou, quiçá, dispendioso. Posso estar a ser demasiado picuinhas, mas um texto bem elaborado e corrigido é meio caminho andado para uma leitura prazerosa e sem solavancos.


Se também ficaram curiosos, eu encomendei o meu exemplar de Bioliderança pela Wook, demorou alguns dias a chegar, mas leu-se rapidamente. Fica a sugestão!


Boas leituras e procrastinações!

Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica

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Costumo dizer que não há nada que não possa ser resolvido com bom humor, boa disposição e optimismo. Na minha opinião, pensamentos positivos puxam resultados positivos. Coisas boas atraem coisas boas. 

 

Pelo menos, sempre tive a impressão, em grande parte devido às minhas próprias experiências, de que se verifica uma certa correlação entre esse tipo de atitude e acontecimentos favoráveis que se sucedem - mesmo correndo o risco de estar a simplificar uma míriade de coincidências e golpes aleatórios de sorte a um dogma pessoal e intransmissível.

 

(Afinal, esse espírito já me tinha sido incutido, desde que me lembro, pela minha avó, que eu considero uma das pessoas com mais para ensinar sobre o que significa viver bem, tendo feito face a circunstâncias adversas ao longo da vida, mas sem nunca se deixar abater até alcançar os objectivos a que se foi propondo. Não consigo evitar o pensamento automático, e típico de alguém que se considera relativamente privilegiada, de que o optimismo é a chave para as grandes dúvidas e desafios existenciais.)

 

No entanto...

 

Há uns dias, o meu namorado emprestou-me um livro do qual tenho gostado bastante. Apresenta-se em toda a imponência do seu volume e peso exigentes à primeira vista, mas lê-se muito bem: Pensar, Depressa e Devagar, do Nobel da Economia (2002) Daniel Kahneman. O tema do livro é o processo de tomada de decisão dos seres humanos, e, sumariamente, como o nosso cérebro percepciona a informação que recebe e como reage a esses estímulos.

 

Então, voltemos ao que me surpreendeu quanto às conclusões de Kahneman e da sua equipa, no domínio muito específico da influência da boa disposição. Parece que fizeram vários participantes dum estudo ter pensamentos alegres e que a exatidão das suas respostas intuitivas, ou palpites, aumentou. Isto é, a sua capacidade de análise e conexão cria menos erros lógicos. "A facilidade cognitiva é ao mesmo tempo causa e efeito de uma sensação agradável."

 

Quando temos pensamentos alegres e estamos bem-dispostos, tomamos decisões mais lógicas, logo acontecem-nos coisas melhores, mesmo que por mera intuição. Se formos negativos, o nosso poder de decisão fica fragilizado e acabamos a fazer más escolhas.

 

Quem diria que as ditas "boas energias" seriam mesmo reais no seu efeito? Quem diria que os resultados do optimismo são reais e estão comprovados cientificamente? 

 

Portanto, da próxima vez que tiverem uma decisão importante a tomar, assegurem-se de que se sentem bem, felizes. Evoquem e invoquem pensamentos que vos tragam felicidade para conseguirem escolher melhor - aliás, à maneira clássica de um Patronus (fãs de Harry Potter hão-de entender).

 

Optimismo atrai optimismo. Coisas boas atraem coisas boas, sem ser necessário abrir livros de auto-ajuda ou páginas motivacionais. É só (tentar) ver sempre tudo com um filtro positivo. Façamos essa escolha de sermos mais felizes, para gerar mais felicidade. O resto... deixemos com essa máquina incrível que é o nosso cérebro.

 

Mais alguém se revê nisto?

36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal

(contém alguns spoilers)

 

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Decidi deixar-vos um texto de opinião sincera acerca da minha experiência pessoal com as 36 perguntas que levam ao amor, desenvolvidas por uma equipa de investigadores e (viralmente) testadas por uma escritora - dado que é uma prática que podemos levar a cabo para sermos mais felizes, e que até já vos recomendei há poucos dias.

 

De facto, confirmo que, mais do que levar ao amor, as ditas 36 questões constituem um exercício que ajuda a criar intimidade em geral (até podem ser respondidas com um amigo ou um relativo desconhecido), mas, mais do que isso, acabo por considerá-las um desbloqueador de conversa. Até podemos pensar que sabemos tudo acerca de alguém, mas estas 36 perguntas provam que há sempre uma preferência, sonho, memória ou curiosidade sobre o nosso "parceiro de questionário" que nos faltava perguntar-lhe mais directamente.

 

Uma vez que fiz as 36 perguntas que levam ao amor com alguém de quem gosto muito e de quem me tenho tornado bastante próxima (em grande parte por já termos partilhado muita informação pessoal semelhante à pretendida pelo presente questionário e por termos muito em comum), sentimos que as nossas respostas choviam no molhado, ou que já sabíamos/prevíamos algumas sobre um e sobre outro, ou que eram frequentemente "eu também". Segundo o estudo, as questões deveriam ser feitas entre dois relativos estranhos - o que provavelmente corresponde ao propósito de muitas, só que em outras não faz sentido. Mas já lá iremos...

 

Em termos de duração do questionário, penso que depende muito do vosso perfil: são indivíduos muito faladores? Sentem-se acanhados? Já terão partilhado recentemente algumas das respostas a estas perguntas ou perguntas semelhantes? Em média, recomendo cerca de uma a uma hora e meia para responder à totalidade do questionário. Hão-de encontrar perguntas fáceis de responder e outras que vos farão reflectir ou discutir por algum tempo, uma vez que o exercício se divide em três partes, sendo a primeira composta por perguntas mais banais e a segunda e terceira por perguntas cada vez mais delicadas.

 

Ainda assim, tenho algumas falhas a apontar, falhas essas que me surpreenderam, talvez por causa das expectativas elevadas que tantos artigos, talks e divulgação me fizeram construir.

 

Como já referi, as 36 perguntas que levam ao amor são mais úteis quando não somos muito íntimos do nosso parceiro de questionário, caso contrário, o desenrolar da actividade revela-se previsível e repetitivo.

 

Contudo, as minhas maiores reservas partem do facto de algumas perguntas parecerem ter sido desenvolvidas para quem já tem alguma relação, por exemplo, quando temos que nomear 5 factos positivos sobre o nosso parceiro (pergunta 22) ou temos que referir aquilo de que honestamente gostamos nele (pergunta 28). Então, e se o tivermos acabado de conhecer? Só se respondermos "bom cabelo, boas pernas, bom traseiro, sorriso simpático, voz clara", que podem ser apenas banalidades insignificantes (passe-se o pleonasmo).

 

Finalmente, impõe-se a derradeira questão: mas estas 36 perguntas levam mesmo ao amor?

 

Não, não levam. Acho que esse título que lhe atribuíram funciona na qualidade de "golpe de marketing", mas o amor deveria ser, obviamente, mais do que responder a perguntas. Estas 36 perguntas levam, sim, à sensação de maior proximidade, ao estabelecer-se uma espécie de compromisso quanto à aceitação mútua das vulnerabilidades de cada participante. Criam uma oportunidade para sinceridade, generosidade e abertura que se querem recíprocas. Deste modo, no final resta a gratidão pela partilha.

 

(E compreende-se por que motivo podem ser usadas para aproximar indivíduos de comunidades, religiões, etnias, crenças distintas; ou para reaproximar casais cuja relação não esteja a passar pelos melhores dias.)

 

No final do exercício, é-nos proposto que nos olhemos nos olhos por quatro minutos, um tipo de jogo do sério. Eu e o meu parceiro conseguimos aguentar mais ou menos... quatro segundos (demos o nosso melhor, juro). Seja como for, claro que os quatro minutos podem ser determinantes para se criar intimidade com alguém que não se conheça bem. Sinceramente, não entendi que fizesse uma grande diferença no nosso caso, mas cada caso é um caso - não é o que se costuma dizer? 

 

Agora, desafio-vos a tentar estas 36 perguntas que levam ao amor com alguém igualmente disposto a ser uma cobaia para a ciência contemporânea. Quais serão as vossas conclusões? O que virão a sentir? Se o fizerem, partilhem os resultados connosco. Boa sorte! 💪

Bobak Ferdowsi - com ele, até passava a gostar de Matemática e de Física e dessas cenas todas

Brincadeiras à parte, que eu sou uma rapariga séria e comprometida, acho muito bem que haja alguém da NASA a promover a ciência de maneira fresca para os jovens. Os rapazes hão-de curtir deste tipo super inteligente, mas com ar de ser um super bro e as raparigas hão-de adorar os seus lindos olhos, se é que me entendem. De qualquer maneira, Bobak Ferdowski, de 34 anos, de origem persa, apresenta-se como um cientista bacano, com um cabelo minimamente original e a que se deve grande parte desta mediatização em sua volta, senão toda.

 

Tem o estilo perfeito, a cara perfeita e o cérebro perfeito. Se passássemos por ele na rua, nunca imaginaríamos que trabalha em missões especiais da NASA. Talvez o imaginássemos surfista, cantor, tatuador, mecânico, mas pouco provavelmente cientista, isto porque estamos formatados para pensarmos que as pessoas "sérias" vestem fato e gravata, têm um corte de cabelo enfadonho e usam sapatinhos de vela.

Deste modo, fico feliz por constatar que, a pouco e pouco, a sociedade está a evoluir e abrir caminho para a diversidade e originalidade. Que os marrões não usam todos óculos, que nem toda a gente que usa óculos é marrona. Que o pessoal que vem do Médio Oriente não é todo extremista religioso e terrorista. Que a ciência é fixe e que a investigação científica está na moda. Que é possível sermos bem sucedidos desde cedo. Assim já gosto!

 

Bobak Ferdowsi esteve esta semana no Porto, nomeadamente na Faculdade de Ciências, e arrasou com salas cheias!

ah e tal

... ouvi dizer que o Real Madrid foi ontem a penalties com o Bayern, hein? Agora, já não gostam tanto do Mourinho e do Cristiano Ronaldo, pois não, seus vira-casacas? Nem é que eu aprecie lá grande coisa comentar futebol, até porque não entendo patavina de coisa nenhuma, mas não me consegui conter, porque andam aí tantos portugueses (até jovens, vá-se lá imaginar!) a tentar encontrar a cura para o cancro, sem qualquer reconhecimento, vendo-se obrigados a emigrar, enquanto os que dão pontapé na bola valem ouro e diamantes e são os meninos lindos dos 'tugas, como se o nosso país não passasse de uma grandessíssima cambada de incompetentes, imbecis e empecilhos para a humanidade, que nem o ensino primário concluíram! Agora, tomem lá disto, que o futuro de Portugal nem sempre está no futebol.