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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Vocações, cursos e universidades

Já que ando a ler por aí muita reflexão sobre a universidade, cá me junto eu à multidão. Não esperem um texto eloquente, algo que mudará as vossas vidas e maneiras de pensar, porque nada do que escreverei de seguida será diferente do que já se tem vindo a escrever noutros blogues. Portanto, aqui vai disto.

No segundo ano da primária, tinha eu sete anos, a minha turma fez uma actividade em que tínhamos de revelar o que queríamos ser “quando fôssemos grandes”, com o objectivo de descobrirmos as várias profissões. Eu acabei a dizer que queria ser veterinária, porque sempre gostei de animais, além de que copiei a ideia de uma colega, à falta de outra melhor.

No quinto e no sexto ano, já quis ser bióloga. Não me lembro de qual terá sido o contexto em que surgiu tal vontade, mas calculo que tenha sido porque, pela primeira vez na vida, tive aulas de Ciências da Natureza num laboratório e porque a minha professora sabia realmente ensinar muito bem os conteúdos, o que me dava sempre um enorme gozo.

No oitavo ano, descobri o quão “bem” escrevia e quanta satisfação me dava fazê-lo. Então, anunciei que o curso de universidade que queria seguir era Escrita Criativa, fosse onde fosse. Até fiz planos para ir estudar para o estrangeiro, andei a ver montes de sites de universidades na Internet, fiz planos de ir trabalhar para o MacDonald’s mal completasse os 16 anos para poder pagar alojamentos e propinas, fiz contas à vida… Enfim, idealizei um percurso académico de sonho, como se fosse possível.

No nono ano, a época da primeira decisão, deu-me para decidir que, uma vez que não seria possível ir para o estrangeiro (entretanto, caí na real, aleluia!), eu tinha de ser actriz. Ponto final. Iria para um curso profissional em Lisboa e seria actriz, nem que terminasse no desemprego por tempo indefinido. Felizmente, depois de muito ponderar, concluí que, além de a minha família não me deixar ir para Lisboa, jamais estaria de acordo em que eu perseguisse uma carreira na representação (estavam cheios de razão, que eu não tenho assim tanto jeito para a coisa). Dadas as circunstâncias, voltei à ideia da escrita, mas com uma perspectiva mais adulta. Foi assim que comecei a namorar o plano de estudos de Ciências da Cultura na FLUL, a via pela qual poderia alcançar uma carreira literária, mas também jornalística ou docente. Por fim, tinha a cabeça no sítio.

Línguas e Humanidades foi o que decidi como curso do secundário. Ainda tive de discutir a minha opção com não sei quantas pessoas que achavam que eu desperdiçaria as minhas boas notas numa área sem saídas profissionais. Em Ciências e Tecnologias é que não me apanhavam! Ainda pensei nas Sócio-Económicas, mas a Matemática nunca foi propriamente a minha melhor amiga, sendo a nossa relação puramente temporária e cordial, em que eu me esforçava minimamente para os meus cincos na pauta e ela me prometia nunca mais me azamboar o juízo (não cumpriu a sua parte, porque acabei a ter MACS).

Ora, para quê tanto problema? Acabei mesmo em Línguas e Humanidades! E, apesar de me ter desiludido muito com o curso, não foram três anos mal passados. No entanto, continuei indecisa ao longo de todo o meu percurso de secundário. A única certeza que não deixei de ter foi querer continuar a escrever à força toda. A pergunta que se impos até há uns dias atrás – a que licenciatura me candidato? – raramente tirou férias e martelou incessantemente na minha cabeça até eu estar 100% certa de todos os prós e contras. Ao longo do secundário, andei sempre a coscuvilhar planos de estudos de diversos cursos e universidades, chegando, após alguma triagem, aos cursos de Ciências da Cultura (na FLUL, consoante já havia pensado no nono ano), Ciências da Comunicação (na FCSH da Nova) e Línguas, Literaturas e Culturas (também na FLUL, um curso semelhante a Ciências da Cultura… só que melhor). No ano passado, o meu pai tentou convencer-me a seguir Direito (falhou redondamente). Há umas semanas, também ponderei sobre Gestão de Recursos Humanos (ISCTE), mas, como referi, dispenso a Matemática. Havia igualmente presente Comunicação Social e Cultural na Católica, para que teria bolsa de estudo total no primeiro ano, mas cujos outros dois seria impossível pagar. Dito isto, o maior confronto deu-se ainda na semana passada, instalando-se o pânico na minha cabeça: LLC ou Ciências da Comunicação? Escrever e ler OU escrever e comunicar? Foi um dilema um bocado complicado. Há muito tempo que não pensava em Ciências da Comunicação, pelo facto de a média de entrada ser bastante elevada (17, que é exactamente a média com que terminarei o 12º, fora as provas de ingresso) e por consistir numa grande dose de cadeiras que envolvem Filosofia. Porém, concluí que não era assim tão mau, daí o meu desespero. Com alguma ajuda e conselhos alheios, lá me decidi por CC, por mais que não seja porque a FCSH dá melhores estágios e tem maior empregabilidade do que a FLUL. Agora, é esperar que os exames nacionais me corram de feição, para eu conseguir entrar na minha primeira opção! (Olha, rimou...)

Portanto, meus amigos, não pensem que estão sozinhos na demanda do vosso futuro – eu acompanho-vos! Não faço a mínima ideia do que se seguirá após os próximos três anos de licenciatura, pelo que vou mas é aproveitá-los enquanto duram. Afinal, o que vem a seguir é incerto e já sabemos que é provável que acabemos no desemprego e a enviar dez currículos por dia, nem que seja para o Raio Que Nos Parta.

 

 

E quanto a vocês? Deixem-me o vosso testemunho! :)