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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

(Desnecessariamente) polémico

   Não entendo qual é o problema que encontram quando duas pessoas do mesmo sexo vivem debaixo do mesmo tecto e criam uma criança (ou meia dúzia que seja) em conjunto. Não são dois seres humanos? Não foram criados de uma maneira semelhante a todos nós, não têm um emprego, não pagam os impostos, não levam com os cortes salariais e as sobretaxas que o Governo declara dia sim, dia sim? Pergunta mais do que retórica: não têm amor para dar, um colo para aconchegar, comida para alimentar, um emprego para sustentar?
   Claro que têm, mas há quem ainda não o tenha percebido. Lá por serem duas mulheres ou dois homens a viverem como um casal, não quer isso dizer que não criem um lar estável para educar um filho. Porque, se quisermos utilizar a expressão “lar estável” e usá-la como argumento para que não se aceite a co-adopção da parte de casais homossexuais, mais vale também proibirem o divórcio, e as famílias monoparentais, e os avós que educam os netos como se fossem filhos. Não são esses tipos de família tão (supostamente) disfuncionais e incompletos no que toca à ausência de figuras masculinas e/ou femininas, quanto as famílias que nascem do AMOR de duas pessoas do mesmo sexo?
   Eu, então, seria o exemplo do fracasso total, se enveredássemos por esse raciocínio: os meus pais separaram-se quando eu tinha quatro anos, depois eu e o meu pai fomos viver para casa da minha avó e da minha tia (ainda vivemos), até aos dez anos mal o via por ele trabalhar de dia e estudar à noite, a minha mãe não me contacta há quase nove anos e, entretanto, a minha avó tem sido a figura maior na minha educação, quem esteve sempre de olho em mim, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, se fosse possível, porque o meu pai trabalha de segunda a sábado, das oito ou nove da manhã até às sete ou oito da noite. Sem dúvida, sou uma pessoa extremamente perturbada, com falta de figuras e modelos para seguir, muito antiquada e retrógrada (já que fui criada pela minha avó que é, por sinal, a pessoa mais conservadora de sempre, não se vê logo?), encontro-me extremamente traumatizada e só maldigo a vida, por tanta desgraça que me aconteceu.
   Ultrapassem esses preconceitos, minha gente. Só vos dá azia e faz mal à saúde.
   Ao longo do meu percurso, conheci pessoas que não tiveram problemas em dizer-me que, lá em casa, os pais eram homossexuais e já conheci outras que não mo disseram, mas que eu entendi e calei. E esses últimos casos não deviam ter vergonha de mostrar a sua família como ela é. Ter dois pais ou duas mães é melhor do que não ter nenhum ou do que ter só um, porque se estão nas tintas para o filho biológico que conceberam. Preferia que o meu pai fosse um homem homossexual e feliz no amor do que o homem heterossexual que é e que ainda não encontrou a mulher certa!
   Vamos lá analisar o assunto…
   Em primeiro lugar, se legalizaram o casamento gay, também devem legalizar a adopção gay e tudo o que envolver um lar construído por duas pessoas que, não importa a sua constituição, se se casam também devem ter direito a formar família. E acabou-se, não se fala mais nisso.
   Em segundo lugar, parem de criar polémica em torno de um assunto que nem devia estar a ser discutido, nem nos meios de comunicação social, nem em referendo, nem em conversas de café. As crianças em instituições precisam de uma família que as adopte, os filhos de pais gay precisam mas é que eles sejam felizes ao lado de quem os ame e guie pela vida fora e os homossexuais têm tanto direito de casar e de serem felizes para sempre com uma prole do tamanho de uma equipa de hóquei, como eu tenho direito de vir aqui escrever sobre o assunto. Parem de gastar tempo de antena desnecessariamente, parem de gastar milhares e milhões de euros a organizar referendos, quando temos um país em crise económica, financeira e social a cair de podre, graças à máfia que nos governa.
   Simplifiquem.