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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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O que é melhor: a escola pública ou a escola privada?

A propósito do post sobre a minha visita ao Colégio Atlântico, recebi um comentário de uma sua actual aluna, questionando-me sobre os aspectos negativos e positivos do ensino privado e do ensino público. Já tive a oportunidade de experimentar tanto um como outro. Frequentei o primeiro durante nove anos, desde a pré-primária até ao final do nono ano, e tenho frequentado o último desde o décimo ano, ou seja, há quase três anos.
Acho que a maior vantagem que retirei da mudança de tipo de ensino, a meio do meu percurso, foi a aquisição de um conhecimento comparado de cada um em relação ao outro. Se não tivesse estado num colégio, nunca conheceria as falhas e os pontos fortes da escola pública, e vice-versa. Julgo que a minha formação académica ficaria minimizada, caso só tivesse frequentado um deles.
Tive a sorte (digo eu) de ter iniciado os meus estudos e, afinal, a minha vida, no seio de um ambiente escolar muito protector, rigoroso e diversificado. Quando menciono protector, refiro-me às características que imagino que todos os colégios tenham: os alunos são resguardados do exterior, acarinhados (nuns, mais do que noutros), e existe um acompanhamento personalizado sempre que possível, feito à medida das necessidades do aluno enquanto indivíduo, não enquanto parte de uma turma ou de uma comunidade escolar imensa, em que as relações chegam a ser impessoais; rigoroso, não porque nos exijam notas máximas “em cru”, sem que antes nos ensinem a trabalhar e a estudar, mas porque nos é exigido que obtenhamos médias proporcionais às nossas facilidades e dificuldades e aos recursos materiais, intelectuais e humanos (professores e outros funcionários) de que dispomos, algo que, numa escola privada, é algo que não costuma faltar; diversificado, devido às várias actividades em que nos inserem – dança, música, teatro, rádio, artes plásticas – e à motivação que a sua prática nos traz, mostrando que somos capazes de ser bem-sucedidos em diversas áreas ou, quem sabe, ajudando-nos a encontrar aquilo de que mais gostamos de fazer, acima de tudo (foi o que aconteceu comigo, pelo menos, em relação à escrita e à comunicação em geral).
Contudo, também é do meu agrado que não me tenham mantido no ensino privado após a conclusão do ensino básico. No final do oitavo ano, comuniquei à minha família que não desejava continuar no colégio e que queria ser imediatamente inscrita na escola que fica perto da nossa casa. Felizmente, eles não acederam ao pedido e obrigaram-me a esperar. Porque, se há algo que não consegui desenvolver lá muito bem no colégio (conjugando a minha educação no seio familiar), foi a maturidade suficiente para me conseguir integrar às mil maravilhas noutro contexto totalmente distinto (porém, suponho que esta questão dependa de pessoa para pessoa). Tinha catorze anos, mas poderia ter dez em mentalidade. Ainda bem que permaneci no colégio até ao nono ano, por muito “claustrofóbica” que já me sentisse, por muita que fosse a minha curiosidade sobre o “mundo real”! 
O meu décimo ano foi um ano de choque entre o meu eu de antes e o meu eu de agora. Mesmo agora, no décimo segundo, continuo a confrontar-me com situações novas todos os dias. Mas, após a mudança de tipo de ensino, aprendi de imediato imensas coisas, qual bebé recém-nascido. Era demasiado ingénua, não conhecia muitas pessoas da minha idade diferentes daquelas com quem contactara durante nove anos, que tinham sido quase sempre as mesmas (algumas conheciam-se desde que usavam fraldas; eu conhecia-as praticamente todas, excepto uma ou outra que ia entrando posteriormente, desde o tempo das Barbies e das Bratz), por sua vez, não sabia interpretá-las correctamente e, emocionalmente, o meu décimo foi um desastre (imaginem um coelhinho sonso a cair de amores por um lobo, ai tão fofinho, mas tão matreiro, e já se sabe quem acaba nos dentes de quem). Subestimei o mundo real, como lhe costumo chamar.
Quanto aos professores, não houve surpresas. Os bons existem tanto no público como no privado, apenas com a diferença de que, no público, o seu tempo tem de ser dividido entre todas as milhentas turmas a quem dão aulas e, enfim, muitas das vezes, um aluno é somente mais um número. Ainda assim, tive a sorte de, em menos de três anos, já me terem calhado uns quantos cujo empenho admiro e com quem simpatizo bastante, que batalham todos os dias para recompensar os alunos que merecem e motivar, até, aqueles que simplesmente se estão pouco “importando”. Por outro lado, dos maus professores, já reza a História desde a Era dos dinossauros – faltam sem justificação ou aviso antecipado, não sabem fazer nem corrigir testes, não sabem dar aulas, não estão minimamente preocupados, querem é subir de escalão profissional ao desbarato… Feitas as contas, não se pode ter tudo na vida, não é verdade?
No colégio, consegui arranjar as ferramentas intelectuais e artísticas, a par dos bons valores morais, como a justiça, a compreensão e a amizade; na escola pública, conheci verdadeiramente a dimensão das relações humanas em todos as suas vertentes, ora positivas, ora negativas, entrei em contacto com o que é a “realidade” da maioria das pessoas e, sumariamente, da sociedade actual; consequentemente, aprendi a ter garra e a lutar pelos meus objectivos em qualquer contexto, não esperando ser amparada na “queda” (porque a vida não é justa, por muito que tentemos; por vezes, temos de lhe dar um pontapé para ela entender o que queremos que faça por nós!). Os dois acabaram por se complementar perfeitamente!

***

Se, posteriormente, me lembrar de mais alguma coisa que ache relevante dizer, fá-lo-ei. Espero ter respondido bem a sugestão!

Amanhã - ULTRA, HIPER, MEGA IMPORTANTE!!!

Amanhã de manhã, por volta das 10 horas, estarei no Colégio Atlântico (que frequentei durante nove anos) para uma intervenção mais-ou-menos-pessoal-e-motivacional (bem... há-de ser algo do género!) para os alunos do 2º e 3º ciclo, no âmbito da semana "Cultura em Movimento".
Portanto, se são alunos de lá - e eu sei que há alguns que lêem o meu blogue - marquem na vossa agenda e preparem-se... para a derradeira palermice. Abordarei temas relacionados com a minha vida escolar e, pois claro, a boa da procrastinação! MUAHAHAHA! (*inserir_riso-pseudo-maléfico_aqui*)