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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

peculiar

   Fico ressentida quando não há um olhar sorrateiro ou um adeus prolongado. Cai o Carmo e a Trindade quando algo parece não ter sido dito. Espero eternamente pelo gesto que jamais acontecerá ou pelo momento ideal para mudar algo inalterável, enquanto o tempo vai passando e as oportunidades vão surgindo e fugindo, num jogo inconsistente, insistente e persistente de sentimentos e ressentimentos.


 


   Não é dor. Não dói, não queima, não mata, mas mexe. Porquê? - não sei. Tal incógnita mantém a chama acesa e água alguma a apagará. O vento que fustiga o lume só o ateia contra a lenha, envolvendo as farpas em fogo forte, consumindo a madeira até o último toro se ter tornado cinza.


   Porém, quando durmo ao relento, não tenho frio. Haverá sempre uma brasa incandescente, insistente, persistente que me manterá viva e estará do meu lado, contra todas as geadas de Inverno, tempestades e, até, Eras glaciares. Terei as mãos frias, mas, o coração... esse permanecerá quente.

a ilusão da cinderela

   Foste um possível imprevisto dentro das remotas impossibilidades que eu julgava improváveis de acontecerem. Tiraste-me o chão, deste-me o céu e eu perdi-me. Levantei a cabeça, ergui o coração, ofereci a alma e deitei fora os medos. Não tive receio, enlouqueci, continuo louca, entristecida. Escrevo, escrevo, escrevo. Não sei onde páro. Não sei quando assentar. Não sei decidir.


   Reavi o que perdera. Foi árduo, foi cruel, foi difícil, quando pararia, quando pararia? Pensei ver o fim, mas era só o virar da página - próximo capítulo. Gritei.


   E chorei e recolhi-me num passado anterior, remotamente alcançável, onde não repousava arrependimento, onde a tristeza não chegava e onde ainda sonhava com príncipes encantados. Mas o encanto desvaneceu. A Cinderela rasgou o vestido, enterrou os sapatos na lama e o cabelo voou ao vento. A tiara rachou.


   Acordei da ilusão e desiludi-me. Rompi num pranto de quebrar a alma, discuti com o Diabo e fiz as pazes com Deus. Estava errada, estava errada - quantas vezes não o estivera?


   Tenho saudades do risco que implicava amar sem princípios, de amar imoral e constantemente, permanentemente com o coração nas mãos e as mãos no coração... dele.

eu já devo ter escrito sobre isto.



   Por vezes, tenho vontade de me espancar. Eh pá, ó tu! Pára de pensar nele. 'Tás parva, ou quê?


   Mas, a seguir, lembro-me que é ele quem quero espancar. Sempre poderia recorrer a impropérios (escritos, gritados numa chamada de quarenta segundos, o que mais me aprouvesse no momento), mas penso que esta farsa, este je ne sais quoi de amizade, demorou e custou bastante a ser (re)construída. Demais, até. Ou não, porque, sinceramente, o demais é o suficiente da minha vida. Não irei ceder perante um  medonho pico de revolta, que significará tão pouco dentro de vinte horas.


   Por fim, escrevo isto, enquanto esfrego os olhos e esborrato a sombra côr-de-rosa que ainda não limpei.


 


   E não, jamais lhe tocaria com um único dedo mal intencionado.

Dúvida existencial? Não. Uma estranha relação.

Já lá vão sete meses desde as primeiras palavras, os primeiros elogios e os primeiros sorrisos parvos. Foi uma época muito feliz, essas primeiras semanas de Janeiro.


 


Agora, em Agosto, o levantamento de tudo o que se passou entretanto não me deixa parar de pensar. Houve sempre alguma coisa a dizer, elogios e ofensas incluídos, sorrisos parvos e soluços de profunda tristeza, mares de lágrimas e muitas recordações. Muitas primeiras coisas, sem dúvida.


 


Amor? Amizade? Simplesmente os cacos de algo especial? O medo de quebrar a rotina?


Ainda hei-de descobrir.

. incrivelmente nostálgica .

Estive a ler as publicações anteriores e comecei a reflectir sobre elas...


 


   É com extrema admiração que me vejo obrigada a concluir que nada do que escrevi na altura corresponde ao que escreveria neste momento. É incrível, o que as pessoas de cabeça quente são capazes de exprimir - raiva, ódio, negação, obcessão pelas três primeiras, ... - e, quanto mais tento compreender o Meu-Eu-De-Cabeça-Quente, menos o compreendo. Melhor, compreender é fácil, mas perceber como cheguei àquele ponto de negatividade já é mais complicado.


   Num feliz momento de bom senso, eu nunca odiaria ninguém - sublinho, NUNCA. Porém, a verdade é que, nos últimos tempos, ando a questionar-me demasiado sobre coisas bastante triviais. O que é amar? ; o que é odiar? ; será que amo? ; será que odeio? ; será que não consigo viver sem ___ ? ; qual a diferença entre adorar e amar? ; porque é que me sinto tão confusa? ; o que me trouxe a este estado? 


 Mais uma vez, nada disto faz sentido.