Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O meu dentista, amor e uma cabana (e um aparelho)

Contextualização: o meu dentista é um senhor muito simpático, falador e culto, que me pergunta o que ando a ler todas as vezes (todos os meses) em que lá vou. Inclusivamente, falamos sobre temas diversos, género coisas da vida e trivialidades (vá, eu tento, com as mãos dele enfiadas na minha boca, belhac). Já agora, uso aparelho há 2 anos e 5 meses e já ouço há quase um ano que "daqui a 6 meses o tiro".

 

Conversa de hoje...

- Quando é que me livro disto?

- Lá para 2017.

- Yey, mesmo a tempo de me casar! [nota: sarcasmo]

- Não, lá para Setembro [tradução: lá para o Natal]. Mas espera lá, vais-te casar em 2017?

 

NÃO. EU ESTAVA A GOZAR. PRIMEIRO QUERO LIVRAR-ME DE ORTODONTISTAS VÁRIOS E DEIXAR DE TER ESTE AR DE PITA DE 14 ANOS, PARA AS CRIANÇAS/PRÉ-ADOLESCENTES ME LEVAREM A SÉRIO E EU PODER SER PROFESSORA DELES. SÓ ASSIM ARRANJAREI UM EMPREGO, SÓ ASSIM TEREI DINHEIRO E SÓ ASSIM ME PODEREI CASAR COM O MEU FOFINHO, QUERIDINHO RICARDINHO. AMOR E UMA CABANA O TANAS.

 

Sem stress, lá para 2050, estarei despachada!

Os primeiros amores

Dois dos meninos do projecto em que trabalho como monitora, com onze ou doze anos, começaram a namorar depois de andarem a enviar recadinhos por mim, isto tudo entre a semana passada e a presente. São os dois estupidamente fofos, gorduchinhos e simpáticos, sempre com um sorriso pateta no rosto e um abraço para partilhar, mesmo não sendo eu a monitora do grupo deles. Ele até diz que vai oferecer uma toalha de praia com um tigre à sua nova namoradinha (e que não se pode esquecer de pedir 10€ à mãe!).

 

Hoje, o menino não foi e a menina ficou triste. Tentei consolá-la.

 

- Hoje ele não veio, mas foi só um dia. Se calhar está doente ou algo do género.

- Se calhar...

- Sabes, eu também não vejo o meu namorado desde segunda-feira, mas não deixo de gostar dele. Simplesmente não calhou estarmos juntos.

 

Nesse momento, a menina arregala-me os olhos e olha-me com aquele ar de "epá, esta tipa é louca, como é que ela fica três dias sem ver o namorado? como é que essa cena funciona?".

 

Enfim, os primeiros amores comovem-me.

Um pequeno passo para uma relação, um grande passo para a labreguice

Ontem, dia 7 de Junho de 2014, um ano, sete meses e algumas semanas depois do início da nossa inesquecível história de amor, o Ricardo achou que o costumeiro "esta gaja", a que já me habituei como sendo uma referência simpática à minha pessoa em contextos familiares, deixara de ser suficiente para expressar o quanto gosta de mim. Ontem, dia 7 de Junho de 2014, eu ascendi à categoria de "aqui a patroa".

"Vá tomar merda!"

Eu não costumo escrever palavrões aqui no blogue, eu sei. É certo que os digo com mais frequência do que os escrevo, mas, desta vez, não, não fui eu que disse "vá tomar merda!" a ninguém. Disseram-mo antes a mim - um cliente - logo pelas dez da manhã desta luminosa terça-feira. A conversa foi mais ou menos assim:

- Muito bom dia, o meu nome é Beatriz Mendes e estou a ligar da Empresa Tal. Seria possível falar com a Sr. Dona Fulana X?

- Pode sim, pode falar com ela. Sabe o que ela lhe vai dizer...??? (E depois  introduziu a tal expressão muito simpática que eu me recuso a repetir. Já ele não se importou de a utilizar mais uma ou duas vezes durante o seu terrível monólogo, que eu só interrompi para pedir desculpa e para deixar bem claro que não era preciso ser mal-criado - fazendo-o gritar ainda mais alto, como se fosse possível.)

 

Contudo, sou obrigada a concluir que este não foi um insulto qualquer. Este foi um insulto de primeira categoria! Há qualquer coisa de muito súbtil e poético, quase erudito, na palavra "tomar", em combinação com o palavrão "merda" (pronto, não havia maneira de continuar a evitar escrevê-lo). Em vez de se dizer "vá tomar chá!", diz-se "vá tomar merda!"... Numa chávena de porcelana chinesa, finíssima, como as que o Gato da Alice no País das Maravilhas tinha, foi o que imaginei. Uma colega chegou a sugerir que eu tomasse a minha merda matinal em forma de granizado, com muito gelo à mistura, para disfarçar o sabor.

 

Quanto ao cliente, agradeço-lhe a sugestão de pequeno-almoço, mas para me mandarem comer já me chega a minha avó. Não preciso que mais ninguém se preocupe comigo, ok?! Já chega! Eu sei que entre merda e Nestum, o pessoal deve preferir, evidentemente, a primeira opção, só que eu sou do contra - o que é que se há-de fazer? Estes jovens de hoje em dia...

PODERIAM FALAR MAIS ALTO, POR FAVOR?! FICARIA ETERNAMENTE AGRADECIDA!

As pessoas que falam baixinho irritam-me. Não é nada pessoal, mas, mal por mal, gosto mais delas quando estão caladas. Assim, não dão cabo da paciência a pessoas como eu, que fazem figura de urso porque ficam sem saber o que quer dizer o seu interlocutor, ou que, na melhor das hipóteses, têm de se esforçar estupidamente para ouvir suas excelências. Eu não sei ler lábios, tenho o grave (gravíssimo!) problema de ter uma audição selectiva, ouvindo só o que me interessa - e o que não me interessa é relacionar-me com gente que precisa que lhe apliquem um botão de volume, de modo a que se torne audível no mundo dos vivos. Falem alto, projectem a voz...! Gritem! Arranjem um microfone! Façam-se ouvir ou calem-se para sempre!

Muito obrigada.