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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Estar Vivo Aleija, mas dói menos por causa de Ricardo Araújo Pereira

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Não vos quero aborrecer com um texto muito longo. No entanto, sei que este é um dos livros mais esperados da rentrée: Estar Vivo Aleija, do humorista que dispensa apresentações, Ricardo Araújo Pereira. E eu digo: provavelmente acabei de o ler primeiro que vocês! Estava desejosa que chegasse o dia de ontem, o primeiro em que o livro esteve à venda sem ser através do site da editora Tinta da China. Por isso, cá vão os meus três tostões acerca desta leitura muito agradável - sem surpresa nenhuma.

 

Desta vez, o meu entusiasmo deve-se à curiosidade trazida por este tipo de crónicas escritas pelo RAP. Depois de ler a entrevista que deu ao Observador, percebi que Estar Vivo Aleija seria uma colectânea de textos sobre temas mais pessoais e descontraídos, e menos políticos (como as crónicas da série Boca do Inferno), num registo mais auto-biográfico e ao mesmo tempo universal, escolhido para agradar os leitores brasileiros da Folha de São Paulo, onde foram originalmente publicadas. São feitas várias referências terurentas à avó que o criou, às filhas e à mulher, sem retirar destaque às peças de teatro de Sófocles e Shakespeare, às singularidades da língua portuguesa, às moscas, ao amor, às batatas e ao chulé. É uma miscelânea de temas!

 

Mais ou menos político, o humor, perspicácia e inteligência permanecem como os conhecemos. Acho que as suas observações sobre as coisas mais banais da existência humana se podem comparar ao olhar sempre admirado e inquisitivo duma criança que está na idade de apontar para tudo e estabelecer ligações inesperadas entre elementos diferentes.

 

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Assim sendo, demorei menos de duas horas a devorar o livro. Li-o duma assentada. Cada crónica ocupa cerca de página e meia, o livro tem cerca de cento e cinquenta páginas... Foi um óptimo entretenimento para a minha hora de almoço! Esta é a leitura indicada para quem quer passar um bom bocadinho, mas também para quem quer ter o livro lá em casa e abri-lo de vez em quando para soltar uma gargalhada ou, pelo menos, arrancar-se um sorriso. Outra coisa não se esperava de RAP. Estar Vivo Aleija, mas dói menos por causa de autores como ele.

Não sou contra o aborto

Não sou contra o aborto.

Sei que há vidas que não podem ou que não devem vir ao mundo, sei que há potenciais pais sem condições económicas e/ou psicológicas para apoiar uma criança, sei que há violações, sei que permitir que nasça um bebé doente ou incapacitado não é uma alternativa. Sei que há acidentes todos os dias e que qualquer comum dos mortais os pode ter - nunca dizer nunca. Sei que os centros de saúde e as farmácias nem sempre conseguem garantir os contraceptivos (em três anos a tomar a pílula, a minha já esgotou três vezes no centro de saúde durante várias semanas, e nunca a encontrei nas farmácias senão em caixas mensais). Sei que há mesmo quem não esteja devidamente informado acerca dos contraceptivos disponíveis no mercado e sobre como os utilizar (infelizmente, nem sempre a culpa é dessas pessoas).

Não sou contra o aborto, sou muito a favor do aborto! Mas não em demasia. Também há quem abuse e escolha o aborto como quem toma a pílula do dia seguinte e isso está errado. Estas mulheres sim, a partir de um determinado número de interrupções voluntárias de gravidez registadas, é que deviam ser submetidas a médicos objectores de consciência, e a longas entrevistas, e à mais alta taxa moderadora possível - não aquelas a quem aconteceu um imprevisto, e que, por muito que tenham em mente a sua responsabilidade sobre o apagar de uma existência em formação, devem ter sempre nas suas mãos o pleno direito de veto sobre a sua vida, sobre o seu futuro e sobre o seu corpo. É macabro que as queiram sujeitar a mais dor e a mais dilemas e a mais sentimentos de culpa impostos, calcados na sua mente. Nojentos! 

 

Já agora: ah e tal, a abstinência é o melhor contraceptivo? Mas quem são os outros para ditar como uma mulher conduz as suas relações íntimas? Quem são eles para decidir se a mulher se pode (quer!) abster de uma vida sexual saudável, importante para garantir o seu bem-estar mental e, por consequência, físico? A mulher (e o homem com quem ela escolher praticar o acto) é um ser humano, caramba!

 

No ano de 2015, após um século de evolução social e de luta pelos direitos da mulher, é inacreditável que este ainda seja um tema de discussão ferverosa, que ainda haja por aí pseudo-conservadores, defensores dos pseudo-bons costumes, que se opõem ao aborto. Já nem a religião serve de bode expiatório, get over it!

Filhos de emigrantes, vocês falem-me e leiam-me em português, fáxavor!

Contextualização: ainda não vos tinha contado no blogue que estou a trabalhar na Bilioteca de Jardim da minha zona. Só está aberta em Julho e Agosto, assim como as Bibliotecas de Praia, e temos livros, revistas, jogos e actividades para crianças e adultos (mas, principalmente, para as últimas). Pertenço à equipa de Julho, por isso só me resta mais uma semana de trabalho! Estou a gostar muito, já agora.

 

E agora passemos ao motivo que me leva a vir fazer queixinhas ao antro de procrastinação...

Uma vez que nos encontramos de momento na época do Verão, é mais frequente os emigrantes regressarem a Portugal para ter férias por volta desta altura. Além deles, vêm os filhos, muitos deles até nascidos em Portugal, no caso dos emigrantes de gerações mais novas.

 

Na Biblioteca, tenho trabalhado com algumas crianças destas e digo-vos já que estou cho-ca-da. Não, não estou chocada com a existência delas, mas sim por algumas características suas.

Dê-se o caso de um menino de quatro anos, que foi viver para Espanha com os pais aos dois ou uma idade parecida. Não é que o miúdo não fala português??? Mas, afinal, o que é que se falará em casa? Não me digam que só falam espanhol (vá, castelhano), que até me cai o maxilar aos pés! Compreender-se-ia que o menino estivesse confuso, ainda por cima com duas línguas tão parecidas a dominarem-lhe a cabecinha tão jovem. Mas nunca na vida eu anularia a um filho meu a possibilidade de ser bilingue! Teria vergonha se ele viesse passar férias com os avós e não soubesse contar até dez em português, na língua materna dos pais!

 

Outro caso: uma menina com (para aí) dez anos, em Inglaterra desde os três, sabe falar português como se cá tivesse vivido a vida toda, mas... que não sabe ler nesta língua, só em inglês. Olhem, eu passo-me com estas coisas. Será que não há um pai ou uma mãe que ensine esta rapariga a ler português? E quem diz o pai ou a mãe também diz o resto da família que cá a recebe. Ou a própria da menina, que já tem idade para ter iniciativa (o problema é a falta de interesse por parte de quem a rodeia, por isso até se entendem as consequências). Ainda tentei convencê-la de que é o máximo poder-se ler em várias línguas, ser-se fluente, e que só há benefícios em aprender a ler numa língua que ela já fala, mas os meus esforços foram em vão.

 

Pergunto-me se os pais destas crianças pertencem àquele tipo de emigrantes que não se importam de perder o contacto das suas raízes, por mero ressentimento ou sentimento de descredibilidade em relação ao país que tiveram de abandonar. Acharão eles que a língua portuguesa é assim tão insignificante que nem merece ser falada? Acharão eles que vale a pena privarem os filhos da possibilidade de serem bilingues e de se tornarem, desse modo, indivíduos mais ricos? Depois admiram-se que as Nellies Furtado e que as Katies Perry deste mundo tenham pais portugueses, mas que não falem nada senão inglês.

 

Enquanto escrevo isto, lembrei-me de que eu mesma sou uma dessas crianças. Não costumo pensar nisso, mas é verdade: a minha mãe é filipina e não foi por causa disso que não deixámos de falar SEMPRE em português (até deixarmos de falar de todo, vá), apesar de não ser a língua materna dela. Onde estão o tagalog/filipino e o inglês na minha vida? O último, aprendi-o na escola, como qualquer outra criança portuguesa; sou (digamos) fluente em inglês porque calha, porque sempre gostei dele, porque leio imenso e vejo muitas séries e filmes sem legendas, porque o estudo. E o primeiro gostava eu de o entender, e sinto que perdi uma oportunidade maravilhosa de conhecer uma língua que nem todos podem ou querem aprender, assim como a cultura que emana, que se lhe encontra subjacente.

 

Uma língua não tem de apresentar uma justificação para ser aprendida. Saber ler e falar outras línguas ajuda-nos a compreender melhor o mundo, a maneira como os seus falantes comunicam e se comportam, como interagem. Ser-se bilingue ou trilingue ou, pelo menos, fluente em línguas estrangeiras até melhora as capacidades e potencialidades do nosso cérebro, ajuda-nos a manter determinadas ligações nervosas activas. Como é que alguém pode ser capaz de negar uma língua praticamente dada a um filho?

 

Tenho uma amiga ucraniana-portuguesa (como gosto de pensar nela), a Solomiya, que veio para Portugal com dez anos, para se juntar aos pais que já cá estavam há cinco. Escreve e fala estas duas línguas, ucraniano e português, como se sempre o tivesse feito, como se tivesse nascido e sido criada cá. O irmão mais novo dela é mais português-ucraniano - ele sim, nasceu cá. A Solly costuma dizer que fala português com sotaque ucraniano e que o irmão fala ucraniano com sotaque português, e em casa falam todos ucraniano entre si, não deixando de ser fluentes em português, até os pais. Falam melhor português que muitos portugueses, mas não deixam que os filhos esqueçam o ucraniano. É a própria Solly que ensina o irmão a lê-lo e a escrevê-lo. E, se os amigos dela quiserem, também já disse que nos ensina a língua. Acho este exemplo maravilhoso.

 

Se eu pudesse, se tivesse disponibilidade, aprenderia todas as línguas criadas na Babel mitológica e respectivas ramificações! Por agora, enriqueço o meu português, faço um esforço por elevar o meu inglês a nível nativo e continuo a aprender francês e espanhol. Já disse que o próximo a entrar na lista será o neerlandês?

Ainda não percebi o que têm contra os high school sweethearts

Estava aqui a ler os comentários a esta publicação recente d'A Pipoca Mais Doce, quando me deparo com uns quantos que só começaram a atirar abaixo aqueles que já namoram desde a juventudezinha dos 14, 15, 16 anos e que casaram, têm filhos, são muito felizes... e nem se importam com barriguinhas de conforto que tenham surgido entretanto! Diz até um comentário, que me vejo obrigada a citar (desculpem lá qualquer coisinha):

Quando os anónimos de cima chegarem aos 30,40,50, e começarem a ter curiosidade sobre como será sexo com outras pessoas (ou quando o/a parceiro/a lhes indicar que tem curiosidade, isto, SE os parceiros tiverem dito alguma coisa antes de mijarem fora do penico...), talvez finalmente percebam alguma coisa. Isso do "Não há amor como o primeiro", é conversa para boi dormir, e tanga para evitar que mulheres ganhem experiência "a mais", seja lá o que isso for...

 

Pronto, e só mais um:

É tudo muito lindo até traírem ou serem traídas.. quem só teve uma pessoa acaba por o fazer um dia..

 

Estes são apenas dois dos muuuuitos exemplos de comentários estúpidos, ressabiados, infelizes, frustrados - ou será impressão minha? É que, sinceramente, eu compreendo as pessoas que não querem casar, que não estão para relações e que preferem ter o seu espaço (até uma certa medida, que dá sempre jeito ter alguém para fazer conchinha e para nos aquecer os pés, nem que seja só num enrolanço). Mas não consigo compreender esta gentinha que acha buéda cool andar a saltar de cama em cama, de coração em coração, e depois ainda clama aos céus que dá jeito ter experiência, que é tudo muito melhor do que só ter tido uma pessoa e uma cama na vida, que esses são todos sonsinhos e não sabem o que perdem.

Para que conste, eu só tive uma experiência antes desta que estou a ter agora, e essa foi uma experiência que nem a pessoa nem a cama chegou, que foi assim uma coisa mesmo fraquinha, e sinceramente teria vivido muito bem sem ela (não teria aprendido muitas manhas que conheço hoje em dia, é claro, porque o que não nos mata, engorda-nos). É que há gaijos e gaijas mesmo esturricados da cabeça, não há? Assim mesmo tostadinhos e crocantes (e praticamente a saberem e a cheirarem a queimado).

Namoro desde os 17 anos com o mesmo amor de pessoa, já lá vão quase 3 e - chamem-me ingénua - quero é que continuemos a ser tão felizes quanto somos agora. Sim, é muito cedo para fazer previsões, o futuro não pertence a ninguém e nunca se deve dizer "nunca" nem "para sempre". Obviamente, de vez em quando entramos em choque, temos personalidades antagónicas, não concordamos. No entanto, penso que ambos continuamos a acreditar que, quando as duas partes envolvidas gostam mesmo uma da outra, quando há vontade de manter a coisa num bom caminho, é possível haver uma parceria (sim, as relações são parcerias, só naquela) que se aguente, dure desde os 15 ou desde os 55 anos.

Pelo menos, que essa gentinha parva deixe os outros viver em paz, numa ilusão ou não, mas bem mais satisfeitos do que eles. Até porque não há nada como viver na consciência de que, no final do dia, haverá alguém à nossa espera, nem que seja na cabeça, no coração ou noutros sítios quaisquer - ehehehe.

E não me venham com estatísticas, porque eu também as tenho e os exemplos que me rodeiam diariamente tanto comprovam que o primeiro amor é o melhor, quanto que se for à segunda e à terceira e à quarta há tanta probabilidade de correr bem como se tivesse sido a primeira. (Infelizmente, a maioria dos exemplos que tenho para dar correram mal, em qualquer vez que tenham ocorrido, salvem-se os que correram bem, que eu quero contrariar as tendências.)

Ser desleixada ou não, eis a questão!

No outro dia, maquilhei-me "mais a sério": uma camada de base finíssima, risco e sombra nos olhos, batom q.b.. De facto, não sou menina de me encher de pós e correctores, de primers e de iluminadores. No que toca à roupa, também não ia malzinho de todo, mas pronto, não consigo trocar a minha mochila por mala feminina alguma deste mundo.

Pronto, caiu o Carmo e a Trindade! Cheguei à faculdade e logo duas ou três pessoas me perguntaram, automaticamente, se eu iria encontrar-me com o meu namorado, que estava toda composta, maquilhada, arranjada, blá blá blá. Um ex-colega do Ricardo, ao saber que não, eu nem estaria com ele nesse dia, chegou mesmo a dizer que iria fazer-lhe queixinhas do meu aspecto, como se eu fosse uma criminosa e não tivesse o direito de ter mais cuidado com o meu aspecto num determinado dia. Sei que foram comentários meio a brincar, mas deixaram-me estupefacta com o tipo de mentalidade que ainda se mantém na cabecinha das pessoas.

Então eu só posso estar bonita para agradar ao meu namorado? Só posso arranjar-me se for ter com ele? No resto dos dias, posso (devo!!!) ser a pior Maria Rapaz de sempre, posso andar toda oleosa, maltrapilha e desmazelada, sem respeito por mim própria e pela minha imagem? Ah!, mas se calhar ando a dar umas facadinhas à relação, embonecando-me para outro, que isto nunca se sabe.

Que lindo...

 

Não, eu digo não!

Há dias em que me sinto mais feminina, há outros em que não. Há dias em que acordo cheia de pica para me encher de perfumes, maquilhagens, desodorizantes, cremes e loções várias, e depois visto o meu melhor casaco, com a minha melhor camisa, com as minhas melhores calças. Há outros em que me contento com o creme hidratante na cara, com uma camisola de malha, as calças que encontrar primeiro e ala, que se faz tarde! Tenho direito à minha própria maneira de expressão individual e social, tenho direito a parecer ranhosa ou maravilhosa, consoante me sinta de corpo e espírito para isto ou aquilo.

Quando andava no secundário, arranjava-me mais do que me tenho arranjado no último ano de faculdade, mas agora estou a tentar mudar o péssimo hábito de me desleixar. Sim, ando cansada, não me sobra tempo nem para espremer borbulhas. No entanto, a maneira como cuido de mim também transmite aos outros o meu potencial, por isso escolho sacrificar alguns minutos de sono para construir uma imagem de mim própria que deixe uma boa impressão nos outros e que me faça sentir confortável, reflectindo o que sou por dentro: esforçada, dedicada, animada e confiante.

No século XXI, já não deveria ser normal pensar-se que as mulheres só se arranjam para satisfazer os homens. Nós, o nosso corpo e - veja-se - o nosso cérebro valemos por nós. Não me considero uma feminista de grande monta, mas defendo que há certas ideias do suposto senso comum que devem ser, inevitavelmente, combatidas.

 

Mas isso sou eu, que sou uma badalhoca!

A propina de 1000€ (fora o resto)

Vocês perdoem-me a teimosia em falar de universidade, universidade, universidade e só universidade nos últimos dias, mas prometo que esta há-de ser a minha última intervenção acerca do assunto durante os próximos tempos. E prometo ser breve.

 

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(em http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=764210) 

 

Não sei qual é a vossa situação, não sei se andam na faculdade, se têm bolsas, se andam a trabalhar para pagar os estudos. Provavelmente, se andam, têm alguma bolsa E trabalham. Porquê? Porque as bolsas da DGES, mesmo aquelas que cobrem a totalidade do custo da propina anual no ensino superior público (entre os 1000 e os 1400€, pelo que sei), não são suficientes. O que são 1400€ de bolsa dos Serviços de Acção Social (SAS), quando há, não só as propinas, mas também o transporte e os materiais de estudo (livros, fotocópias, material técnico) para pagar? Ou o que são 2000€ quando, além desses gastos, ainda nos encontramos deslocados de casa, a viver numa residência para estudantes - ou num quarto, porque não há residências suficientes para tanta procura?

Infelizmente, nem toda a gente pensa assim. Um exemplo desses sujeitos menos iluminados é o reitor da Universidade de Lisboa (onde eu estudo), António Cruz Serra, que acha que usufruímos todos de um excelente SAS, sendo-nos permitido estudar sem nos preocuparmos com mais nada. A entrevista para que vos remeto no início da publicação é apenas o reflexo de uma profunda hipocrisia e autismo quanto à realidade do nosso país, de tantas famílias de Norte a Sul.

O maior problema para as famílias é não ter o rendimento do trabalho de uma pessoa que, em vez de trabalhar, foi estudar, diz ele. Mas eu discordo. Antes de entrarmos para a faculdade, por norma também não trabalhávamos. Já marcávamos presença na equação do orçamento familiar. Seja como for, mesmo quando trabalhamos, os nossos pais não ficam à espera que entreguemos todo o nosso salário, religiosamente. Já que trabalhamos, talvez possamos ajudar numa despesa ou outra, mas, se pudéssemos sequer trabalhar, se encontrássemos um emprego estável e bem pago, mais facilmente sairíamos de casa dos papás e pronto. Por isso, não, o maior problema dos alunos do ensino superior não é não serem economicamente produtivos para as suas famílias.

(...) daí resulta um valor de 1.060 e poucos euros por ano, que não afasta ninguém do Ensino Superior (...), continua. Lembram-se de eu referir que certos professores universitários vivem dentro de uma bolha, onde não são atingidos pelas causalidades do resto do mundo? É isso mesmo que se passa com este reitor, António Cruz Serra. E que sorte que ele teve, pois terminou a licenciatura em 1978 - numa altura em que não se pagava propinas no ensino superior em Portugal! Claro que a mencionada figurinha representa o culminar de toda a estupidez possível, graças a esta saída muito infeliz, e que nem todos os professores, até considerando os mauzinhos, são assim. But still...

Encontramo-nos num país onde há pessoas a passarem fome e frio, onde há pessoas que nem para pagarem a renda ou a comida têm dinheiro. É um insulto um gajo - sim, um gajo! - vir dizer ao pessoal que está tudo bem, obrigada, e que 1000€ (fora o resto) no orçamento familiar anual não representa that big of a deal, que é peanuts! Nem 100€, quanto mais 1000€! Há certos indivíduos nesta sociedade que ainda não perceberam que, numa casa onde se passam dificuldades, onde há desemprego, ou aperto, ou doença, ou cortes nos salários, ou "apenas" aumento de impostos, até 1€ que exceda o orçamento já faz mossa.

Falo por experiência própria: também tive de trabalhar para poder estudar, também tive de procurar bolsas extra-DGES que me ajudassem a colmatar o resto das despesas e para, de vez em quando, poder ajudar a minha família! Agora, em princípio, já estou mais orientada (porque, lá está, trabalhei e estudei para manter a bolsa de mérito), mas não deixo de me sentir solidária para com aqueles que, ao contrário do que o fofuxo do António Cruz Serra diz, são realmente obrigados a deixar de estudar por causa da mísera propina de 1000€ (que, no final de contas, nem nos garante certas condições materiais para o decorrer pacífico do nosso dia-a-dia de estudantes, sendo recorrente os edifícios estarem degradados, o corpo docente envelhecido e em número insuficiente, e por aí fora).

O ensino superior é um dos meios pelos quais se atinge o progresso numa comunidade, numa sociedade, num país. Se os alunos de outros tipos de ensino alternativos não pagam propinas, por que haveríamos nós de ter de as pagar? Temos caras de elite ou quê? Somos menos do que os outros? (E não, não estou a sugerir que os outros as deviam pagar, é apenas e exactamente o contrário.)

Universidade #7 - "quais são as saídas profissionais deste curso?"

Se há coisa que me irrita, de certeza que é a converseta acerca das saídas profissionais dos cursos do ensino superior e profissional e técnico e o raio que o valha. No entanto, ontem estive a representar o meu curso e a minha faculdade na Futurália, no sector da Universidade de Lisboa, e tive de ouvir bastantes vezes a sagrada questão "quais são as saídas profissionais deste curso?". AAAAAAARGH!!!!

Amigos e amigas que querem seguir além 9º ano ou ensino secundário regular, é só isso que vos interessa num curso? É só o que depois dá para fazer? A taxa de empregabilidade e a variedade de empresas que existem onde poderão mais tarde vir a trabalhar? É só isso? Como se os cursos valessem meramente pelas "saídas"?

Então, deixem-me esclarecer-vos sobre determinados assuntos - 3 em particular.

 

1 - Queridos paizinhos obcecados pelas saídas profissionais - e que tal deixarem as vossas crias fazerem aquilo que elas realmente querem, de que elas realmente gostam? Se dependerem demasiado do que se "deve fazer", em vez daquilo que elas "pretendem fazer", vão acabar com os vossos filhos virados ao contrário convosco, potenciais frustradinhos a médio prazo, adultos infelizes e, por conseguinte, pouco propícios a serem bem-sucedidos e a lutarem pela porcaria de futuro que lhes reservaram à força. E não haverá taxa de empregabilidade que os salve! Não haverá ambição que lhes reste! Quando uma pessoa tem os seus próprios objectivos, sente outro alento e, se for necessário, vai buscar forças aos confins do mundo para conseguir o que pretende. (Crias desses paizinhos obcecados - envio toda a minha força para que consigam demovê-los das suas ambições.)

 

2 - As saídas profissionais de um curso são aquelas que o aluno conseguir criar, durante e depois do curso. Se o aluno não for competente em nada que tenha que ver com o curso, nem sequer uma das alíneas aproveitará. Lá por termos um curso do ensino superior ou profissional, não ficamos directamente habilitados a exercer uma profissão na área. Durante o curso, aprendem-se e adquirem-se outras competências menos relacionadas com a matéria leccionada. É durante o curso que se descobre aquilo em que se é bom, seja a falar em público, a escrever, a liderar grupos, a apoiar os colegas, a debitar teses académicas absolutamente brilhantes... De que me valeu dizer ao pessoal que passava por mim e me colocava a maldita questão na Futurália que as saídas profissionais são X e Y? Tudo depende da formação complementar que têm ou passarão a ter, das línguas que falam, se pensam em fazer uma Pós-Graduação, um Mestrado, um Doutoramento, se pensam ficar-se pelo 1º ciclo, depende das suas vocações pessoais, das oportunidades que surgirem, do plano de estudos que criarem em termos de cadeiras opcionais. Percebem? E aposto que isto se aplica à maioria das licenciaturas!

 

3 - O que tem agora "muita saída profissional" não será necessariamente o que terá "muita saída profissional" daqui a uns anos. As indústrias mudam. A economia altera-se. As necessidades, os serviços, os processos da sociedade estão em constante mutação. Não tem de haver um "Ciências é que é bom e Letras é mau", não tem de haver esta distinção no mercado académico, esta estúpida dicotomia. Os mercados académico e profissional são muito, muito mais do que apenas Ciências e Letras; as fronteiras entre certos domínios nem se encontram claramente divididas, empresarialmente falando. Não é tudo "pão-pão, queijo-queijo".

 

Por isso, futuros universitários, ou mesmo outros que estejam à procura da melhor instrução ou formação neste momento, não se deixem levar pela treta de conversa com que nos enchem a cabeça (pais, professores, comunicação social). Somos nós que criamos as nossas saídas profissionais, as nossas aptidões e tendências. A nossa vontade de vencer. Conheci pais de colegas que eram advogados e não era por isso que não estavam desempregados e em dificuldades, mas também sei de pessoas que terminaram cursos de Letras que conseguiram concretizar as suas ambições profissionais em pouco tempo. Também já conheço pessoas (alguns amigos meus) frustradas, por não estarem a estudar aquilo de que gostam (há até quem ainda não saiba do que gosta, mas a quem tão ainda não foi dada a oportunidade de pensar devidamente).

 

Seja como for, boa sorte e felicidades para estas pequenas grandes escolhas! Pensem muito bem antes de gastarem dinheiro e tempo de vida num projecto em que desejam investir, numa ideia que pode ter tudo para correr bem e para correr mal!

Alguma dúvida, disponham. O meu e-mail há-de aparecer algures no blogue.

Procrastinar é viver, mas parar é morrer

Queridos, fofos, simpáticos. Já estou melhor da gripe e já deixei de ver trash TV. Em breve, respondo aos comentários. Obrigada a todos!!!

Falando doutros assuntos...

 

Quem já lê o que escrevo há algum tempo, sabe muito bem que os meus tempos de procrastinação andam muito em baixo desde há um ano e meio para cá. Comecei a trabalhar, depois entrei na faculdade e fui-me metendo em cada. Vez. Mais. Projectos. À maluca. 

Sempre que me sinto a estagnar, preciso de mais estímulos e arranjo-os. Felizmente, nunca me faltaram oportunidades.

Nos últimos tempos, a quantidade de trabalhos de copywriting que me costumam enviar decresceu para aí 90%, sem exageros. Nem 100€ fiz em quase três meses, neste ano de 2015. Por outro lado, também não teria tido disponibilidade para fazer muito mais do que fui fazendo entretanto, ora por causa da carta de condução, ora por causa de formação complementar, ora porque estive doente, ora porque não tenho andado com forças para nada, nem para agarrar num livro e ler (sim, eu sei, é um desespero).

Por isso, como sempre, peguei nesta cabecinha de alho chocho, sempre tão despenteada, e pensei "do que eu preciso é de coisas novas, que já nem a faculdade ou o trabalho de estudo me enchem as medidas". 

E candidatei-me a um estágio extracurricular no Centro de Estudos Anglísticos da faculdade (à maluca, sem reflectir muito nas consequências, como é costume). E fui aceite logo ali, na entrevista.

E, a seguir, caiu-me a ficha. PORRA, MAS ONDE É QUE EU ME FUI METER, QUE JÁ ANDO A BATER MAL DOS CORNOS SEM UM ESTÁGIO COM 12 HORAS SEMANAIS E A PARTIR DA PRÓXIMA SEMANA TEREI MENOS ESSAS 12 HORAS PARA, TIPO, DORMIR, ESTUDAR E ENCHER O TEMPO LIVRE A FAZER CENAS INÚTEIS, TIPO, CONSUMIR SÉRIES NORTE-AMERICANAS DA BERRA??? (Em caso de dúvida, estou realmente a citar-me, sem censuras ou delicadezas.)

Olhem, mas eu quero lá saber. É que não quero mesmo saber. Eu nunca deixei de fazer aquilo que me deu na real gana, nunca! E nunca deixei de dormir sete horas por noite. Nem de ser feliz, namorar ou ter a minha dose semanal de Wareztuga. Além disso, eu sei que também durmo algumas horas absolutamente acessórias à minha sanidade mental e que, nos fins-de-semana, sou capaz de passar um dia inteiro em frente ao computador a fazer refresh de sites e redes sociais de que me devo desapegar um bocadinho.

Se ultimamente ando um bocado deprimida e a sentir-me doente, do género doente de já andar a bater com a cabeça nas paredes às quatro da tarde? Ando, pois. Ando mesmo sem vontade para sair da cama. Contudo, uma vez mais, atribuo a culpa disso à desmotivação e desencanto que a faculdade me tem feito sentir, mais a falta de trabalho. Ou é isso, ou é uma anemiazita estúpida, que também se trata com a ajuda do médico e depois passa.

Parece-me que desperdiçar oportunidades é... um desperdício. Um futuro arrependimento, até. Por essa razão é que eu nunca páro, porque quero engolir o mundo e ter o maior número de experiências antes de deixar de ter idade para as ter sem que me olhem de lado e pensem que já estou acabada (e pronto, porque eu também sei que, quando chegar a altura, me quero dedicar a 200% a criar uma família e que determinados compromissos e oportunidades profissionais ou académicas hão-de ter de ficar para trás, porque criar um lar feliz exige o tempo e disponibilidade emocional das pessoas).

 

Moral da história, temos é de ir "bola p'rá frente", aventurarmo-nos e deixar-nos de grandes tratados de pensamento. Temos é de sair da casca, deixarmos a nossa marca no mundo e contribuir positivamente para ele, ser produtivos - não exclusivamente em termos profissionais, mas mesmo em termos de fazermos aquilo de que gostamos e experimentarmos sair da nossa zona de conforto! Há tempo para tudo, desde que saibamos aproveitar o tempo! Até para procrastinar há sempre uma manhã ou um fim-de-tarde!

 

Sinceramente, depois de saber que fui aceite no estágio (já agora, um projecto em que acredito a nível pessoal, de que falarei noutra altura, quando me inteirar melhor acerca dele), tenho a sensação de que fiquei menos fraquinha, menos anémica, menos a enfiar a cabeça na areia. Bem diz o Ricardo que isto pode muito bem ter uma quota parte de origem no psicológico da pessoa! 

 

Desculpem-me a pregação, mas foi mesmo escrita com boas intenções, como espalhar a boa onda e a motivação :) .]

Vocês nem calculam o que é estar à espera do fim das oito horas do intervalo entre as doses dos medicamentos, tipo agarradinha

Vocês nem calculam o que é ser eu e eu estar doente. É, no mínimo, aterrador. Todo o mundo lá fora a funcionar e eu encafuada em casa, ou mesmo no quarto, entregue a ataques súbitos, ora de calor caribenho, ora de frio antárctico, a sofrer aos poucos o processo de habituação ao Anti-Grippine, depois a enveredar pelo Ben-U-Ron, que me tira tanta febre, quanto as náuseas que me causa, do género "nem com um bitoque/carne de porco à alentejana/empadão de alheira, batata frita e espinafres me obrigam a comer", até que desisto e me resigno a tentar controlar as dores de cabeça resultantes da maldita sinosite e a dormir sobre esta gripe do demo.

Já agora, vocês nem calculam, nem nos vossos sonhos mais recambulescos, o que é só encontraram consolo nas comédias românticas do AXN White e nessa adaptação cinematográfica sobre uma mulher com Alzheimer precoce (QUEM ME MANDA VER DRAMAS SOBRE DOENÇAS QUANDO ME ENCONTRO TÃO EMOCIONALMENTE FRÁGIL, QUEM??? EU JÁ DEVIA TER APRENDIDO COM O FILME SOBRE O HAWKING). E chorarem baba e ranho mas não conseguirem distinguir se estão derradeiramente emocionados ou apenas a piorar da sinosite. A sério, what's wrong with me? Ah sim, 40ºC de febre.

Vocês nem calculam o que é ser uma pessoa normalmente imparável das 6h30 às 19h, como eu sou, e nem sequer terem concentração suficiente para ver o raio dum programa da MTV, com miúdas que namoram com dois rapazes em simultâneo e que depois pedem aos papás para decidirem por elas com quem devem ficar (chama-se Moving In). Ou até aquele programa sobre totós que viajam para destinos da droga e que acabam lá presos por 15 anos por serem cúmplices em negócios da carochinha (National Geographic, by the way).

E eu só penso na quantidade de aulas da faculdade a que estou a faltar!!! Estão a falar com a miúda que teve varicela no 1º ano, teve de faltar à escola durante um mês, mas que continuava a fazer questão de receber os trabalhinhos e as fichinhas para fazer em casa!!! Agora, imaginem isso 13 anos depois!

E eu nem sei como passei no exame de código! Quer dizer, até sei - o Anti-Grippine teve o obséquio de começar a fazer efeito dez minutos antes da coisa começar, o que me provocou um speed durante duas ínfimas horas, o suficiente para eu errar as únicas TRÊS BLOODY PERGUNTAS que poderia errar para ser aprovada, sair de Lisboa e regressar ao lar, doce lar (que anda muito amargo, pois 3 em 4 inquilinos encontra-se num estado idêntico ao meu, sendo que a culpa de eu estar como estou é dos primeiros dois atingidos, em particular do meu pai, que foi quem trouxe a bicheza cá para o burgo, but no hard feelings, pois estamos todos no mesmo barco).

 

Agora, se me permitem, vou deixar-vos a ler este devaneio. Finalmente, o meu Actifed chegou. Dizem que dá uma pedrada do caraças, por isso é melhor dar o hasta e esperar que, regressando ao mundo dos vivos, a sinosite tenha ido com os porcos.

 

Também espero que a lasanha do jantar seja miraculosa, pois tenciono regressar à rotina já amanhã.

 

ADENDA: sim, sim, sinusite escreve-se sinUsite, mas é tarde demais, enganei-me e as minhas dores de cabeça infernais voltaram para... para... me infernizar! Seja como, quem é que faria questão de saber soletrar o nome do seu sequestrador? Exacto, ninguém.

O fim do "viveram felizes para sempre"?

Ultimamente, tenho andado a lidar com estatísticas. Primeiro, por causa de um trabalho no curso de escrita de não-ficção; agora, por causa da cadeira da faculdade de Sociologia da Comunicação. E há estudos para tudo, sobre tudo. Se uma pessoa tiver curiosidade, qualquer pessoa mesmo, encontra facilmente informação variada acerca de qualquer aspecto da vida dos portugueses, dos europeus ou até da população mundial em geral. Desde que se analisem os dados a partir de uma perspectiva crítica e se saiba distinguir estudos da treta de estudos que valem a pena, os depositórios de estatísticas online (por exemplo, o site do Instituto Nacional de Estatística ou o PORDATA).

Hoje, enquanto eu procurava informação sobre os portugueses e as televisões, ou o meio pelo qual assistem aos programas televisivos, encontrei um estudo do mais comum possível, pelo meio da (má) filtragem: Número de divórcios por 100 casamentos em Portugal. Nem sequer é um estudo fora do comum, são estatísticas fáceis de obter... No entanto, os resultados deixaram-me perplexa:

casam.png

Como assim, mais de 70% dos casamentos, em Portugal, acaba em divórcio? Como assim, nos dias que correm, 7 em cada 10 casamentos não vão avante, não cumprem o "para sempre" implícito em toda a pompa e circunstância da cerimónia, da celebração ou simplesmente do acto de assinar os papéis?

Será que o "viveram felizes para sempre" perdeu a sua validade? Como é que as gerações mais novas ou vindouras podem continuar a acreditar no amor verdadeiro ou - pior - na estabilidade emocional, depois de se chegar a tais conclusões?

Reconheço que estou a colocar demasiadas questões, provavelmente a mostrar o meu lado mais sensível e fosquinhas no que toca ao amor e às relações humanas, mas é possível ficar-se indiferente depois de se saber que, em 2012, a taxa de divórcio no nosso país foi de 73,7%?

Na minha família próxima, o último casal mais ou menos perfeito foram os meus bisavós. Diz a minha avó que foram sempre os melhores amigos, que nunca lhes faltava tema de conversa. Pelo meio houve problemas, mas foram relativamente bem sucedidos, até que o meu bisavô faleceu um ano antes de eu nascer. De resto, as histórias envolveram sempre separações conturbadas, noivados cancelados, filhos levados na onda, facadinhas pelo meio... Nem os pais da maioria dos meus amigos conseguem manter casamentos 80% equilibrados, felizes. Sou uma romântica incurável, mas sem referências nem exemplos para os quais possa olhar em busca de alento. O amor contínuo, o companheirismo, a estabilidade, a confiança, a foleirice... Onde andam eles? 

É claro que mais vale só do que mal acompanhado, é claro que, quando já não resta nada por que lutar, por que esperar, o melhor é cada um ir para seu lado e seguir o seu caminho, talvez com outra pessoa com a qual se seja mais feliz. É claro que as estatísticas não reflectem muitos casos que são "mudos", que não são revelados nas estatísticas. As uniões de facto. Os namoros. Aquelas relações que não têm "expressão" oficial.

 

Seja como for, há que manter a mente em aberto, sem estereótipos, e limpa de estatísticas. Livre de maus exemplos, livre do que outros fizeram ou deixaram de fazer. Senão, como é que alguém se pode abstrair do histórico de família, do histórico nacional, do histórico - porventura - mundial? Há que ver o copo meio cheio, a todo o custo: cerca de 3 em cada 10 casamentos mantém-se. Com sorte, pode até acontecer que dois deles sejam constituídos por duas pessoas que são os melhores amigos um do outro.