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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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a praia dos "crescidos"

    Noto que já não sou bem uma criança quando a praia já não me sabe ao mesmo.


   Agora, é o apelo da areia que sinto e não o da água, ao contrário do que acontecia até há relativamente pouco tempo. Penso que tenha simplesmente a ver com o comodismo que o crescimento nos traz. Deixamos de achar a areia tão quente para começarmos a achar a água demasiado fria; começamos a gostar de permanecer na toalha a torrar ao sol, enquanto ouvimos música, lemos um livro, comemos, pensamos, jogamos às cartas, conversamos ou, em muitas ocasiões, dormimos; passamos a compreender, finalmente, o frete a que submetíamos os adultos da nossa infância, obrigando-os a jogar à bola ou às raquetes connosco ou fazendo birras porque queríamos ir para a água; passamos a compreendê-los quando crescemos e os papéis se invertem, quando os nossos irmãos, primos e amigos mais novos pedem o mesmo que nós pedíamos há meia dúzia de anos, se tanto: diversão na praia.


   Infelizmente para eles, a nossa ideia de divertimento deixa cada vez mais a desejar. Vamo-nos tornando criaturas horrivelmente aborrecidas e inactivas. Queremos é sol e descanso, com o menor barulho possível, de preferência. Somos o tédio que, outrora, abominámos. Ao invés de nos metermos na água a fazer figuras tristes em cima de uma prancha de bodyboard comprada nos Chineses, contentamo-nos em ver desfilar os modelitos XXL e a sua celulite gelatinosa ou, por outro lado, a rebaixarmo-nos perante as belezas estonteantes e corpinhos Danone que nos causam raiva e água na boca.


   Existem alturas em que me apercebo do quão estúpido é crescer, em certos aspectos. Faço por evitá-lo sempre que praticável e adequado à minha idade, mas há mudanças que levam a melhor ao nosso esforço por nos mantermos fiéis ao que éramos. Desta vez, é a nossa vez. Toca a todos…! Mais dia, menos dia, até haveremos de lutar por um lugar debaixo do chapéu-de-sol, pediremos a todos os santinhos para não ficarmos muito queimados, besuntar-nos-emos de protector solar (FACTOR 50!) desde a ponta dos dedos dos pés até ao cimo da testa e só pisaremos a praia a partir das cinco da tarde!

"ai, se eu tji pego" (levas com a vassoura)

Hoje, vi e ouvi criancinhas (que quase nem sabiam falar) a cantarolar "ai se eu tji pego, ai, ai, se eu tji pego", enquanto brincavam nos escorregas do parque infantil, saltitando e fazendo a sua vidinha de criança, normalérrima, sem sequer se aperceberem do significado da letra. Mais uma vez, digo: felizes são as almas puras. Fiquei absolutamente chocada e tenho cada vez mais nojo a quem produz músicas (cacas) destas.