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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Era uma vez, um diário positivo

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Esta é uma publicação um pouco diferente das que são o costume por aqui, mas com um convite que gostaria de partilhar convosco, pessoas que adoram escrever, ou que gostariam de escrever mais, de preferência se isso vos trouxer algo de positivo, tão necessário nestes tempos conturbados que estamos a viver. É engraçado pensar que este workshop foi o meu projecto pessoal, profissional e da pós-graduação nos últimos meses, nunca prevendo que no início de Abril estaríamos... assim, neste espaço psicológico, resguardados em casa. Eu própria me sinto muito feliz por ter andado a estudar o tema, que agora se revela tão útil. Mas adiante.

Se estiverem interessados, ou se conhecerem alguém que esteja, não hesitem em mostrar-lhe este evento.

 

***

 

Comecei a escrever muito miúda (ainda mais do que agora). Escrever era o meu trabalho favorito da escola e fazia de propósito para o meu P.I.T. (quem se lembra do Plano Individual de Trabalho?) calhar sempre com produção escrita. Confesso que fiz muita batota à conta disso. Escrever sempre me fez sentir bem, sempre me fez sentir capaz e mais organizada nas ideias. Aliás, desta necessidade surgiu o blog.
 
 
Seja ficção ou não-ficção, nunca deixei de querer brincar com as palavras, com as observações do mundo e com o mundo interior das personagens. Por isso, quando comecei a estudar Psicologia, encontrei a peça que faltava no meu puzzle: poder partilhar com outras pessoas todos os benefícios para a saúde mental - e, por consequência, física - de escrever regularmente.
 
 
Dito isto, preparei um dia cheio de actividades de Diário Positivo para daqui a uma semana: a data é 4 de Abril (Sábado), e o workshop vai ser completamente online.
 
Descrição:
"Acha que escrever um diário é como uma terapia para acalmar a alma, organizar as ideias e perceber as suas emoções? A escrita é parte de si e escreve para se sentir melhor?
 
O Workshop de Diário Positivo será um dia de aprendizagem sobre como utilizar um diário em prol do bem-estar e duma melhor saúde mental, através de pequenas intervenções e exercícios escritos que podem ser realizados autonomamente.
 
Como o nome do workshop indica, daremos uma importância reforçada às emoções positivas, mas sem nos esquecermos da escrita expressiva e do papel da literacia sobre todos os tipos de emoções e pensamentos numa vida feliz e equilibrada."

 

***

 

O resto das informações está:
 
 
Obrigada, e espero ver-vos em breve!
 
 

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Escrever em tempos de isolamento

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Escrevo - não porque já não tenha nada para fazer, mas sim porque não há mais nada com que preferisse ocupar o meu tempo, este tempo, neste momento; este momento em que sufocamos, mas em que também aprendemos outras formas de respirar.


Escrevo por necessidade, por fôlego, como um peixe que precisa de nadar às profundezas para, aí sim, sobreviver. Preciso de escrever, preciso, mesmo quando não consigo. Deve ser muito triste a vida sem esta forma de expressão, para quem depende tanto de palavras. Preciso de escrever para me materializar, para me pensar, para me construir, para me concretizar inteira.


Escrevo para que o raciocínio tome consistência. Enquanto escrevo, organizo, arrumo, descubro novos espaços onde viver. Durante este isolamento, que as palavras que escrevemos sejam a janela ou a varanda com vista para o resto do mundo! Que sejam a rua que caminhamos sem restrições! E que, se assim o desejarmos, seja o encontro e reencontro com quem nos deseje ler!


Escrevo, e quem me dera que outros também possam escrever para se sentirem menos ansiosos, nervosos, inseguros. Eu escrevo, para fugir das conversas repetidas, do fluxo de informação insistente e da iminência duma vida ainda desconhecida. Eu escrevo, porque, ao fazê-lo, só interessa o presente; este momento em que já não sufoco. E, no meio da cacofonia, interessa a minha voz, a única que monta este texto, que o dita. Não é silêncio, mas é poder.


Por isso, escrevam:

Escrevam em papel, nos cadernos e diários, ou na página branca e regrada do computador. Escrevam rascunhos, adágios, canções, listas e listinhas, diálogos, descrições, ficção e não-ficção, a vossa história ou a história de outros; escrevam porque escolhem, porque escrever faz sentido.

 

Aproveitem o desafio do confinamento para quebrar paredes e barreiras. Escrevam para se conhecerem melhor, para conhecerem os outros melhor, para crescer.

 

Escrever acalma e ritma a inconstância dos pensamentos. Subjuga-os à nossa vontade, diminui o stress e a ansiedade, diminui a dor, reduz a insegurança, alarga as perspectivas.


Eu escrevo, porque confio: hei-de sair mais construída, e mais construtiva, deste tempo que se apresenta como um presente, não sabemos se doce ou envenenado. Eu escrevo, ora para mim, ora para os outros, nos meus blocos de notas, no blog, no telemóvel, textos que guardo ou que me fogem, que partilho ou que escondo.


Escrever é grátis. Pode ser feito em qualquer lado - em casa também. Escrever leva-nos onde quisermos, sempre na ponta dos dedos, como quem afaga um gato adormecido, ou como quem se prende fortemente ao desfiladeiro.

Vamos escrever?

Não é um bloqueio criativo, é a procrastinação!


Para escrevinhadores como eu, aqui fica este mapa que poderão consultar em caso de bloqueio criativo. Em último caso, se não o for e, mesmo assim, não conseguirem escrever, a vossa patologia é simplesmente procrastinação - está confirmado! E parem lá com isso, que a vida é curta (façam o que eu digo, não façam o que eu faço!).

HOJE foi o dia

Frequentei o Colégio Atlântico durante nove anos - desde a pré-primária até ao final do 3º ciclo. Quando, por fim, entrei para a escola pública, pensei que nunca mais me apanhavam por lá, pelo menos durante algum tempo. Na altura, estava como que saturada do ambiente de "clausura", de protecção e de controlo a todo o santo instante (ou, pelo menos, era assim que eu via a situação), e a recém-adquirida-pseudo-liberdade trouxe-me, talvez, uma quanta arrogância (que depressa me passou, haja juízo!). Poucos meses depois, voltei para uma curta visita e, contra todas as expectativas, fiquei tão triste por já lá não andar que reafirmei, desta vez pela razão contrária, a minha pouquíssima vontade de regresso. Mas, eventualmente, continuei a visitar os meus professores, a falar com alguns no Facebook e a enviar e-mails à minha antiga directora de turma, a professora Antónia, que, no ano passado, me convidou (com a aprovação da direcção do colégio e dos outros professores, obrigada, obrigada!) para ir falar a uma turma de sexto ano sobre o meu percurso escolar, porventura pessoal, e dar-lhes alguma motivação. Aliás, até cheguei a escrever sobre isso! Fiquei especialmente sensibilizada por me colocarem nessa posição, pois demonstrava que me encontravam competências e experiência suficientes para conseguir gerir esse encontro. E, afinal, saí-me bem!

Então, este ano, o convite repetiu-se... para conversar, não com uma, mas com várias turmas, do 2º ao 3º ciclo, no pavilhão multiusos do colégio! Tanta gente!!! A minha primeira reacção foi pensar que não conseguiria cativá-los, que seria horrível e que nem me levariam a sério. Mas - ei! - não estou aqui para as curvas? Não é o meu lema explorar todas as situações que me sejam colocadas, aproveitando-as como se fossem a minha última oportunidade?
Claro que aceitei, ora essa - ou houvesse outra resposta beatrizmente possível!

Portanto, hoje, lá estive...


Colocaram-me no palco em cima do qual actuei em dezenas de festas escolares (dança, teatro, música, ...), completamente sozinha, com um foco de luz a destacar-me, um sofá para me sentar e água para ir bebendo. Não estava naaaaada à espera! Nada mesmo! Tanto cuidado e tanta atenção sobre mim fizeram-me sentir pequena, pequenina, minúscula. À minha frente, apesar de não conseguir vê-los nitidamente devido ao brilho do holofote que me encadeava (e aos óculos que não tinha na cara, ah ah ah), estavam imensos alunos e professores que esperavam que eu fosse capaz de mostrar fluência, à vontade e carisma. Desiludi-los não era, de todo, uma opção!
Abordei diversos temas: a experiência da escola privada em comparação à da escola pública, as notas, as minhas actividades extra-curriculares, o que me motiva, os meus hobbies, esta procrastinação em forma de blogue, as expectativas que tenho para o futuro... Sei que me esqueci de referir imensas coisas que planeara referir, sei que não fui a melhor oradora e que, quando entrei naquele palco "enorme", caiu sobre mim uma grande ansiedade que me impediu de me expressar como desejava. No entanto, também me contaram que quase nenhum aluno (estavam presentes o 7º, o 8º e o 9º ano) se atreveu a falar, algo raríssimo; que consegui, felizmente!, cativá-los; que me colocaram questões no final e que mostraram interesse pelo que partilhei com eles. No final, senti que tinha cumprido a minha parte e que demonstrara ser um bom exemplo, embora, ainda há pouco tempo, tenha estado na pele deles e tenha tido a idade que têm. Em suma, acho que consegui chegar aos meus espectadores e nada me poderia deixar mais satisfeita!

Também matei saudades de todos os professores e funcionários do colégio que me viram crescer e que, agora, se admiram por já ter passado tanto tempo desde que eu fazia intermináveis e dolorosas birras (porque a minha avó me mandava demasiada comida para o almoço), por eu já ter "este tamanho, parece que me metem adubo" e por até já aparecer com um "apêndice/borracho" (segundo apelidaram o Ricardo, que me acompanhou nesta visita); desenterrei recordações que pensei nunca mais recordar; passei em corredores que me fartei de percorrer "para trás e para a frente, para a frente e para trás" durante quase uma década... Enfim, foi uma manhã e tanto!

A minha avó sempre me disse que, um dia, me lembraria do colégio e teria vontade de lá voltar. Por muitos momentos desagradáveis que tenha vivido dentro dos seus portões, os melhores superam-nos! Dito isto: hoje foi o dia.

***

MIL OBRIGADAS a todos os que me concederam esta visita especial e que conseguiram torná-la num dos acontecimentos mais marcantes do meu 12º ano!!!
MIL DESCULPAS a um certo professor que, num certo seu aniversário, foi presenteado pela minha antiga turma com um Big Mac e uma festa surpresa cheia de doces que não pôde comer, por estar em regime de dieta, e que teve de explicar aos seus actuais alunos em que consistiu esse episódio, uma vez que me ocorreu a brilhante ideia de o trazer à memória. (Faça o obséquio de se rir, stôr Nuno! :D )

a ranhosa da Beatriz

Sr. Pedro Chagas Freitas,

Acho que o senhor só está a complicar o que é simples. Eu nunca precisei dos seus cursos para aprender a usar vírgulas. Bastou a minha professora do 5º ano ensinar-me que só precisamos de nos guiar pela entoação com que falamos para que consigamos escrever um texto gramaticalmente correcto. Se soubermos falar, também sabemos escrever, dizia-me ela. E, se as pessoas não souberem falar, o que será delas nas ocasiões mais banais do dia-a-dia?
Já agora, a sua é uma das piores publicidades que vi nos últimos tempos. Nota-se logo que, com tanta falta de modéstia, quer impingir os seus cursos à força toda a um público que julga minimamente estúpido, dado o discurso que nos prega. Vá mas é pregar para outra freguesia, amigo! Pare de se intitular o "Mourinho da Escrita Criativa", porque ela é isso mesmo: criativa. Se me apetecer encavalitar vírgulas, pontos de exclamação e travessões, isso é cá da minha conta!

E, no entanto, como eu sou muito solidária para com os outros (cof, cof), ainda o ajudo na sua demanda pelas vírgulas, através da minha ranhosice, já viu?

Votos de boa sorte,

Beatriz

a ranhosa da Beatriz


Sr. Pedro Chagas Freitas,


Acho que o senhor só está a complicar o que é simples. Eu nunca precisei dos seus cursos para aprender a usar vírgulas. Bastou a minha professora do 5º ano ensinar-me que só precisamos de nos guiar pela entoação com que falamos para que consigamos escrever um texto gramaticalmente correcto. Se soubermos falar, também sabemos escrever, dizia-me ela. E, se as pessoas não souberem falar, o que será delas nas ocasiões mais banais do dia-a-dia?
Já agora, a sua é uma das piores publicidades que vi nos últimos tempos. Nota-se logo que, com tanta falta de modéstia, quer impingir os seus cursos à força toda a um público que julga minimamente estúpido, dado o discurso que nos prega. Vá mas é pregar para outra freguesia, amigo! Pare de se intitular o "Mourinho da Escrita Criativa", porque ela é isso mesmo: criativa. Se me apetecer encavalitar vírgulas, pontos de exclamação e travessões, isso é cá da minha conta!


E, no entanto, como eu sou muito solidária para com os outros (cof, cof), ainda o ajudo na sua demanda pelas vírgulas, através da minha ranhosice, já viu?


Votos de boa sorte,


Beatriz

mais da mesma gabarolice

Ganhei uma menção honrosa no concurso de criatividade Grande C, categoria de Escrita Criativa, sub-categoria de Poesia!!! (Na vida real, uma exclamação destas valeria um colapso dos pulmões por falta de ar ou qualquer coisa do género, já que, de medicinas, percebo apenas o suficiente para entender a Anatomia de Grey - digamos, NADA.) Portanto, pelo que a ocasião "obriga", decidi mostrar-vos um dos poemas que compõe a colectânea com que ganhei o prémio. Aqui fica:


 


PAIXÃO PRIMAVERIL


Não sei se te amo ou se sei amar,
pois de ti guardo ténues lembranças do que fomos.
Eu era feliz em teus braços (e as fotografias o dizem, o repetem, o lamentam...)
Belos tempos, idos e voltados e enterrados,
mas a beleza éramos nós, não negues.
O meu vestido era verde, a pele ainda fresca do banho,
debaixo dos teus dedos de homem, coração mole de menino...
Que lindo!
Reconhece a felicidade que te dei, pois dei
se em vão ou não, não sei, pouco sei.
Foi curto mas eterno, que dizes tu?
A tua voz ficou presa às paredes, em eco falando,
e o teu aroma suave e juvenil ainda gorjeia, ditando
o que, de ti, jamais esquecerei.

inspiração? sim, sem dúvida!

   Hoje, pela primeira vez na vida, sinto que marquei alguém. Sinto-me verdadeiramente realizada.


 


   No âmbito da Semana da Leitura do colégio que frequentei, desde a pré-primária até ao nono ano, a minha antiga professora de Língua Portuguesa convidou-me para ir falar aos alunos de sexto ano dela sobre a minha experiência enquanto leitora, mas também como escritora. É certo que a minha "carreira" na área se resume, modestamente, a uns quantos prémios literários, a este blogue, à minha participação na revista Fórum Estudante e, sem dúvida, a muita determinação e sonhos para o futuro.


   No entanto, tenho a satisfação de confirmar que, hoje, consegui entusiasmar alguns potenciais artistas da escrita. Tentei representar, durante curtas horas, um exemplo que eles poderiam considerar seguir ou, pelo menos, alguém em quem se revissem. Eu própria me revi nalguns deles. Em certos casos, notei na insegurança, na ânsia de se afirmarem, mas sem o conseguirem por receio do que os colegas poderiam dizer... Noutros, identifiquei exactamente o que me fazia recuar ou ter medo. Ainda assim, agora que os observo a partir do exterior, reconheço que todas estas inibições fazem parte do nosso percurso, do nosso crescimento e da nossa entrada na adolescência. Cada um destes miúdos - se é que os posso chamar de miúdos, visto nem serem muito mais novos que eu - precisa apenas de se conhecer e encontrar algo que o defina.


   Quando eu tinha a mesma idade (onze, doze anos...) não percebia onde me poderia incluir. No grupo dos fixes? No dos renegados? Então, escrevia sobre isso. Aos poucos, fizeram-me ver que essa era a peça que me faltava encaixar no puzzle que eu ainda não entendia completamente. Construí, então, uma personagem para mim, em torno dessa característica. Eu era capaz de fazer algo melhor do que a maioria - escrever. Resumidamente, integrei-me e aprendi a aceitar-me. Todos nós somos diferentes e não nos devemos deixar rotular.


   Em grande parte, agradeço à pessoa que me incentivou desde o início e que, praticamente sete anos depois, continua a acreditar em mim - a professora Antónia. Se, um dia, já fui sua aluna, já outros o foram e muitos mais ainda o serão; no final, seremos todos uns sortudos por ter tido alguém tão dedicado a ensinar-nos, não só a matéria do livro, como também importantes valores morais, como a amizade, a cooperação e a disponibilidade para com os outros. E, por isso, agradeço igualmente o seu generoso convite e a manhã bem passada na sua companhia e dos seus queridos - uns, mais indisciplinados que outros - alunos. 


   Já agora, professora, peço desculpa por algum menos apreciável erro de gramática ou pontuação neste pequeno texto, caso o venha a ler. É bem provável que, a certa altura, tenha sentido uma enorme (e inconsciente) vontade de corrigir qualquer coisinha.


   Esta manhã, havia quem me perguntasse onde procurava inspiração para escrever. A minha resposta é a seguinte : a momentos como estes que partilharam comigo.


   Um enorme OBRIGADA pela experiência de hoje. Foi especial.

inspiração? sim, sem dúvida!

   Hoje, pela primeira vez na vida, sinto que marquei alguém. Sinto-me verdadeiramente realizada.

   No âmbito da Semana da Leitura do colégio que frequentei, desde a pré-primária até ao nono ano, a minha antiga professora de Língua Portuguesa convidou-me para ir falar aos alunos de sexto ano dela sobre a minha experiência enquanto leitora, mas também como escritora. É certo que a minha "carreira" na área se resume, modestamente, a uns quantos prémios literários, a este blogue, à minha participação na revista Fórum Estudante e, sem dúvida, a muita determinação e sonhos para o futuro.
   No entanto, tenho a satisfação de confirmar que, hoje, consegui entusiasmar alguns potenciais artistas da escrita. Tentei representar, durante curtas horas, um exemplo que eles poderiam considerar seguir ou, pelo menos, alguém em quem se revissem. Eu própria me revi nalguns deles. Em certos casos, notei na insegurança, na ânsia de se afirmarem, mas sem o conseguirem por receio do que os colegas poderiam dizer... Noutros, identifiquei exactamente o que me fazia recuar ou ter medo. Ainda assim, agora que os observo a partir do exterior, reconheço que todas estas inibições fazem parte do nosso percurso, do nosso crescimento e da nossa entrada na adolescência. Cada um destes miúdos - se é que os posso chamar de miúdos, visto nem serem muito mais novos que eu - precisa apenas de se conhecer e encontrar algo que o defina.
   Quando eu tinha a mesma idade (onze, doze anos...) não percebia onde me poderia incluir. No grupo dos fixes? No dos renegados? Então, escrevia sobre isso. Aos poucos, fizeram-me ver que essa era a peça que me faltava encaixar no puzzle que eu ainda não entendia completamente. Construí, então, uma personagem para mim, em torno dessa característica. Eu era capaz de fazer algo melhor do que a maioria - escrever. Resumidamente, integrei-me e aprendi a aceitar-me. Todos nós somos diferentes e não nos devemos deixar rotular.
   Em grande parte, agradeço à pessoa que me incentivou desde o início e que, praticamente sete anos depois, continua a acreditar em mim - a professora Antónia. Se, um dia, já fui sua aluna, já outros o foram e muitos mais ainda o serão; no final, seremos todos uns sortudos por ter tido alguém tão dedicado a ensinar-nos, não só a matéria do livro, como também importantes valores morais, como a amizade, a cooperação e a disponibilidade para com os outros. E, por isso, agradeço igualmente o seu generoso convite e a manhã bem passada na sua companhia e dos seus queridos - uns, mais indisciplinados que outros - alunos. 
   Já agora, professora, peço desculpa por algum menos apreciável erro de gramática ou pontuação neste pequeno texto, caso o venha a ler. É bem provável que, a certa altura, tenha sentido uma enorme (e inconsciente) vontade de corrigir qualquer coisinha.
   Esta manhã, havia quem me perguntasse onde procurava inspiração para escrever. A minha resposta é a seguinte : a momentos como estes que partilharam comigo.
   Um enorme OBRIGADA pela experiência de hoje. Foi especial.