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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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No fundo, no fundo, acho que uma das maiores consequências da crise é ter-nos virado todos para dentro da nossa bolha, onde tentamos resolver os nossos problemas pessoais, esquecendo-nos dos problemas dos outros. Lá está, não é que nos digam directamente respeito, mas os problemas dos outros, por vezes, são os problemas de toda uma comunidade. E a comunidade somos nós.

Quando saio da minha bolha, entro um pouco em negação. Sim, eu tenho problemas, mas há quem tenha outros bem piores do que os meus. Ainda agora, ao sair da estação de Metro da Cidade Universitária, cruzei-me com uma senhora já com uma certa idade sentada nas escadas, acompanhada de um cartão cuja mensagem escrita era um pedido de ajuda. Ao lado, tinha colocado algumas flores em croché, ou assim parecia, e uma caixinha onde algumas pessoas já tinham depositado uns trocos - talvez uma espécie de venda improvisada.

Esta senhora tinha um ar muito debilitado e cortou-me o coração. E se fosse alguém que eu conhecesse? E se a mesma situação acontecesse a alguém de cuja história eu soubesse? Neste caso, eu não conheço a senhora, muito menos conheço a sua história pessoal. No entanto, depois de muito, muito ponderar acerca do assunto, voltei atrás e olhei para ela com mais atenção. Em parte, tinha medo de ser mal interpretada e de lhe ferir qualquer tipo de orgulho que guardasse. Perguntei-lhe se tinha alguma coisa para comer e ela respondeu-me qualquer coisa como "não, depois a menina fica sem lanchinho". Acabei por lhe dar uma tangerina que tinha levado para o lanche. Ela precisa mais do que eu, eu levo comida para um dia inteiro na lancheira.

Pelo menos de mim para mim, sei que fiz o melhor que pude. Dei um pouco do que tinha. Depois de ouvir tantas notícias acerca de reformados cujas pensões são cortadas sem dó nem piedade, depois de ouvir acerca de tanta desgraça, a bolha em que vivo tem de ser quebrada de vez em quando. Este momento foi o meu "de vez em quando", em que partilhei o que consegui. Foi pouco, eu sei, mas talvez noutra altura possa dar outro pouco. E outro. O que for possível.

 

Não dou comida nem dinheiro a instituições, porque não sei o que fazem com aquilo que quero dar. Não apreciam verdadeiramente o gesto, mesmo que insignificante. Para dar, dou directamente a quem precisa, sem intermediários. Hoje foi assim.

Prendas que eu gostaria de receber no meu aniversário (mas que não receberei, porque... you know - crise)

Para os mais despistados (como se fosse possível, que eu não me calo com isto), amanhã faço anos. Faço os 18, ainda por cima. Já estou pelos cabelos com a minha avó e todas as pessoas que existirão por esse mundo fora que fazem questão de mo relembrar de dez em dez minutos: upa, upa, vou ser adulta e hoje é o meu último dia enquanto "criança". GRRRRRRRRR, enterrem-se, minha gente!

No entanto, dentro da temática do aniversário, apetece-me falar de prendas. Ou melhor, o meu lado materialista dita que me apetece falar de prendas.

 

Em primeiro lugar, eu sei que isto está difícil e sublinho o seguinte: sou a primeira a confirmar que me custa imenso ter de arranjar prendas de aniversário para os outros, uma vez que tenho sempre orçamento limitado. Já não se dão prendas de 10€! Nem de 7,50€! Muitas vezes, nem de 5€. Portanto, quando me dizem que, este ano, não há prendas para ninguém, eu só respondo "ok". Então e não me importo? Sinceramente, não. Nos meus dias de anos, só não dispenso estar com os meus amigos. O resto vem por acréscimo. Não há quem não goste de receber presentes, seja quando for, mas há que ter três dedos de testa e um pouco de bom senso. Eu tenho tudo o que uma miúda da minha idade poderia desejar (comida, saúde, família, amigos e um namorado "ao mais alto nível", uma casa cheia de livros, boas notas e até um blogue lido por algumas pessoas que não devem ter mais nada que fazer da vidinha delas, mas de quem eu tenho muito boa impressão), pelo que, a menos que tenham vontade de fazer um donativo para a minha conta bancária, onde estou a amealhar uns trocos para as propinas da faculdade, escusam de pensar sequer em dar-me o que quer que seja.

 

Assim, a lista que se segue trata-se, nem mais, nem menos que um devaneio de quem está a fazer uma pausa no estudo para os exames nacionais. Vou chamar-lhe...

 

AS PRENDAS DE ANVERSÁRIO QUE ME PODERIAM DAR, CASO TIVESSEM DINHEIRO:

 

1. LIVROS. Nunca são demais.

 

2. PRATELEIRAS. Dão sempre muito jeito por estas bandas.

 

3. CHOCOLATES. Oh, os chocolates! Como eu adoro as barrinhas do Continente... E os bombons da Milka... E os Toblerones.

 

4. GOMAS. Afinal, a minha avó diz que estou magra.

 

5. Um biquíni novo.

 

6. Já referi os livros?

 

7. MARCADORES PARA OS LIVROS. É que estou a ler cada vez mais, ao mesmo tempo.

 

A culpa não é da Pépa

À semelhança da maioria dos bloggers que se têm insurgido sobre o assunto, também eu concordo que não há nada de chocante no discurso da Pépa que não seja o seu horrível sotaque à menina-bem e a quantidade de vezes que repete, aleatoriamente, a palavra "tipo" (além de que, pessoalmente, a acho extremamente parecida a uma rapariga da minha turma, uma autêntica figurinha, o que é bastante hilariante).
Acho, pelo contrário, que as pessoas estão a dar demasiada importância à felicidade alheia. Sim, porque a rapariga parecia estar bastante satisfeita com a sua vida, realizada pessoalmente e no trabalho. Estas maledicências são apenas o produto de muita mesquinhez à la 'tugas, que parecem não ter mais nada com que se preocuparem senão com a falta de dom para a retórica de miúdas de vinte anos.
Sabiam que 100 mil funcionários públicos, incluindo 50 mil professores, estão em risco de serem despedidos sem qualquer indemnização? Sabiam que ainda não se sabe, em Janeiro!!!, qual vai ser a carga fiscal a ser aplicada nos impostos deste ano? Sabiam que hoje, em plena Assembleia da República, dois deputados se iam comendo vivos, já para não falar das respectivas bancadas partidárias e de que cenários como este não são pontuais, mas sim diários? Sabiam que, após a divulgação destas e de outras péssimas notícias, ainda houve um grupo de políticos e pseudo-figuras do panorama nacional que se riram na cara dos jornalistas, quando confrontados com a reacção do "povo" em relação às novas medidas de austeridade?! Não, a maioria das pessoas que andam a gozar com a Pépa nem sequer consegue ver o telejornal se não for para saber do bom do futebol, que o pontapé na bola é que é interessante e decide quanto dinheiro é que se tem ao fim do mês para alimentar os filhos, principalmente se for logo seguidinho de uma extremamente educativa Casa dos Segredos (o cumular de toda a javardice e labreguice nacional e arredores).
Jamais nos devemos esquecer de que quem se anda a preocupar com a Pépa, a melhor distracção que poderiam arranjar para o dia de hoje em particular, é quem também está em risco de perder o seu emprego, se é que já não perdeu, ou até os filhos dessa gente, a quem o futuro se assemelha a uma noite de nevoeiro cerrado, de tão escuro e imprevisível que se apresenta.
Enquanto as Pépas deste país têm roupinha bonita para vestir, um emprego na área da sua formação e o desejo de ter uma mala de 1000€, mesmo que sejam apontadas como escalabrosas e inconvenientes dada a situação económica internacional, quem lhes nutre dor de cotovelo continuará infeliz, sempre infeliz, com o sonho medíocre de dar umas cambalhotas com o João Mota e ter umas botas Timberland falsificadas, compradas na feira de Carcavelos. Pensem nisso.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

não morram, compatriotas... não morram!

O feriado do 1 de Novembro, bastante concorrido para visitar as campas dos nossos entes falecidos, já não o vai ser, a partir do próximo ano. Os subsídios de morte foram cortados em 50%. Com esta crise, já nem há dinheiro para comprar um raminho de flores para decorar as sepulturas. O número de cremações tem aumentado imenso, porque... bem, é mais económico despejar as cinzas para um jarro Made In China e metê-lo, vejamos, em cima da lareira (o habitual cliché dos defuntos) do que comprar um caixão Made In Portugal, o que implica, supostamente, o aluguer ou compra de um espaço extra no cemitério. Portanto, compatriotas... não morram. Feitas as contas, permanecer vivo ainda é mais viável.

a célebre frase daquele economista muito famoso... ah, sim, o Fernando Ulrich

Quase poderia ser a letra de uma música popular muito conhecida. Com alguma sorte, poderia ser a de uma música cantada pela Madonna. No entanto "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta...!" foi apenas mais uma frase extremamente infeliz dita por alguém que merecia qualquer coisa não menos grave do que uma valente bofa na boca, ou seja, pelo Fernando Ulrich, o presidente executivo do BPI. Apesar da minha ingénua e, talvez, pretensiosa idade, sinto-me curiosamente à vontade para lhe atribuir a qualidade de traste e pedir desesperadamente que nunca mais ninguém o deixe falar em público. Isto é, a menos que a opinião de sua excelência se baseie nalgum dado que desconheço como, por exemplo, que será da generosidade do seu bolso que os portugueses serão alimentados durante os próximos dez a vinte anos. É só uma ideia...


(Por acaso, eu e o Sr. Ulrich temos uma característica em comum: nenhum de nós é licenciado.)

a célebre frase daquele economista muito famoso... ah, sim, o Fernando Ulrich

Quase poderia ser a letra de uma música popular muito conhecida. Com alguma sorte, poderia ser a de uma música cantada pela Madonna. No entanto "Se o país aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta...!" foi apenas mais uma frase extremamente infeliz dita por alguém que merecia qualquer coisa não menos grave do que uma valente bofa na boca, ou seja, pelo Fernando Ulrich, o presidente executivo do BPI. Apesar da minha ingénua e, talvez, pretensiosa idade, sinto-me curiosamente à vontade para lhe atribuir a qualidade de traste e pedir desesperadamente que nunca mais ninguém o deixe falar em público. Isto é, a menos que a opinião de sua excelência se baseie nalgum dado que desconheço como, por exemplo, que será da generosidade do seu bolso que os portugueses serão alimentados durante os próximos dez a vinte anos. É só uma ideia...

(Por acaso, eu e o Sr. Ulrich temos uma característica em comum: nenhum de nós é licenciado.)