Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Ronaldo, Ronaldo e mais Ronaldo

Ando enjoada de tanto Cristiano Ronaldo. Ele é a estátua com as jóias da família em destaque, ele é o livro da D. Dolores (que me parece, contudo, uma granda mãe), ele é as não sei quantas Bolas de Ouro, ele é a rivalidade com o Messi, ele é o fofucho ficar sempre lesionado antes de jogar pela selecção nacional (tristes coincidências desta vida)... Eh pá, caramba, deixem lá o moço! Deslarguem-no! Prendam a vossa atenção noutras coisas bonitas da vossa existência, tipo passear o cão enquanto o sol nasce, serem assinantes duma revista de terceira categoria ou comentarem as calinadas do Gustavo Santos (bem, esta última dispensa-se na mesma).

Já sei, já sei, eu represento a voz duma minoria que não compreende o futebol, mas é só de aparência. Eu tento mesmo compreender o fenómeno do futebol e penso que já estive mais longe de o compreender totalmente. Até costumo ter bastantes conversas com quem é fã ferrenho da coisa (incluindo professores universitários) e já cheguei à conclusão de que ser portista/sportinguista/benfiquista/etc/etc de alma e coração não tem nada que ver com estrato social ou grau de instrução. Só não compreendo por que é que a maioria dos portugueses

 

Estou tanto para o futebol quanto o meu cabelo está para o loiro

Como já se devem ter apercebido, neste blogue deixou-se passar tudo o que foi o Eusébio a quinar (só por esta expressão, já vou ser excomungada da blogosfera - e de Portugal) e Cristiano Ronaldo a tropeçar nas palavras comovidas quando recebeu a sua bolinha dourada. Vocês já sabem como é que eu sou: não falo do que não sei, do que não conheço, e detesto futebol com todo o meu ser. Os únicos momentos da minha vida em que estive mais perto de não o odiar foi quando o joguei, marquei golos e defendi golos, tudo isto sem levar com nenhuma bola em cima, um autêntico feito. 

Portanto, não, a Beatriz abstem-se de tecer comentários à la Sócrates. Não percebo nada do assunto nem quero ter nada que ver com ele. Eu sei, sou uma portuguesa terrível, uma tuga ainda mais vergonhosa e devia ser vaiada em toda a minha condição e esplendor de ignorante do desporto rei, ou lá o que lhe chamam. Porque pior do que não gostar de futebol é não entender quem gosta de futebol ou quem dá pontapé na bola e desencanta uns milhões de euros por ano.

 

ganhámos e tal

Foi com o golo do Ronaldo. Mas, sabem, este foi um jogo múltiplo. É que, para quem não assistiu à partida, a equipa portuguesa decidiu que a rabia seria uma brincadeira essencial para matar o tempo. Portanto, até enfiarem a bola na baliza, aos setenta e tal minutos, andaram a passá-la de pé em pé e "ai, desculpa, atirei-a para fora do campo". Mas deixem lá, que pode ter sido impressão minha. Afinal, não percebo patavina de futebol e quem sou eu para questionar os profissionais da ceninha....? Ninguém, pois claro.


 


Já agora... OH, MINHA NOSSA, O MEU PAI GOSTA DE FUTEBOL! ESTOU HORRORIZADA! Durante dezassete anos, pensei que estava a crescer numa família completamente anti-pontapé-na-bola e, agora, chego a casa e vejo a figura masculina da minha infância a menos de um metro do plasma de não sei quantas polegadas, como se os óculos fundo de garrafa não lhe chegassem para ver tudo razoavelmente bem, a berrar com os jogadores que estão do outro lado do continente! Neste momento, pergunto-me: QUEM SOU EU?! Sinto que, após o ver levantar-se da mesa, a meio do jantar, de prato na mão para assistir a algo que eu julgava que ele abominava, uma parte da minha identidade se perdeu, ai, ai, ai, ai! O meu paizinho nem imagina a quantidade de dúvidas existenciais que me está a criar!

olhem lá

Parem de se queixar da pressão que pessoas como eu, desagradadas com a prestação do CR7 na Selecção, colocamos sobre os ombros do menininho de ouro. É que, se repararem, a culpa não é bem da nossa pressão, mas sim da do dinheiro dele. Já viram o que é gerir 22,5 milhões por ano? Nem sequer devem existir contas bancárias com capacidade para tanto tostão! E... coitado do moço... Nem sequer deve ter um contabilista de jeito nem nada. É que ser-se rico é uma dor de cabeça, como sabem. Não falo por mim, obviamente, mas calculo que seja. Ainda tenho esperança de, um dia, vir a ter semelhantes enxaquecas (e que sejam fortes e feias). Nessa altura, logo vos contarei o meu testemunho.