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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Diz que é uma espécie de bichinho

Dos dez aos quinze anos, fiz sempre parte de grupos de dança. Foi a única maneira que arranjei para gostar de exercício físico e de sentir que fazia parte de algum projecto de grupo. Primeiro, quase até aos catorze anos, fiz parte de um grupo de dança contemporânea com o qual me fui desidentificando progressivamente. Era um grupo em mutação, em vias de ter mais visibilidade, e eu não consegui acompanhar o ritmo de exigência - inclusivé, fiz de tudo para subir do escalão intermédio para o avançado, mas não consegui. Além disso, para mim, aquilo já não era dança, não só pelo estilo de coreografias, pela maneira como o "professor" nos obrigava a exprimir facial e fisicamente, como também pelo desinteresse e sentido de obrigação que eu começava a sentir por aquilo. Então, saí desse grupo e juntei-me a outro, igualmente de dança contemporânea, mas que, no seu interior, se dividia noutras duas modalidades: dança do ventre e hip-hop. Na altura, a primeira pareceu-me a pior ideia possível, onde eu jamais me encaixaria, pelos complexos que tinha com o corpo e a minha auto-estima demasiado baixa. Porém, hip-hop não me pareceu mal de todo e alinhei, espatifando-me ao comprido. Inicialmente, detestei o novo grupo, pois nunca pensara que fosse tããão exigente, além de que não me sentia à vontade no hip-hop. Ainda assim, acho que foi a melhor opção que poderia ter tomado e que fiz bem em não ter desistido, até subir ao palco ter voltado a trazer-me boas sensações.
No final, fazendo um balanço, a única coisa de que me arrependo é de não ter continuado a ir aos ensaios, a praticar e a actuar. Desisti definitivamente (nessa altura) da dança porque estava cansada mental e fisicamente. Pior - estava cansada porque dei por mim, quase da noite para o dia, numa relação conflituosa que, consequentemente, me desgastava muito, muito mais do que o estritamente necessário (daí eu ter aprendido a lição de que não devemos abandonar projectos de que gostemos por causa de alguma paixão assolapada e inconsciente).
Nos últimos tempos, o bichinho da dança tem andado a teimar-me o juízo outra vez. Nunca fui grande dançarina, mas, pelo menos, era algo que me dava gozo praticar e que me divertia. Agora, quando vejo outros dançarem, apetece-me juntar-lhes. Principal e ironicamente se for hip-hop. Portanto, espero, um dia, voltar a ter a oportunidade que recusei por mera parvoíce. É algo que, sem eu ter previsto, me voltou a fazer falta.