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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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A discriminação positiva não deixa de ser discriminação

Ando um (grande) bocado desiludida com a discriminação positiva. Ele é os refugiados que têm os direitos cívicos garantidos até antes de serem inseridos no mercado de trabalho, ele é a bolsa que permite a jovens ciganos estudar, viver, comer e manter uma vida confortável a nível universitário sem ajuda dos pais, ele é os alunos que estão em colégios e institutos de ensino superior privados e que continuam a usufruir de ajuda económica do Estado. Percebo que o nosso instinto seja sempre tentar ajudar as pessoas, o mais possível, com o coração, principalmente quando se tratam de minorias étnicas e culturais ou indivíduos com dificuldades económicas. 

No entanto, a discriminação positiva não deixa de ser descriminação. Para cada caso de descriminação positiva, forma-se um caso de discriminação negativa, do qual praticamente nos esquecemos, mas que não deixa de existir. Vejamos: por cada bolsa de estudos atribuída a um jovem porque ele é cigano, quer estudar e a família não o apoia, um jovem que não é cigano, quer estudar e cuja família não o apoia fica a olhar para as moscas. Por cada refugiado que Portugal acolhe e sustenta através de fundos da Europa ou da própria Segurança Social, um desempregado português em risco de perder as condições mínimas de sobrevivência fica sem qualquer ajuda, porque chegou ao fim dos três anos de subsídio de desemprego e, daí em diante, fica sem tecto e comida na mesa e/ou, na melhor das hipóteses, dependente de subsídios miseráveis de "inserção". Por cada aluno inscrito numa instituição de ensino privada, mas que usufrui de subsídios para financiar os seus estudos fora de instituições públicas, porque os pais declaram parcos rendimentos, um aluno que até para frequentar uma escola pública apresenta os mesmos ou piores obstáculos é remetido para segundo plano. 

Contudo, ainda mais importante do que qualquer consequência que se possa enumerar, estes indivíduos contra quem a dita discriminação positiva actua involuntariamente passam a sentir-se colocados de parte pelo sistema. Por um lado, compreendo que o objectivo da descriminação positiva seja compensar certos desequilíbrios na sociedade ou promover a ajuda a grupos desfavorecidos, só que, por outro lado, não me sinto completamente fã da discriminação negativa que é passível de produzir. Para se ajudar uns, deixamos de ajudar outros. Muitas vezes, nem é que essas pessoas não mereçam, mas não merecemos todos, não devemos ser todos avaliados a partir de lupas semelhantes? 

Correndo o risco de ser mal interpretada, sublinho que estas são apenas ideias soltas e em desenvolvimento, porventura algo generalizadas, mas certamente muito sinceras. Como sempre, reservo-me o direito de estar errada, de mais tarde descobrir incoerências na minha opinião ou de, não estando realmente errada, poder vir a alterar o meu ponto de vista.