Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Em 2015, não vou...*

  • praticar desporto por obrigação para com as resoluções de ano novo. No ano passado resultou, mas este ano há outras prioridades em vista e não sei se conseguirei cumpri-las com uma rotina obrigatória de exercício físico. Estou mais virada para a ocasionalidade, se acontecer, aconteceu, senão não hei-de ficar frustrada. A minha massa gorda em excesso e a minha massa muscular em defeito podem aguardar.
  • diminuir a ingestão de gordices e de gulodices. Conheço-me suficientemente bem para saber que, tal como acontece com o desporto, não tenho vida para me andar a conter. A maneira que tenho para lidar com a pressão é comer chocolate e alimentos ricos em hidratos de carbono. Claro que não o faço todos os dias, chegam a ser vezes sem exemplo, mas seriam desfalques em possíveis dietas - para as quais eu não tenho paciência nem estômago.
  • preocupar-me tanto com a depilação durante o Inverno. Já comecei esta não-resolucão em 2014 e tem corrido bem. Também não tenho vida, pachorra ou aquecedor para andar a preocupar-me com pêlos e a meter as pernas de fora das calças de duas em duas semanas enquanto não chegar a estação quente. O meu namorado é um querido e não é esquisito, continua a gostar mais ou menos de mim peluda e tudo e compreende que o meu tempo livre e a minha tolerância ao frio não são os maiores.
  • passar tanto tempo agarrada ao computador. Na segunda metade de 2014 já diminuí bastante a procrastinação neste cenário. Se quiser escrever, ver filmes/séries ou consultar pontualmente as redes sociais, tenho o tablet e o smartphone, que é para isso que eles servem. Quanto ao computador, já me chega ser a única ferramenta possível para trabalhar. Os meus olhos agradecem.
  • deixar o meu quarto de pantanas. Mais um plano que se iniciou antes de 2015. Já tenho quase 20 anos, idade que chegue para ser organizada e limpinha sem supervisão da minha avó. Daqui a uns anos, se tudo correr bem, terei a minha própria casa. Ainda bem que tomei consciência disso!
  • coibir-me de fazer planos para o futuro com a minha cara-metade. Já vai fazer dois anos e meio que estamos juntos, nunca nos zangámos por mais de uma hora, ao todo zangámo-nos para aí três vezes em todo o tempo de relação, partilhamos os mesmos objectivos para um projecto de vida em comum e até ao momento tem tudo corrido às mil maravilhas. Está na hora de deixar a imaginação correr livremente. Adoro fazer planos com ele e pensar em como serão os próximos anos.

 

*Uma adaptação ao desafio "Em 2015 vou" dos Blogs do Sapo.

Votem na Ciclovia da ULisboa!

 

Amigos, 'bora votar no Orçamento Participativo de Lisboa!
Enviem SMS gratuita com o texto "189" para o número 4310, para votarem na construção de novas ciclovias a ligar as faculdades da Universidade de Lisboa (ULisboa).

Para alguns de vós esta alteração não mudará as vossas vidas, não fará qualquer diferença (por acaso, na minha também não, que me desloco de transportes públicos), mas decerto será uma oportunidade a aproveitar por muitos outros colegas, um sinal de que é possível melhorar a qualidade de vida na capital.


Já sabem: "189" para o número 4310, totalmente grátis! Mesmo que não sejam de Lisboa, apoiem a causa. Os alunos da ULisboa agradecem! :)

Comichão, irritação, incompreensão fatal, chamem-lhe o que quiserem...

Se há coisa que me inquieta terrivelmente é, na minha escola, valorizar-se mais o desporto do que a actividade intelectual. Não me interpretem mal - eu sou da opinião de que deve haver um equilíbrio entre os dois, pois ambos são importantes, à sua maneira, na nossa formação. Mas, vejam-me lá o desplante da situação!, o pessoal que ganha, por exemplo, campeonatos desportivos, tem direito a fotografia e a alegre comunicado no site da escola, tal como à entrada de cada pavilhão, enquanto o pessoal que ganha concursos literários ou científicos é colocado em segundo plano e, se obtiver uma linha na página de Facebook do agrupamento, já vai com muita sorte (e, confesso, até poderei estar a incluir-me nesse grupo, uma vez que já ganhei pelo menos 4 prémios desde que entrei na C+S, além de ser algo activa na comunidade lectiva, nunca tendo visto o meu esforço recompensado com tais mordomias). Deste modo, pegando num pequeno exemplo como este, se confirma que a sociedade, em geral, tem as prioridades um bocado trocadas. Vivemos num mundo em que o pontapé na bola é superior à investigação científica, ao exercício da cidadania e à cultura. Depois queixam-se de que andamos em crise.

de quatro em quatro anos

De quatro em quatro anos, o mundo pára de falar de futebol. De quatro em quatro anos, celebra-se a unidade mundial e, subitamente, as guerras deixam de ser noticiadas. De quatro em quatro anos, apercebemo-nos do tamanho do planeta e, de quatro em quatro anos, perguntamo-nos se não estarão a germinar países como germinam cogumelos no quintal, pois nunca ouvimos falar de tais nações. De quatro em quatro anos, o Cristiano Ronaldo deixa de ser vedeta e é trocado pela Telma Monteiro (é muito boa a nível mundial, quando concorre pelo seu próprio nome, mas, desta vez, não fez coisa nenhuma de nada pela glória do país, tendo ainda o especial "cuidado" de nos presentear com esfarrapadas e inúteis desculpas). De quatro em quatro anos, passamos a gostar dos canais públicos de televisão. De quatro em quatro anos, (re)aprendemos a dar valor ao que é português e chegamos à conclusão de que desporto é mais do que pontapé na bola, golos e penálties e que, muitas das vezes, nos esquecemos que os "verdadeiros" atletas, aqueles que se entregam de corpo e alma ao que fazem não pelo dinheiro, pelos carros ou pela fama, mas sim pela simples paixão que nutrem pelo que fazem, recebem apenas 1400€ por mês (o que até está dentro dos conformes, em relação à média salarial dos funcionários públicos portugueses). De quatro em quatro anos, os Jogos Olímpicos vêm salvar-nos da monotonia de sermos meros portugas, relembrando-nos de que, afinal, também nós somos cidadãos do mundo.



EMANUEL SILVA E FERNANDO PIMENTA CONQUISTARAM, ONTEM, A MEDALHA DE PRATA, EM K2 1000

resiste!

   Eram onze horas da manhã quando me ocorreu "porque não vou correr?". O sol estava fraquinho, o vento fresco e eu cheia de energia. Vesti-me a preceito, com a t-shirt vermelha que tem estampado o logótipo do ginásio onde pratiquei hip-hop até ao ano passado (só para que quem me visse passar pensasse que eu era grande coisa, temos desportista e tal), calcinha de fato treino preta a condizer, soquete branca e os ténis mais decentes que encontrei. Também não me esqueci do mp3.


   Uma vez do outro lado do portão, aqueci durante dois curtos minutos - tornozelos, pernas, joelhos, cintura, pescoço, não se fosse dar o caso - e pus-me logo a correr, com o cronómetro a contar o meu esforço ao milésimo de segundo. Não se passaram quarenta e cinco segundos até que eu me visse obrigada a parar, culpa dos ténis. Não tenho nenhuns próprios para atletismo e aqueles balançavam-me nos pés como se pesassem cem quilos. Lá os apertei e, reiniciando a contagem do cronómetro, retomei a corrida.


   É engraçado como um caminho nos parece tão simples quando estamos apenas a andar, sem pressas. A correr, as ruas do meu bairro ganhavam novas inclinações, obstáculos, um solo com muito mais pedrisco espalhado aqui e acolá, todos eles obstáculos à minha fraca resistência. Desafios. Eu não desistiria, levando apenas dois, três minutos de prova, uma prova contra mim própria, a favor da mesma pessoa. Tenho de me superar, tenho de me superar, ia repetindo, mentalmente, descendo ruas, subindo terra calcária batida ou pisando violentamente a areia fofa. Numa dessas ruas forradas a pedrisco, dei de caras com um grupo de rapazes da minha idade, talvez. Ainda pensei voltar para trás, mas era tarde demais, pois eles já me tinham visto. Continuei, olhando em frente, fazendo quase de conta que não reparara neles. Os Muse iam-me despertando e dando alento, tocando-me melodias mais suaves e outras mais fortes aos ouvidos (ultimamente, tenho-me virado muito para este tipo de rock alternativo, revoltando-me contra as baladas e os amorosos pops).


   Só faltavam duas ruas até regressar à minha. Jurei que não havia de sobreviver a mais cinquenta metros, mas consegui, consegui não parar até pisar a rampa de acesso à minha casa. Alívio, alívio, alívio, ufa! Sentia-me desfalecer um pouco a cada inspiração, até que me sentei.


   Canso-me depressa. O cronómetro marcava apenas 07:22:(qualquer coisa), ou seja, menos de sete minutos e meio a correr e já me saltava o coração pela boca, daí a minha actual preocupação. Sou jovem, magra (muito), as minhas aptidões físicas sempre foram fraquíssimas e a tendência é para que piorem, caso eu não me ponha mas é a mexer rapidamente. Não sou das piores alunas a desporto, mas também não sou, de longe, a melhor. Sou ridiculamente mediana. Vale-me o esforço que vou investindo e esta vontade de me superar deve permanecer presente. Vou obrigar-me a correr cada vez mais, durante mais tempo, ainda maiores distâncias. Quero que as subidas deixem de ser uma preocupação quando estou a correr e que venha a conseguir controlar a minha respiração, para não parecer que estou a ter um ataque cardíaco a partir do quarto minuto de corrida.


   Apresento-vos o meu nome projecto, o meu novo objectivo, que é não me tornar daquelas pessoas sedentárias, mal humoradas e que só chegam aos cinquenta com a ajuda de máquinas. Eu sou melhor do que isso, porque quero continuar a ouvir o médico, ano após ano, informar-me do quão saudável sou. Eu consigo.