Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O que é que significa "comer bem"?

Desde que vim viver sozinha, tenho tirado bastante proveito da nova liberdade no menú diário. Adoro cozinhar (mesmo não sendo grande cozinheira) e adoro ainda mais ir ao supermercado e escolher o que vou comer nos próximos dias (uma grande fatia do meu salário vai para a comida, sem dúvida). Tenho muito gosto em preparar a minha lancheira com o almoço e os snacks todas as manhãs e fazer sopa todos os Sábados ou Domingos para os jantares do resto da semana.

Gosto particularmente da parte de poder decidir o que é "comer bem" para mim. Para a minha avó, comer bem é comer muito, sem olhar muito para os rótulos e sem comer muitos fritos nem muita comida rápida. Para mim, comer bem significa comer um pouco de tudo, olhar para os rótulos à procura da quantidade de açúcar e poder equilibrar os doces, a comida rápida e os fritos com alimentos mais saudáveis.

Se à noite me vai apetecer comer um bolo, durante o dia limito-me a comer "coisas saudáveis", sem açúcar - mesmo que me apeteça comer um bolo todos os dias. Acho parvo e bastante inútil privarmos o nosso corpo e a nossa gula daquilo que nos satisfaz. Se eu gosto de comer os donuts da cantina lá da faculdade, por que raio me hei-de estar a censurar? Para mim, a chave é o equilíbrio. Talvez escreva de boca cheia, porque nunca tive problemas de excesso de peso (muito pelo contrário), mas parece-me haver sempre alguma forma de restabelecer o equilíbrio. Quanto mais nos proibirmos, pior. Mais vale enchermo-nos daquilo de que gostamos e ficarmos bem durante mais tempo do que andarmos a fazer olhinhos àquela pizza e acabarmos a comer essa mesma pizza, só que depois de já termos comido outras brincadeiras que achámos mais inofensivas na altura.

Faz-me impressão quem anda por aí na blogosfera ou nas redes sociais a comer saladas e vegetais cozidos todo o santo dia. E depois é as papas de aveia. E as panquecas fit. E o café sem açúcar. Mexe-me com os nervos. Comer deve ser um prazer, não uma rotina sem graça. Eu não como muito, mas quando como faço-o com todo o gosto e várias vezes ao dia.

 

Exemplo do meu menú para um dia normal de trabalho:

6h45 - pequeno-almoço: leite de soja com mistura de cacau e cereais e pão barrado com queijo Philadelphia a acompanhar OU cereais num iogurte natural sem açúcar light. Mistura de muesli de chocolate com cereais de trigo integral com fibra (razão: como chocolate logo pela manhã, pouco mas que faz logo a diferença, com cereais e proteína a rodos, que me saciam até chegar ao trabalho, uma hora e meia depois, ou de preferência até meio da manhã).

9h - snack ocasional: levo algum tempo a chegar ao trabalho, porque tenho de andar 10 minutos de casa até à estação de comboios, esperar pelo comboio nacional que pode chegar a horas ou não, fazer a viagem de 45 minutos e andar mais 10 até à faculdade. Assim, caso me dê a fome, como fruta, bolachas de coco, cereais integrais ou pão.

10h30 - snack obrigatório: é inevitável ter fome a meio da manhã, por isso como a tal dose de frutas, bolachas, cereais integrais ou pão. Por vezes, levo para o trabalho uma combinação de dois desses elementos.

12h - almoço: esta refeição varia muito e não me preocupo se estou a comer "mal" ou "bem". No entanto, o estrago nunca pode ser grande, porque nunca levo batatas fritas (muito menos de pacote) e, na verdade, o único alimento que frito além de batatas é a carne... com óleo de coco ou azeite, gorduras consideradas aceitáveis.

15h - lanche: a mesma variação que o lanche da manhã.

17h-20h - jantar: janto mal chego a casa, o que pode acontecer entre as 17h e as 20h. Tenho sempre sopa preparada no fim-de-semana, por isso posso comê-la sem mais nada quando tenho menos apetite ou acompanhar com carne ou fruta. Quando me dá na gana, frito batatas, só pela goludice.

22h-00h: snack antes de dormir ocasional: quando vou para a cama, dá-me por vezes vontade de voltar a comer. Normalmente, escolho bolachas ou leite de soja.

 

Ao comer várias vezes, nunca chego a ter muita vontade para me encher de gulodices. No entanto, como sempre uma por dia, nem que seja bolachas.

Comer bem torna-se fácil, porque "comer bem" náo significa só comer alimentos verdes, carne grelhada e fruta. Basta habituarmo-nos a comer pão integral, cereais sem uma grande dose de açúcar e a misturarmos gulodices com acompanhamentos "limpos" para vivermos um bocadinho mais felizes, ou não? Mais uma vez, esta é a minha teoria. Se me apetece comer um Toblerone inteiro numa noite, como-o e pronto, ou não? Se me lembrar de emborcar 200 gramas de gelado de chocolate, faço-o, ou não? Se me apetecer comer um bife de porco com ovo estrelado e batatas fritas, é só pegar na frigideira, ou não?

 

Deixo também uma enorme dica sobre como fazer sopa: abrir o frigorífico, pegar nos vegetais, tomate e cebola que aparecerem, cozer tudo, adicionar sempre um "elemento surpresa" (bacon, fiambre, carne, peixe, delícias do mar), truturar e guardar sempre sopa no frigorífico para mais refeições. Basicamente, tudo o que é vegetal faz bem, mas o "elemento surpresa", mesmo que seja só uma salsicha, dá sabor à mistura e motiva-nos a comer os vegetais. Com tudo triturado numa sopa, até nem nos apercebemos da quantidade de coisas verdes que estamos a consumir.

 

E agora, ainda há razão para termos uma alimentação pouco variada? 

 

Já agora, nem me venham com cenas de "comer bem é comeres coisas saudáveis a semana inteira e teres um dia de descanso". Por favor, eu não consigo viver sem bolos, bolachas e bifes! Antes com mais 5% de gordura no corpo do que sem esses 5% de gordura mas a bater com a cabeça nas paredes de fome! Todos os dias são de desbunda, se todos os dias também nos comprometermos a comer um bocadinho de tudo na roda dos alimentos - foi o que me ensinaram na primária e olhem que ainda hoje me lembro disso.

 

Comer bem tem de ser, acima de tudo, criarmos os nossos limites, conhecermos o nosso corpo e as nossas necessidades, de acordo com a nossa estrutura corporal e as exigências do nosso dia-a-dia. Tanto há dias em que dou aulas das 9h às 16h, quanto há dias em que fico 7 horas sentada a uma secretária a preparar conteúdos. Como é óbvio, não vou comer exactamente o mesmo nesses dias, se é que me entendem.

 

#amigosdoaçúcarunited #abaixoopeixecozido #abaixoasopaaborrecida #eucomooquemedernagana #boloseverywhere #oreoscomfruta #antescom30porcentodegorduranolomboqueescravadaproteína #movimentodelibertaçãodasbatatasfritas #dietadoeuéquesei

 

Disclaimer: a autora deste blogue é professora de línguas, por isso qualquer conselho ligado à nutrição por ela produzido deve ser entendido como experiência do senso comum e não um dado científico.

BOM DIAAAA!

Acordei com o ribombar da trovoada. Levantei-me na cama, depois de ouvir algumas musiquinhas que me ajudaram a abrir os olhos ao dia, desci as escadas e dirigi-me à cozinha. Pelo meio do caminho, encontrei o Dinky, ensopado em medo dos trovões, que correu a fugir para a cama mais próxima, a da minha avó. Arrastei-o de lá, o bicho todo desorientado, e assumi a derrota - levei-o para o meu quarto. Lá o fiz deitar em cima da manta, para não sujar o édredon, e dirigi-me, uma vez mais, à cozinha. Vi uma frigideira cheia de bifinhos de porco e molho de bifinhos de porco. Meti aquilo ao lume e, dentro de três minutos, já me estava a regalar com um pequeno-almoço de trezentas mil calorias, quatrocentas, quinhentas, bifinho no pão, pão no molho, tudo para a boca*, e a minha avó que nem venha queixar-se que eu não como e que estou tão magra que um dia desapareço. Sinto-me 200% preparada para o fim-de-semana de estudo intensivo.


 


* Não aconselhável a estômagos sensíveis ou a pessoas com a mania que estão gordas. Eu tenho desculpa porque sou um bicho devorador de 46,5kg!