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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Sim, o dinheiro traz felicidade

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Há poucas sensações tão boas quanto esta: entrar num restaurante, numa loja, ir de férias, com uma pessoa de quem gostamos e poder dizer "escolhe o que quiseres, não olhes para os preços, sou eu que pago".

Quem diz que o dinheiro não traz felicidade é hipócrita. Dinheiro que seja gasto em experiências, para mim, é dinheiro que me faz muito feliz.

Não pretendo ter um salário X para poder esbanjá-lo todo em coisas inúteis, mais porcarias e bugigangas, mas sim para poder mimar-me a mim e aos meus de vez em quando. No futuro a longo prazo, poder ter uma casa onde não falte nada, um carro que não me traga dissabores, férias fora do habitual todos os anos, ter um bom seguro de saúde para toda a minha família, dar à minha avó um resto de vida de papas e descanso, oferecer aos meus hipotéticos filhos uma educação que lhes abra os olhos e as portas para o futuro.

Por agora, é só isto: levar a minha avó e o meu pai ao melhor resort que há numa ilha tailandesa, mesmo que por apenas uma noite, entrar num restaurante e não olhar demasiado para os preços, viajar pelo país, proporcionar-lhes mudanças radicais De cenário, ser eu a pagar, poder partilhar o que tenho - basicamente, ter dinheiro suficiente para não ter de pensar... em dinheiro.

Dar crédito

Já ando para vos contar o seguinte episódio desde que ele aconteceu, na terça-feira, dia 12. Agora, depois de ler este artigo acerca de "propostas" insistentes de crédito, o assunto vem mesmo a propósito!

 

Resumindo os últimos desenvolvimentos da minha vida no ginásio, notei alguns desequilíbrios no decorrer da prática de exercício físico e associei-os de imediato à minha escoliose. Por isso, tive uma consulta de fisiatria na semana passada e fui mandada para a fisioterapia, para começar uma série de 15 sessões.

Coincidentemente, esta semana eu também precisaria de pagar o meu aparelho de contenção do maxilar inferior, uma vez que fui retirar o aparelho ortodôntico na quinta-feira. Juntou-se a fome à vontade de comer: dava-me mais jeito pagar estas coisas todas noutra data e não de imediato (50€ da consulta de fisiatria já pagos + 120€ de fisioterapia + 125€ do aparelho = não é brincadeira).

 

Assim, decidi ir pedir dois cheques avulso no banco onde tenho conta, que já agora é o Montepio Geral - e é bom que o saibam para não se surpreenderem quando apanharem desilusões no futuro.

No balcão onde se encontra sediada a minha conta, trabalham talvez 5 pessoas ao balcão e à secretária, se tanto. A maioria é uma simpatia, conhecem-me desde sempre, até me falam no supermercado se nos cruzarmos! Só que, quando fui pedir os dois cheques na terça-feira, calhou-me ser atendida pelo empregado menos - digamos - sorridente (cujo cargo dentro do banco desconheço).

 

A conversa decorreu mais ou menos desta maneira, intercalada por expressões faciais a deitar condescendência a rodos da parte do meu interlocutor:

- Boa tarde. Venho pedir dois cheques. (Entrego o meu cartão MB)

- Boa tarde. (Insere demoradamente os dados no computador) Sabe quanto custa cada cheque?

- Sim, são cerca de 6€, não é verdade?

- Hum... Sim. (Ainda a inserir dados e mais dados, sempre a olhar para o computador) Mas fica mais barato se comprar um livro de dez cheques, não sabia?

- Sim, mas preciso dos cheques para hoje e o livro ainda demoraria três dias a chegar.

- Hum... (Vai buscar o bloco de cheques, insere mais dados) A que é que os cheques se destinam?

- A consultas clínicas.

- (Insere maaaaaaaais dados, tira fotocópias e sabe-se lá mais o quê) E qual será o valor atribuído a cada cheque?

- Um será de 120€ e outro de 125€. Fisioterapia e dentista.

- (Insere mais dados. Percebe-se que me anda a ver a conta) Mas 120€ mais 125€ são... O seu saldo não chega a esse valor.

- Pois não, por isso é que preciso dos cheques, para os datar para outra altura do mês.

- Mas sabe que, para isso, seria mais prático pedir uma cartão Visa. (Foi neste momento que qualquer coisa de muito profundo em mim se engasgou e morreu de asfixia)

- Sim, mas eu não preciso do Visa, só quero mesmo dois cheques.

- (Tom de ameaça) Mas olhe que nem sempre os pedidos de cheque são aceites...!

- Sim, mas isto é uma situação pontual, por isso não preciso de cartão de crédito nenhum.

- Pois, pois, pense nisso do Visa. (Expressão facial completamente neutra, sem emoção, talvez mesmo um pouco Cara de Quem Ainda Não Percebeu Que Eu Pareço Ter Quinze Anos, Mas Não, E Mesmo Que Tivesse Não Deixaria De Ser Uma Cliente Como Qualquer Outra Pessoa)

 

Em suma... Amigos, então eu ainda não tenho um salário fixo a cair todos os meses na minha conta, não posso pedir a porcaria de dois cheques para os pré-datar, mas já posso ter um cartão de crédito????????????????????????????????!!!!!!

AH AH AH AH AH!

E assim é que se engana o freguês. Ah e tal, coitadinha, tem ar de ainda estar fresquinha, vou ver se lhe consigo impingir um cartão de crédito. O quê, ela ainda não tem um salário fixo? Não faz mal, os pais servem para aparar os erros dos filhos! Ai os pais depois não podem? Mete-se os gajos em tribunal para lhes penhorarmos os salários deles. Ai não têm o suficiente para ser penhorado? Não faz mal, o que interessa é ter saúde!

 

Já agora, a quem se cruzar na rua comigo: embora eu tenha esta cara bolachuda de mosca que zumbe mas não morde, no que toca a burocracias, dinheiros e essas matérias todas, eu sou um espírito já envelhecido de certa forma, uma moça muito bem avisada. Não me tentem passar a perna, que eu sou a primeira a ir-vos às canelas! Fui criada por uma avó com dentes de Rottweiller, oh oh!

 

E no final o homem não teve alternativa senão vender-me os cheques.

Não consumir tantos bens materiais em 2016

Comecei agora a ler Walden ou a vida nos bosques, de Thoreau, escrito no século XIX, quando o sistema capitalista começou a enraizar-se e a afectar a sociedade dos Estados Unidos da América.
Logo nas primeiras páginas, as únicas que já li, em todo o caso, Thoreau fala-nos acerca do hábito consumista e de como adquirimos tantos bens de que não precisamos. Como, quanto mais temos, mais queremos e sentimos necessidade de ter. Esta leitura está a coincidir com um modo de me relacionar com o dinheiro que tenho tentado adoptar.


Acho que eu mesma senti o entusiasmo do dinheiro durante o primeiro ano da licenciatura, que coincidiu com o período em que comecei a trabalhar. Finalmente, ganhava o que era meu por direito, a minha autonomia de o gastar onde e como me apetecesse (desde que reservasse algum para as propinas&transportes). Esta novidade submergiu-me durante alguns meses. Quando fui a Newcastle, fartei-me de gastar dinheiro em doces e em roupas que, apesar de não se encontrarem cá em Portugal, pelo menos pelos mesmos preços, não me eram assim tão necessários na altura. O que me valeu em Bruxelas e talvez em Paris foi ter menos espaço de bagagem disponível. Aliás, em Paris já eu me contive muito. Só comprei livros, segundo me parece, e algumas lembranças simples, como marcadores de livros e postais.
Acho que foi depois dessa viagem a Paris em Abril de 2015 que comecei realmente a olhar mais para as contas. Coincidentemente, antes de ir, chumbei no exame de condução - para fazer um novo teria de pagar 200€, quase o mesmo que pagara por toda a carta.
Olhando a gastos, acho que a minha maior despesa é em livros. No entanto, em 2015 passei a comprar com mais cuidado, porque em 2014 aprendi que nem sempre quantidade significa qualidade. O mesmo com a roupa, sapatos e produtos de beleza e de banho da Yves Rocher (pelos quais tenho uma pancadinha).
Em 2016, os meus maiores gastos inevitáveis continuarão a ser em livros. Em termos de roupa, em 2015 comprei o suficiente para não precisar de muito mais em 2016 (nomeadamente roupa de Inverno, um casaco de pêlo e calças). Também devo contar com a compra de um ou outro artigo de maquilhagem. Se calhar, vou investir numa boa paleta de sombras e em bons batons, mas não uso diariamente mais do que isso. Ah, e as viagens... Não esquecer as viagens. Em breve, farei uma ou outra!
Desde esta semana também passei a dar explicações a mais uma menina, além dos dois irmãos a quem já dava, e continuo o copywriting (se bem que com muito menos frequência, porque os pedidos já não abundam), por isso vou ganhando uns trocos.

Não me lembro de muito mais truques para poupar em 2016. Acho que apenas devemos guardar em mente que não precisamos muitos bens materiais para ser feliz e que - já sabem - quanto mais temos, mais queremos ter. Basta-nos adormecer o frémito consumista e saber controlar as compras por instinto. Poupar é mais com a Cláudia, por exemplo. Eu ainda não tenho um trabalho e um salário regulares para poder poupar quantias significativas.

Boas notícias para a malta do Norte!

Para algumas das pessoas que me vieram choramingar por não terem uma Primark por perto, quando abriu a loja do Colombo e eu fiz uma grande festarola por estes lados, aqui ficam as boas notícias: vai abrir uma Primark no NorteShopping ainda este semestre!

 

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Nota: aproveitem os saldos da Primark, porque valem mesmo a pena. Tenho comprado cuecas a 0,50€ e a 0,25€, já comprei uma t-shirt a 1€, uns óculos escuros a 1,50€ e a prenda do dia dos namorados já cá canta também (muito baratinha, mas não vou dizer o que é nem quanto custou, que a criatura a quem ela se destina lê este blogue, felizmenteeee). Há botas a 8€, pijamas a 5€, calças a 4€... Enfim, já vi de tudo e traria muito mais para casa se precisasse ou tivesse mais dinheiro.

Dream inception - o triste desfecho

Depois de lhe contar acerca das minhas aventuras nocturnas, a minha avó (a real, não a do sonho) disse-me que, com tanta especulação inconsciente acerca das raspadinhas, era melhor eu passar pela papelaria com que tinha sonhado, a da estação de comboios, e jogar uma depois de vir da faculdade - só por descarga de consciência, não fosse o sonho consistir nalgum palpite camuflado de uma entidade superior com a estranha vontade de me endinheirar (c'mon, eu mereço e vocês bem sabem, cof cof). Infelizmente, não tinham raspadinhas de 2€, como as do sonho. Só havia um único tipo, das de 1€.

 

Óbvio que não ganhei nada. Continuo euzinha: universitária, sem dinheiro e com azar ao jogo - porém, com muita sorte ao amor, à amizade e à quantidade de ligações nervosas. Sou uma espécie de Floribela, sem a parte das flores e das músicas foleiras: rica em sonhos, mas pobre em ouro.

Dream inception

Esta noite foi para sonhar. Neste caso, sonhei demasiado.

Sonhei que tinha ido às raspadinhas de 2€. Raspei uma e saiu-me um prémio de 120 000€. Mas, depois, sonhei que acordei e que era só um sonho: ainda estava à porta da papelaria. Então, viro-me para a minha avó e digo-lhe "tenho um pressentimento de que vou ganhar um grande prémio se raspar aquela raspadinha que está ali". E raspei. E lá consegui o prémio de 120 000€. Já estava eu a pensar que ia conseguir pagar todos os meus estudos (e mais alguns) e acabar de liquidar o empréstimo da casa, a contar à minha avó o sonho de onde tinha vindo o tal pressentimento, quando acordo. E tive, OUTRA VEZ, exactamente o mesmo sonho. Pronto, esse foi o último sonho, dentro do sonho que estava dentro do sonho, mas acho que ainda voltei a adormecer a acreditar que a minha conta bancária tinha ganho mais uns zeros.

 

O mais estranho foi, em todos os sonhos, estarem a pagar-me o prémio das raspadinhas em boletins limpos do Euromilhões. Sonhos...

A saga do capuccino

Eu só queria um capuccino, daqueles da máquina da cave da faculdade, que custam quarenta cêntimos, têm muito leitinho e muita espuma, sem serem demasiado doces nem demasiado acafezados, quentinhos e acabadinhos de sair. São os melhores capuccinos que alguma vez provei, aqueles que se compram nas máquinas automáticas. Guardo-lhes um grande afecto e nunca me desiludiram, como poderão inferir pela quantidade de diminutivos utilizada e pela devoção implícita nas minhas solenes palavras.

 

A aventura começou à saída da biblioteca. Está lá plantado um café, mas eu sou forreta e sabia que a máquina jamais me iria deixar ficar mal. Cheguei à máquina e... só tinha uma nota de dez euros. E trinta cêntimos em moedas pretas. A sério. Por dez cêntimos (ou dez euros trocados)...! Mas eu estava determinada e já tinha metido na cabeça que não conseguiria sobreviver a mais quinze minutos de estudo intenso sem a porcaria dum capuccino barato. Por isso, uma vez que não me quiseram trocar a nota no bar, fui a todas a reprografias abertas que encontrei e mandei fazer fotocópias desnecessárias, só para me darem troco em moedas. O pior é que, como eu já desconfiava que seria o desfecho das minhas infrutíferas tentativas, as empregadas limitavam-se a olhar para a nota que eu lhes estendia e a dizer "pagas depois, 'miga". Enquanto isto, andava a minha amiga Cassandra atrelada a mim, coitadinha, a perder tempo útil de estudo, e eu a perder paciência, e eu a perder todas as esperanças de arranjar qualquer coisa que me arrebitasse o raciocínio pós-almoço, e ela muito passiva e a meter-me pena...

 

Posto isto, foi assim que, ao fim de quase meia-hora desperdiçada, regressei à biblioteca e paguei 1,10€ por um capuccino demasiado doce e nada forte num copo de papel reciclado. Passei o resto da tarde a penar em cima dos livros. Isto passou-se anteontem, mas só agora recuperei do esforço intelectual descafeinado daquela tarde.

 

***

 

Ironia da minha faculdade: a caixa multibanco só dá notas de 20€, mas os alunos sobrevivem a cafés de máquina, pagos em esmiuçalha do fundo da carteira.

Orgulho de consumidora

Sobrevivi. Gente do meu blogue, eu sobrevivi. Entrei na Primark do Colombo, pensando estar a encarar a minha ruína financeira, e só gastei cinquenta cêntimos com uns collants opacos. Sim, sim, 0,50€! Mal virei costas à loja, desatei a ligar à minha avó para partilhar o orgulho que senti pelo autocontrolo que mantive durante a hora que lá passei, de um lado para o outro, às voltinhas, a ver preços, a catrapiscar uma peça ou outra… sem cair em desgraça! E ia sozinha, sem ninguém que me desse uma puxão antes de eu desapertar os cordões à bolsa! Não arruinei o porta-moedas e, muito menos, o cartão multibanco. Ufa… Também não sei se será considerado batota a minha avó ter-me prometido que lá voltamos ainda esta semana (implicitamente, isso também é considerado uma promessa de que havemos de comprar uma coisita ou outra, nem que seja só um par daquelas sapatilhas de 3€, como as que eu comprei no ano passado em Braga, que, além de serem giras e combinarem com todo o tipo de roupa, devem ter sido os sapatos mais confortáveis que adquiri em muito tempo), mas não me vou pôr já a dar palpites sobre o meu comportamento futuro, que só eu sei como sou imprevisível, para o bem e para o mal.

Apesar da minha tenebrosa ansiedade antes de me aventurar por terras primarkianas lisboetas, superei as expectativas e não desatei a deitar mão a tudo aquilo com que ia simpatizando. Também era melhor, que uma pessoa tem propinas e passes de transportes para pagar, pois tem, e não são nada baratos!

De qualquer maneira, temos de admitir certos aspectos: a Primark sabe cativar o cliente. Tudo nos maravilha, tudo nos atrai, desde as cores, até às texturas, passando pelos preçários chamativos, a disposição dos produtos, o próprio design deles… É uma loucura! Overwhelming, diriam os ingleses. Há todo um mundo de porcarias fúteis que nos chamam a atenção, simplesmente por existirem e estarem colocadas em determinado sítio. (Eu mesma senti-me tentada, durante uns quinze segundos, em trazer um conjunto de cinco escovas de dentes por 0,75€. Foi grave…)

 

 

Para terminar, deixo uma lista de dicas a quem tiver dinheiro para gastar (sem sequer precisar de ter uma fortuna, basta terem 20€ disponíveis):

 

* vejam os vestidos de renda de alças – há brancos, vermelhos, azuis e pretos, mas os pretos são 13€ e os outros são 7€. São tão bonitos e têm ar de ser tão fresquinhos para o Verão...!;

 

* as tais sapatilhas de que vos falei, de cores lisas, duram-vos cerca de ano e meio, com uso frequente, são laváveis e o cúmulo do conforto, custando apenas 3€ - valem meeeeeeesmo a pena!;

 

* dirijam-se à zona da decoração para a casa e comprem umas velas aromáticas de 1€ - depois digam-me se são tão cheirosas quanto antes de serem acendidas;

 

* dirijam-se à zona dos pijamas e comprem muitos felpudos, térmicos, de 10€, pois não passarão frio no Inverno e evitarão, decerto, algumas constipações indesejadas;

 

*dirijam-se à zona da roupa interior e adquiram sutiãs e cuecas daqueles cheios de rendinhas, amorosos e muito… arrojados. E baratuchos, como os da feira. Vocês ficam felizes, os vossos namorados ficam felizes (ou namoradas, se forem os namorados a oferecer-lhes), a Primark fica feliz. No final, todos ficarão a ganhar!

Deu-me um achaque

E pronto, assim se passou um Verão (ou assim está ele a acabar…). Não correu nada como eu esperava, não fiz nada do que e como esperava, não escrevi nada como esperava. Em suma, foi um Verão sem grandes acontecimentos, sem altos ou baixos, apenas com um objectivo em mente: conseguir amealhar dinheiro para a faculdade através de um emprego.

Ao contrário do que tem acontecido em todos os períodos de férias que já tive na minha vida, nunca tive a oportunidade de me sentir entediada nestas últimas semanas, ou não regresse eu mais do que “morta matada” a casa, ao fim de um dia de trabalho, depois de onze horas sem ver a minha rica caminha nem sentar o meu rabinho ossudo no sofá fofinho cheio de pelos dos cães.

O que, para mim, acaba por ser realmente um problema de enorme gravidade é não vir cansada fisicamente, mas sim psicologicamente. Deste modo, as horas que passam desde que trespasso o portão até me ir deitar são gastas a procrastinar. Sim, eu até voltei a procrastinar, e nem sequer foi de livre vontade! Afinal, não existem lá muitas actividades que me dêem verdadeiro gozo que se possam realizar sem o mínimo de esforço intelectual: ler, escrever, arrumar o quarto ou até jogar Angry Birds. Dou por mim, com alarmante frequência, a mirar o ecrã do computador ou da televisão com a mente totalmente em branco, feita parva. Quando calha ir jantar a casa do Ricardo, praticamente só tenho tempo para comer, antes de cair desfalecida, sem forças, em qualquer encosto ou braços de quem me apanhe em pleno processo de low battery.

Escrever, está quieto. Não consigo reservar impulsos nervosos suficientes durante o dia para conseguir formular mais do que um par de linhas de seguida durante a noite. Não existissem os fins-de-semana ou pequenos textos escritos, esporadicamente, enquanto trabalho, e eu já estaria a entrar em paranóia (mais do que estou, pelo menos).

Ah pois, e os fins-de-semana, que não chegam para nada?! Ora é a mândria, ora é o tempo que passo com a família, ora é o tempo reservado para namorar: parece-me que nem chego a aproveitar bem esses momentos, tal é o estado de retardamento cerebral e de ansiedade pré-segunda-feira em que me encontro.

Eu só quero recuperar a minha sanidade! Não quero continuar a acordar como quem vai ser imediatamente reencaminhada para a morgue; não quero continuar a responder de forma torta a toda a santa criatura que não pareça compreender que EU ESTOU EXAUSTA E SÓ QUERO QUE ME DEIXEM EM PAZ E SILÊNCIO, CARAMBA; não quero ter de continuar a adiar encontros com os meus amigos e de invejar a liberdade que eles têm para sair à noite sem se preocuparem a que horas têm de se deitar, a liberdade que têm para fazer planos inesperados, enfim, a liberdade que têm para não perderem a sua identidade.

Porque é exactamente isso que eu sinto que me está a acontecer! Neste Verão, paguei as propinas do primeiro ano da faculdade, mas não fiz nada que me satisfizesse o ego. Mal tive tempo para respirar, quanto mais…! Nem sei o que seria de mim se para a semana não começasse já a trabalhar em part-time, cruzes-credo!

A duas semanas de retomar o estudo, de iniciar uma nova etapa da minha vida pessoal e escolar, nem consegui ainda assimilar todas as novidades que vou enfrentar. Falta-me o descanso, os momentos a sós, a dois, a três, a quatro e ao monte, falta-me a preparação e a reflexão, falta-me ter aquela pausa em sintonia com o resto do mundo, sem palpitações várias ou dores de alma desnecessárias.

Mas, acima de tudo, faltam-me horas de sono. É imperativo tentar acabar com as insónias… A começar agora. Por isso é que vou mas é ganhar juízo e deixar o resto das lamechices pseudo-filosóficas e introspectivas para outro dia. Isto só pode ser do sono.