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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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O melhor de 2018 foi a superação

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Ponderei muito se deveria escrever este texto. Ponderei mais um tanto até realmente o escrever - e procrastinei-o. 2018 tem sido um ano que eu não teria vontade de repetir. Houve anos em que cheguei ao fim e pensei "muito bem, este foi dos bons". 2018 não. Passou-se e, se eu tivesse um comando para controlar a visualização dos episódios, repetiria um par de situações e ficaria feliz. Talvez por isso não saiba sequer o que partilhar sobre os últimos meses que não tenha já sido escrito por este blogue fora.

 

Vejamos... Despedi-me do emprego que eu mais queria na vida, deixei um mestrado a meio, regressei de quase dois anos a viver em Banguecoque, renovei amizades e listas de contactos, recomecei, reaprendi a viver em família, defini novos objectivos profissionais, procurei uma nova auto-imagem, não só saí como saltei de pára-quedas da minha zona de conforto, descobri novos interesses, inscrevi-me no mestrado dos meus sonhos (e não fiquei impressionada) e - o mais importante - tive de reconhecer a minha fragilidade face a circunstâncias que não consigo controlar, paralelamente àquilo que me cabe a mim decidir. Já diz o livro, quem mexeu no meu queijo? A certa altura, senti que toda a gente me metia as mãos no meu prato excepto eu, mas no final ficou a lição de que, se nos comem o queijo, temos de ir à procura do fiambre.

 

A sabedoria popular também diz que "o que não arde cura e o que aperta segura". Feitas as contas, podia ser outro lema para o meu último ano. Sei que foi dos melhores anos em lições várias, novidades, descoberta permanente. Estou feliz por isso. No entanto, em 2019 quero menos reboliço.

 

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No lado bom - óptimo! - destaco a minha viagem solo à Escócia, que gostaria imenso de repetir mal seja possível, no mínimo à minha cidade favorita, Edimburgo. Subir o Arthur's seat foi das experiências mais satisfatórias do último par de anos, tanto pela vista panorâmica sobre Edimburgo, como ainda pela superação simbólica de medos e obstáculos. 

 

Destaco as pessoas que conheci. Por vezes sofro de memória selectiva, mas não me lembro de nenhuma pessoa que tenha conhecido sem que a viesse a admirar. Os amigos e a família também não tiveram um papel fácil e o carinho que me dedicaram não tem comparação em palavras.

 

Destaco o blogue. Consegui escrever mais do que no ano passado, o Sapo também o destacou várias vezes, chegaram novos leitores, fui encontrando motivação para cá voltar. Gosto de saber que vos tenho por aqui e que os meus exercícios de escrita e reflexão não ficam apenas para mim.

 

Destaco os livros que li. Embora ache que ainda tenho de aprender a ler melhor, já fiquei satisfeita com a quantidade (desafio do Goodreads superado!), porque também tive de ir lendo outros materiais para a faculdade no último trimestre. Ainda vou publicar o meu balanço livrólico detalhado antes de o ano acabar (antes disso, só tenho de terminar um ou dois livros).

 

De qualquer forma, acabei o ano a fazer aquilo de que gosto, em boa companhia, sem nenhum desejo por concretizar, com planos para novos projectos e talvez uma viagem ou outra. Saldo positivo!

 

2018 superado, que 2019 sirva para continuar a melhorar! (E já nem digo que sirva para escrever um livro, mas começar a tese já não seria mau.)

 

Imagens: Edinburgh Central Library e Calton Hill, Edimburgo, Maio de 2018

Porque é que subir o Arthur's Seat em Edimburgo é uma experiência de superação

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Vista panorâmica no cume do Arthur's Seat.

 

Embora esta seja uma actividade a que imensos turistas e locais se entregam às centenas por dia, subir o Arthur's Seat foi, para mim, uma experiência especial de superação. O facto de o ter feito sozinha, e tendo em conta a minha fraca adoração por alturas, só torna o meu dia de ontem ainda mais inesquecível. Sinto-me bastante orgulhosa por ter subido o Arthur's Seat, um dos três pontos mais altos da cidade de Edimburgo, na Escócia. Como o nome indica, também está ligado ao mito do rei Artur, por ser apontado como a localização provável do Castelo de Camelot. Assim mais a nível pessoal, é ainda um dos locais simbólicos para os protagonistas do meu romance favorito, One Day (escrito por David Nicholls), o ponto de encontro dos amantes, a celebração do início dum grande amor e amizade (alerta foleirada, não me julguem).

 

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Como podem confirmar pela minha expressão de felicidade ao chegar ao cume do Arthur's Seat, este foi um dos feitos do meu ano, até agora. Desde o primeiro dia na Escócia que andava a ganhar coragem para me pôr a andar lá para cima. Ontem, finalmente esgotei as desculpas e a pressão de o tempo da viagem se estar a esgotar ainda contribuiu mais um extra para investir nesta empreitada.

Antes de me ter decidido a subir o Arthur's Seat, ainda subi ao Calton Hill, outro dos três pontos mais altos de Edimburgo (o terceiro é Castle Hill, onde fica o castelo), e avaliei, a partir de lá, todo o percurso íngreme, irregular e pedregoso a que me iria comprometer.

 

Esta era a vista do Calton Hill para o Arthur's Seat, ali ao fundo:

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A acrescentar a todos os motivos já enumerados que me faziam hesitar, tenho contado com uma aparente tendinite no pé direito, que me tem infernizado a viagem com uma dor que, não sendo lancinante, é incómoda q.b.. Por isso, ao olhar para o horizonte, em direcção aos rochedos que me aprontava para subir, só pensava que completar esta aventura só me traria mais confiança ou, em última análise, ficaria presa nos penhascos e teriam de me ir buscar de helicóptero, o que é sempre um pensamento muito engraçado que se tornaria uma história para a vida.

 

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Enquanto subia o Arthur's Seat, como factor de motivação a adicionar, fui relatando a experiência nas stories do Instagram. Entretanto, pu-las em destaque, para ficarem como recordação, por isso podem lá ir vê-las. O tempo também ajudou: a subida começou com um céu escuro e terminou com sol (se bem que o vento se manteve do início até ao fim do dia). É poético, não é?

 

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O que acabou por me aterrorizar mais foi a descida. Enquanto subimos, raramente temos de olhar para trás. Ao descermos, somos obrigados a controlar o que nos aparece por baixo dos pés. Confesso que sou grande fã da técnica refinada de sku, sem a qual dificilmente teria sobrevivido ao Arthur's Seat. Crianças de dois e três anos corriam pelos pedregulhos abaixo... eu arrastava-me. 

 

Dito isto, subir o Arthur's Seat foi uma experiência de superação. Sinceramente, não estava sequer à espera de conseguir subi-lo até ao cume. Pensava que era quase certo eu ficar-me pelo caminho, dada a tendinite, as vertigens, o vento e temperatura agreste no início da caminhada, o cansaço do dia anterior e uma noite de sono interrompida por trabalho (sim, aqui a workaholic não conseguiu livrar-se do trabalho por mais de cinco dias), estar sozinha por minha conta. Mas consegui. Consegui não só subir tudo até ao fim, quanto também consegui descer - sem um arranhão, apenas com as calças ligeiramente sujas. Todas as dificuldades que se apresentavam inicialmente só me deixam ainda mais satisfeita com o que fiz. Não caibo em mim de orgulho. A sério. Tenho a auto-confiança em níveis máximos, pelo menos no que toca à superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.

 

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Se eu consegui isto, consigo mais. Se os outros conseguem, eu também consigo. Se eu consegui, todos conseguem. Porque não? Porque não tentar? E, no final da descida, pode ser que haja um oásis como o que encontrei ontem, ou um paraíso com lagos, flores, relva e cisnes.

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Beatriz ♥ Newcastle #4 - última semana de aulas + Edimburgo no fim-de-semana

 

 

No topo do new castle que deu nome à cidade.
A vista de lá de cima para Gateshead, na outra margem do rio Tyne.
Portuguese National Night!!!
"Última Ceia" no jantar de encerramento do curso. Molho de barbecue (aka BBQ) aos montes num cozido? Check. Se gostei? Nem de perto, nem de longe.
Fringe Festival em Edimburgo, um grande acontecimento cultural na capital da Escócia. Milhares de pessoas nas intransitáveis ruas da cidade!
Durante The Potter Trail, uma visita guiada pelos pontos de Edimburgo que inspiraram a J. K. Rowling enquanto escrevia a saga: o túmulo de um tal de "Thomas Riddell" e da sua família - um entre tantos outros cujo nome foi reinventado e aproveitado pela autora para as suas personagens. Esta foi uma visita guiada totalmente gratuita e a guia, uma rapariga pouco mais velha do que eu, era um amor de pessoa. Não paguei, mas contribuí para o saco das gorjetas. Potterhead approved!
Palace of Holyroodhouse: a modesta casa de férias da rainha. Terrível...
... como podem comprovar pela minha expressão de horror e desdém, no meio de um dos jardins mais feios onde já pus os pés.
E pronto, comida indiana como último jantar em Newcastle, depois de voltar de Edimburgo, com o resto das colegas e dos professores portugueses. Depois duma quinzena gastronomicamente exasperante (se algum dia forem a Inglaterra, preparem-se para NÃO encontrarem carne ou peixe fresco, só comida processada e/ou congelada), optei pelo tipo de cozinha mais próximo da portuguesa - a indiana, como observou o meu pai, ao ouvir o meu relato - com uma Chicken Tikka Masala para lá de boa, apesar de picante.
***
Quanto ao regresso - como há sempre uma surpresa reservada por cada viagem que se faça -, esse já foi atribulado q.b., com o autocarro a morrer no meio da auto-estrada, a mais duma hora de distância de Manchester. Tuga que é tuga desenrasca-se, mas, em terras de Sua Majestade, tal verbo é desconhecido e, mais do que isso, impensável. Após uma hora desperdiçada em que ficámos apenas estacionadas na berma e a suplicar por um táxi ou qualquer outra alternativa que nos pudesse levar ao aeroporto de Manchester a tempo do vôo, lá chegou outro autocarro que - IMAGINE-SE - seguia para o centro de Manchester. Quem quisesse ir para o aeroporto (na periferia da cidade), que pedisse ajuda na estação de autocarros, quando lá chegasse. Escusado será dizer que tudo o que era português (nós as 5) se encontrava já à beira dum ataque de nervos, com a falta de jeito para dos ingleses para se desembrulharem de situações complicadas e sob pressão. Já na Manchester Coach Station, depois de nos prometerem um táxi que não tinha maneira de vir, valeu-nos um taxista que pagámos por nossa conta e risco, um tipo que não me lembro se era indiano ou doutra nacionalidade asiática. Lembro-me apenas que, muito graças a ele, chegámos a tempo do fecho do check-in e de recuperarmos o fôlego de 4 horas de stress e 10 minutos de corrida até chegarmos ao sítio certo no terminal.
Enfim, adoro as peripécias duma boa viagem e esta foi, no mínimo, engraçada. Cansativa... mas engraçada! Guardarei óptimas recordações da minha primeira aventura by my own.
(Nota: só é pena que as minhas publicações estejam a sair-me todas esteticamente desconfiguradas. Desculpem lá qualquer coisinha.)