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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton

Alguma vez se depararam com um livro que tenha surgido no momento certo, mas por mero acaso? Fazia-vos falta um livro assim, vocês pensavam que seria impossível alguém contar uma história que vos fizesse sentir menos desamparados ou sozinhos no vosso mundo, na vossa causa, e esse mesmo livre caiu de pára-quedas nos vossos dias?

 

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Eu sei o que isso é. Passei tantos meses à procura dum livro que tivesse tudo na medida certa - introspecção, filosofia, reflexão, carisma, mas que viesse justificar e validar as minhas ideias, sem deixar de ter uma dose de lamechice, sem ser só teoria, acrescentando um enredo que servisse de exemplo às minhas inquietações actuais - e, depois de muitas visitas, a muitas livrarias, em Portugal e na Escócia, encontrei este, um exemplar único, sem destaque, enfiado numa estante a abarrotar duma Waterstones em Glasgow: Essays in Love, do autor multifacetado Alain de Botton.

 

O meu maior problema com os livros sobre a temática "amor" é que considero quase todos um desperdício de tempo, sou incapaz de ler tamanha treta, nunca os levo a sério, têm sempre imenso mel, ou drama, ou futilidade em doses que sou incapaz de digerir. A vida é pirosa, mas não tanto. A vida não é um romance de cordel, mesmo com a sua inevitável banalidade e aleatoriedade.

 

Então, ao encontrar este livro, senti que o autor conseguiu incluir quase todas as posições sobre o amor e relações em que acredito, ou pelas quais já passei. O início da história de amor dos dois protagonistas é um pouco irracional, mas o resto da narrativa faz todo o sentido.

 

Além disso, este livro não é só um romance. Não é só um livro de histórias. Como escreveu o autor, em 2015, num posfácio incluído na edição que tenho, o seu objectivo era ficar a meio, entre um romance e um ensaio sobre o que é o amor entre duas pessoas, como ele surge, acontece e - eventualmente - termina. E recomeça, acreditem ou não.

 

Senti, pela primeira vez na vida, que este é o livro que eu gostaria de ter escrito ou de vir a escrever. Sem tirar nem pôr. Não é "um livro deste género", é "precisamente este livro". Nele, o amor não é idealizado. É narrado um amor, num contexto próximo ao meu (protagonistas jovens em início de carreira, classe média, numa cidade europeia). Consigo identificar-me e encontrar aspectos em comum. É também para isto que serve a arte, para nos representar, e eu fiquei a sentir-me representada. A cada página, eu só pensava "mas isto já me aconteceu!" ou "isto poderia ter-me acontecido!".

 

Sim, este livro conta uma história de amor e desamor, mas fá-lo duma forma pensada, que nos obriga a usar o cérebro. Não é o típico "boy meets girl" dos best-sellers de supermercado. Senti que o Essays in Love me desafiou enquanto leitora, pôs-me a reflectir nas minhas experiências, conferiu ao assunto mais batido, piroso e repetitivo do mundo uma aura de intelectualidade, de assunto académico, didático, de relevância. Deixou de parte a superficialidade das relações, das borboletas na barriga e do vazio a que nos entregamos quando acabam. Fez com que tudo isso se tornasse um assunto de adultos, respeitável. 

 

E sabem da melhor? O autor, Alain de Botton, escreveu este livro no verão dos seus vinte e um anos. 21. Como é possível que tanta sabedoria, ou tacto, tenha saído da cabeça e das mãos dum indivíduo tão jovem? O que é que a maioria de todos nós já tinha feito aos 21 anos? Olhem, eu tinha-me licenciado, tinha ido estagiar para Banguecoque e pouco mais, mas não, não tinha escrito o livro que inauguraria uma carreira brilhante e demonstraria todo o potencial da minha mente. Fica prometido que irei, com toda a certeza, ler mais livros do Alain De Botton, nem que seja o que comprei em simultâneo ao Essays in Love, que se chama The Course of Love (mais lamechice pseudo-intelectual, previsivelmente).

 

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E por aí, alguma sugestão de bons livros que me queiram deixar? Não tem de ser sobre este assunto, claramente, por isso estejam à vontade! Agora, ando também a ler Sapiens, De Animais a Deuses, e estou a gostar bastante. Encontrem-me no Goodreads e vamos falando. 

Com o que se parece um desgosto?

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Duma forma estranhamente masoquista, mas acima de tudo curiosa acerca da condição humana e das emoções, sempre me interroguei com o que se assemelharia um desgosto - não daqueles de criança ou adolescente, não um sentimento vão; um desgosto adulto, com proporções significativas e consequências reais. 

 

Entretanto, esse tipo de desgosto não tardou. Ou não tardaram. Foram logo vários, uns a seguir aos outros. E eu só sei que foram realmente desgostos porque, de facto, nunca tinha sentido nada assim na vida (que ainda não é longa, apesar de tudo). 

 

Com o que se parece um desgosto? Ironicamente, não se parece com muito. É uma mistura de tudo e não é nada. Os meus deixaram-me apenas a ausência de qualquer coisa que lá estava antes, deixando de estar. Ao mesmo tempo, há desapontamento, desorientação, desamparo, desequilíbrio, des-tudo. No apogeu dessa série de desapontamentos, pensei que talvez se pudessem comparar com um ovo: um ovo que andou a ser carregado por uma quantidade razoável de tempo, circulou por caminhos diversos, dum lado para o outro, passeou até por algumas mãos, depositaram-se expectativas naquele pequeno peso, mas alguém ou alguma circunstância fê-lo cair, apenas para se descobrir que, partido, não tinha nada lá dentro. 

 

E depois? Fica a casca, picada, pisada, incompleta, a desmanchar-se nas mãos de quem o tenha apanhado. 

Sobre o que eu penso ser o choque cultural

Não houve qualquer hipótese da minha licenciatura em Ciências da Cultura, ou as experiências de intercâmbio em que participei, me prepararem para o que é o choque cultural sobre o qual vos venho escrever.

 

Quase no fim desta experiência a viver no estrangeiro, cheguei à conclusão de que há vários graus de choque cultural, que nalguns aspectos traz habituação, noutros traz frustração. 

 

Habituei-me à comida picante, ao trânsito louco, à falta de raciocínio rápido e pragmatismo, à ausência de pontualidade, à língua (que aprendi a falar, pelo menos de forma a desenrascar-me e a mostrar educação e gratidão), aos contrastes da população, à mistura de mundos, às casas de madeira à beira dos canais a conviverem ao lado dos condomínios modernos de 20+ andares, à hierarquização e aos alunos que se prostram aos meus pés para me falarem, aos tailandeses que estudaram no estrangeiro e dos quais não se sabe o que esperar, ao sotaque tailandês que esquarteja as outras línguas em arestas flácidas. 

 

Mas, depois de todo este processo de habituação e de tantas outras alterações a concessões a que submeti a minha forma de pensar, comportar e viver, também cabe aos tailandeses decidirem se querem acolher-me (ou a qualquer outro estrangeiro) na sua própria comunidade. Eles dizem que sim, e é verdade, eu sei que eles querem mesmo acolher os estrangeiros. 

 

O problema é que falar é mais fácil do que concretizar. Na minha opinião, as relações entre pessoas resultam de negociações bilaterais constantes. Dá-se e recebe-se. A maioria dos tailandeses dá o suficiente, não dá aquilo a que não é obrigado. Assim, as relações que fui estabelecendo ficam pela rama.

 

Não me queixo, apenas tento analisar. Fiz amigos, estou-lhes agradecida por me terem acolhido, dentro do que se conseguiu, mas o meu conceito de amizade quer ir mais longe, precisa de mais, quando o deles não. Trabalhar e viver num meio exclusivamente tailandês, trabalhar para o governo, viver nos subúrbios, leva-me a sentir que necessito de mais do que o que me querem dar e talvez seja isso o verdadeiro "choque cultural": a negociação mal sucedida ou insuficiente de conceitos tão abstractos quanto amizade, carinho, sentimentos, emoções, visões do mundo.

 

Para mim, todos estes conceitos estão no fim da linha da adaptação cultural, porque não são uma necessidade vital, mas sim o que sustém a vida a longo prazo, o que torna possível viver no estrangeiro ou longe do sítio onde crescemos.

 

Há vários níveis de choque cultural. Primeiro, não gostamos da comida. Depois, perdemos a paciência com a maneira diferente de fazer as coisas. Quando já nos resolvemos quanto aos primeiros choques ("é mesmo assim!"), mais desafios se apresentam. E mais. E mais. E mais complexos. E a exigirem mais de nós. E podemos vencê-los, moldando indefinidamente a forma como pensamos, comportamos e vivemos; ou chega a uma altura em que já não dá mais. É assim que eu me sinto.

 

Não me sentir parte de nenhum grupo ou comunidade é o derradeiro efeito do meu choque cultural, que é um choque do que se sente no coração e no fundo do estômago. É o resultado da procura de sentido na vida dos outros, quando só se encontram portas meio abertas. É o choque de se tentar aprofundar o superficial, de passar os colegas a amigos, que não funciona. O derradeiro desafio da transculturalidade.

 

Mas não faz mal! É mesmo assim. Faz tudo parte desta experiência que é a vida humana. A minha vida. Estou em paz com o que posso dar e receber. Já referi o quão agradecida me sinto por poder, sequer, escrever acerca de tudo isto? 

 

(E, não tendo concluído o meu mestrado por cá, posso dizer que aprendi o suficiente para uma pós-graduação em gestão da interculturalidade! )

GUILTY!

Acreditem que já fui acusada de muita treta na minha vida. Tanta treta, umas vezes de forma justa, outras nem tanto. Já fui acusada de ser má amiga, má namorada, má filha, de ser demasiado ambiciosa, de não ter escrúpulos, de só pensar em mim, de só pensar nos outros, de fazer escolhas menos felizes na minha vida, de fazer escolhas exageradamente felizes, de me dar com as pessoas erradas, de só me querer dar com as pessoas certas... A lista poderia continuar.

No entanto, o que é a vida humana sem um pouco de novidade de vez em quando? Parece que o meu novo crime é, passo a citar, e vá de traduzir de inglês para português, "pensar nas coisas demasiado literalmente, pensar com as emoções".

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É, é crime agora, ter emoções, pensar com as emoções. Desabar em frente de pessoas em quem, inicialmente, confiamos. Deitar cá para fora o que nos vai na alma, antes que a tampa nos salte. Ter saudades da família e bufar com os problemas no trabalho. Celebrar efusivamente quando algo positivo acontece. Dizer aos outros o quanto gostamos deles. Partilhar as alegrias e as frustrações, partilhar um pouco acerca de quem somos e do que nos rodeia. Precisar de partilhar palavras de encorajamento aqui e ali, sobre isto e aquilo. Enfim, ser-se humano e não robótico. Acusa-me essa pessoa, que nem fala da profissão dos pais, porque "são coisas privadas" e que falar desses assuntos "é conversa de raparigas".

 

Há quem diga que é o choque cultural. Há quem diga que é choque de personalidades. Ou o choque dos sexos. Eu acho que é parvoíce e desculpas. Desculpas...! E gente reprimida com quem eu me decido relacionar, declaro-me culpada! 😂

SPLASH - mais um programa de TV para embrutecer as massas

É mais do que certo e sabido que este nosso povo português é um povo com um enorme coração e sensibilidades agudas. Não há cobra venenosa bebé que não seja alvo de ohs e outras exclamações carinhosas por parte dos expectadores de documentários sobre a vida selvagem, não há história nos programas da Fátima Lopes e da Júlia Pinheiro que não apele a comoções e lágrimas diversas, desde as de crocodilo às que fazem um lamaçal no meio da carpete, não há coitadinho nenhum que escape à piedade do mais comum português (aka 'tuga), não há banda sonora manipuladora que não desperte o seu monstro choramingas das profundezas do seu ser rijo, devidamente concebido para aguentar quando o seu clube de futebol perde a taça da liga. Portanto, aqui se apresenta um povo que, apesar de ter andado, em tempos passados, à cacetada com tudo o que era gente, e que foi suficientemente destemido para largar filhos, mães e mulheres para ir enfrentar um bicho mitológico ao sul de África, nos dias que correm chora com a novela mais paneleira, seja portuguesa ou brasileira (e ainda nem conhece as mexicanas!).
Portanto, foi sem grandes admirações que o "Splash!" estreou ontem, envolvendo muita história de vida cheia de coragem, camaradagem, força de viver... apresentado, é claro, pela Júlia Pinheiro (alguém me há-de dizer por alma de quem é que está lá o Rui Unas, p'lamor de Deus). O pessoal "só" tem de saltar dumas pranchazitas para uma piscina super funda, onde não há risco de baterem com a cabeça - o segredo é apenas saber-se entrar direitinho na água - mas, contra todas as expectativas dos meros mortais, conseguem relacionar a sua história de vida com aquele simples exercício e fazer um aparato digno da corte de Luís XVI. Tudo bem, está lá um atleta paralímpico que nem sempre o foi, uma vez que a sua cegueira foi repentina, e que tem lutado (ah, percebem?, porque ele já foi pugilista) imenso para alcançar novos objectivos de acordo com a sua situação, mas não significa que só por a Raquel Strada ter vertigens devemos todos homenageá-la com um minuto de silêncio (e eu nem vi a parte da Sónia Brazão - até deve ter sido a chorar por ela que encheram as piscinas). E, tirem o cavalinho da chuva, porque o Castelo Branco já começa a enjoar e a perder a sua piadinha.
Ora, dito isto, foi a primeira e última vez que vi este programa. Acho que, para embrutecer o meu cérebro, já me chega ver a MTV.

Uma cena profunda, ...

... duas cenas profundas, três cenas profundas [...], cinco mil cenas profundas. Queria mesmo contar-vos cenas profundas, mas não vou além disto. Talvez ande a ficar insensível (poderá ser da idade?) e a tornar-me, progressivamente, num ser sem sentimentos, sem discernimento emocional... Ou não. Apenas já não sinto a mesma necessidade efusiva e incontrolável de escrever sobre lamechices, e amores e desamores, e encantos e desencantos que sentia há um, dois, três anos. Ah, que saudades que não tenho desses tempos! (E escrevendo sobre não os escrever não estarei a escrever sobre eles?!) Se quiserem conhecer melhor essa minha triste face/fase, consultem as primeiras publicações procrastinadoras. Se, por outro lado, a ignorância é o melhor caminho (acreditem que é!), não se atrevam a regredir mais de doze meses no arquivo blogosférico (até porque algumas das publicações ainda estão por copiar do endereço no Sapo).

parem lá com isso, hormonas

   Ao contrário do que vos possa ter parecido na última publicação, a minha pessoa já sofreu mais com dores do foro amoroso do que do menstrual, portanto, não se preocupem, que eu sou quase tão normal quanto as restantes pessoas do mundo.


   No entanto, coiso e tal, isto de se ser adolescente e não se ter uma pilinha também custa, porque, como é certo e sabido (cof, cof) as miúdas são as que sofrem mais, mesmo depois da puberdade. Graças a este milagre a que se chama "multiplicar o povo", desde tenra idade que somos obrigadas a aguentar longas jornadas de sofrimento físico, enquanto nos esvaímos em sangue. É nojento, para quem, dos que lêem, não padece do milagre feminino, mas é verídico e, como criatura deste mundo, eu tinha de me queixar da maldita menstruação. E a verdade é que me sinto ridícula a queixar-me de algo tão banal. Passemos ao parágrafo seguinte...


   O pior não é, nem de perto, a menstruação e as dores que causa, antes e durante a sua aparição. O pior nem chegam a ser as borbulhas, porque o pior dos piores são as oscilações de humor.


   Durante um ciclo menstrual, sou capaz de experimentar mais sentimentos, estados de espírito e tendências emocionais do que um pato em toda a sua vida. Só hoje já experimentei mais do que os que uma mosca alguma vez conseguiria em cinco existências. Já me senti motivada para o estudo, já me senti eufórica, já me senti triste, fragilizada, enjoada, com dores de cabeça, sem dores de cabeça, esfomeada, abananada, aparvalhada, infantil, sexy e desmazelada, e isto é só uma amostra!


   Porém, depois de por tanto passar, continuo a não perceber como é que há raparigas que só sabem lamentar o facto de que se ser mulher dá muito trabalho, porque nós é que parimos, nós é que criamos (muitas das vezes) os filhos, nós é que temos o período e blá blá blá, porque, para mim, ser o que sou tem bastante piada. Claro que ser-se homem/rapaz/ter-se pilinha anyways deve ser igualmente divertido, mas, mesmo só por acaso, eu gosto de ter nascido miúda - até porque o meu pai queria uma (acho que já se arrependeu).


   Quero lá saber dos dramas femininos. Só tenho pena de não ter umas maminhas maiores.

parem lá com isso, hormonas

   Ao contrário do que vos possa ter parecido na última publicação, a minha pessoa já sofreu mais com dores do foro amoroso do que do menstrual, portanto, não se preocupem, que eu sou quase tão normal quanto as restantes pessoas do mundo.

   No entanto, coiso e tal, isto de se ser adolescente e não se ter uma pilinha também custa, porque, como é certo e sabido (cof, cof) as miúdas são as que sofrem mais, mesmo depois da puberdade. Graças a este milagre a que se chama "multiplicar o povo", desde tenra idade que somos obrigadas a aguentar longas jornadas de sofrimento físico, enquanto nos esvaímos em sangue. É nojento, para quem, dos que lêem, não padece do milagre feminino, mas é verídico e, como criatura deste mundo, eu tinha de me queixar da maldita menstruação. E a verdade é que me sinto ridícula a queixar-me de algo tão banal. Passemos ao parágrafo seguinte...

   O pior não é, nem de perto, a menstruação e as dores que causa, antes e durante a sua aparição. O pior nem chegam a ser as borbulhas, porque o pior dos piores são as oscilações de humor.

   Durante um ciclo menstrual, sou capaz de experimentar mais sentimentos, estados de espírito e tendências emocionais do que um pato em toda a sua vida. Só hoje já experimentei mais do que os que uma mosca alguma vez conseguiria em cinco existências. Já me senti motivada para o estudo, já me senti eufórica, já me senti triste, fragilizada, enjoada, com dores de cabeça, sem dores de cabeça, esfomeada, abananada, aparvalhada, infantil, sexy e desmazelada, e isto é só uma amostra!

   Porém, depois de por tanto passar, continuo a não perceber como é que há raparigas que só sabem lamentar o facto de que se ser mulher dá muito trabalho, porque nós é que parimos, nós é que criamos (muitas das vezes) os filhos, nós é que temos o período e blá blá blá, porque, para mim, ser o que sou tem bastante piada. Claro que ser-se homem/rapaz/ter-se pilinha anyways deve ser igualmente divertido, mas, mesmo só por acaso, eu gosto de ter nascido miúda - até porque o meu pai queria uma (acho que já se arrependeu).

   Quero lá saber dos dramas femininos. Só tenho pena de não ter umas maminhas maiores.