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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Para onde vamos depois de terminar o ensino secundário?

Vai fazer cinco anos que terminei o ensino secundário. Parece pouco, mas meia década já deu para muito. O mais curioso, para mim, é a diversidade de caminhos das pessoas com quem andei na escola - do meu ano e sem ser do meu ano.

 

Há muita gente que já anda em mestrados, há quem tenha repetido o secundário no ensino profissional, há quem tenha ido logo trabalhar, há quem concilie estudos e trabalho. Há quem já tenha filhos, há quem só tenha coleccionado namorados. Alguns já vão no segundo filho e/ou no 35º namorado/a.. Há quem se tenha tornado jogador de futebol, há quem se tenha casado ou tido filhos com um. Outros participaram na Casa dos Segredos, e/ou iniciaram negócios. Há quem tenha ido para a tropa ou para a marinha. Alguns emigraram ou foram estudar para fora do país ou para o outro lado de Portugal. Uns trabalham nos supermercados onde vamos todos os dias, outros trabalham em escritórios de alto gabarito ou bancos, ou são professores ou educadores, engenheiros de várias áreas, biólogos, psicólogos (vários), animadores socioculturais, antropólogos, actores, ...

 

Depois de terminar o ensino secundário, nenhum outro casal de pombinhos sobreviveu, pelo menos dos que me lembre do meu ano. A maioria das pessoas engordou. Muitas das miúdas "todas boas" do secundário estragaram-se. Há muitas que não eram "as mais boas", mas que ficaram bem giras. Os rapazes tornaram-se, por norma, melhores do que estavam (a puberdade mais tardia ajudou). Por outro lado, há quem já pareça ter quarenta anos, antes sequer de avistar os 25. E há quem continue na mesma. 

 

Antes de terminar o ensino secundário, nunca pensei no quão diferentes poderiam vir a ser os caminhos futuros de tanta gente que cresceu na mesma vila e frequentou as mesmas escolas/cafés/parques/centros comerciais durante tantos anos. Começamos todos no mesmo sítio, de forma semelhante, partilhamos a infância e/ou a adolescência, mas seguimos por vias tão criativas quanto o nosso ADN. A vida é uma coisa estranha, não é?

A favor dos quadros de honra

Descobri anteontem uma publicação do blogue da Rita Ferro Alvim que me intrigou bastante, a par dos comentários deixados pelos seus leitores. Já data de 2014, mas o assunto é transversal a qualquer ano e contexto.

Então: será melhor haver quadros de mérito e de honra nas escolas... ou não?


Sendo eu uma aluna que estudou nove anos no ensino básico privado e três no ensino secundário público, mais dois anos no ensino universitário público e desde há dois meses para cá no ensino universitário cooperativo (ensino público, com certas vantagens e estatuto de privado) tenho a confessar que já vi de tudo, em todos os níveis de ensino. Felizmente, tenho uma experiência variada para partilhar, o que provavelmente me dará muito jeito, se sempre prosseguir com o bicho de me tornar professora.

Depois de todas estas experiências ao longo da minha curta vida, e como aluna "de mérito" desde que me lembro, assim como provável-futura professora, confesso que sou a favor dos quadros de excelência, ou de honra ou de mérito, ou quaisquer outros que reconheçam as capacidades e o esforço dos alunos. E não, não só devem ser premiados os alunos com boas notas - os que revelam talento nas artes, os que são áses do desporto, os que se envolvem em actividades empreendedoras e os que se destacam pelas suas qualidades empáticas e solidárias devem-no ser de igual forma (método que vem a ser cada vez mais aplicado).

 

Universidade #7 - "quais são as saídas profissionais deste curso?"

Se há coisa que me irrita, de certeza que é a converseta acerca das saídas profissionais dos cursos do ensino superior e profissional e técnico e o raio que o valha. No entanto, ontem estive a representar o meu curso e a minha faculdade na Futurália, no sector da Universidade de Lisboa, e tive de ouvir bastantes vezes a sagrada questão "quais são as saídas profissionais deste curso?". AAAAAAARGH!!!!

Amigos e amigas que querem seguir além 9º ano ou ensino secundário regular, é só isso que vos interessa num curso? É só o que depois dá para fazer? A taxa de empregabilidade e a variedade de empresas que existem onde poderão mais tarde vir a trabalhar? É só isso? Como se os cursos valessem meramente pelas "saídas"?

Então, deixem-me esclarecer-vos sobre determinados assuntos - 3 em particular.

 

1 - Queridos paizinhos obcecados pelas saídas profissionais - e que tal deixarem as vossas crias fazerem aquilo que elas realmente querem, de que elas realmente gostam? Se dependerem demasiado do que se "deve fazer", em vez daquilo que elas "pretendem fazer", vão acabar com os vossos filhos virados ao contrário convosco, potenciais frustradinhos a médio prazo, adultos infelizes e, por conseguinte, pouco propícios a serem bem-sucedidos e a lutarem pela porcaria de futuro que lhes reservaram à força. E não haverá taxa de empregabilidade que os salve! Não haverá ambição que lhes reste! Quando uma pessoa tem os seus próprios objectivos, sente outro alento e, se for necessário, vai buscar forças aos confins do mundo para conseguir o que pretende. (Crias desses paizinhos obcecados - envio toda a minha força para que consigam demovê-los das suas ambições.)

 

2 - As saídas profissionais de um curso são aquelas que o aluno conseguir criar, durante e depois do curso. Se o aluno não for competente em nada que tenha que ver com o curso, nem sequer uma das alíneas aproveitará. Lá por termos um curso do ensino superior ou profissional, não ficamos directamente habilitados a exercer uma profissão na área. Durante o curso, aprendem-se e adquirem-se outras competências menos relacionadas com a matéria leccionada. É durante o curso que se descobre aquilo em que se é bom, seja a falar em público, a escrever, a liderar grupos, a apoiar os colegas, a debitar teses académicas absolutamente brilhantes... De que me valeu dizer ao pessoal que passava por mim e me colocava a maldita questão na Futurália que as saídas profissionais são X e Y? Tudo depende da formação complementar que têm ou passarão a ter, das línguas que falam, se pensam em fazer uma Pós-Graduação, um Mestrado, um Doutoramento, se pensam ficar-se pelo 1º ciclo, depende das suas vocações pessoais, das oportunidades que surgirem, do plano de estudos que criarem em termos de cadeiras opcionais. Percebem? E aposto que isto se aplica à maioria das licenciaturas!

 

3 - O que tem agora "muita saída profissional" não será necessariamente o que terá "muita saída profissional" daqui a uns anos. As indústrias mudam. A economia altera-se. As necessidades, os serviços, os processos da sociedade estão em constante mutação. Não tem de haver um "Ciências é que é bom e Letras é mau", não tem de haver esta distinção no mercado académico, esta estúpida dicotomia. Os mercados académico e profissional são muito, muito mais do que apenas Ciências e Letras; as fronteiras entre certos domínios nem se encontram claramente divididas, empresarialmente falando. Não é tudo "pão-pão, queijo-queijo".

 

Por isso, futuros universitários, ou mesmo outros que estejam à procura da melhor instrução ou formação neste momento, não se deixem levar pela treta de conversa com que nos enchem a cabeça (pais, professores, comunicação social). Somos nós que criamos as nossas saídas profissionais, as nossas aptidões e tendências. A nossa vontade de vencer. Conheci pais de colegas que eram advogados e não era por isso que não estavam desempregados e em dificuldades, mas também sei de pessoas que terminaram cursos de Letras que conseguiram concretizar as suas ambições profissionais em pouco tempo. Também já conheço pessoas (alguns amigos meus) frustradas, por não estarem a estudar aquilo de que gostam (há até quem ainda não saiba do que gosta, mas a quem tão ainda não foi dada a oportunidade de pensar devidamente).

 

Seja como for, boa sorte e felicidades para estas pequenas grandes escolhas! Pensem muito bem antes de gastarem dinheiro e tempo de vida num projecto em que desejam investir, numa ideia que pode ter tudo para correr bem e para correr mal!

Alguma dúvida, disponham. O meu e-mail há-de aparecer algures no blogue.

Universidade #6 - quem são os professores do ensino superior?

Decidi regressar ao tema "universidade", desta vez para vos falar acerca dos professores do ensino superior. Aliás, acho que, desta vez, até o faço mais num tom de desabafo pessoal do que num tom explicativo. Peço adiantadamente desculpa se vos parecer que estou a generalizar, mas, convenhamos, é a minha experiência que estou a relatar. Reforço novamente que não me comprometo com todo o universo vivo de professores.

 

Então, cá vai disto...

Encontro-me desiludida com os professores universitários. Dos professores do ensino politécnico já não poderei falar, pois trata-se de outro tipo de ensino e meio académico e de investigação, por isso apenas incluo neste grupo de professores aqueles que ensinam nas faculdades.

E por que é que estou desiludida com os professores (e professoras também) universitários?

Porque é isso que eles são: professores universitários.

Para quem ainda não está familiarizado com esta realidade, os docentes das universidades, com ênfase na faixa etária dos 40 para cima, raramente exerceram outra coisa na vida além do ensino. Alguns deles vêm até de meios sociais privilegiados, de boas famílias ou são até filhos e netos doutros professores universitários. Pelo menos os professores com quem tenho entrado em contacto correspondem a, no mínimo, uma destas características.

Sendo assim, muito poucos são aqueles que saíram da bolha da universidade durante toda a sua vida. Entraram na academia antes dos 20 e nunca mais saíram de lá. Primeiro, foram alunos. Depois, tornaram-se professores, tradutores ou investigadores dos centros de estudos. É essa a única realidade laboral e social que conhecem. 

Durante este último ano e meio, desde que comecei a minha licenciatura em Ciências da Cultura (na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), talvez tenha conhecido apenas dois ou três professores que já trabalharam fora da academia. Nota-se logo a diferença. Trazem ideias muito mais criativas para as aulas, a maneira de falarem e de relacionarem com os alunos é geralmente mais descontraída e acabam por utilizar métodos de ensino mais virados para uma vertente prática.

Quanto aos outros professores, os que nunca saíram da academia, estes começam a parecer-me todos iguais. Lêem quase todos os mesmos livros, as suas referências-chave bibliográficas e cinematógráficas (não só obras, mas também autores) são semelhantes. No entanto, ainda há outro aspecto que me incomoda nestes professores: não compreendem a vida fora da universidade. Não compreendem que nem toda a gente tem disponibilidade total para se dedicar ao estudo e à leitura. Que nem todos conhecem as "obras fundadoras da nossa cultura", seja porque nunca tiveram acesso a essas obras, seja porque simplesmente já têm uma lista infindável constituída pelas obras recomendadas por todos os professores dos semestres anteriores (o quê, nunca leu X ou viu Y??? que crime!!! - epá, pelo amor da santa, eu leio 50 livros por ano!). Que há alunos que trabalham, outros que têm de ajudar a família, outros cuja realidade é menos risonha e menos propícia a divagações "além do necessário" (apesar de o necessário ser relativo e de o conhecimento nunca ocupar lugar). Há até alunos que não vivem no centro de Lisboa (!!!!!!!!).

Contudo, há que sublinhar que, na maioria das vezes, os professores não agem arrogante ou pedantemente de propósito. Nem se apercebem de que é isso que pensamos acerca deles. Acho até que pretendem ajudar-nos de verdade, que querem ser simpáticos e prestáveis... à sua própria maneira. São incompreendidos, tal como nós. As suas intenções correm permanentemente o risco de serem mal interpretadas, mas é a vida. Alunos ou professores, acabamos todos assim.

O problema é esperarem demasiado dos alunos. Enquanto a maioria dos professores do ensino secundário queria era despejar a matéria do sumário e ir para casa o mais cedo possível, os professores do ensino superior conjugam três actividades diferentes, entre leccionar em duas faculdades, escrever e traduzir livros, escrever artigos científicos para revistas de renome, colaborar com centros de investigação, organizar e planear conferências até 2020, assistir a outras tantas e coordenar todo um departamento ou curso. Eles trabalham que nem loucos, dormem mais-ou-menos, não deixam de ler três livros por semana, de ir ao cinema ou de papar todas as suas séries favoritas, ainda têm tempo de se casar e de ter filhos e, por isso, esperam os melhores resultados académicos e todo o esforço desumanamente possível da parte dos seus outros colegas e dos alunos.

Então, a diferença entre os professores universitários e os alunos é que os primeiros têm um orçamento familiar que lhes permite delegar as tarefas "da vida real" noutras pessoas (empregadas domésticas, lavandarias, contabilistas, refeições fora de casa), enquanto os segundos têm de se desenrascar por conta e energia própria. O problema é que grande número dos professores universitários não preenche um formulário para o IRS nem vai a uma repartição das finanças há mais de 15 anos, não lava ou passa a sua roupa há 20 e não tem de contar os tostõezinhos do extracto bancário cada vez que vai ao supermercado (porque também não costuma lá pôr os pés) há 25. E são estas ninharias do quotidiano que fazem toda a diferença entre as realidades de uns e de outros!

 

Para concluir e desanuviar o ambiente, partilho convosco este meme. Os alunos da FLUL irão entender e fazer facepalm.

 

 

 

Nota: Futuros universitários, juro-vos que os professores não são bichos, só são workaholics. Não se assustem!

 

Nota 2: Caros professores que, eventualmente, dêem com esta publicação, seja agora ou daqui a três décadas, quando talvez eu mesma for uma professora universitária (e que bom que seria!)... desculpem-me. A sério, tenho tido professores excelentes, mentes brilhantes, génios subvalorizados neste país pequenino em que vivemos. Não me posso queixar, de todo. Tenho aprendido imenso. Só que, perdoem-me, sinto falta de professores que "vivam cá fora". Que se lembrem do que é estar deste lado. Que se lembrem do que é renovar um guarda-roupa nos saldos de Fevereiro com 25€. Que se lembrem do que é ir ao Lidl comprar barras de chocolate a 50 cêntimos, porque no Pingo Doce e no Continente são 60. Que se lembrem do que é ser mais humano e menos... bem, menos professor universitário. 

Universidade #4 - é possível ser-se bom aluno na faculdade?

Ora beinhe, esta é uma questão que deve interessar a muita gente e que deve dar tanta dor de cabeça a alunos brilhantes no ensino secundário como a alunos mais fraquinhos. No que toca às notas do ensino superior, é tudo muito relativo. Sei de alunos brilhantes no secundário que mal batem um 13 na faculdade, sei de alunos de 12 e 13 no secundário que se saem com uns esplendorosos 17 e 18 sem saberem bem como. Quanto a mim, acabei o 12º ano com média de 16,8 e o 1º ano da licenciatura com 16,9, tendo sido esta última tirada a ferros, mas sem graaaaaaaaaandes maratonas de estudo. 

Não vale a pena alongar-me muito acerca deste assunto, porque ter-se boas notas no ensino superior depende muito do curso que escolhemos, dos professores que nos calham e do nosso verdadeiro interesse nas matérias. Bem podem ser alunos de 18 no secundário, mas podem tirar o cavalinho da chuva se seguirem engenharias e medicinas, arquitecturas e coisas que tais.

 

No entanto, ressalvo que ter-se sido um bom aluno antes de se entrar para a faculdade sempre revela alguma preparação para uma nova etapa, mais exigente. Por outro lado, ser-se um pior aluno no secundário do que na faculdade só prova que, quando estudamos aquilo de que gostamos, tudo se torna mais simples. Ou que simplesmente fomos abençoados com um milagre dos céus.

 

É assim ou não, colegas de armas, livros, fotocópias e apontamentos? Que tal a vossa experiência?

Oh Beatriz, e as fotos do teu baile de finalistas?

Baile de finalistas do secundário??? Xiiiiii, isso não foi já há uma eternidade? Não foi, tipo, há três milénios atrás?

Não. Foi (só) há 11 meses.

E, tal como também eu andei à espera daquela noite para mostrar o quão bela posso tornar-me quando me arranjo (ou seja, sem ser quando atiro assim um bocadinho para o monstruoso), muitas outras pessoas estão prestes a viver o seu momento debaixo das luzes da ribalta do seu baile de finalistas. Eu sei que, agora que estão nesse lugar, é tudo muito fofinho e coiso e tal, vestidos e fatos novos (ou herdados à força do pai ou da mãe, em todo o caso), mas quando cá chegarem a este lado - ao lado onde estão aqueles que já paparam muitos bailes de finalistas ao longo da sua curtíssima vida, inclusivé o do 12º ano - vão ver que... sim, continua a ser tudo muito fofinho, com a nossa expressão de júbilo espetada nas fotos ("espero que o fotógrafo capte o meu melhor lado, vamos a ver"), mas o momento em si já passou e isso é que foi o melhor.

Enfim, restam-nos sempre, sempre as fotografias, não é verdade?

Por isso, gostaria de partilhar convosco as minhas. Foram prometidas, mas depois fui-me esquecendo de as mostrar aqui, principalmente porque as do fotógrafo ainda demoraram algum tempo a ser encomendadas e a chegarem.

 

 

Para provar como não são necessários grandes investimentos para se ir como deve ser para um baile de finalistas, porventura inspirando quem procure inspiração low cost, eis a minha toilette:

 

Vestido: Pull&Bear (22ª fotografia) - 27€ - depois do baile, já o devo ter vestido mais de milhentas vezes, porque, dependendo dos acessórios e dos sapatos, dá para usar em todas as ocasiões, de Abril a Outubro

Sapatos: Deichmann - 15€ - não aconselho: são liiiiiiindos, mas descalcei-os três minutos depois de ter chegado, tais eram as dores (só os calcei praticamente para tirar fotografias e receber a fita)

Brincos: directamente importados... da caixa de brincos da minha tia! ah ah ah

Pulseira: directamente importada da minha própria caixa de pulseiras

Verniz: Cliché - Porcelana

Cabelo: levou ali uns ondulamentos, uma bandolete que já tenho há c'anos et voilà!

Maquilhagem: um batom avermelhado que já tinha comprado nos saldos da Women's Secret por 1€, lápis preto pseudo-à-prova-de-água da Essence, sombra branca, cinzenta e castanha também de uma palete da Essence

 

 

Casaco: ... que tenho há anos, de que já gostei, mas depois olhei para ele e percebi que era melhor não o mostrar muito sem ser em ocasiões especiais, ou ainda me confundiriam com a namorada de um mui reputado traficante de pêlo de animais (mas o casaco é sintético, juro!, foi comprado numa estação de Metro de Lisboa)

Mala: da tia, again

 

 

Namorado: produto português de enorme qualidade, com barba e tudo - edição limitada e descontinuada no mercado, pelo que já não há mais iguais a este! =)

 

As 5 publicações mais procrastinadas dos últimos 6 meses

  1. Desertora de praxes - AQUI! - 426
  2. Assalto no Parque da Bela Vista - 422
  3. Das minhas (graves) patologias - 317
  4. O Massacre não massacrou muito - 225
  5. Temos caloira! - 118

Percebe-se porquê. Excepto a número 2 e a número 3, as outras fazem todas parte da minha transição secundário-faculdade, um assunto a que tenho dado bastante ênfase pelos motivos óbvios e que tem levado a alguma partilha de experiências e discussões da parte de quem está atento a este tipo de publicações. Além disso, das cinco, só a última é que não foi destacada pelos Recortes do Sapo. O certo é que a maioria delas corresponde às que eu mais gostei de escrever, portanto parece que fui bem-sucedida a passar a mensagem pretendida!

sobre a Educação Física

   Na sua edição de hoje, tanto em formato de papel como online, o Correio da Manhã veio noticiar que a disciplina de Educação Física irá deixar de contar para a média final do ensino secundário e, consequentemente, para a entrada na universidade. Esta novidade veio causar algum burburinho, como já seria de esperar, sendo uma medida já recusada em 2004, no tempo do Governo de Durão Barroso, mas, desta vez, parece que veio para ficar. O que vos tenho a dizer de minha justiça é que não poderia haver nenhuma medida vinda do Ministério da Educação que me trouxesse mais alegria, ou não fosse eu bastante beneficiada por ela.


   É certo que a nota de Educação Física, contando para a média, vem, por um lado, facilitar a vida de muito boa gente, chegando mesmo a aumentar as probabilidades de entrada no ensino superior de quem consegue bons resultados na prática física; por outro lado, não nos podemos esquecer que nem toda a gente possui as mesmas capacidades a esse nível e que poucos são aqueles que chegam à excelência. Na minha turma, apenas um aluno conseguiu chegar aos 16 valores no final deste ano lectivo e a maioria das notas varia entre os 10 e os 14. Cada pessoa é mais virada para uma determinada área de estudos e é exactamente por essa razão que existe uma variedade infindável de cursos e profissões: há pessoas que gostam de ler e escrever, há pessoas que gostam de desenhar, há pessoas que gostam de matar a cabeça a fazer equações, há pessoas que preferem passar o dia a dar cambalhotas e a correr, há pessoas que simplesmente não se enquandram em nada e que desistem da escola para ir para as obras ou para as caixas do supermercado. É a vida. Portanto, é da minha opinião, não tão radical como a do Governo, que a Educação Física deve realmente ser obrigatória até ao final do 3º ciclo (atrevo-me a dizer que não vejo problema algum que seja igualmente obrigatória no 10º, 11º e 12º ano) mas que os alunos devem ter a oportunidade de escolher se a nota da disciplina contará ou não para a média final do ensino secundário. Afinal, obrigarem-nos a ser excelentes a Educação Física (correr, saltar, driblar, chutar, ...) é como nos obrigarem a saber desenhar ou a saber cantar sem que tenhamos habilidade natural para tal. 


   Citando o meu caso pessoal para melhor ilustrar a situação dos beneficiados por esta medida, todas as minhas notas de final de período, sem contar com a de Educação Física (um 14 tirado a ferros) são superiores a 16, sendo a mais alta um 18. Se eu estivesse a acabar o 12º ano neste momento, a minha média "normal" rondaria os 16,7 valores e, caso a Educação Física já não entrasse nos cálculos, seria 17. Para mim, faria TODA a diferença, visto que a média de entrada no curso do ensino superior a que me pretendo candidatar para o ano corresponde a esses exactos 17 valores. Com Educação Física, o panorama tornar-se-ia muito mais complicado.


   Portanto, hei-de continuar atenta às notícias sobre esta nova medida, sendo ela decisiva para o resto do meu percurso escolar. Ainda não entendi se os alunos que frequentaram o 10º e o 11º este ano já serão abrangidos pela sua acção, pelo que peço que, caso alguém esteja melhor informado que eu, me deixe a par dos acontecimentos o mais depressa possível. Se o vosso ponto de vista for diferente do meu, estou aberta a discussões (amigáveis, claro) sobre o assunto; é só deixarem o vosso comentário.