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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Universidade #9 - Pasta de finalista + bênção das fitas

Como em tudo no que toca às pseudo-tradições académicas, escolhi experimentar estas duas, com receio de me arrepender mais tarde caso não tivesse fazer parte delas. Tenho para mim que é sempre melhor "ver para crer", em vez de nos pormos com peneiras e falsos orgulhos, mesmo que, à partida, aquilo com que nos deparamos nos pareça uma mariquice.
Foi com isto em mente que comprei e mandei fazer a minha pasta de finalista, mais as fitas azuis timbradas da minha faculdade, e me inscrevi na benção das ditas cujas. Provavelmente, quem me conhece e me ouviu falar sobre estes assuntos desde o primeiro ano no ensino superior acabou por se surpreender. Ah e tal, que eu sou uma vendida, uma troca-tintas, uma Maria vai com as outras. Se calhar sou, porque a certa altura eu achei que isto dos finalistas era tudo uma gravíssima lamechice e que gastar um sábado inteiro ao sol numa cerimónia com milhares de pessoas, mais uma pequena fortuna na pasta, nas fitas e no bilhete era duma pessoa se atirar da ponte. Afinal, se tudo correr pelo melhor, ainda hei-de ser finalista mais duas vezes.
Só que, quando chegou o momento da verdade, aquele em que me defrontei com a possibilidade de fazer ou não fazer o que estou prestes a fazer... Aí é que foram elas! Deixar passar a oportunidade e ficar na ignorância é que não! Por isso, encomendei a pasta de finalista e cá tenho eu andado a distribuir as minhas fitinhas pelo pessoal, à espera que me escrevam, desenhem e desejem coisas bonitas, dignas de ser abençoadas pelo Cardeal Patriarca no dia 21.

Depois, conto-vos como foi.

 

 

 

A dita cuja! #ciênciasdacultura #flul #ulisboa #senioryear #bênçãodosfinalistas

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

Universidade #8 - Ciências da Cultura (diz que é uma espécie de review final do curso)

Foi-me pedido que escrevesse uma apreciação acerca da licenciatura em Ciências da Cultura (na FLUL), como trabalho de casa na cadeira de Seminário de Estágio. Já agora, publico-a aqui, caso haja alguém interessado em saber ainda mais sobre o meu curso. De qualquer forma, eu e os meus colegas da Comissão de Ciências da Cultura estaremos na Futurália, de 16 a 19 de Março, para promovermos a licenciatura e a faculdade, assim como para retirar todas as dúvidas aos futuros universitários e curiosos!

 

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***

 

Ciências da Cultura foi a licenciatura que mais me despertou a atenção desde o 8º ano, quando comecei a pensar no que gostaria de estudar no ensino secundário e, consequentemente, no ensino superior.
Apesar de, entretanto, a minha atenção ter deambulado por outras alternativas, fico feliz por ter seguido em frente com a minha primeira ideia e até de não ter tido uma nota suficiente no exame de Português, o que me daria a hipótese de seguir Ciências da Comunicação na FCSH.
Em geral, as razões pelas quais me sinto mais satisfeita com a licenciatura que escolhi estão particularmente relacionadas com o prestígio da FLUL em certas áreas disciplinares. Sinto que, para mim, o ensino da Literatura e da História são os "pontos fortes" do curso, pois todas as cadeiras de cultura que tive focaram-se bastante nelas na sua abordagem (por exemplo, lendo as epopeias e tragédias gregas e romanas em Cultura Clássica, Beowulf em Cultura Medieval e O Elogio da Loucura em Cultura Renascentista). Já tendo em conta estes "pontos fortes" da FLUL, escolhi como cadeiras opcionais no 2º ano Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa e História, Memória e Literatura. De facto, além das cadeiras de Cultura, estas foram as minhas favoritas na FLUL.
Por outro lado, as cadeiras que menos me despertaram o interesse ou cujos professores não corresponderam às minhas expectativas pertencem área de Linguística. Por ter sido a primeira cadeira do género e por a professora me ter cativado, gostei muito de Linguagem e Comunicação, mas sinto que o plano curricular de Produção do Português Escrito foi redundante e que não aprendi muito, apesar de a ter terminado com uma boa nota. Apesar de ter gostado de ambas, Teoria da Comunicação, Sociologia da Comunicação e Análise do Discurso também foram semelhantes em vários pontos do programa.
No que toca às cadeiras de Inglês, desde o início do curso que me parece desnecessário empregar 36 créditos na aprendizagem de uma língua com que os alunos já terão - pelo menos - entrado em contacto no ensino básico e secundário. No meu caso, concluir três níveis de C2 não me irá beneficiar tanto quanto possa parecer.
No 1º semestre do 3º ano, tive a oportunidade de frequentar a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, através do Programa Almeida Garrett, uma vez que me foi impossível fazer Erasmus noutro país, por razões económicas e de trabalho. Felizmente, esta experiência não poderia ter sido melhor. Além de ter entrado em contacto com outros docentes (muitos deles, antigos alunos e professores da FLUL) e métodos de trabalho, também achei que as matérias leccionadas vieram complementar perfeitamente o que já tinha estudado na FLUL. Na FCH, escolhi como opcionais a cadeira de Escrita Criativa, por curiosidade e gosto pessoal, e Estudos de Cinema, por conveniência de horário. No final, o balanço das duas foi muito positivo, mesmo em Estudos de Cinema, pois permitiram-me estudar novas matérias e autores, muitos deles de forma inesperada.
Penso que a maior desvantagem de Ciências da Cultura enquanto curso de Letras é não estar organizado de maneira a permitir a candidatura à maior parte dos Mestrados em Ensino.
Contudo, uma das maiores vantagens de Ciências da Cultura na FLUL é preparar os seus alunos com conhecimentos diversos, que poderão ser aplicados em muitos contextos de trabalho (o que se confirma, dada a lista de entidades de acolhimento para os estágios curriculares), assim como nos prepara para a frequência de mestrados em áreas distintas, não só na área de Letras ou Ciências Sociais e Humanas.

FLUL vs. Faculdade de Ciências Humanas da UCP

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Regressei há duas semanas à Faculdade de Letras e já sinto falta das casas-de-banho asseadas e da eficiência dos serviços académicos da Faculdade de Ciências Humanas.
Também me apercebi que deixei de ser imune a professores efusivos e com características muito... características (para o bem e, infelizmente, para o mal). Lembro-me de até gostar de certos casos, mas acho que fiquei mal habituada aos acessos de loucura docente que, no 2º ano, ainda me fascinavam.
De certa forma, os colegas são um factor indiferente na equação. Conheci pessoas extremamente interessantes nos dois sítios e, no final de contas, acho que todos os encontros dependem de muitos acasos. A contabilização deficiente de faltas na FLUL e as aulas mais curtas e intervaladas da FCH+direito privilegiado a hora de almoço que o digam.
No que toca às condições dos edifícios, continuo a preferir os da FLUL, até as caves e o Pavilhão Novo (recentemente restabelecido, décadas depois, tendo voltado a fazer um bocadinho mais de justiça ao nome que carrega), mesmo quando chove lá dentro, por isso ainda não sei como irei viver sem eles diariamente a partir de Junho, se o semestre na FCH já me deixou tão saudosa. Quero lá saber das variações ridículas de temperatura de sala para sala ou das salas para o corredor. Eu gosto é do ar que se respira na FLUL, daquele ar húmido que emana as gerações de estudantes e professores que já a habitaram. Não há limpeza na FCH que me dissuada deste amor que eu nutro pelas instalações da FLUL. E aquela biblioteca... Oh, querida biblioteca sem pó, albergue duma variedade invencível de livros! A quantidade de escadarias na FCH também não abona a favor da mesma no presente confronto de titãs e muito menos a carência de locais calmos para pôr o estudo em dia.
Porém, uma coisa é certa: há professores queridos e competentes nas duas faculdades, que adoram os alunos e vivem apaixonadamente o espírito de entreajuda e de transmissão do conhecimento. No final, esta é a conclusão mais relevante a sublinhar e que certifica tanto a FLUL quanto a FCH enquanto instituições de ensino onde dá gosto e prestígio estudar. Qualquer que seja a escolha de futuros alunos do ensino superior, ficarão bem servidos.

5 argumentos contra quem estuda no Natal (entre outros)

Ao longo destas duas últimas semanas de Natal e de Ano Novo, tenho-me admirado imenso com os queixumes que, de resto, são já muito frequentes e conhecidos de quem tenha amigos a estudar no ensino superior.
"Véspera de Natal, todos a desfrutarem e eu a estudar."
"Não percebo porque é que dizem que estamos de férias de Natal, se temos de estudar para os exames de Janeiro e fazer trabalhos."
"Todos a comerem que nem uns abutres, todos a irem para as festas e ver os foguetes, e eu aqui a ler Descartes."

 

Nº1 - caros amigos, não sei se sabem, mas quem corre por gosto não cansa e quem quer um canudo tem de malhar nos miolos;
Nº2 - a sério que já estão no terceiro ano da licenciatura e ainda não estão habituados a ter exames e trabalhos para entregar logo no início de Janeiro? Hummm, interessante...;
Nº3 - ser estudante do ensino superior é a melhor ocupação que há no mundo OU eu devo ter entrado no curso mais fácil de sempre para não sentir outra pressão que não a da minha procrastinação (tenho 4 exames e um trabalho para entregar nas próximas três semanas, e não fiz um rabinho de 18 de Dezembro até 3 de Janeiro, abençoadas férias!!!);
Nº4 - aprendam a organizar-se, tirem um curso em e-learning de gestão do tempo, mas não me venham dizer que tiveram MESMO de estudar nos dias de Natal e de Ano Novo;
Nº5 - ainda que tenham de suar as estopinhas de Setembro a Junho, ainda que sejam alunos de Medicina ou de Engenharias, lembrem-se que os alunos do ensino superior devem ser os únicos seres humanos em Portugal a ter direito a (pelo menos) dois meses de férias, interregnos de Natal, Carnaval e Páscoa, todos os feriados e todos os fins-de-semana por sua conta. Daqui a uns anos, hão-de chorar muito, quando só tiverem direito a 22 dias úteis de férias e trabalharem das 9h às 17h30, ou por turnos e escalas, até aos 65 anos.

 

Digam lá que esta não é uma vida loka??!

Estagiar no ensino superior - porquê?

Notícia de segunda-feira: "Governo quer estágios em todos os anos das licenciaturas e mestrados"

 

Muitos são aqueles que criticam os estágios, em geral. Que são a legalização da escravidão. Que se estabelecem contratos manhosos, ambíguos e apologistas da exploração laboral dos estagiários. Que, hoje em dia, se passa a vida a ser estagiário, sem surgirem as oportunidades de progressão de carreira nas empresas ou instituições e sem se ser recompensado espiritual ou financeiramente. Que se contratam estagiários porque fica mais barato do que contratar um profissional com experiência.
No entanto, essas críticas só vêem o lado negativo dos estágios, até porque é o único que temos conhecido ultimamente. Para lá dessa faceta, existe uma outra.
Os estágios, nomeadamente os estágios no ensino superior, não servem para andar a ser feitos para o resto das nossas vidas, mas sim para serem experimentados nos primeiros tempos profissionais. Servem para vivermos um sneak peak do que irá ser, ou poderá ser, o mercado de trabalho onde nos pretendemos inserir através dos nossos cursos. Para mim, estagiar 120 horas no fim do meu 3º ano de licenciatura, e já ter estagiado outras 100 no ano passado, significa colocar-me à prova fora da minha área de conforto. Entrei e entrarei em contacto com opções de trabalho completamente distintas uma da outra, mas ambas relacionadas com o que ando a estudar. Afinal, para que serve o meu curso? A que mercado de trabalho posso chegar com o meu canudinho e todas as competências que adquiri até ao momento? Como aplicá-los? E o que gostaria eu de fazer no futuro?
É para isto que servem os estágios no ensino superior, principalmente no universitário, que - digo eu - não parece acompanhar a evolução do mercado de trabalho e continua a formar indivíduos indefinidamente sem lhes mostrar outra realidade que não a académica. Nem todos viremos a ser professores, nem investigadores. É verdade que, se quiséssemos um curso mais prático, teríamos optado pelo ensino profissional, técnico ou superior politécnico, mas a universidade também deve alargar os horizontes dos alunos. Quem se candidata ao ensino superior universitário fá-lo por desejar o conhecimento. Mas não nos iludamos: o que nos leva a estudar mais sabe-se lá quantos anos e a investir milhares de euros na nossa instrução passa igualmente pela expectativa de virmos a trabalhar naquilo de que gostamos, com um salário mais composto do que se nos tivéssemos ficado com o 12º ano e com melhores condições nos contratos. Para isso, há que sair da faculdade já com alguma visão.
E sim, eu sou a favor de estagiar no ensino superior em todos os anos das licenciaturas e mestrados, desde que com algumas reservas. Se é para ser todos os anos, que sejam estágios de curta duração, uma semana ou duas a tempo inteiro ou parcial, por exemplo. Nada de serem estágios que duram o semestre inteiro e que, mesmo sendo a tempo parcial, obrigam os alunos a faltar a aulas e a sofrer uma sobrecarga horária (como me acontecerá a mim). E, mais importante do que qualquer outra coisa: nada de usar o trabalho dos estagiários para substituir o trabalho dos profissionais, que ou não são contratados exactamente por o trabalho ser assegurado pelos estagiários, ou porque os próprios se aproveitam dos estagiários para trabalhar o que lhes compete. É suposto um estágio constituir um momento de aprendizagem, que implica a presença e a participação constante de alguém com experiência para orientar o estagiário, género job shadowing. Para quê estagiar num festival artístico (muito comum no meu curso), se esse mesmo festival é quase completamente realizável à custa do trabalho desenrascado dos estagiários? O que se aprende? A trabalhar-se sem orientação e à pressão? A ser-se autodidacta?


Espero que esta nova ideia do Governo seja bem aproveitada e que até sirva para apertar a legislação sobre os estágios curriculares, extra-curriculares e profissionais.

A favor dos quadros de honra

Descobri anteontem uma publicação do blogue da Rita Ferro Alvim que me intrigou bastante, a par dos comentários deixados pelos seus leitores. Já data de 2014, mas o assunto é transversal a qualquer ano e contexto.

Então: será melhor haver quadros de mérito e de honra nas escolas... ou não?


Sendo eu uma aluna que estudou nove anos no ensino básico privado e três no ensino secundário público, mais dois anos no ensino universitário público e desde há dois meses para cá no ensino universitário cooperativo (ensino público, com certas vantagens e estatuto de privado) tenho a confessar que já vi de tudo, em todos os níveis de ensino. Felizmente, tenho uma experiência variada para partilhar, o que provavelmente me dará muito jeito, se sempre prosseguir com o bicho de me tornar professora.

Depois de todas estas experiências ao longo da minha curta vida, e como aluna "de mérito" desde que me lembro, assim como provável-futura professora, confesso que sou a favor dos quadros de excelência, ou de honra ou de mérito, ou quaisquer outros que reconheçam as capacidades e o esforço dos alunos. E não, não só devem ser premiados os alunos com boas notas - os que revelam talento nas artes, os que são áses do desporto, os que se envolvem em actividades empreendedoras e os que se destacam pelas suas qualidades empáticas e solidárias devem-no ser de igual forma (método que vem a ser cada vez mais aplicado).

 

Quanto custa um canudo?

Após quase três anos no ensino superior, descobri finalmente o que é que me aborrece tanto, o que me deixa sequiosa por acabar a licenciatura. A minha maior dificuldade foi aprender a nomeá-lo, mas agora já sei dar um nome ao que sinto: frustração.

Frustração perante a falta de interesse e empatia de certos professores em relação aos alunos e perante a sua falta de interesse em evoluírem eles próprios ao fim de décadas ou depois de terminarem os seus doutoramentozinhos numa qualquer matéria que não interessa nem ao menino Jesus.

Frustração por causa de colegas que, por algum motivo que me transcende, decidiram entrar no ensino superior sem demonstrarem qualquer interesse ou apetência para o estudo e para a reflexão.

Frustração por raramente me sentir compreendida. Frustração por raramente conhecer pessoas com quem me identifique.

De facto, tanto há professores sem vocação para executarem uma tarefa tão nobre quanto ensinar e contribuir para o semear iluminado de novas gerações, quanto também há alunos sem vocação para pisarem o chão sagrado de uma faculdade. Cada vez que uns ou outros abrem a boca, regurgitam maioritariamente lixo.

Chamem-me arrogante, chamem-me exigente sem causa, digam que estou errada e que o ensino superior é um mar de rosas (tal como a escola secundária, não é?). Esta é a minha experiência. Uma pessoa não se sente desmotivada só porque sim.

Compreendo que nem todos os alunos tenham de ser tão ambiciosos quanto eu reconheço que sou, compreendo que nem todos tenham de estar decididos, assertivos e conscientes dos seus objectivos de vida aos 20 anos. Reconheço que guardo insistentemente expectativas elevadas acerca de quem me tenta ensinar e que muitas das vezes eles são apenas investigadores mal subsidiados pela FCT.

Mas podiam esforçar-se, certo?

No que toca aos jovens, é verdade que a ausência de perspectivas de futuro profissional a curto ou a médio prazo demove muita gente acerca da urgência e da relevância em descobrir o que pode construir a longo prazo para si. Mas, caramba, se é para andarem a esbanjar o dinheiro dos papás, bem que podiam escolher um entretenimento mais barato para se ocuparem! Tenho colegas na Universidade Católica que andam a pagar quase 500€ de propinas mensais porque, no final, o que interessa é o canudo. Até aposto que muitos deles provêm de famílias cuja derradeira ambição é verem as criaturas trajadas e "senhoras doutoras".

Hoje em dia, em troca de alguns milhares de euros, qualquer abécula pode arranjar um título académico.

E nem me admiro que, a fazer pandã, qualquer intelectualóide possa igualmente dar umas aulas (que o confirmem, por um lado, os testes elaborados pelos professores de 3º ciclo dos meus explicandos e, por outro, a pedagogia de biblioteca adoptada pelos docentes do ensino superior).

 

Fico à espera do mestrado para a prova dos nove.

Fui estudar fora, muito cá dentro

Provavelmente, ainda não expliquei ou dei a entender de forma explícita as razões pelas quais estou a fazer um semestre noutra universidade, apenas a umas ruas de distância daquela onde tenho estudado durante os últimos dois anos. Por isso, até para proveito de quem esteja a pensar em fazer o mesmo, aqui vos deixo um pequeno relatório acerca do que se tem passado.

 

Como é que é possível fazer um semestre noutra faculdade em Portugal?

Neste quinto semestre da minha licenciatura em Ciências da Cultura, decidi abandonar temporariamente a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em detrimento da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Uma vez que o faço ao abrigo do Programa Almeida Garrett, uma espécie de Erasmus a nível nacional, apenas pago as propinas da FLUL. A UCP é a única universidade "privada" que faz parte deste programa - na verdade, o seu ensino é considerado público ou cooperativo (um meio termo, vá).

 

Por que é que escolhi participar no Programa Almeida Garrett?

Não há muitos alunos que conheçam este programa e são ainda menos aqueles que participam nele. Tenho professores que também nunca ouviram falar em tal coisa. Mas desde que li acerca dele no site da FLUL que tive vontade em experimentar a oportunidade.

Uma vez que não tenho condições para deixar de trabalhar nem para pagar uma residência, quarto ou casa noutro país, participar no programa Erasmus seria impossível para mim. Por isso, o programa Almeida Garrett, ao estilo Viagens na Minha Terra, pareceu-me uma alternativa viável. 

E eu queria era mudar de ares, experimentar outros tipos de ensino, professores, colegas, cânones académicos. O meu quarto semestre da licenciatura deixou-me exausta, muito desmotivada e farta de certas atitudes da parte de alguns professores, pelo que precisei de sair da rotina e abraçar um novo projecto.

 

Por que é que escolhi a UCP e não outra instituição de ensino universitário noutra cidade do país?

Mais uma vez, por causa do trabalho e por não ter condições para pagar alojamento fora de Lisboa, tive de me ficar por estes lados. Assim, as únicas opções a ter em conta seriam a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, obviamente, a FCH-UCP. E eu sempre quis ir para a Universidade Católica, onde até conseguiria entrar sem pagar propinas no primeiro ano - o pior seriam os dois anos seguintes. Além disso, sempre ouvi falar no seu ensino de referência e no valor que a UCP tem no currículo (apesar de a minha estadia ser curta ahaha).

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Acho que o Programa Almeida Garrett é uma oportunidade imperdível para quem quer uma nova aventura, mas mais perto de casa!

Professores do ensino superior, esta é para vocês

Pergunto-me constantemente se certos professores meus não terão a noção do quanto os alunos se estão a marimbar para as suas aulas. Será que não conseguem perceber que não chega saber a matéria toda? Que é necessário saber cativar a audiência, que não só de conhecimento empilhado se faz uma aula? Que não se concebem apresentações de Power Point com mais de meia dúzia de linhas, senão os alunos vão estar mais preocupados a passá-los do que a ouvir o professor?

Não haverá qualquer intenção de aperfeiçoamento, de se ser um melhor professor? De se ser mais eficiente? De se obedecer (minimamente) aos princípios da pedagogia?

E que tal ser obrigatório que os professores do ensino superior tenham formação para serem mais do que investigadores e profissionais conceituados da sua área? Se todos os outros a devem ter, desde aqueles que lidam com os meninos pequeninos até àqueles que lidam com os matulões do 12º...

 

 

Universidade #7 - "quais são as saídas profissionais deste curso?"

Se há coisa que me irrita, de certeza que é a converseta acerca das saídas profissionais dos cursos do ensino superior e profissional e técnico e o raio que o valha. No entanto, ontem estive a representar o meu curso e a minha faculdade na Futurália, no sector da Universidade de Lisboa, e tive de ouvir bastantes vezes a sagrada questão "quais são as saídas profissionais deste curso?". AAAAAAARGH!!!!

Amigos e amigas que querem seguir além 9º ano ou ensino secundário regular, é só isso que vos interessa num curso? É só o que depois dá para fazer? A taxa de empregabilidade e a variedade de empresas que existem onde poderão mais tarde vir a trabalhar? É só isso? Como se os cursos valessem meramente pelas "saídas"?

Então, deixem-me esclarecer-vos sobre determinados assuntos - 3 em particular.

 

1 - Queridos paizinhos obcecados pelas saídas profissionais - e que tal deixarem as vossas crias fazerem aquilo que elas realmente querem, de que elas realmente gostam? Se dependerem demasiado do que se "deve fazer", em vez daquilo que elas "pretendem fazer", vão acabar com os vossos filhos virados ao contrário convosco, potenciais frustradinhos a médio prazo, adultos infelizes e, por conseguinte, pouco propícios a serem bem-sucedidos e a lutarem pela porcaria de futuro que lhes reservaram à força. E não haverá taxa de empregabilidade que os salve! Não haverá ambição que lhes reste! Quando uma pessoa tem os seus próprios objectivos, sente outro alento e, se for necessário, vai buscar forças aos confins do mundo para conseguir o que pretende. (Crias desses paizinhos obcecados - envio toda a minha força para que consigam demovê-los das suas ambições.)

 

2 - As saídas profissionais de um curso são aquelas que o aluno conseguir criar, durante e depois do curso. Se o aluno não for competente em nada que tenha que ver com o curso, nem sequer uma das alíneas aproveitará. Lá por termos um curso do ensino superior ou profissional, não ficamos directamente habilitados a exercer uma profissão na área. Durante o curso, aprendem-se e adquirem-se outras competências menos relacionadas com a matéria leccionada. É durante o curso que se descobre aquilo em que se é bom, seja a falar em público, a escrever, a liderar grupos, a apoiar os colegas, a debitar teses académicas absolutamente brilhantes... De que me valeu dizer ao pessoal que passava por mim e me colocava a maldita questão na Futurália que as saídas profissionais são X e Y? Tudo depende da formação complementar que têm ou passarão a ter, das línguas que falam, se pensam em fazer uma Pós-Graduação, um Mestrado, um Doutoramento, se pensam ficar-se pelo 1º ciclo, depende das suas vocações pessoais, das oportunidades que surgirem, do plano de estudos que criarem em termos de cadeiras opcionais. Percebem? E aposto que isto se aplica à maioria das licenciaturas!

 

3 - O que tem agora "muita saída profissional" não será necessariamente o que terá "muita saída profissional" daqui a uns anos. As indústrias mudam. A economia altera-se. As necessidades, os serviços, os processos da sociedade estão em constante mutação. Não tem de haver um "Ciências é que é bom e Letras é mau", não tem de haver esta distinção no mercado académico, esta estúpida dicotomia. Os mercados académico e profissional são muito, muito mais do que apenas Ciências e Letras; as fronteiras entre certos domínios nem se encontram claramente divididas, empresarialmente falando. Não é tudo "pão-pão, queijo-queijo".

 

Por isso, futuros universitários, ou mesmo outros que estejam à procura da melhor instrução ou formação neste momento, não se deixem levar pela treta de conversa com que nos enchem a cabeça (pais, professores, comunicação social). Somos nós que criamos as nossas saídas profissionais, as nossas aptidões e tendências. A nossa vontade de vencer. Conheci pais de colegas que eram advogados e não era por isso que não estavam desempregados e em dificuldades, mas também sei de pessoas que terminaram cursos de Letras que conseguiram concretizar as suas ambições profissionais em pouco tempo. Também já conheço pessoas (alguns amigos meus) frustradas, por não estarem a estudar aquilo de que gostam (há até quem ainda não saiba do que gosta, mas a quem tão ainda não foi dada a oportunidade de pensar devidamente).

 

Seja como for, boa sorte e felicidades para estas pequenas grandes escolhas! Pensem muito bem antes de gastarem dinheiro e tempo de vida num projecto em que desejam investir, numa ideia que pode ter tudo para correr bem e para correr mal!

Alguma dúvida, disponham. O meu e-mail há-de aparecer algures no blogue.