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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

25/30 (os escritores e as suas personagens)

 

"The truth is that every character has a bit of me. Perhaps an obsession, or a sadness or a dilemma. It could be some kind of wistfulness or definitely a need to know a rootedness in history. So the characters are not really me." É assim que, na plataforma Masterclass, Amy Tan apresenta a relação com as personagens que cria nos seus trabalhos de ficção.

 

Este testemunho consolou-me. Há poucos dias, acabei de escrever um conto sobre o qual tenho pensado mesmo muito e cujas personagens são, sem dúvida, uma mistura de quem eu sou, de quem eu poderia ser, de pessoas à minha volta, de quem elas poderiam ser... e, em geral, as personagens são elas mesmas, como é evidente.

 

Há uma certa fixação dos leitores no que toca a apontar dedos. "Isto é sobre mim? É sobre ti? Quem é esta personagem, afinal?" Quanto mais próximos do escritor, mais as águas se agitam: é uma questão de ego, saber se algo foi escrito sobre si, o que se insinuou, a que luz terão sido retratados. Com essa fixação, surge também a impaciência de parte a parte. Amy Tan diz que, quanto mais receio alguém tem de ter sido retratado (a bem ou a mal, intencional ou não intencionalmente), menos a razão estará do seu lado. Os leitores continuam a procurar resquícios de realidade na ficção, enquanto os ficcionistas pensam no óbvio. Que maçada!

 

Como Dulce Maria Cardoso já tem mencionado em entrevistas, não precisou de alguma vez ser gorda para entender o que uma pessoa como a sua personagem Violeta sente, que dúvidas, inquietações ou pensamentos é que tem. O que interessa, diz a escritora portuguesa, é ter empatia.

 

As personagens que são inventadas por alguém que escreve são o seu autor, ao mesmo tempo que não o são. Apesar de não surgirem do vazio, precisando de ter a sua génese em qualquer plano real, não têm de ser nem o seu autor, nem ninguém à sua volta. A tentativa de identificação é infrutífera.

 

Como tal, as minhas personagens são compósitas (de tudo e mais alguma coisa), para o bem e para o mal. No ano passado, escrevi outro texto cujo protagonista é uma pessoa que conheço. Disse-lhe mesmo que tinha escrito algo baseado na sua pessoa e até na nossa relação; mas a verdade é que esse não deixa de ser um trabalho de ficção. A protagonista não é essa pessoa e, mesmo que fosse... não seria, mesmo assim! Seria uma personagem inevitavelmente misturada doutras impressões, experiências ou indivíduos que eu conheço.

 

O último texto que escrevi é um conto, e só alguns dias depois de o terminar é que concluí: eu aproveitei muitas características minhas e doutros com quem tenho contactado, além de que criei uma personagem que, apesar de morta à partida, é a que mais facilmente identificariam como sendo eu. Mas não sou. E não, eu não tenho vontade de ser a mulher feita de palavras que criei. Nem tenho vontade de ser nenhum dos sujeitos da minha cabeça que transcrevi em texto! Para isso é que a criação serve: para extravasar, para ensaiar ou inventar o que se quiser, sem nos ser cobrado ou questionado qualquer aspecto.

 

A obra é o que é. A obra não é o autor.

22/30 (quando as palavras se esgotam)

Tenho tentado cumprir o desafio do texto diário, mas tem sido complicado. Entre enxaquecas, sinusite e alergias que me impedem de me concentrar, outros textos aos quais me ando a dedicar de forma mais urgente, fazer as tarefas que me competem em casa, e o trabalho e o mestrado que têm de ser as minhas actividades principais, poucas palavras restam para espremer.

 

No entanto, eu sei que é importante escrever um pouco todos os dias. Obrigar-me a escrever, ou adormecer a tentá-lo (o que já aconteceu) tem-me ajudado a levar a cabo o lema de que a persistência é o melhor caminho. Não há talento que subsista sem dedicação, atenção, tempo e pelo menos a promoção d oportunidade para criar. É importante sentarmo-nos para podermos dar prioridade ao que mais tencionamos valorizar. Afinal, sempre se disse que de boas intenções está o inferno cheio. Escritores que admiro repetem essa ideia: o que diferencia um escritor promissor no seu início de carreira, mas que acabou por não escrever grandes obras, de um escritor que conseguiu ao fim de um certo tempo estabelecer-se no meio pode ser, só e apenas, o segundo ter continuado a insistir até conseguir produzir o trabalho desejado, depois de se frustrar, de se sentir um impostor, de trabalhar noutras áreas e de ter investido tempo a praticar e a experimentar. Claro que há outras variantes a considerar (a sorte, a liberdade financeira e intelectual, as circunstâncias da vida em geral), mas é fácil concluir que escrever não é só chegar lá e já está.

 

Por isso, insistirei até chegar aos 30 textos diários, mesmo que não sejam consecutivos. Quando as palavras se esgotam, continuamos a escrever, nem que seja a última palavra conseguida. Pelo menos, foi isso que aprendi sobre a estratégia da escrita por fluxo de consciência. É continuar lá, marcar o ponto, até que a água da inspiração (e, acima de tudo, da perspiração) volte a jorrar.

21/30 (mentores e autobiografias)

Hoje, escrevo em continuação ao que escrevi anteontem antes de adormecer (e sim, sei bem que falhei um dia do desafio, mas aqui continuo, em direcção às trinta publicações prometidas).

 

Como rematei, não encontro mentores no mundo imediato ao meu, ou com quem possa ou me sinta à vontade para falar, mas encontro palavras: autobiografias, artigos, crónicas, ensaios, testemunhos. Ultimamente, sinto que me vão guiando, que me vão enchendo as medidas do necessário.

 

Os blogs funcionam mais ou menos assim, já agora. São espaços simultaneamente egocêntricos e de partilha, um espaço criado porque o "eu" tinha algo para dizer, mas com a condição de que haja alguém para ler. Procuramos a experiência de pessoas com quem temos, ou talvez com quem queiramos ter, algo em comum. Ou através das quais possamos viver por contágio escrito-lido.

 

E não, não precisamos de ter precisamente a mesma vida dos autores dos textos que lemos. Talvez procuremos apenas consolo, manuais de instruções para existências múltiplas e alheias, soluções imaginadas para um mundo de possibilidades imaginadas, formas de ser, estar e sentir que poderiam ser as nossas e que só não o são por acaso.

 

E se...? E caso..., será que...? O que diz o outro sobre si, que lá no fundo também poderia ser sobre mim?

18/30 (escrever sobre as falhas)

Se há algo que tenho aprendido ultimamente sobre a escrita, isso será sem dúvida que o mais difícil de escrever é aquilo que mais tem de ser escrito.

 

As palavras não são presas fáceis. Devemos saber manipulá-las, chamá-las à nossa teia, enredá-las em relações inesperadas e mesmo forçadas. Aquilo que mais sinto necessidade de escrever é aquilo que não sai. Talvez não saia porque, inconscientemente, eu sei que será doloroso ler o que está na folha, será um confronto com a minha imperfeição e a imperfeição do meu pensamento, mas principalmente com a imperfeição do mundo que eu ainda não consigo comunicar.

 

Sobre o que queres escrever, Beatriz? Quero escrever sobre as falhas. Todos nós temos falhas, somos resultados de falhas e não temos outra hipótese senão ir navegando todo o falhanço que nos rodeia. Penso que é para isso que a literatura serve, para deixar um registo do que mais nos incomoda, assim como aquilo que, por contraste, mais desejamos.

 

Catarse. Escritores e leitores procuram a libertação através da explicação da ordem do mundo, esse mundo cheio de falhas e, por isso, todo ele imperfeito. É impressão minha, ou os escritores procuram, com os recursos que têm ao dispor, racionalizar o que é irracional?

 

É por isso que me custa tanto escrever. Eu tenho muito medo de encarar a falha, quer a que materializo, quer a que fica por materializar. No fundo, eu sei que faço parte e que quero contribuir activamente para um processo que nunca terá fim, quiçá anti-catárctico.

10/30 (o prazer de estudar Letras)

No episódio 9 do podcast "Louco Como Eu", a jornalista e escritora Susana Moreira Marques entrevista Rita Taborda Duarte, também ela escritora, crítica e professora universitária. Tenho acompanhado este podcast com grande alegria e entusiasmo, porque não há nada mais interessante para quem gosta de escrever do que ouvir escritores a falar sobre a sua experiência enquanto escritores, mas também leitores.

 

Neste episódio em particular, Rita Taborda Duarte fala sobre a alegria que foi, enquanto estudante de Letras, saber que estava a "estudar" enquanto lia livros, sem a culpa por estar a divertir-se. A incredulidade por estudar ser aquela actividade que lhe dava imenso prazer. E eu, ouvinte assídua e atenta, também antiga (e actual) estudante de Letras, conheço tão bem essa sensação! No mestrado (bem... nos mestrados) já não é tão fácil sentir essa liberdade e riqueza de opções, porque os temas de estudo são mais específicos, mas passei os três anos da licenciatura com a impressão de que não poderia ter feito escolha mais acertada do que aquela, a de entrar num curso que me enchia as medidas, que tanto me saciava e me espicaçava a curiosidade. Eu fui o que já ouvi Djaimilia Pereira de Almeida apelidar-se a si mesma: uma leitora omnívora.

 

Assim fui uma privilegiada. Não tendo ficado isenta de uma dose de sacrifício para manter boas notas por causa duma bolsa de estudo (além de ter objectivos que realmente vieram a depender da minha média final de curso), e ter de trabalhar e estagiar em simultâneo, tive três anos muito felizes.

 

Poder ler o que eu tenho lido por motivos de estudo é uma obrigação muito bonita. Poder transformar leituras inicialmente desinteressadas em ideias de escrita e investigação é uma expectativa que quero continuar a ter para o resto da vida.

1/30 (cá de cima)

Decidi escrever pelo menos 200 palavras por dia no blog, durante um mês. Inspirada numas modas que vi passarem pelo Twitter, proponho-me a exercitar o músculo da observação, do comentário e da palavra inteira. Outro objectivo é apenas escrever e habituar-me ao uso do "melhor feito que perfeito". Assim dito, assim escrito, assim começo! Sem edição ou revisão.

 

Mudei-me há três meses e uma semana para uma vila no interior, como já aqui contei. Não obstante as circunstâncias actuais, o contexto, as condicionantes, acho que nunca gostei tanto de viver num sítio como gosto de viver aqui. Para quem já morou no centro de uma metrópole com dez milhões de habitantes, morar no centro de uma vila histórica com sete mil, mesmo que numa avenida principal e vizinha de não uma, não duas, mas três esplanadas é um descanso. Também já morei perto doutra avenida principal, num subúrbio, e também já morei num bairro à beira de um pinhal. Mas aqui é que eu gosto de estar.

 

Escrevo este texto sentada no sótão, que é como quem diz, no terraço acima do sótão. A brincar, chamo-lhe um rooftop, como se ensaiasse o conceito que me apaixonou do cimo de prédios com 45, 50, 55, 60 andares em Banguecoque. Pois ensaio, e ensaio bem. Daqui de cima, vejo as pessoas a passar, a passear e a conversar nas três esplanadas da que eu considero ser a melhor esquina de Portugal.

 

Cá de cima, também vejo telhados, telhados e mais telhados. E o castelo. E a torre da igreja do castelo. E os ramos de uma árvore centenária que cresce em direcção ao infinito, ramos densos, verdes e ricos onde se escondem os ninhos da passarada que me empresta banda sonora o dia inteiro e espectáculos aéreos nestes fins de tarde primaveris.

 

Cá de cima, escrevo. Como é óbvio. E leio, e procrastino o jantar, como hoje, como agora.

 

Mas já comia. Amanhã continuo. Este mês continuo.

Porque escrevemos?

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Porque escrevemos? De onde surge esta necessidade de traduzir pensamentos efémeros em letras, palavras, textos que acabam registados no papel (ou num ficheiro digital)?

 

Na próxima terça-feira, dia 29 de Setembro, às 21:00, vou mediar uma discussão com o tema "Porque escrevemos?" (cliquem para mais informações)

Por exemplo, José Luís Peixoto diz que escreve para tentar encontrar sentido no caos. João Tordo escreve para compreender os outros e para se compreender a si mesmo. Joan Didion explica no seu artigo "Why I Write" que precisava de escrever para descobrir os seus pensamentos - afinal, se alguma vez tivesse tido acesso à sua própria mente, não teria sentido falta da escrita.

E da vossa parte, o que responderiam?


Nesta discussão mediada por mim, iremos partilhar as razões pelas quais escrevemos. Assim, relembraremos o que nos motiva a voltar a pegar no caderno ou a abrir o processador de texto, o efeito que a escrita tem nas nossas vidas e como podemos aprender e viver tanto através dela.

 

 Se se quiserem juntar, enviem-me o vosso e-mail para olaescritacriativaportugal@gmail.com. Até lá!

A felicidade da escrita

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Pega na caneta. Pega no caderno. Escreve. Talvez prefiras o computador ou o telemóvel. Talvez gostes de guardar o texto para ti ou de o partilhar com os teus amigos, talvez na Internet. O que interessa é que escrever te faz feliz, não é? Por que será? Que magia tem a palavra materializada no papel?

 

A verdade é que escrever não é coisa de adolescentes, nem de artistas, nem de gente sentimental. Escrever é das terapias mais baratas de sempre, é gratuita. Escrever faz realmente bem à saúde. Ainda por cima, podemos fazê-lo em qualquer lado, a qualquer hora, sozinhos ou acompanhados, na cama antes de dormir, à hora de almoço no meio da cantina, no nosso diário predilecto ou no verso duma folha de rascunho.

 

Tal como a confissão oral, pela conversa ou pelo desabafo, também a confissão escrita tem benefícios para o nosso bem-estar e, mais do que isso, efeitos surpreendentes na condição física humana. Somos mais saudáveis quando nos expressamos, mesmo se o fizermos exclusivamente na nossa própria companhia. Pode ficar tudo só para nós, e mesmo assim sentimos todos esses efeitos.

 

Há mais de 30 anos que se estuda a escrita expressiva: o acto de escrever sobre emoções, pensamentos, eventos, quiçá traumas, ajuda-nos a reorganizar a narrativa pessoal, diminui a sua intensidade emocional (aquele fulgor, aquela obsessão que nos assombra ou que tentamos reprimir) e permite-nos conhecer melhor a nós mesmos. Enquanto pensamos nas melhores palavras, racionalizamos, revisitamos e ordenamos ideias. Escrever é como uma conversa privada em que nos exploramos. Quem somos? O que sentimos? Como o sentimos?

 

James Pennebaker foi o primeiro a descobrir que estes exercícios de escrita diminuem o stress, aliviam a ansiedade, reforçam o sistema imunitário e, por isso, previnem o aparecimento, progressão ou reincidência de certas patologias - por exemplo, tensão alta, cancro, artrite ou ataques cardíacos. Outros investigadores seguiram as suas pisadas (como Laura King e Megan C. Hayes), e agora temos a certeza de que escrevermos sobre emoções, pensamentos e eventos - negativos e também positivos - nos traz um boost ao bem-estar, à semelhança dum bom sumo vitaminado ao pequeno-almoço.

 

Expressar e fazer sentido do que nos vai na mente é o melhor remédio para pararmos de ruminar, resolvermos problemas, dilemas ou simplesmente para apreciar e relembrar os melhores momentos da nossa vida. Afinal, as emoções positivas e a diminuição do stress potenciam a aprendizagem, a atenção, a criatividade e a resiliência.

 

Depois de lerem este texto, convido-vos ao seguinte: peguem na caneta, peguem no caderno, ou liguem o computador ou o telemóvel. Escolham uma (ou várias) propostas que vos deixo aqui: mas escrevam. Escrevam sobre a vossa recordação favorita ou sobre a maior lição de vida que já aprenderam. Escrevam sobre o amor que sentem por alguém. Escrevam sobre o que mais vos inspira. Escrevam sobre a serenidade, a esperança, o orgulho ou a gratidão. E, se não acreditarem que escrever tem este poder incrível, sempre podem pensar que "mal não faz". Vamos a isso?

 

***

 

Para o próximo dia 10 de Outubro (Sábado), eu e a Andreia Esteves estamos a preparar um workshop de Biblioterapia e Diário Positivo. Se estiverem interessados, encontrem toda a informação aqui e inscrevam-se aqui. Também temos um evento no Facebook e no Meetup.

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Hotel do Parque, Curia - o destino ideal para uns dias a ler e a escrever

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O Hotel do Parque, na Curia, foi inaugurado em Julho de 1922. Aos 98 anos de idade, dá-nos o conforto dum bisavô meio esquecido do passado, sonolento, enrugado, mas cheio de histórias, ou não fosse a sua decoração ao estilo Belle Époque, como nas séries Downton Abbey e A Espia (na verdade, esta última foi mesmo gravada no Hotel do Parque).

 

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Situado numa rua cheia de hotéis, incluindo o Hotel Termas da Curia, o Hotel do Parque destaca-se por ser o mais pequeno dos edifícios, parcialmente coberto de hera nas paredes exteriores e rodeado de árvores e arbustos por todos os lados. Quando passámos à sua frente pela primeira vez, ainda perdidas e abandonadas pela falta de sinal do GPS, a minha avó exclamou a brincar “é esta casa que eu vou comprar”. E não é que foi precisamente aqui que passámos estes últimos cinco dias?

 

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Inicialmente, escolhi o Hotel do Parque por me parecer o sítio ideal para vir sozinha escrever, ler e descansar, baseando-me numa recomendação blogosférica. Entretanto, a minha avó decidiu também vir comigo, alterei a reserva de uma para duas pessoas e ambas confirmamos: o Hotel do Parque fica numa zona calma, bonita, verde, silenciosa, central. Felizmente, os hóspedes com quem nos cruzámos respeitavam o espaço uns dos outros e conseguimos estar horas e horas na piscina ou no salão sem mais ninguém.

 

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(Tenho ainda a destacar que, nestes tempos em que o distanciamento social é necessário, o Hotel do Parque tem todas as condições e segue todas as medidas de prevenção ao contágio por coronavírus - assim como os restaurantes e pequeno comércio e restaurantes muito acessíveis e variados.)

 

Ao pequeno-almoço, comemos no buffet incluído no preço da estadia, do qual recomendo especialmente o pão de cereais e os bolos feitos pela proprietária, a D. Maria João. Ao almoço e jantar, ora comemos num restaurante a três minutos a pé (com pratos do dia bem confecionados e baratos), ora comemos no próprio hotel, onde é servida comida mais leve, como tostas, saladas, hambúrgueres, bebidas e outros snacks.

 

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Quanto aos espaços, todos são preciosos. Os corredores nos dois pisos são uma caixinha de surpresas para os apreciadores de loiça antiga; o salão (sem televisão) é o poiso ideal para ler e escrever nas horas de maior calor e depois do jantar; a piscina e o jardim entretêm miúdos e graúdos; os quartos são frescos, fofos e acolhedores para boas noites de sono. A cada esquina, embarcamos numa viagem de regresso ao passado, onde reina o saudosismo e uma atmosfera romântica do início do século.

 

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Pela sua antiguidade, o hotel precisaria de uns arranjos aqui e ali, o que justificará não ter mais estrelas do que 2*. Os canos são mais ruidosos, o papel de parede descola nalgumas pontas, o soalho e os armários rangem, as colchas têm buraquinhos… Só que, tal como se ele fosse uma pessoa, gosto ainda mais deste hotel vivido, imperfeito e com vestígios dos anos, do que se tudo fosse previsivelmente perfeito.

 

Last but not least, o Hotel do Parque colecciona uma data de pormenores curiosos, mas o meu preferido é a tentativa de preservação do património histórico, mas também familiar. O Hotel do Parque pertence à mesma família há quatro gerações, três das quais servem e convivem com os hóspedes ainda hoje – a D. Maria João, que nos recebe e está sempre atenta aos nossos pedidos e perguntas; o filho Zé Pedro, que acumula funções de cozinheiro, restaurador, handy man e cuidador da horta; e a mãe, D. Alda, que vamos vendo pela sala ou pelo jardim. O resto dos funcionários do hotel, incluindo a Joana, as senhoras que servem o pequeno-almoço e as que fazem as limpezas, só nos confirmam o quão agradável é estarmos neste cantinho e nem sentirmos necessidade de sair.

 

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Sentimo-nos muito bem acolhidas e aconchegadas, por isso todas as nossas recomendações são poucas. Nem o facto de termos de fazer 300km de estrada será suficiente para não voltarmos cá assim que possível, agora que descobrimos o Hotel do Parque. As estadias por noite rondam os 30€ poe quarto individual, 50-60€ por quarto duplo, ou 60-70€ por quarto triplo.

 

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(Ainda por cima, ficámos de ir ao Buçaco, ao Luso, Aveiro e Coimbra nas próximas visitas, já que acabámos por permanecer sempre no hotel.)

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Sobre a pandemia, as novas dinâmicas sociais e a saúde mental

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Esta semana, escrevi um texto para o P3 sobre uma data de coisas que sinto, e que imagino serem comuns a muitas outras pessoas. Pelos motivos que lá partilho, também me tem sido difícil escrever no blog com tanta assuidade quanto penso ser ideal. No entanto, tenho vontade de continuar a escrever, mesmo que nem sempre tenha a inspiração suficiente ou temas interessantes para um texto com sentido. Assim... Aqui vos deixo o texto do P3, é só clicarem - ou procurarem-no na secção do Megafone!

 

Espero que continuem por aí, e que estejam a aproveitar o Verão.