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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O fim do "viveram felizes para sempre"?

Ultimamente, tenho andado a lidar com estatísticas. Primeiro, por causa de um trabalho no curso de escrita de não-ficção; agora, por causa da cadeira da faculdade de Sociologia da Comunicação. E há estudos para tudo, sobre tudo. Se uma pessoa tiver curiosidade, qualquer pessoa mesmo, encontra facilmente informação variada acerca de qualquer aspecto da vida dos portugueses, dos europeus ou até da população mundial em geral. Desde que se analisem os dados a partir de uma perspectiva crítica e se saiba distinguir estudos da treta de estudos que valem a pena, os depositórios de estatísticas online (por exemplo, o site do Instituto Nacional de Estatística ou o PORDATA).

Hoje, enquanto eu procurava informação sobre os portugueses e as televisões, ou o meio pelo qual assistem aos programas televisivos, encontrei um estudo do mais comum possível, pelo meio da (má) filtragem: Número de divórcios por 100 casamentos em Portugal. Nem sequer é um estudo fora do comum, são estatísticas fáceis de obter... No entanto, os resultados deixaram-me perplexa:

casam.png

Como assim, mais de 70% dos casamentos, em Portugal, acaba em divórcio? Como assim, nos dias que correm, 7 em cada 10 casamentos não vão avante, não cumprem o "para sempre" implícito em toda a pompa e circunstância da cerimónia, da celebração ou simplesmente do acto de assinar os papéis?

Será que o "viveram felizes para sempre" perdeu a sua validade? Como é que as gerações mais novas ou vindouras podem continuar a acreditar no amor verdadeiro ou - pior - na estabilidade emocional, depois de se chegar a tais conclusões?

Reconheço que estou a colocar demasiadas questões, provavelmente a mostrar o meu lado mais sensível e fosquinhas no que toca ao amor e às relações humanas, mas é possível ficar-se indiferente depois de se saber que, em 2012, a taxa de divórcio no nosso país foi de 73,7%?

Na minha família próxima, o último casal mais ou menos perfeito foram os meus bisavós. Diz a minha avó que foram sempre os melhores amigos, que nunca lhes faltava tema de conversa. Pelo meio houve problemas, mas foram relativamente bem sucedidos, até que o meu bisavô faleceu um ano antes de eu nascer. De resto, as histórias envolveram sempre separações conturbadas, noivados cancelados, filhos levados na onda, facadinhas pelo meio... Nem os pais da maioria dos meus amigos conseguem manter casamentos 80% equilibrados, felizes. Sou uma romântica incurável, mas sem referências nem exemplos para os quais possa olhar em busca de alento. O amor contínuo, o companheirismo, a estabilidade, a confiança, a foleirice... Onde andam eles? 

É claro que mais vale só do que mal acompanhado, é claro que, quando já não resta nada por que lutar, por que esperar, o melhor é cada um ir para seu lado e seguir o seu caminho, talvez com outra pessoa com a qual se seja mais feliz. É claro que as estatísticas não reflectem muitos casos que são "mudos", que não são revelados nas estatísticas. As uniões de facto. Os namoros. Aquelas relações que não têm "expressão" oficial.

 

Seja como for, há que manter a mente em aberto, sem estereótipos, e limpa de estatísticas. Livre de maus exemplos, livre do que outros fizeram ou deixaram de fazer. Senão, como é que alguém se pode abstrair do histórico de família, do histórico nacional, do histórico - porventura - mundial? Há que ver o copo meio cheio, a todo o custo: cerca de 3 em cada 10 casamentos mantém-se. Com sorte, pode até acontecer que dois deles sejam constituídos por duas pessoas que são os melhores amigos um do outro.

As 5 publicações mais procrastinadas dos últimos 6 meses

  1. Desertora de praxes - AQUI! - 426
  2. Assalto no Parque da Bela Vista - 422
  3. Das minhas (graves) patologias - 317
  4. O Massacre não massacrou muito - 225
  5. Temos caloira! - 118

Percebe-se porquê. Excepto a número 2 e a número 3, as outras fazem todas parte da minha transição secundário-faculdade, um assunto a que tenho dado bastante ênfase pelos motivos óbvios e que tem levado a alguma partilha de experiências e discussões da parte de quem está atento a este tipo de publicações. Além disso, das cinco, só a última é que não foi destacada pelos Recortes do Sapo. O certo é que a maioria delas corresponde às que eu mais gostei de escrever, portanto parece que fui bem-sucedida a passar a mensagem pretendida!

Outrora, fui uma pessoa ressabiada. Só posso ter sido!

Isto das estatísticas e do que elas revelam acerca do que é mais visto no nosso blogue é tudo muito engraçado, mas também tem o seu quê de ruim. Ruim, porque uma pessoa vai esquecendo o que escreve. Ruim, porque faz a pessoa lembrar-se do que escreveu. Ruim, porque uma pessoa muda e depois, comparando-se com o que era há três dias atrás, estranha e não simpatiza com a pessoa que já foi, outrora. O melhor exemplo que vos posso dar é esta publicação, de Abril de 2012 (há cerca de ano e meio atrás), que tem sido visitada algumas vezes, em que não me reconheci minimamente - logo eu, que ando toda contente e lamechas e fofinha da vida, cheia de amor para dar e com o ego inchado de tanto o receber! Portanto, para que fique tudo esclarecido, eu agora quero é que toda a minha gente seja muito feliz, tenha uma vida amorosa do mais foleiro possível, com muitos beijinhos, abracinhos e muitos bebés (a seu tempo, é claro) e que me perdoe a indelicadeza de solteira ressabiada que, noutra era da minha vida, decidi espalhar por este mundo. Shame on me.