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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Gosto tanto de viajar sozinha!

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Falta uma semana para me pôr daqui para fora... Que é como quem diz... Vou dar uma volta, arejar as ideias. Gosto muito de viajar, e gosto muito de viajar sozinha. De vez em quando, faz-me falta estar só, só porque me apetece. Além disso, para mim, uma viagem marca quase sempre um reinício, porque são mais ou menos férias, mas porque é mais um sítio que se conhece, que dá a conhecer outras sensações e emoções, onde tenho de pôr em prática competências e características que são redescobertas.

 

Desta vez, também é uma cidade nublada. Era suposto voltar à Escócia, mas os vôos estavam muito caros, não tenho muita vontade de ir ao Reino Unido durante a trapalhada que deveria ser o período oficial do Brexit, e assim sempre conheço um país onde nunca estive, mas sobre o qual tenho curiosidade. Há uma aura mística, escura, fria e húmida que me atrai nos países mais a Norte, que anuncia renovação, rejuvenescimento, isolamento necessário para pôr as ideias em ordem e realinhar ambições e crenças, que convida à introspecção, conversas com a própria da minha pessoa, austeridade nos pensamentos, libertação sem pressão... Este tipo de clima é absolutamente contrário ao que me atrai no resto dos meus dias (que eu sou mais do sol e do céu limpo), por isso deve ser o contraste a convidar uma mudança temporária de paradigma, desejada.


Provavelmente, se tivesse companhia, faria esta viagem acompanhada. No entanto, adoro planear viagens sem mais ninguém. Se viajasse acompanhada desta vez, iria quase de certeza planear outra aventura em breve, só pelo prazer de ser deixada em paz por alguns dias. Talvez por ser filha única, e ter sido uma criança solitária, talvez porque simplesmente adoro a minha independência e o meu espaço (mais uma vez, contrastando com a procura de quem me acompanhe na vida a longo prazo), estou tão entusiasmada por, um ano e meio depois de Edimburgo, poder explorar mais uma ou duas cidades, paisagens tão diferentes.


Em suma, gosto de me sentir estrangeira de vez em quando, como uma espectadora do mundo e de quem sou durante o resto do ano. Assim, recomendo a todas as pessoas que dêem um pulinho a um sítio onde se sintam assim, estrangeiros, quando precisam de ganhar objectividade sobre si mesmos e a vida rotineira que levam em solo-casa (desejável e desejada, desde que com peso e medida). Não há nada como sentirmo-nos deslocados para repensarmos no que andamos a ser e a fazer. Curiosamente, as minhas últimas viagens, até dentro do país, sozinha ou com outras pessoas, dão a impressão de separarem diferentes fases que ora terminam, ora começam. É poético q.b., mas também a vida deve ter a sua dose de poesia, como a métrica dum soneto. Há pausas que nos devolvem o fôlego, e eu preciso duma com certa urgência.

 

Let there be light, diz a fachada da Biblioteca de Edimburgo, uma frase que me acompanha desde que lhe pus os olhos em cima. A luz são os livros, as viagens reflectidas, as pessoas que vamos conhecendo, as ambições e o conhecimento que promovemos e criamos. A luz até pode existir no Inverno ou numa cidade na penumbra. Nunca sei muito bem do que vou à procura, mas alguma coisa hei-de encontrar. Tem sido sempre assim, um bocado às claras e às escuras.

 

E agora... Onde vou, onde vou? Para um sítio onde o chocolate quente deve saber ainda melhor, pois claro. ☕

Paris há três anos

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Estive em Paris há três anos. Foi a minha primeira viagem "de crescida" (será lamechice escrever isto?). Na altura fiquei muito orgulhosa por fazê-la, uma vez que também fui eu que a paguei e organizei. Quero muito lá voltar, depois de algumas outras viagens que ainda me faltam cumprir. Na altura, fui com a Inês e foi muito especial poder ir com ela. Aos 12 anos, combinámos que haveríamos de fazer um cruzeiro aos 18. Foi mais um cruzeiro de avião, mas... água não faltou!

 

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A visita a Versalhes foi a minha parte favorita. Fiquei deslumbrada e fiquei sempre a pensar "e se tivesse ido num dia menos movimentado, será que teria aproveitado mais?". Estava imenso frio e vento, mas esteve quase sempre sol e pudemos visitar todos os sítios que queríamos - e mais alguns, visto que apanhámos uma greve dos aeroportos franceses e ficámos mais um dia ou dois do que o previsto.

 

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Também adorei a Ópera Garnier, mais do que o Louvre, e ainda me sinto ofuscada por tanto ouro, mesmo depois deste tempo todo! Há sítios e imagens que nos ficam na cabeça.

 

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Tenho pensado... como assim, já passaram três anos? Até parece estranho. As viagens quase que servem de marcos na vida. Entre esta viagem e aquela, aconteceu tal e tal. Desde que vim daqui e dali, isto e isto deu-se. Portanto, há que encher a vida de viagens! Para mim, são como os pregos que sustêm as fiadas de eventos na sucessão dos dias. Mal posso esperar pela próxima. Até lá, ficam as memórias das anteriores.

 

E vocês, quais foram, são ou seriam as vossas viagens de sonho?

Até já, Paris! Até já, Europa!

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Fotografia tirada em Abril de 2015, durante a minha primeira viagem a Paris.

 

Fui uma sortuda por ter tido a oportunidade de visitar Paris no início deste ano. Terá sido uma das últimas boas alturas para viajar nesta década, principalmente para uma grande capital europeia.

Estive em Paris em Abril. Em Janeiro tinha acontecido o atentado ao Charlie Hebdo, mas foi principalmente a partir do Verão que a tensão entre a Rússia e a Ucrânia atingiu o seu auge, e que mais ameaças de bomba começaram a sentir-se por todo o continente, e que mais aviões começaram a cair. Depois da última sexta-feira, 13 de Novembro, creio que Paris não voltará a ser a mesma durante alguns anos, talvez nem a Europa. Alterou-se o contexto. Alterou-se a paisagem. Pelo menos, sei que tão depressa não viajarei de avião, ou para outra grande cidade, com a mente despreocupada e despovoada de pensamentos negativos e lembranças das imagens que tenho visto na televisão. Se em Abril já tentei evitar ajuntamentos grandes de pessoas em Paris, nos próximos meses nem sequer tencionarei sair de Portugal. Ainda bem que me enchi de viagens antes desta realidade se revelar: Frankfurt, Riga, Paris, Bruxelas, Edimburgo, Newcastle...

Tive muita sorte em ter conhecido todas estes centros europeus e Paris no fim de uma época de relativa segurança garantida. Após os ataques ao Bataclan, após essa ameaça ao estilo de vida e aos ideais franceses de arte, cultura, fraternidade, igualdade e liberdade, a cidade terá já adoptado um comportamento social que não o original. Aliás, duvido que alguma cidade da Europa se volte a sentir 100% segura de ora em diante (já não sentia, devido aos acontecimentos das últimas décadas, só que o pessoal já se tinha quase esquecido que o terrorismo chega a todo o lado).

Já tardava: refugiados

Palavra de honra que tenho procrastinado este tema a valer. Refugiados para ali, refugiados para aqui, mas são migrantes ou são refugiados, com que teorias devemos concordar, quem tem razão, primeiro nós ou primeiro eles, seremos todos farinha do mesmo saco, e os direitos humanos...???

Consegue-se perceber a minha indecisão desse lado, não é verdade?

Entretanto, o meu ano lectivo iniciou-se. Isto até poderia não vir nada ao contexto, mas olhem que vem mesmo, não estudasse eu Comunicação e Cultura e não andasse a tentar perceber há quase três anos o que nos torna quem somos, o que forma a nossa identidade, o que nos torna tão diferentes mas tão iguais. E há quase três anos que me sinto cada vez mais inquieta, mas é normal - é isso que se pretende do estudo, deixar-nos cada vez mais inquietos, a interrogar o mundo com insistente curiosidade.

E, ao fim de quase três anos, surge uma questão concreta que urge ser resolvida na minha cabeça, que vem colocar em causa a minha ética pessoal e o meu sentido de respeito pela humanidade: os refugiados-barra-migrantes devem ser alojados na Europa? Ou devemos arranjar maneira de os voltar a enviar para o país deles? Com tanta pobreza na Europa, com esta crise maluca (económica, financeira, mas também social), é sensato acolhermos mais pessoas, milhares delas, correndo o risco de criar ainda mais instabilidade e insustentabilidade? (Uma só questão multiplica-se em várias.)

Portanto, como eu dizia, comecei as aulas na semana passada. Este semestre, tenho até uma cadeira chamada Comunicação Intercultural. A relevância de tudo isto é que foi a ler os primeiros documentos para esta disciplina que me apercebi de que a resposta que consigo arranjar até ao momento pode ser alcançada com algum discernimento. Ler avivou-me a memória e o raciocínio.

Queridos leitores deste blogue, o meu dilema encontra-se cada vez mais próximo de uma resolução: sem dúvida que todas estas pessoas têm vindo a sofrer muito. Claro que merecem ser tratadas consoante as premissas da Declaração dos Direitos Humanos, têm direito a viver onde quiserem e a receberem um tratamento digno (água, comida, alojamento, ensino and so on). O problema é que - estejamos muito conscientes disto - é incomportável acolher tantos indivíduos no seio de uma cultura tão diferente da deles. É incomportável para os que acolhem, mas também para os que são acolhidos. 

O entendimento entre comunidades será difícil, muito difícil. A médio prazo, podemos "ter" de vir a acolher números astronómicos de pessoas que não falam a nossa língua, que não partilham dos nossos princípios, que não vieram ali de França ou da Eslovénia (comunidades com raízes culturais próximas das de outros países europeus). E o problema não se resume a nós adaptarmo-nos a eles. Também se resume a eles adaptarem-se a nós. Entendem que nenhum dos partidos se encontra preparado para conviver, certo? Ou, se se encontra preparado apenas mentalmente para uma grande mudança em termos do que chamam a "mentalidade", até todas as mudanças serem operadas ainda hão-de ser precisos alguns anos, talvez gerações, até que a assimilação seja completa, até que possamos todos viver em relativa paz uns com os outros.

Entretanto... Entretanto, corremos riscos. Calculo que os problemas imediatos se venham a transformar em problemas sérios a médio e a longo prazo. O racismo e a xenofobia de certos contingentes da população que acolhe também podem ser sentidos pela população que é acolhida, já pensaram nisso? Será que ambos se saberão acomodar mutuamente? Porque, se não souberem, verificaremos outros problemas de "segunda geração" ligados à exclusão social (insustentabilidade das instituições de apoio, desemprego, fraco rendimento escolar dos mais jovens, aumento da quantidade de guetos e bairros sociais, aumento da criminalidade).

Atenção, não estou a dizer que os indivíduos refugiados são criminosos. Estou a dizer que "a ocasião faz o ladrão" em determinadas circunstâncias - querer alimentar um filho, exigir o cumprimento dos seus direitos, reagir à hostilidade de quem não os vir com bons olhos...

Porque foi isso que vi nalgumas reportagens que passam diariamente na televisão: os migrantes refugiados a imporem-se perante funcionários das fronteiras (nomeadamente, da Húngria), que apenas faziam o seu trabalho. Os migrantes refugiados a trazerem famílias numerosas e a exigirem quase os funcionários das fronteiras lhes dêem uma mãozinha, um copo de água e um prato de caviar, em vez de os tentarem parar de entrar em território onde, oficialmente não é permitido entrarem (mais uma vez, cumprindo o seu dever). Pois, há direitos e também há deveres.

É-me muito difícil pensar sobre este tema, expor a minha opinião, sem sentir que continuo a não saber a história toda, que só estou a ver o cenário parcial de todo este frenesim, sem sentir que nenhuma opinião - quanto mais a minha - conseguirá resolver este problema que calhou nas mãos da humanidade nos últimos meses.

Continuo a achar que todas as pessoas são cidadãs do mundo, independentemente da sua cor de pele e da sua origem cultural, que todas têm direito a viver com dignidade e estabilidade, que todas têm direito a procurar as melhores condições de vida, onde quer que seja. Mas isso é impraticável nas circunstâncias que se apresentam, não é? Quase parece que estamos a ser invadidos, só que por pessoas que, tal como nós, não têm (em princípio, acredito eu de maneira inocente) a intenção de nos causar prejuízo de maneira alguma. Já vimos isto anteriormente, tanto com a emigração portuguesa transversal a tantas das últimas décadas, quanto com as comunidades do antigo Ultramar que procu(ra)ram refúgio em Portugal, quanto com qualquer outro tipo de migração (à sua maneira, todos os migrantes procuram refúgio, quer migrem dos Açores para os EUA, quer migrem de Aveiro para Braga).

 

Deixo um apelo aos leitores deste texto: não tentem interpretar mal a minha opinião. Esta é a minha opinião literal e eu abro espaço para tentar compreender outros pontos de vista. Estou receptiva aos vossos comentários. Este é um tema polémico, cada um tem tentado atirar a sua posta de bacalhau, a sua acha para a fogueira - tal como eu. E reservo-me ao direito, como todos os opinadores de bancada, a alterar a minha perspectiva acerca do assunto, mesmo depois de ter escrito um texto enorme sobre ele. Lá está: escrevi-o hoje, dia 14 de Setembro de 2015, mas no dia 17 de Outubro de 2020 ou no dia 30 de Fevereiro do ano de São Nunca, à tarde, já poderei considerar o tema com outro olhar.

Ir a Paris por 200€ (ou menos) #1

Depois de alguns pedidos e da resposta positiva à sugestão que deixei no fim da publicação "1 semana em Paris!", o prometido é devido e cá nos encontramos para uma partilha de dicas acerca de como viajar sem gastar muito dinheiro. Neste caso, venho contar-vos como consegui ir a Paris por 200€.

Ainda ontem, na aula de Cultura Visual, a minha professora fez uma observação que em tudo é verdadeira: a geração mais nova, aí dos 15 aos 35 anos (se tanto), já faz parte de uma categoria de turistas bem diferente àquela a que pertencem os nossos pais. A nova geração é a dos viajantes backpackers, ou seja, dos turistas de mochila às costas, que querem é viajar e conhecer sítios novos, ainda que sem quaisquer luxos ou comodidades associadas à viagem e estadia. Não é tão verdade? É, sim senhor. Somos a geração low cost, desde a Primark até à Easy Jet, passando pelo Self Discount do Jumbo e pela Hora H da Feira do Livro de Lisboa.

Adiante, que se faz tarde. Seguem-se umas quantas dicas sobre como ir a Paris por 200€ (ou menos)!

Aviso já que o texto será longo - e apenas sobre a viagem de avião e o alojamento, com continuação noutra publicação (alimentação+circular na cidade).

 

Um dia monto uma agência de viagens!

 

1. Reservar um vôo

Em vez de perderem tempo a consultar o site de cada companhia aérea de cada vez, recomendo-vos o Sky Scanner, uma espécie de motor de busca de vôos operados por todas as companhias e mais algumas.

 

 

A Suzi

Não percebo porque é que implicam tanto com a rapariga. A representante de 2014 no Festival da Eurovisão, Suzi, não é assim tão má. A música não foi assim tão má - muito pelo contrário, nem sequer era assim tão pimba quanto me faziam parecer, antes de ter visto a transmissão eu mesma. Era animada, era em português e a miúda é gira, que é o que se quer. Não percebo mesmo qual é o problema. E nem sequer venham falar de qualidade! Acham que os países que levaram pop-rasca (Hungria, Suécia, Holanda e amigos) foram melhores? Que representaram melhor o seu país com músicas de funeral, ainda por cima cantadas em Inglês, não mostrando individualidade nem criatividade nenhuma? Olhem, ao menos nós levámos algo "nosso", o que chamam de "pimba", e cantámos na nossa língua. Se não vão com a cara da rapariga, isso é outra coisa. Agora porem-se a dizer que Portugal não foi qualificado ontem para a final por causa dela, isso não tem sentido nenhum - até porque sabemos todos muito bem que grande parte da selecção dos pré-finalistas, finalistas e vencedores tem imenso de política e não necessariamente de avaliação da qualidade musical, pelo que Portugal dificilmente seria qualificado.

Vejam e opinem... Se calhar, até é mesmo de mim, mas eu já nem sei. Acho que, em geral, as opiniões têm sido injustas. O que acham?

 

E, já agora, deixo aqui o vídeo da actuação de que mais gostei. A música era linda, a língua materna do cantor não foi desprezada e, mesmo assim, ele não deixou de ser qualificado: Sergej Ćetković, a representar Montenegro:

Dos outros #28

Portugal é um país «pequenino», implacavelmente situado na região anal daquele apóstolo que traiu Jesus (...). Em primeiro lugar, Portugal tem de ser extrema e intransigentemente «snob». A atitude certa é a do velho fidalgo que, depois de se ter cansado do Império, se decidiu a regressar a casa e cuidar do seu jardim. Foi Portugal, afinal de contas, que aliciou a Europa para as grandes aventuras coloniais com as quais os grandes países europeus enriqueceram."

Miguel Esteves Cardoso, crónica "Europa", in A Causa das Coisas