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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

apenas uma observação


" Mas, olhem, eu sou feliz. Cada um é como é e relaciona-se com quem mais se identifica. Não precisamos de ser os mais em tudo nem ter sempre o melhor. O que interessa, realmente, é não enveredarmos por maus caminhos ou fingirmos ser quem não somos, até chegarmos a um ponto em que nos esquecemos da nossa verdadeira essência. "


 



Este pequeno excerto pertence a uma das publicações dos últimos dias, mas sinto que talvez possa ter escapado a algumas pessoas. Lembrei-me de voltar a publicá-lo quando estava a rever as entradas de posts menos recentes. São palavras que escrevi com a maior das sinceridades e, de tudo o que publico neste blogue, penso que é algo a destacar. Espero do fundo do coração que nenhum de vocês perca a sua "essência", pois é ela que vos torna diferentes e especiais do resto do mundo, o que vos dá realmente valor.

ela sou eu



" Começou outra vez a andar para sul, em direcção ao monte artificial que ligava a cidade velha e a cidade nova. Vive cada dia como se fosse o último, era esse o conselho convencional, mas francamente, quem tinha energia para tal coisa? Então e se chovesse, ou se estivesse com dores do período? Não era prático, pronto. De longe, melhor procurar simplesmente ser-se bom e corajoso e arrojado e fazer alguma diferença. Não era exactamente alterar o mundo, era só o pedaço à volta. Sair para o mundo com paixão e a máquina de escrever eléctrica e trabalhar no duro a fazer... qualquer coisa. Mudar vidas por meio da arte, talvez. Estimar os amigos, permanecer-se verdadeiro aos nossos princípios, viver apaixonada e plenamente e bem. Experimentar coisas novas. Amar e ser amado, se alguma vez houvesse oportunidade. "


 


Um dia, David Nichols

um princípio *

   " Do terraço da minha casa, consigo ver o pôr-do-sol. Vou para lá, sempre que me sinto sozinha – a luz é a minha companhia. Observo o sol a descer sobre a orla do horizonte, criando a ilusão de que se desloca, todos os dias, a toda a hora, à nossa volta.


   Até as estrelas nos tentam iludir, penso, afastando a poeira do assento da cadeira de praia e sentando-me lá, observando o céu onde predomina um fundo cor-de-rosa berrante cheio de laivos laranjas e avermelhados. O amanhã promete calor, decerto.


   Os últimos dias de Junho têm sido os mais quentes de que me lembro, desde o início do ano e, todas as noites, sou obrigada a afastar as cortinas e os vidros para que a brisa nocturna me afague, durante o sono. O ar saturado raramente dá tréguas e dou por mim a virar-me na cama até meio da madrugada, quando, por fim, a atmosfera consegue arrefecer.


   Ainda que o calor seja praticamente insuportável fora de casa, ver o pôr-do-sol tornou-se algo de que me vejo incapaz de prescindir. De certa forma, acalma-me e fascina-me, até, como pode a Natureza deliciar-nos com tamanhos fenómenos artísticos. Já antes tentei retratar o pôr-do-sol em aguarela, lápis de cera, de cor ou de óleo, mas nunca consegui captar a emoção que me é transmitida todas as tardes sob uma aura mágica. Nenhum artista, por muito dotado que seja, conseguirá, alguma vez, reproduzir um perfeito pôr-do-sol, quanto mais uma mera estudante de Artes, como eu, tão inexperiente, não só na pintura, mas também na vida.


   A seguir, desperta o anoitecer, tal como todos os sons da noite. Cigarras a cantar, pequenos gafanhotos aos saltos, mochos e corujas piando incessantemente e a aragem a rasar a vegetação.


   Em grande parte, eu revejo-me neste cenário pacífico. Foi aqui que cresci, numa pequena vila, em casa dos meus tios. Na pequena casinha à beira da estrada, vivem eles, eu e, por vezes, as minhas primas mais velhas, que voltam à casa dos pais sempre que a vida lhes permite. Vivem ambas no estrangeiro e só nos visitam pelas Festas e no Verão, se é que encontram condições para isso.


   Por fim, já as nove horas vão longas, o céu escurece totalmente. Concentro-me em absorver a energia do momento, fechando os olhos e ouvindo o silêncio. Não se ouvem carros, não se ouvem conversas, não se ouve nada, excepto a noite em si.


 


  Sonhei que pintei o pôr-do-sol no horizonte, depois de adormecer a imaginá-lo, mais uma vez. Onde terá o Criador encontrado aquelas cores magníficas, magnificentes e belas? Cheguei à conclusão de que o problema reside em não existir paleta alguma que se compare à dele. "






* pedido pela Free Soul