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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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O primeiro dia de aulas

Porque só tenho boas memórias no que toca a aprender. Porque a meio de Julho já não aguentava de entusiasmo pela aproximação a meados de Setembro. Porque fazer ou esperar pelos horários e pelo ritmo semanal que me esperava nos meses seguintes me faz falta. Porque o cheiro dos livros novos e as capas imaculadas dos cadernos acabados de comprar me deixavam adivinhar o momento em que iria começar a escrever neles. Porque o meu último regresso às aulas nesta altura já foi há quatro anos. Porque estudar e ir à escola ou à universidade é também uma actividade social de que tenho saudades. Porque foi na escola que vivi os melhores momentos da minha vida. Porque quero voltar a sonhar com o que ainda não aprendi, os professores com quem ainda não falei e os colegas que ainda não conheci. Porque há três anos lectivos que me falta uma data para marcar o início de um novo ciclo (a conversa da continuidade é engraçada, mas não há nada como a expectativa de poder começar - quase - do zero). Porque este foi apenas mais um dos 3 Verões - consecutivos - mais estranhos de que me lembro. Porque preciso duma rentrée mais suave, como antes.

 

Gostava de poder voltar a ter o primeiro dia de aulas na terceira semana de Setembro.

Feliz ano lectivo para todos! 🍀

Sítios que me fazem feliz #1: Biblioteca da FLUL

Tirem-me quase tudo, mas não me tirem a possibilidade de voltar aos sítios onde fui feliz. De boas memórias está o coração cheio, poderia ser o ditado. Por isso, lembrei-me de começar esta colecção de textos, apenas um exercício de registo e partilha sobre os sítios dos quais eu gosto, não só em Lisboa como à volta do mundo, para mais tarde ler e recordar.

 

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Este é o primeiro.


Sem surpresa, um dos meus sítios favoritos é a Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde devo ter passado metade do tempo da minha licenciatura. Enquanto estudei no estrangeiro, o que eu não daria por tê-la de volta! Teria sido muito mais feliz nesse mestrado, se pudesse ter estudado na minha biblioteca preferida. Poderia ter sentido um pouco mais de motivação. Ter-me-ia sentido menos perdida .


A primeira vez que entrei na Biblioteca da FLUL foi no início de 2013. Na altura, já calculava que a probabilidade de ir parar à FLUL alguns meses mais tarde era elevada e quando houve um Dia Aberto decidi ir conhecer a faculdade, na Cidade Universitária.


Quase três anos depois, talvez estas sensações sejam idealizadas à distância, mas vivi os anos mais felizes da minha vida enquanto estudei na FLUL. Vivi uma combinação de circunstâncias muito felizes nessa altura e, obviamente, teria de haver sempre uma biblioteca pelo meio da equação.

 

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Li bastantes livros da Biblioteca da FLUL, fotocopiei uns tantos, li partes doutros, raramente não encontrei lá os livros de que precisava (e principalmente aqueles de que não precisava). Esta biblioteca acolhedora, aparentemente sem fim para quem decide aventurar-se pelas suas estantes, iluminada como muito poucos sítios ainda são, com luzes de tom amarelado e através dalgumas janelas e janelinhas por onde até nos esquecemos de olhar, só contribui para aumentar o meu amor pelas letras. Um dia, gostaria de lá levar alguém sem inclinação para os livros e observar a sua reacção. Imagino que não resistisse a pegar num ou noutro, nem que por mera curiosidade.

 

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As fotografias não fazem justiça à grandiosidade da Biblioteca da FLUL. A quantos alunos dará abrigo a cada nova época de exames? Quantos cérebros a bulir em uníssono? Não é por acaso que é o poiso preferido de alunos de Medicina e Direito, que vêm doutros lados da alameda para ali trabalharem. Por vezes, os cartões de visitante esgotam. É normal. Não existe quem resista à Biblioteca da FLUL, um dos melhores investimentos da Universidade de Lisboa nas últimas décadas.

 

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É um local calmo, de silêncio, de paz, de respeito, de homenagem ao conhecimento. Não se fala lá dentro, sente-se a pressão para ler ou produzir texto num ciclo analógico de criação e leitura. Sente-se o bafo dos antigos e dos novos a emanar das capas. Coabitam séculos de gerações nas mesmas cotas. Apercebemo-nos da nossa insignificância e aprendemos uma lição de humildade, sem perder a vontade de mais lombadas nas mãos que nos domestiquem a rebeldia dos pensamentos voláteis.


Se puderem, passem por lá um dia destes, como ao sábado de manhã, quando a faculdade se encontra mais vazia. Qualquer pessoa pode entrar, pedindo um cartão de visitante em troca dum documento de identificação. Infelizmente, só ainda não é possível requisitar livros bem o cartão de aluno. Boa visita!

Texto à caloira que eu fui

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Minha cara, vou já adiantar que "está tudo bem". Dentro dos possíveis, irias ficar abismada com o que te aconteceu na última meia década. Não sei se to deveria ter dito, mas não quero que fiques a pensar na morte da bezerra, que não ficas, mas há de chegar o momento em que não vais saber para onde te virar e em que te questionarás acerca das opções que se te apresentam. Ainda por cima, nao é como se fosses realmente receber este texto, por isso não faz mal revelar uma ou outra profecia de meia-tigela.

 

Vejamos: está tudo bem. Escolheste bem, mais imprevisto, menos imprevisto. Do teu lado, tiveste quase sempre pessoas maravilhosas, que te deram uma mãozinha sempre que possível, que te proporcionaram aconchego, segurança, liberdade, espaço para cresceres. Tiveste que trabalhar imenso, fazer-te valer das tuas próprias competências, conhecimento, optimismo incurável e grandes doses de estupidez natural, tiveste que provar o teu mérito vezes sem conta, frequentemente sentiste que não andavas a viver a vida duma pessoa da tua idade, mas também tiveste alguma sorte e pudeste colher os frutos desse esforço contínuo.

 

Há sensivelmente cinco anos, comecei a minha licenciatura. Aí estás tu.
Não sei qual a origem da enorme admiração do pai quanto ao facto de ter ido para Letras. Com o ISCTE e a FDUL mesmo à frente, por que raio não queria eu ser uma jornalista com formação de base num qualquer eito ou logia, em vez duma jornalista com uma formação de base genérica e confusa?! Ciências da Cultura, o que é isso?

 

Cinco anos depois, continuo sem conseguir explicar mais do que "estudei línguas, cultura, literatura, história, linguística e comunicação social, tudo num".

 

No entanto, sei muito bem que foi o melhor que eu tinha a escolher na altura. Fizeste bem em escolher a licenciatura da qual mais gostavas e não a mais conveniente, listada em rankings, com o título mais sintético. Tu, bicho irrequieto, que ainda pretendes fazer mais do que "uma coisa" na vida profissional, que lês desordenada e desconcentradamente, com hábitos de trabalho e enriquecimento pessoal desgovernados, terias sido - e eu ter-me-ia tornado - muito menos feliz. E tu sabe-lo, também. Já te conheces de modo a estar consciente do quão irrequieta a tua mente é.

 

O que interessa é que aprendeste imenso, sem te sentires consumida. Tiveste professores que te inspiraram e moldaram - ou agitaram - o pensamento, as crenças, os gostos, alguns dos quais ainda na tua lista de contactos. Por causa do trabalho desenvolvido por eles, chegarás à conclusão de que o jornalismo pode não ser para ti e confirmarás que o ensino deve ser a tua maior vocação. E mais: terás acesso a uma biblioteca maravilhosa onde passarás momentos de satisfatória procrastinação, mas onde também darás por ti a pensar na vida e, surpreendentemente, a ser produtiva.

 

Beatriz, continuas sem perceber claramente como é que a cultura, as línguas e os livros se vão tornar o teu ganha-pão para o resto dos teus dias, mas tens dado a volta ao assunto uma e outra vez. Por agora, tens conseguido. À tua volta, alguns amigos começam igualmente a fazê-lo, o que prova que aquelas conversas aborrecidas sobre a falta de oportunidades, sustento e dignidade nas ciências sociais e humanas, em que muitos te engoliram a paciência durante muitos anos, foram apenas inúteis e desagradáveis.

 

E não nos esqueçamos dessas pessoas que vais conhecer nos próximos dois ou três anos, graças a esse finca-pé de teres insistido em estudar Letras! Apesar de a tua vida social futura ser reduzida, vais fazer grandes amigos. Poucos, mas bons. Provavelmente, conhecerias outros amigos, noutras circunstâncias, mas... não seriam estes, que tanto adoras.

 

Está tudo bem, e vais gostar bastante dos próximos três anos - caóticos, trabalhosos, enriquecedores. Boa sorte!

 

P.S.: daqui a duas semanas vais ser despedida do call-center. Ups.
P.S. 2: não vais gostar da praxe.

Será fácil arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura?

Em Junho, fez um ano que terminei a licenciatura. Depois dum estágio, comecei a trabalhar em Outubro. Como sabem, calhou-me na rifa um emprego longínquo, mas aqui fica a minha opinião acerca das oportunidades de trabalho em Portugal depois da licenciatura.

 

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O grande panorama

Em primeiro lugar, todos sabemos que o mercado de trabalho em Portugal se encontra saturado, não só de licenciados, desta ou doutra área, mas de todos os domínios profissionais ou diferentes níveis de qualificação e educação. Ainda assim, eu acho que o panorama não é assim tão negro para recém-licenciados que procuram o seu primeiro trabalho.


Estudei Letras. Línguas, literatura, cultura, artes, política, filosofia. Estudei de tudo um pouco na minha licenciatura, tive a sorte de aprender imenso, mas a verdade é que as licenciaturas abrangentes costumam ser vistas como "aquelas que não dão para nada". No entanto, sei que muitos dos meus colegas conseguiram arranjar emprego em Portugal nos meses seguintes ao fim do curso. Aposto que não terão sido os seus empregos de sonho, mas conseguiram.

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A importância dos estágios (curriculares e extra-curriculares)

Existe este mito de que "os empregadores não olham para as notas", por isso aqui vai alguma desmistificação.
Hoje em dia, em Portugal, é indispensável participar num estágio ou numa experiência extra-académica. Um estágio permite-nos obter o conhecimento e prática que, na maioria das vezes, não obtemos pela via escolar. Quanto mais cedo o fizermos, melhor. Sempre que quis arranjar trabalho, mesmo que temporário, enquanto estudava, os estágios permitiram-me, no mínimo, mostrar que era responsável e que me encontrava motivada para trabalhar, pôr as mãos na massa. Além disso, ajudam-nos a decidir se gostamos de trabalhar em determinada área profissional. 

Quão relevantes são as médias finais de curso?

E lá está: as notas. Frequentemente, estes estágios de que vos falava, incluindo o estágio que me trouxe à Tailândia, são promovidos ou organizados pelas instituições onde estudamos. Adivinhem para onde é que vão olhar, a que aspecto vão dar importância imediata? É isso, a nota. Sem experiência profissional anterior, a média da licenciatura acaba por ser determinante para certos recrutadores.

 

Uma licenciatura é suficiente?

 Obviamente que, na hora de sermos contratados, a nota média final de curso não é suficiente. Arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura parece-me ter em conta outros aspectos. A nota é uma grande parte do bolo, a que devemos acrescentar formação profissional paralela, workshops, conferências, os estágios, programas de intercâmbio, trabalho voluntário, portfólio, prémios, cartas de recomendação, diplomas e certificados vários... Eu sei que esta lista pode parecer assustadoramente extensa, mas os três anos de licenciatura servem para muito mais do que estudar, ir às reuniões com os professores, ir à praxe, às festas, aos convívios... E muitas destas experiências duram menos dum dia de trabalho! Se tentarmos explorar duas por ano, teremos mais seis motivos para apresentar a um potencial empregador, convencendo-o de que somos as escolha certa.

 

Está bem, mas afinal o que é que mais importa para encontrar emprego depois da licenciatura?

Diferenciarmo-nos. Mostrarmos que não somos apenas um número.
Costumam ser admitidos cerca de 60 alunos à licenciatura em Ciências da Cultura na FLUL (agora com o título de Estudos de Cultura e Comunicação). Talvez 50 cheguem a terminar a licenciatura.
Foi desses 50 colegas que eu sempre me tentei diferenciar, porque eles seriam mais 50 pessoas, fora os licenciados doutros anos, com quem eu teria de competir no mercado de trabalho, se ninguém fizesse mais nada senão o próprio curso.
E há licenciaturas em que entram 200 candidatos anualmente!

Somando tudo, acabei por elaborar um perfil pessoal e profissional durante os três anos da licenciatura, com o objectivo de me demarcar doutras pessoas. Licenciatura + nota + proficiência em línguas + certificados + formação + estágios + intercâmbios + competências consequentemente adquiridas = combinação única. Não quer dizer que o meu perfil é melhor ou pior do que o doutro colega meu, mas, pelo menos, é diferente.

 

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Resumindo e concluindo
Encontrar trabalho em Portugal, depois da licenciatura ou de qualquer outro nível de estudos, não tem de ser sempre uma tarefa titânica. Pode ser, sim, o resultado dum esforço contínuo para encontrarmos interesses apenas nossos, criarmos o nosso "eu" pós-universidade continuamente e perseguirmos novas ideias e projectos para o futuro, mais ou menos longínquo, em Portugal ou no estrangeiro. Claro que tudo isto parece mais fácil assim escrito do que feito, mas espero, pelo menos, convencer-vos a serem um pouco mais optimistas acerca do vosso (possível) percurso universitário.

Aprender Inglês sem estudar?

 

Hoje em dia, saber o mínimo de Inglês já é um dado adquirido, ou que o deveria ser, principalmente para a minha geração. Nascemos com todos os recursos à mão, estivemos em contacto com a língua desde muito cedo, tenha sido na escola, na televisão, nos filmes, em palavras emprestadas ao Português... Quando vamos a uma entrevista de trabalho, já nem é só Inglês que temos de falar. É-nos pedido cada vez mais. Bem nos podemos safar!

 

Enquanto professora, gosto de partilhar a minha opinião sobre como aprender Inglês facilmente (ou outra língua não nativa qualquer).

Por exemplo, os meus alunos ficam muito parvos quando lhes digo que nunca senti necessidade de aprender Inglês a estudar. Logo eles, que estão a tirar a licenciatura em Língua Inglesa, gostariam de saber os meus truques. 

 

A questão é: não há truques. Há apenas hábitos. São pequenos gestos diários que fazem a diferença na aprendizagem duma língua. É uma repetição de gestos e pensamentos que valem mais do que mil aulas. Afinal, vamos ser sinceros: muitas vezes aprendemos melhor uma língua estrangeira fora da escola. Perguntem aos vossos pais, aos vossos amigos, aos vossos professores. Muitas vezes, o ensino formal das línguas funciona mais como um complemento. Eu própria aprendi os básicos a ver o Harry Potter e o Cálice de Fogo e respectivos conteúdos bónus vezes sem conta, depois de ter poupado as minhas mesadas até poder comprar o DVD. Ou a ver Crepúsculo. Ou a ler, devagarinho, até perceber quase tudo o que os livros tinham escrito.


Eu percebo a luta que é para muitas pessoas aprenderem línguas e a relutância em investir em aulas (porque, se os professores não forem dinâmicos, as aulas são uma seca prometida). De jovem professora para potenciais poliglotas independentes, aqui vão alguns hábitos para aprender Inglês sem estudar:

 

1. Não substituir as letras originais das músicas pelo linguarejar aleatório

Ouvir música regularmente faz parte da rotina diária de quase toda a gente. Desta forma, a primeira dica que vos deixo é tentarem decorar nem que seja o refrão dos hits do momento que mais passam na rádio ou que vocês ouvem nos vossos telemóveis enquanto vão para a escola ou para o trabalho. Uma vez que o refrão é reproduzido umas três ou quatro vezes em cada música, acabamos por não só cantarolar palavras aleatórias, mas sim a decorar expressões inteiras em Inglês (evitar aprender palavras soltas é um dos princípios mais importantes ao aprender qualquer língua).

 

2. Alterar a língua predefinida nos telemóveis, computadores e outros dispositivos electrónicos

Lá está, aprender Inglês sem estudar pode ser uma consequência natural de hábitos tão simples quanto este. De tanto ler "Clock", de tanto ler "Would you like to reboot your phone?", de tanto ler "low battery", de tanto ler "Your computer is installing a new update", certos padrões de frases vão encaixando a pouco e pouco na nossa mioleira (que é rija, mas nós somos mais).

 

3. Instalar o Pinterest para frases inspiradoras

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Parece-vos foleiro? A sério? Eu solidifiquei os meus conhecimentos de Inglês a ver Hannah Montana e a série dos Jonas Brothers em Inglês, antes de saírem em Portugal. Aos 21, estava já a ensinar Inglès na universidade (self-praising time, cough cough). Por esta altura, já deviam saber que NADA é foleiro. Cada um safa-se como pode e provavelmente muitos de nós adoram frases inspiradoras (ou pseudo), que soem a Pedro Chagas Freitas, mas que servem muito bem para o efeito de nos porem a sorrir. Ainda por cima, o conteúdo gramatical e a estrutura desta frases costuma ser simples. Start your day with a smile. Então pronto, uma frase do Pinterest por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Depois é só procurem o significado de novas palavras e voilà!

 

4. Ir ao supermercado e procurar o nome dos produtos em Inglês

Quase todos os produtos do supermercao têm rótulos bilingues ou trilingues, o que torna muito fácil identificar relações como "arroz-rice-riz". Não sabem como se diz molho em Inglês? Olhem lá para o rótulo. É "sauce". E os valores nutricionais? ProteinsCarbohydrates. Vitamins. Ainda por cima, estas palavras estão sempre envolvidas num contexto específico, o que mais uma vez facilita a memorização.

 

5. Rever os vossos filmes e séries favoritos (ou leiam os livros) em Inglês que mais vos marcaram...

... e troquem as legendas em Português para legendas em Inglês. Vocês já conhecem a história. Muitas vezes já sabem certas passagens de cor e salteado. Agora, resta ir mais além e ver e ouvir tudo na língua original. 

 

 

De resto, não se deixem abalar pelo início lento. Não sejam duros convosco, sejam duros com o Inglês, persistam, comparem a vossa evolução ao fim dum mês e não de dois dias. Não tentem descobrir logo a diferença entre o past simple continuous e o present perfect, não abram gramáticas e manuais antes de se sentirem preparados para complementar a aprendizagem natural com outros materiais. Apenas... aproveitem a língua. Não façam por odiar o Inglês, que vos pode trazer tantas alegrias a longo prazo. Aprendam Inglês sem estudar, sem pressa, sem pressão e sem expectativas.

 

Boa sorte!

5 desafios de ensinar no estrangeiro

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Com os meus 117 alunos deste semestre, 1º e 2º ano da licenciatura em Artes Liberais, major em Inglês.

 

Viver fora de Portugal já é suficientemente difícil, mas ensinar no estrangeiro é ainda mais desafiante.

Em primeiro lugar, tenho de vos alertar desde já que adoro ensinar na Tailândia. Esta é uma experiência que está a mudar a minha vida a cada dia que passa.

Tirando as saudades que tenho de casa, da família, do namorado, dos amigos e de Portugal, sinto que só tenho retirado boas energias e um desenvolvimento pessoal e profissional bastante positivo.

No entanto, ensinar no estrangeiro tem também muitos desafios e é preciso ter-se um não sei quê de perseverança e coragem para os resolvermos.

 

1. O passado educativo dos alunos é, inicialmente, uma incógnita para nós

Por muitos livros que nos informem acerca dos sistemas de ensino do país onde vamos trabalhar, a forma como os alunos se comportam vai provavelmente revelar-se... apenas na sala de aula, no terreno. Por exemplo, eu já sabia que a educação na Tailândia não dá lugar ao pensamento criativo e à discussão livre entre professores e alunos, que is professores têm quase sempre a última palavra. Na verdade, todas as palavras. Os alunos são motivados em direcção à passividade. Mas sabia lá eu que eles iam detestar que lhes dessem a possibilidade oposta! (Entretanto, os meus já levaram um tratamento de choque e muitos já dizem que gostam das minhas infindáveis perguntas. Eu também levei uma chapada sem mão e deixei de stressar por não ter muitos potenciais participantes.)

 

2. Os alunos são diferentes, as burocracias idém

Outro desafio de ensinar no estrangeiro é lidar com os documentos de legalização e de ter de o fazer com o staff da escola/instituto/universidade. No meu caso, achei tudo muuuuuito lento, as pessoas complicadinhas até mais não e cheguei a chorar de desespero, já pensava em deportação, problemas com a lei, os oficiais da imigração virem à minha faculdade passar-me uma multa por ainda não ter o visto ou a licença de trabalho regularizados. A outra parte também foi levada às lágrimas, não fui só eu. Afinal, os desentendimentos são bilaterais e precisamos todos uns dos outros.

 

3. A barreira linguística. Perdão, não é barreira, é um muro. Com vidro partido em cima. E arame farpado.

Imagino que ensinar num país cuja língua materna seja parecida às que falamos ou que nós dominemos acabe por facilitar a nossa adaptação. No entanto, imaginem que não falam nenhuma língua próxima, quanto mais a língua local, o alfabeto é incompreensível, o staff administrativo fala um inglês macarrónico, ninguém se entende... Pois, é como voltar à Torre de Babel. Ainda bem que a maior parte dos meus alunos são "English Majors" e que os meus colegas também são professores de Inglês.

 

4. Os alunos cresceram num país diferente, logo pensam distintamente

Desde a questão da falta de pensamento crítico que já não me agradava "a conversa" (ou falta dela). Só quando começarem a conhecer os vossos alunos e a falar com eles diariamente é que os vão realmente entender, mas penso que haverá sempre alguns que simplesmente se fecham em copas e depois esperam que tenhamos poderes telepáticos para lhes ler as razões, os quês e os não sei quês. Estas diferenças poderão estar relacionadas com tabus culturais, estruturas familiares e organizacionais, expectativas a nível pessoal e profissional, linguagem corporal, expressões faciais, registo de língua... You name it!

 

5. A posição e reputação dos professores no país

No que toca à Tailândia, os professores não são os profissionais que são recompensados mais justamente, mas são provavelmente das classes mais respeitadas na sociedade. Um professor é um chefe, uma figura da autoridade e quase omnisciente. As vénias (ou wais) que recebia no início pareciam-me uma tolice desnecessária. Contudo, aprendi a apreciar este tratamento e a negociá-lo com os meus alunos. Tive de lhes ensinar que professores e alunos devem aprender mutuamente. Que temos de trabalhar juntos em direcção a um objectivo comum. E que o respeito deve ser merecido e que eu estou sempre a tentar merecê-lo. Também eu demonstro o respeito que tenho pelos meus alunos, com vénias (a saudação tradicional), palavras de encorajamento ou com simples conversas e confidências. Por outro lado, outros professores terão experiências opostas.

Preparem-se sempre para serem mais ou menos respeitados no vosso país de acolhimento e para as respectivas consequências. Preparem-se para serem tratados com mais ou menos deferência, de acordo com a perspectiva dos vossos alunos, superiores e colegas em relação aos estrangeiros.

 

E vocês, têm mais sugestões? Até agora, estes são os maiores desafios que encontro ao ensinar num país estrangeiro, mas certamente haverá mais listas por aí. Que tal as vossas ideias?

Último dia na FLUL

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Resta-me apenas vir cá no dia 20 de Junho apresentar o meu relatório de estágio.

Acho que ainda não me tinha apercebido da importância deste acontecimento, dado que a tarde foi marcada pelas pressas em terminar o dito relatório de estágio, entre paralisias inesperadas do meu computador, detalhes que tinham sido esquecidos e ficaram para o atar das feridas*, e a grande excitação de saber que dentro de três semanas já estarei eu própria a dar aulas do outro lado do mundo.

 

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Então, brindemos mentalmente a um possível regresso, dessa feita estando eu do outro lado da mesa!

 

*Mas olhem que ficou tudo bem bonito e organizadinho, estou uma babadona pelas minhas 111 páginas!!!

Universidade #9 - Pasta de finalista + bênção das fitas

Como em tudo no que toca às pseudo-tradições académicas, escolhi experimentar estas duas, com receio de me arrepender mais tarde caso não tivesse fazer parte delas. Tenho para mim que é sempre melhor "ver para crer", em vez de nos pormos com peneiras e falsos orgulhos, mesmo que, à partida, aquilo com que nos deparamos nos pareça uma mariquice.
Foi com isto em mente que comprei e mandei fazer a minha pasta de finalista, mais as fitas azuis timbradas da minha faculdade, e me inscrevi na benção das ditas cujas. Provavelmente, quem me conhece e me ouviu falar sobre estes assuntos desde o primeiro ano no ensino superior acabou por se surpreender. Ah e tal, que eu sou uma vendida, uma troca-tintas, uma Maria vai com as outras. Se calhar sou, porque a certa altura eu achei que isto dos finalistas era tudo uma gravíssima lamechice e que gastar um sábado inteiro ao sol numa cerimónia com milhares de pessoas, mais uma pequena fortuna na pasta, nas fitas e no bilhete era duma pessoa se atirar da ponte. Afinal, se tudo correr pelo melhor, ainda hei-de ser finalista mais duas vezes.
Só que, quando chegou o momento da verdade, aquele em que me defrontei com a possibilidade de fazer ou não fazer o que estou prestes a fazer... Aí é que foram elas! Deixar passar a oportunidade e ficar na ignorância é que não! Por isso, encomendei a pasta de finalista e cá tenho eu andado a distribuir as minhas fitinhas pelo pessoal, à espera que me escrevam, desenhem e desejem coisas bonitas, dignas de ser abençoadas pelo Cardeal Patriarca no dia 21.

Depois, conto-vos como foi.

 

 

 

A dita cuja! #ciênciasdacultura #flul #ulisboa #senioryear #bênçãodosfinalistas

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

Queridos professores,

Venho, por este meio, solicitar que deixem os alunos escolher o estilo de citação nos seus trabalhos (Chicago, APA, MLA, Harvard... who the hell cares???), porque eles existem em número superior à quantidade de neurónios na minha cabeça às nove da noite.

E, já que estamos por aqui, vamos falar a sério. Parem, de uma vez por todas, com isso do "20 é para Deus, 19 é para o professor e 18 é para o Stephen Hawking". Por causa dessa brincadeira forreta, despenteiam-me a média. Que eu saiba, a avaliação possível vai de 0 a 20, não de 10 a 17. E não, 18 não é uma "nota boa", é uma nota real e ponto final, tal como o 19 e o 20 - que, já agora, também constam da minha pauta, graças a professores menos bota de elástico. #ficaadica

 

Saudações esquentadamente cordiais,

Beatriz

FLUL vs. Faculdade de Ciências Humanas da UCP

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Regressei há duas semanas à Faculdade de Letras e já sinto falta das casas-de-banho asseadas e da eficiência dos serviços académicos da Faculdade de Ciências Humanas.
Também me apercebi que deixei de ser imune a professores efusivos e com características muito... características (para o bem e, infelizmente, para o mal). Lembro-me de até gostar de certos casos, mas acho que fiquei mal habituada aos acessos de loucura docente que, no 2º ano, ainda me fascinavam.
De certa forma, os colegas são um factor indiferente na equação. Conheci pessoas extremamente interessantes nos dois sítios e, no final de contas, acho que todos os encontros dependem de muitos acasos. A contabilização deficiente de faltas na FLUL e as aulas mais curtas e intervaladas da FCH+direito privilegiado a hora de almoço que o digam.
No que toca às condições dos edifícios, continuo a preferir os da FLUL, até as caves e o Pavilhão Novo (recentemente restabelecido, décadas depois, tendo voltado a fazer um bocadinho mais de justiça ao nome que carrega), mesmo quando chove lá dentro, por isso ainda não sei como irei viver sem eles diariamente a partir de Junho, se o semestre na FCH já me deixou tão saudosa. Quero lá saber das variações ridículas de temperatura de sala para sala ou das salas para o corredor. Eu gosto é do ar que se respira na FLUL, daquele ar húmido que emana as gerações de estudantes e professores que já a habitaram. Não há limpeza na FCH que me dissuada deste amor que eu nutro pelas instalações da FLUL. E aquela biblioteca... Oh, querida biblioteca sem pó, albergue duma variedade invencível de livros! A quantidade de escadarias na FCH também não abona a favor da mesma no presente confronto de titãs e muito menos a carência de locais calmos para pôr o estudo em dia.
Porém, uma coisa é certa: há professores queridos e competentes nas duas faculdades, que adoram os alunos e vivem apaixonadamente o espírito de entreajuda e de transmissão do conhecimento. No final, esta é a conclusão mais relevante a sublinhar e que certifica tanto a FLUL quanto a FCH enquanto instituições de ensino onde dá gosto e prestígio estudar. Qualquer que seja a escolha de futuros alunos do ensino superior, ficarão bem servidos.