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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Ainda o ano novo: 19 PARA 2019

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Ontem, ouvi mais um episódio do podcast Happier, apresentado pela escritora Gretchen Rubin (devem conhecê-la à conta do seu livro The Happiness Project) e pela sua irmã Elizabeth Craft. Este último chama-se "Plan Your 19 for 2019" e incita os ouvintes a fazer isso mesmo, criar uma lista de 19 desejos, objectivos ou ideias para concretizar neste novo ano.

 

Eu, que adoro listas, comecei logo a delinear a minha, ainda nem o episódio tinha acabado.

 

No início de 2018, partilhei convosco uma lista de palavras. Agora, partilho os meus "19 para 2019", que fazem imenso sentido para mim. Acho que vai ser um ano mais equilibrado que o anterior, à partida já não há desculpas para a falta de concentração que me governou em 2018 e fiz questão de apontar tudo o que me apetece fazer (e que espero realizar) desta vez, tanto no meu Bullet Journal quanto aqui. A primeira parte é constituída por objectivos gerais ligados a projectos pessoais e a segunda foi reservada para os literários.

 

19 PARA 2019

  1. Tirar três cursos de formação 
  2. Criar um curso, presencial ou online - dar uso à formação de formadora e à experiência que tenho adquirido como professora e explicadora, e ao incentivo que alguns alunos me têm dado para o fazer
  3. Concorrer a um concurso literário 
  4. Voltar ao ginásio e/ou ir pelo menos uma vez por semana ao pilates
  5. Fazer duas viagens, ao estrangeiro e/ou dentro de Portugal
  6. Começar o podcast que já planeei e publicar um episódio por mês 
  7. Pedir equivalências para as disciplinas do mestrado em Linguística que deixei a meio em Banguecoque 
  8. Continuar o Bullet Journal
  9. Vender ou dar todos os livros que já seleccionei
  10. Ler 35 livros
  11. Não comprar mais de 10 livros
  12. Reler Essays in Love + The Course of Love
  13. Ler 17 autores portugueses/lusófonos
  14. Ler 15 autoras mulheres
  15. Conhecer mais dois Nobel da Literatura 
  16. Ler um autor russo
  17. Ler um autor asiático 
  18. Ler um autor da América do Sul
  19. Ler um livro com mais de 400 páginas

 

E por aí, mais alguém gostaria de fazer um 19 para 2019? Já agora, em jeito de brincadeira, desafio os Blogs do Sapo, a Carolina, a Rita, a  Patrícia e a Joana a participarem na elaboração desta lista e a publicarem-na nos seus blogs. Ainda outra sugestão: também pode ser uma lista de 19 itens sobre blogs, livros, filmes, eventos...

 

Boa sorte!

36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal

(contém alguns spoilers)

 

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Decidi deixar-vos um texto de opinião sincera acerca da minha experiência pessoal com as 36 perguntas que levam ao amor, desenvolvidas por uma equipa de investigadores e (viralmente) testadas por uma escritora - dado que é uma prática que podemos levar a cabo para sermos mais felizes, e que até já vos recomendei há poucos dias.

 

De facto, confirmo que, mais do que levar ao amor, as ditas 36 questões constituem um exercício que ajuda a criar intimidade em geral (até podem ser respondidas com um amigo ou um relativo desconhecido), mas, mais do que isso, acabo por considerá-las um desbloqueador de conversa. Até podemos pensar que sabemos tudo acerca de alguém, mas estas 36 perguntas provam que há sempre uma preferência, sonho, memória ou curiosidade sobre o nosso "parceiro de questionário" que nos faltava perguntar-lhe mais directamente.

 

Uma vez que fiz as 36 perguntas que levam ao amor com alguém de quem gosto muito e de quem me tenho tornado bastante próxima (em grande parte por já termos partilhado muita informação pessoal semelhante à pretendida pelo presente questionário e por termos muito em comum), sentimos que as nossas respostas choviam no molhado, ou que já sabíamos/prevíamos algumas sobre um e sobre outro, ou que eram frequentemente "eu também". Segundo o estudo, as questões deveriam ser feitas entre dois relativos estranhos - o que provavelmente corresponde ao propósito de muitas, só que em outras não faz sentido. Mas já lá iremos...

 

Em termos de duração do questionário, penso que depende muito do vosso perfil: são indivíduos muito faladores? Sentem-se acanhados? Já terão partilhado recentemente algumas das respostas a estas perguntas ou perguntas semelhantes? Em média, recomendo cerca de uma a uma hora e meia para responder à totalidade do questionário. Hão-de encontrar perguntas fáceis de responder e outras que vos farão reflectir ou discutir por algum tempo, uma vez que o exercício se divide em três partes, sendo a primeira composta por perguntas mais banais e a segunda e terceira por perguntas cada vez mais delicadas.

 

Ainda assim, tenho algumas falhas a apontar, falhas essas que me surpreenderam, talvez por causa das expectativas elevadas que tantos artigos, talks e divulgação me fizeram construir.

 

Como já referi, as 36 perguntas que levam ao amor são mais úteis quando não somos muito íntimos do nosso parceiro de questionário, caso contrário, o desenrolar da actividade revela-se previsível e repetitivo.

 

Contudo, as minhas maiores reservas partem do facto de algumas perguntas parecerem ter sido desenvolvidas para quem já tem alguma relação, por exemplo, quando temos que nomear 5 factos positivos sobre o nosso parceiro (pergunta 22) ou temos que referir aquilo de que honestamente gostamos nele (pergunta 28). Então, e se o tivermos acabado de conhecer? Só se respondermos "bom cabelo, boas pernas, bom traseiro, sorriso simpático, voz clara", que podem ser apenas banalidades insignificantes (passe-se o pleonasmo).

 

Finalmente, impõe-se a derradeira questão: mas estas 36 perguntas levam mesmo ao amor?

 

Não, não levam. Acho que esse título que lhe atribuíram funciona na qualidade de "golpe de marketing", mas o amor deveria ser, obviamente, mais do que responder a perguntas. Estas 36 perguntas levam, sim, à sensação de maior proximidade, ao estabelecer-se uma espécie de compromisso quanto à aceitação mútua das vulnerabilidades de cada participante. Criam uma oportunidade para sinceridade, generosidade e abertura que se querem recíprocas. Deste modo, no final resta a gratidão pela partilha.

 

(E compreende-se por que motivo podem ser usadas para aproximar indivíduos de comunidades, religiões, etnias, crenças distintas; ou para reaproximar casais cuja relação não esteja a passar pelos melhores dias.)

 

No final do exercício, é-nos proposto que nos olhemos nos olhos por quatro minutos, um tipo de jogo do sério. Eu e o meu parceiro conseguimos aguentar mais ou menos... quatro segundos (demos o nosso melhor, juro). Seja como for, claro que os quatro minutos podem ser determinantes para se criar intimidade com alguém que não se conheça bem. Sinceramente, não entendi que fizesse uma grande diferença no nosso caso, mas cada caso é um caso - não é o que se costuma dizer? 

 

Agora, desafio-vos a tentar estas 36 perguntas que levam ao amor com alguém igualmente disposto a ser uma cobaia para a ciência contemporânea. Quais serão as vossas conclusões? O que virão a sentir? Se o fizerem, partilhem os resultados connosco. Boa sorte! 💪

5 ideias científicas (e simples) para sermos mais felizes

Recentemente, comecei a seguir um podcast que já recomendei no Instagram e que não me farto de impingir a quem não se importe de me ouvir por trinta segundos sobre ele. Chama-se The Science of Happiness (traduzido fica "A Ciência da Felicidade") e é promovido pelo Greater Good Science Center, da UC Berkeley (EUA). Ouço-o através do Spotify, mas também está disponível no iTunes e no site do centro. Dito isto, fica entendido que a procura da felicidade é elevada a ciência. Sermos mais felizes é uma coisa que se aprende e que vem nos livros - quem diria?

 

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No entanto, mais do que promover a sua procura, este podcast sugere que a felicidade pode ser praticada, tal como qualquer habilidade. Há formas de a exercitar para a tornar mais forte e constante, métodos sobre os quais ouvimos falar de vez em quando, por uma ou outra razão, mas que nem sabemos terem sido investigados com todo o rigor científico. Podemos ser felizes se, tal como estudamos para um exame ou treinamos no ginásio, nos aplicarmos nuns quantos exercícios frequentes, tendo em vista fortalecer a felicidade quotidiana. Em cada epsiódio, é apresentada "a practice designed to boost happiness, resilience, kindness, or connection", com um guinea pig, um entrevistado, que tenta aplicar essa prática no seu dia-a-dia.

 

 

Desta forma, aqui vos recomendo 5 ideias científicas (e simples) para sermos mais felizes - ou seja, 5 métodos explicados em 5 episódios do podcast The Science of Happiness:

 

1. Ouvir como se fosse o primeiro encontro

Neste episódio, o protagonismo é dado à "escuta activa" - isto é, uma técnica de comunicação que visa destacar a importância de ouvir como deve ser, ou escutar atentamente, mostrando-o claramente ao(s) outro(s) interveniente(s). Uma parte importante do processo é olhar as outras pessoas nos olhos enquanto conversamos, uma vez que esse pequeno gesto ajuda à libertação de oxitocina, uma substância química que tem o papel de estimular o sentimento de bem-estar e de ligação aos outros, também conhecida como "a hormona do amor", que obviamente contribui para sermos mais felizes.

 

2. Escrever uma carta de agradecimento a alguém que nos tenha marcado

O objectivo é escrever uma carta de agradecimento, mesmo que esta nunca seja lida ou recebida pela pessoa a quem se destina. O que interessa é quem escreve relembrar a sua importância, o quão feliz e abençoada a sua vida possa ter-se tornado por ter cruzado caminhos com o destinatário. É como pôr os pés na terra e valorizar a influência que outros possam ter tido no seu presente.

 

3. Caminhar regularmente no exterior (com um dos criadores do filme Inside Out, ou Divertida-Mente)

Quando caminhamos, não estamos apenas a fazer algum exercício físico. Desligados de conversas e dos nossos meios habituais, a nossa mente descansa e ganha tempo e espaço para reflectir, para sermos mais felizes com a nossa voz interior - uma óptima prática para bloqueios criativos! Principalmente se estivermos entre a natureza ou cenários agradáveis, o pensamento flui, o raciocínio liberta-se, a pressão sanguínea baixa e o stress também. O objectivo é saborear o momento. Podemos fazê-lo sozinhos ou, por exemplo, ao passear os nossos cães.

 

4. 36 perguntas para nos apaixonarmos por alguém

Esta é uma prática que muitos já devem conhecer desta TedTalk ou deste artigo. São 36 perguntas que, supostamente, nos fazem apaixonar pela pessoa com quem partilhamos o questionário. Contudo, além disso, podem ainda ser usadas para aprofundar uma relação, recuperar alguma intimidade perdida (que é o caso da participante entrevistada neste episódio) ou - veja-se! - quebrar barreiras culturais, sociais e religiosas. E, ao sentirmo-nos mais próximos de alguém, imaginem o que acontece... oxitocina, como sempre. Estabelecendo relações mais significativas e íntimas, sermos mais felizes torna-se uma consequência natural.

 

5. Imaginar que nunca teríamos conhecido a nossa cara-metade

A um grupo foi pedido que descrevessem a forma como tinham conhecido a sua cara-metade; ao outro foi pedido que imaginassem que nunca a tinham conhecido, por algum acaso (ou desacaso) do destino. Chegou-se à conclusão de que os participantes do segundo grupo se sentiram mais satisfeitos nas suas relações algum tempo depois do estudo do que os do primeiro grupo. Pensar como seria a sua vida sem aquela pessoa especial, investir no exercício de counting their blessings, fê-los valorizar as suas vidas em comum, ganhando alguma objectividade.

 

 ***

 

Terminada a lista, será que alguém vai tentar uma destas práticas para ser mais feliz? Ou será que vai ganhar curiosidade em ouvir o podcast? Por que não tentam ouvi-lo agora nas férias, no carro ou na praia?

 

Só tenho pena que ainda não haja nenhum podcast semelhante em português. Até agora, já ouvi todos os vinte episódios disponíveis, tentei três destas práticas que vos sugeri, mais outras quantas de The Science of Happiness, por isso dá para perceber o quanto admiro este projecto.

 

Fico à espera das vossas opiniões e relatos de possíveis experiências para serem mais felizes. 

Sobre a felicidade dos outros

Ultimamente, tenho pensado muito em felicidade. Tenho pensado, em particular, na felicidade dos outros. Tenho-me perguntado muitas vezes "o que é que leva estas pessoas a serem tão felizes?". Por isso, concluí, é que muita gente passa imenso tempo imersa nas redes sociais. Queremos saber qual é a solução dos outros. O que é que eles fazem, como é a sua vida, o que os leva a estarem tão satisfeitos quanto aparentam? Como é que se constroem e mantêm aqueles sorrisos?

 

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 https://www.pexels.com/

 

No entanto, é raro encontrar essa solução para a felicidade dos outros ao virar da esquina duma foto de Instagram ou dum texto num blogue, não é? Com alguma frequência, dou por mim a apenas ver fotografias de gente feliz, gente de bem consigo e com o mundo, gente inteira. Uma foto depois de correrem a maratona; um amor imaculado; um prato cheio de verdes com aspecto gourmet; uma catarata em Bali; um grupo de amigos à volta duma mesa; um diploma de excelência; um corpo definido.

 

É normal, todos queremos conhecer e partilhar histórias de sucesso. É mais intuitivo mostrar e consumir conteúdo que transmita energias positivas do que energias negativas.

 

Mas só vemos, uma e outra vez, uma parte do processo: o final, o happy ending, o desfecho, tal como na ficção.

 

Nota intermédia: quando eu era miúda, saltava sempre a parte das cassetes em que a Cinderela era humilhada pelas irmãs más e em que a Bela Adormecida se picava na roca de fiar. 

 

Acho que é isso que nós fazemos e repetimos enquanto adultos, num ciclo vicioso. O meio, a forma como se atinge o ideal de picture perfect, é propositada ou inadvertidamente omitido. Pode ser intencional, ou pode mesmo acontecer sem querer. 

 

Raramente encontro esse "meio" do processo nas redes sociais. Não há para amostra as noites que se passaram no ginásio para se abater aquelas dez gramas a mais de gordura corporal (talvez dez segundos numa story); ou as horas, dias, anos de desespero e bloqueio que um criativo passou à frente do computador ou do bloco de notas até aquela ideia fantástica lhe ocorrer; ou as dificuldades que um casal aguentou, os desentendimentos, as discussões, o ata e o desata que veio a culminar num casamento de sonho; ou as mil e uma relações falhadas que se coleccionaram até se conhecer "o tal"; ou as horas extra que o viajante teve de trabalhar para poder visitar o seu destino; ou o lixo e a loiça que se teve de limpar duma cozinha ao preparar dois pratos que se comeram em dez minutos; ou as noitadas e o esgotamento nervoso a que aquele aluno brilhante se teve de submeter até alcançar o mérito.

 

A verdade deve ser, na minha opinião: muitas vezes, também não queremos saber. Não interessa. Queremos é distrair-nos, ver coisas felizes.

E a verdade é, sem dúvida: num momento de tensão ou desilusão, quase ninguém se lembra de tirar uma fotografia aos lenços de papel em que chorou lágrimas, baba e ranho, entranhas e dois terços da alma. Simplesmente, não se faz.

 

Sem querermos, sem ser essa a nossa vontade racional, só olhamos para o que é bom e final. Depois, perguntamo-nos "como é que ele consegue? como é que ela faz?". Então, eu passei sempre a relembrar(-me): para isto ter acontecido, qualquer coisa veio antes. Pode ter sido boa, pode ter sido má. Com uma ou outra variação, as vidas humanas não são assim tão diferentes entre si. Há um rol limitado de enredos, embora cada um com as suas especificidades (tal como no teatro grego).

 

Para alguém ter o que mostra ter, seja massa muscular, dinheiro, fama, sucesso profissional, uma relação duradoura, um doutoramento, um livro, uma família feliz... algo há-de ter acontecido antes, ou nos bastidores, sem que o voyeur inquisitivo se dê conta. Claro que o grau de dificuldade pode variar de pessoa para pessoa, de contexto para contexto. Mas não sintamos pressão desnecessária para copiar ou almejar ao que os outros são capazes de fazer, de forma instantânea. Tiremos um dia de cada vez, pássaro por pássaro, para construir aquilo que queremos para nós (diz a autora Anne Lamott no livro que ando a ler agora, Bird by Bird).

 

No outro dia, eu dizia a uma amiga (bem, na verdade devo tê-lo dito a todos quanto me tenham querido ouvir nas últimas semanas): "sinto que poucos me compreendem, porque nunca ninguém passou por esta situação que me aflige, nestas circunstâncias em que me encontro". E ela confirmou que, de facto, poucas pessoas me compreenderiam.

 

Mas, mais uma vez, todos já passámos por fases terríveis ou acidentadas, por um ou por outro motivo. Já todos sofremos desgostos. É cliché, mas "podia ter sido pior", ou "há quem tenha passado por pior", ou curto e grosso "há pior"; "tu tens tanto e queixas-te", "o que é que queres mais?", "agradece aquilo que tens".

 

Em alternativa, recomendo a abordagem ligeiramente passivo-agressiva, ainda que hilariante, doutro amigo (doutorando em Psicologia, que lá sabe o que faz): "tu já ouviste o que estás a dizer???".

 

Aceitam-se mais sugestões e opiniões. Vamos lá discutir isto da felicidade, vamos?

 

Mais uma vez, tudo é mais facilmente escrito do que feito. Se tu, leitor(a), estás a passar por uma fase menos plena... também eu. Força nisso. Não nos esqueçamos de que há sempre qualquer restinho de qualquer bocadinho de vida para aproveitar. Um dia de cada vez. É isto que eu repito ao meu lado mais emocional e dramático. Amanhã há-de ser melhor. Não faz mal andar de estômago virado, com os ácidos a transbordarem. E, se nos sentirmos voltar atrás... Acontece... Vamos lá!

Para um fim-de-semana positivo, alguns passos

Acordar cedo, mas ouvir música, uma TEDTalk ou um podcast enquanto se prepara tudo, come, veste. Planear uma viagem ou ler um livro enquanto se vai de comboio para o trabalho. Encontrar ou ligar a alguém de quem se goste, para lhe desejar um bom dia. Ouvir os outros. Andar a pé, nem que seja até ao café ou por cinco minutos num espaço verde. Agradecer as coisinhas pequeninas, a cidade mais vazia, o dia de sol, a limpeza da rua, o silêncio ou o vento a passar pelas árvores. Pensar em potenciais passatempos, hobbies, para experimentar. Aproveitar as pausas para respirar fundo e - porque não - comer um chocolate, um pacote de gomas, uma gulodice qualquer. Brincar com os animais lá de casa. Reflectir no que há de negativo nesta vida, mas fazendo um esforço para lhe encontrar contrapartidas que tragam benefícios. Enviar aquelas mensagens ou e-mails que se tem andado a adiar. Comprar algo de que se goste e que traga conforto - talvez uma manta, talvez uma peça de roupa, talvez um bolo, talvez umas pantufas, talvez uma vela, talvez um livro ou um CD.

 

Repetir.

Sim, o dinheiro traz felicidade

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Há poucas sensações tão boas quanto esta: entrar num restaurante, numa loja, ir de férias, com uma pessoa de quem gostamos e poder dizer "escolhe o que quiseres, não olhes para os preços, sou eu que pago".

Quem diz que o dinheiro não traz felicidade é hipócrita. Dinheiro que seja gasto em experiências, para mim, é dinheiro que me faz muito feliz.

Não pretendo ter um salário X para poder esbanjá-lo todo em coisas inúteis, mais porcarias e bugigangas, mas sim para poder mimar-me a mim e aos meus de vez em quando. No futuro a longo prazo, poder ter uma casa onde não falte nada, um carro que não me traga dissabores, férias fora do habitual todos os anos, ter um bom seguro de saúde para toda a minha família, dar à minha avó um resto de vida de papas e descanso, oferecer aos meus hipotéticos filhos uma educação que lhes abra os olhos e as portas para o futuro.

Por agora, é só isto: levar a minha avó e o meu pai ao melhor resort que há numa ilha tailandesa, mesmo que por apenas uma noite, entrar num restaurante e não olhar demasiado para os preços, viajar pelo país, proporcionar-lhes mudanças radicais De cenário, ser eu a pagar, poder partilhar o que tenho - basicamente, ter dinheiro suficiente para não ter de pensar... em dinheiro.

aniversário

Passei um dia dos Diabos, com os Diabos. Levaram-me a comida toda que tinha em casa, não restou um grão de açúcar. Desarrumaram-me o quarto, sujaram-me o quarto, partiram-me a armação de uma cadeira. Deram-me abraços apertados, cantaram-me os parabéns e animaram-me. Deram-me atenção e carinho. Foram simpáticos em trazer-me prendas quando eu os tinha proibido de o fazer. Deixaram-me realmente feliz (muito). Eu sei que eles também ficaram felizes. Não eram muitos, porque eram os suficientes. Obrigada pelo dia, obrigada pela companhia. Só lhes desejo mais dias iguais a este.

moda, moda, moda

A moda é relativa. Sim, para mim, é. Na minha perspectiva, é. De acordo com o que vejo, é. Uma coisa são tendências, outra coisa é a moda. Quase ninguém está na moda, por muito que se regozije a gritar aos ventos sobre a sua sabedoria no assunto, "as rendas estão na moda, as cores vivas estão na moda, as sandálias assim e assado estão na moda", pois eu aposto todos os meus dentinhos em como essa certa pessoa continua a usar aquele vestido com folhos que comprou no ano passado (à parte a minha humilde ignorância, julgo que esta Primavera/Verão tal já é considerado démodée). Tudo isto para concluir que a moda é um mito muito feio, um pretexto para andarmos a comprar aquelas roupas novas, lindíssimas, segundo as tendências, essa perdição de rendas, folhos, cores, tecidos, texturas, blá, blá, blá.... E que ninguém nos censure, porque pelo menos andamos bonitinhos e arranjadinhos e ficamos com a auto-estima em alta!

vingança moral

Quando vejo a foto de um casal feliz, penso logo "queridos, vocês não vão durar". Quer dizer, a menos que sejam meus amigos. Se o forem, limito-me a sentir uma enorme inveja deles e a esperar que me convidem para madrinha de casamento. Sou a típica forever alone assumida, workaholic, enterrando-me no estudo, na escrita, no blogue e nos concursos literários para me lembrar de que ainda possuo alguma sanidade mental. Alguma.