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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

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A ocupação indevida das escadas rolantes: uma observação social + apelo

Lembro-me de os passeios com a minha avó e o meu pai, quando eu era pequena, terem contribuído em grande parte para a minha educação cívica. De todos eles retirei qualquer coisa de útil, quer se tratasse de uma ida ao supermercado, quer fosse um passeio especial ao Chiado ou à praia. Gestos tão rotineiros como a maneira certa e educada de entregar notas num pagamento, utilizar os transportes públicos ou tratar um adulto foram, deste modo, apreendidos com bastante facilidade, praticamente por mera intuição, através do método "faz como vires fazer". 

Hoje em dia, mesmo que nem sempre cumpra as regras de etiqueta ou das relações sociais de propósito (o meu maior pecado é comer em todo o lado, a toda a hora, nas aulas, no comboio, no Metro, na fila para o autocarro), consigo distinguir o certo do errado. Se alguém me levar a mal, terei de dar o braço a torcer.

Por isso é que, pessoalmente, fico ainda mais incomodada quando adultos "feitos", com idade para serem meus pais ou avós, cometem erros de convivência social que me parecem, dentro da minha realidade, inadmissíveis.

Os locais em que mais vejo erros básicos devem ser as escadas rolantes. O comportamento dos indivíduos nas escadas rolantes das estações de Metro e comboio ou dos centros comerciais demonstra um total desrespeito pela regra "chega-te à direita porque, se alguém estiver com pressa para passar, tem a esquerda livre". E, para variar, eu costumo ser quem está com pressa ou, em geral, quem abomina estar ali parada, sem se mexer, encurralada por todos os lados. Detesto ter de esperar, sou impaciente por natureza e as escadas rolantes e a sua indevida utilização enervam-me. 

E depois uma pessoa está ali a suplicar "com licença, peço desculpa" e, quando finalmente pensa que já se livrou da totalidade dos empecilhos, eis que surge mais um casal que se recusa a separar-se, permanecendo lado a lado. Em breve, alcanço o fim das escadas rolantes, sem resultados ou glória.

Para quem vive a uma hora do centro de Lisboa, ou seja qual for o local para onde se dirige diariamente, a falta de educação e consideração implica muitas vezes todo o desarranjar de horários pré-definidos. O que mais me chateia são, de facto, as escadas rolantes que ligam as estações de Metro às de comboio e vice-versa. Não há quem não as ocupe, qual boneco Michelin insuflado (nem que sejam mulheres com uma mala de senhora gigante e larga a baloiçar num braço snob e inconveniemente esticado) de um lado ao outro dos corrimões, em especial quando quem só tem comboios de vinte em vinte minutos e autocarros de quarenta em quarenta está em vias de os perder e deseja, desesperadamente, passar (até porque uma desgraça nunca vem só). É que, por causa dessa gente pseudo-urbana, demasiado descontraída para se preocupar com o bem-estar alheio, gente stressada (e com razão!!!) como eu (a constante e egocêntrica vítima da conspiração) perde toda uma cadeia de transportes Lisboa-Margem Sul por dez curtos segundos (o que me acontece com mais frequência do que o normal, para aí uma vez por semana).

 

Dito isto, deixo um apelo a todos: DESOCUPEM O RAIO DO LADO ESQUERDO DAS ESCADAS ROLANTES!

Obrigada.

O cheiro a manhã

Pela manhã, o cheiro a café no comboio é insuportável. É como um bafo mortífero que paira no ar, o aroma da civilização ao nascer do sol, a prova em como, apesar de tudo, a humanidade acordou e está pronta para viver mais um dia nas ruas. Não gosto deste bafo a cafeína, por vezes mesclado com hálito a pastilha, tabaco ou restos do pequeno-almoço. Faz-me querer bolsar o meu. Nem sempre o cheiro a manhã é particularmente agradável.

O terror dos nossos dias

Já não me chegam as maratonas de oito e dez horas de aulas às terças e quintas-feiras, não me chega ir trabalhar dia sim, dia não, não me chega o calor de sauna que faz dentro das salas da FLUL (mesmo antes das oito da manhã) e ainda tenho de aguentar com os transportes públicos! Eh pá, pronto, em Julho e Agosto aguentou-se a situação - o pessoal andava em férias e a afluência nos autocarros, nos comboios e no metro foi menor - mas a partir da segunda semana de Setembro deixei praticamente de poder mexer um músculo mal entro nos ditos cujos. No autocarro, tenho sempre de ir em pé. No comboio, é o salve-se quem conseguir chegar primeiro e puder arranjar um lugar a correr. No metro, como saio logo na estação seguinte, limito-me a encostar-me à parede e acabou. Chego a levar noventa minutos de viagem, caneco! É obra! (Fora o tempo que gasto à espera que os transportes cheguem.)

Eu nem sou das pessoas mais refilonas quanto ao assunto em questão, consigo viver pacificamente com esta mágoa que me afecta o sistema nervoso no meu dia-a-dia, mas hoje tive de passar vinte minutos do meu regresso a casa sentada nas escadas do comboio, toda encolhidinha e conformada com a minha sorte de não ser uma das outras pessoas que me esmagavam e que tinham de ir em pé.

Fertagus... why do you do this to me? Why do you do this to us?

já é Inverno na Fertagus

Não sei quem foi o cretino que não se lembrou de desligar o ar condicionado a 10ºC nos comboios da Fertagus, mas devo expressar-lhe já o meu desagrado. É que hoje não esteve frio nem nada! E do que o pessoal estava mesmo a precisar era de um esfriamento, porque, afinal de contas, estamos todos desejosos de obter uma desculpa plausível para faltar ao trabalho ou às aulas! Obrigada aí, chefe! Recorde-me se me esquecer da sua prenda de Natal! (Já que, agora, ando numa de agradecer ao mundo inteiro, por tudo e por nada, a torto e a direito.)

já é Inverno na Fertagus

Não sei quem foi o cretino que não se lembrou de desligar o ar condicionado a 10ºC nos comboios da Fertagus, mas devo expressar-lhe já o meu desagrado. É que hoje não esteve frio nem nada! E do que o pessoal estava mesmo a precisar era de um esfriamento, porque, afinal de contas, estamos todos desejosos de obter uma desculpa plausível para faltar ao trabalho ou às aulas! Obrigada aí, chefe! Recorde-me se me esquecer da sua prenda de Natal! (Já que, agora, ando numa de agradecer ao mundo inteiro, por tudo e por nada, a torto e a direito.)