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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Para um fim-de-semana positivo, alguns passos

Acordar cedo, mas ouvir música, uma TEDTalk ou um podcast enquanto se prepara tudo, come, veste. Planear uma viagem ou ler um livro enquanto se vai de comboio para o trabalho. Encontrar ou ligar a alguém de quem se goste, para lhe desejar um bom dia. Ouvir os outros. Andar a pé, nem que seja até ao café ou por cinco minutos num espaço verde. Agradecer as coisinhas pequeninas, a cidade mais vazia, o dia de sol, a limpeza da rua, o silêncio ou o vento a passar pelas árvores. Pensar em potenciais passatempos, hobbies, para experimentar. Aproveitar as pausas para respirar fundo e - porque não - comer um chocolate, um pacote de gomas, uma gulodice qualquer. Brincar com os animais lá de casa. Reflectir no que há de negativo nesta vida, mas fazendo um esforço para lhe encontrar contrapartidas que tragam benefícios. Enviar aquelas mensagens ou e-mails que se tem andado a adiar. Comprar algo de que se goste e que traga conforto - talvez uma manta, talvez uma peça de roupa, talvez um bolo, talvez umas pantufas, talvez uma vela, talvez um livro ou um CD.

 

Repetir.

O fim-de-semana é para o descanso

Lembro-me de ainda andar na escola primária, de ter trabalhos de casa para fazer e de o meu pai me ter dito um certo dia que os fins-de-semana são para descansar. Não se trabalha ao fim-de-semana.

Ou seja, mais vale matarmo-nos a trabalhar de Segunda a Sexta-Feira, do que ficar com tarefas de sobra para Sábado e Domingo.

Cada vez me tenho convencido mais disso. De facto, sabe tão bem ter uma bonança depois de uma tempestade...! Eu sei que isto vai tudo muito contra os princípios da procrastinação, ou assim parecerá, mas ultimamente tenho-me esforçado por terminar todos os afazeres académicos à Sexta-feira (ou ao Sábado de manhã, quando ainda tenho aulas de Francês), para depois não ter de pensar mais no assunto durante quase dois dias. Se não os tiver terminado... Espero que Segunda regresse. O fim-de-semana é para a preguiça e para a eventual procrastinação. Enfim, para não sermos nada "produtivos".

Obviamente, é muito raro eu não acabar por adiantar qualquer coisinha durante o fim-de-semana. É que eu até gosto meeeesmo do que estudo. Dá-me prazer levar o trabalho em avanço.

No entanto, recomendo-vos vivamente - não deixem para Sábado o que podem fazer Quarta-Feira! Ou, se o deixarem para Sábado... Olhem, procrastinem-no até ao fim de Domingo!

Vão ver "The Age of Adaline"!

Andam sem ideias de filmes para ver no fim-de-semana? Vão ver The Age of Adaline, vão! Eu já o vi na semana passada, até já tinha escrito um textinho sobre ele, mas perdi-o ao formatar o tablet. É engraçado, porque também soube dele através dum outro blogue.

 

 

Pois então, o que me aconteceu foi ver o trailer no regresso a casa de sexta-feira (a outra que passou) e logo depois do jantar tive de declarar ditdura de televisão cá em casa e pôr toda a família a ver este filme pelo Wareztuga!

Posso ser um pouco suspeita, porque adoro a Blake Lively desde os tempos de Gossip Girl, mas acho que ela tem mesmo ar de menina dos anos 20. E depois, toda a ideia do filme, do fascínio que todos nós temos pelo mistério do tempo e do nevelhecimento... E a trama de amor, e o argumento e o enredo, e... só pelo trailer, ficamos logo com uma ideia do que se trata.

É claro que The Age of Adaline não é um filme todo XPTO, é "apenas" um filme romântico, bonitinho, mas a ideia funciona muito bem, nem que seja só para um sábado à tarde ou à noite, para aquecer o coração.

Fica a sugestão!

 

 

Para o fim-de-semana prolongado...

#BreakingStereotypes é uma campanha do site "casamenteiro" Truly Madly. Pode não ser o apogeu das campanhas contra a discriminação, mas as fotos estão engraçadíssimas! - AQUI.

 

 Vi este filme hoje de manhã e adorei. Ultimamente, ando um bocado virada para a ficção científica, para as utopias, distopias e fantasias, por isso fiquei com vontade de ver O Dador de Memórias desde que saiu. Atenção que não é nenhuma obra-prima do cinema de sci-fi, mas não deixa de colocar algumas questões pertinentes: existe perfeição?; pode haver uma sociedade perfeita?; o que seria viver num mundo mais moderado, amorfo?

 

 

Não perdi a Grande Reportagem da SIC desta semana. Ainda que não veja a experiência Erasmus como uma espécie de bilhete em direcção ao amor (encontrei o meu em terra, ehehehe), acho que todo o processo e conceito é delicioso, mesmo que se sintam as naturais saudades de casa, o choque de não ter ali os paizinhos, de viver longe durante um ou dois semestres... Bem, eu até já senti um bocadiiiinho disso quando fiz o meu Erasmus+ de duas semanas, mas meh. Não há capital para aventuras mais duradouras!

 

Deixadas as sugestões, bom fim-de-semana de três dias para a malta procrastinadora =)

coisas do fim-de-semana

   Ela tem os pés frios, mas continua a escrever. Estendida em cima da cama, espreita para a janela, um pouco à frente, por onde entram algumas das luzes da rua… por onde entra a escuridão que as combate.


   Pela aparelhagem (três módulos – um corpo, duas colunas) a mulher, essa cantora comercial, grita ameaças ao ex-namorado, insulta-o, ridiculariza-o, recorda-o. São melodias fáceis de decorar, as que saem pelas colunas, com a voz da pobre abandonada e traída e desiludida a rasgar o instrumental. Troca de faixa, troca de sentimento - e de parágrafo.


   No quarto, existem dois roupeiros de madeira escura. Um tem espelhos, o outro tem barrigas nas portas, resultado dos largos aros dos vestidos antigos que lá dentro, outrora, eram guardados. Este último já foi herança de, pelo menos, umas tantas gerações, talvez as que tem uma mão. Nos dias que correm, alberga blusões de ganga, casacos de malha, casacos de desporto e casacões de Inverno, um vestido de baile, vários pares de calças e, na gaveta inferior, mais não sei quantos quilos de roupa de rapariga – roupa dela, claro está.


   E inicia-se a última faixa do CD que gira na aparelhagem. Lá fora, já é noite cerrada. A rapariga ignora o decorrer do tempo e continua a escrever, sem nunca conhecer a linha seguinte.


   À medida que escreve, lembra-se dos seus amigos. É engraçado como nunca lhe saem da cabeça. É capaz de se esquecer de si própria, mas jamais deles. São todos muito diferentes uns dos outros, pensa. Por vezes, pergunta-se sobre o que aconteceria se os juntasse numa única divisão. O provável seria desentenderem-se durante a primeira hora. Sim, ela tem amigos demasiado diferentes entre si.


   Ouvem-se carros a passar na estrada em frente da sua janela. Até há quem faça corridas nessa mesma estrada, tão comprida, com mais de um quilómetro e sem muito tráfego, principalmente à noite. Ela não sabe quem os conduz, mas imagina que se tratem de jovens inconscientes (ou mesmo de adultos inconscientes) que têm por hábito gastar montes de dinheiro a transformar bólides com matrícula de 98, para parecerem ser mais recentes… mais fixes. Os motores rugem, os pneus guincham, o alcatrão fede a borracha queimada e os corredores ao volante acordam os moradores.


   O CD já parou de tocar, mas ela, que ainda consegue ouvir as músicas a ecoarem-lhe ao ouvido, só se apercebe mais tarde.


   Agora, são os cães que ladram lá fora. Existem montes de cães na vizinhança, porque cada casa, por motivos de segurança ou amor, tem pelo menos um. Há grandes que, apesar de ladrarem grosso, são uns medricas envergonhados; há pequenos que ladram fininho, mas que mordem como gente crescida; há médios que fazem o que bem lhes apetece.


   No quarto da rapariga que não consegue parar de escrever, também há uma estante de seis prateleiras. A de cima tem peluches, a segunda tem montes de livros, a terceira tem CDs, canecas de colecção, objectos do dia-a-dia e as três últimas encontram-se cheias de mais tralha: livros e material escolar, pastas, capas, papelada, inutilidades.


   Como tem de ir jantar, ela começa a tentar imaginar um parágrafo final, apressadamente, de modo a que o texto não termine abruptamente. Rebusca possíveis reflexões inteligentes, conclusões floreadas ou o que mais não seja uma última frase que permita ao leitor continuar a imaginar o que mais poderia vir a ler. Infelizmente, não consegue, e o seu estômago ronca, desagradado.


   Não, não há mais nada que possa ser dito. Apetece-lhe chorar de frustração, pelo que poderia ter escrito e não escreveu. Já é tarde, não é? Terá de se levantar em breve e reiniciar a rotina nocturna de quem ainda tem de ir jantar.


   Hambúrguer grelhado no pão?, oferece ela. Desculpem, mas só há para mim.

coisas do fim-de-semana

   Ela tem os pés frios, mas continua a escrever. Estendida em cima da cama, espreita para a janela, um pouco à frente, por onde entram algumas das luzes da rua… por onde entra a escuridão que as combate.

   Pela aparelhagem (três módulos – um corpo, duas colunas) a mulher, essa cantora comercial, grita ameaças ao ex-namorado, insulta-o, ridiculariza-o, recorda-o. São melodias fáceis de decorar, as que saem pelas colunas, com a voz da pobre abandonada e traída e desiludida a rasgar o instrumental. Troca de faixa, troca de sentimento - e de parágrafo.

   No quarto, existem dois roupeiros de madeira escura. Um tem espelhos, o outro tem barrigas nas portas, resultado dos largos aros dos vestidos antigos que lá dentro, outrora, eram guardados. Este último já foi herança de, pelo menos, umas tantas gerações, talvez as que tem uma mão. Nos dias que correm, alberga blusões de ganga, casacos de malha, casacos de desporto e casacões de Inverno, um vestido de baile, vários pares de calças e, na gaveta inferior, mais não sei quantos quilos de roupa de rapariga – roupa dela, claro está.

   E inicia-se a última faixa do CD que gira na aparelhagem. Lá fora, já é noite cerrada. A rapariga ignora o decorrer do tempo e continua a escrever, sem nunca conhecer a linha seguinte.

   À medida que escreve, lembra-se dos seus amigos. É engraçado como nunca lhe saem da cabeça. É capaz de se esquecer de si própria, mas jamais deles. São todos muito diferentes uns dos outros, pensa. Por vezes, pergunta-se sobre o que aconteceria se os juntasse numa única divisão. O provável seria desentenderem-se durante a primeira hora. Sim, ela tem amigos demasiado diferentes entre si.

   Ouvem-se carros a passar na estrada em frente da sua janela. Até há quem faça corridas nessa mesma estrada, tão comprida, com mais de um quilómetro e sem muito tráfego, principalmente à noite. Ela não sabe quem os conduz, mas imagina que se tratem de jovens inconscientes (ou mesmo de adultos inconscientes) que têm por hábito gastar montes de dinheiro a transformar bólides com matrícula de 98, para parecerem ser mais recentes… mais fixes. Os motores rugem, os pneus guincham, o alcatrão fede a borracha queimada e os corredores ao volante acordam os moradores.

   O CD já parou de tocar, mas ela, que ainda consegue ouvir as músicas a ecoarem-lhe ao ouvido, só se apercebe mais tarde.

   Agora, são os cães que ladram lá fora. Existem montes de cães na vizinhança, porque cada casa, por motivos de segurança ou amor, tem pelo menos um. Há grandes que, apesar de ladrarem grosso, são uns medricas envergonhados; há pequenos que ladram fininho, mas que mordem como gente crescida; há médios que fazem o que bem lhes apetece.

   No quarto da rapariga que não consegue parar de escrever, também há uma estante de seis prateleiras. A de cima tem peluches, a segunda tem montes de livros, a terceira tem CDs, canecas de colecção, objectos do dia-a-dia e as três últimas encontram-se cheias de mais tralha: livros e material escolar, pastas, capas, papelada, inutilidades.

   Como tem de ir jantar, ela começa a tentar imaginar um parágrafo final, apressadamente, de modo a que o texto não termine abruptamente. Rebusca possíveis reflexões inteligentes, conclusões floreadas ou o que mais não seja uma última frase que permita ao leitor continuar a imaginar o que mais poderia vir a ler. Infelizmente, não consegue, e o seu estômago ronca, desagradado.

   Não, não há mais nada que possa ser dito. Apetece-lhe chorar de frustração, pelo que poderia ter escrito e não escreveu. Já é tarde, não é? Terá de se levantar em breve e reiniciar a rotina nocturna de quem ainda tem de ir jantar.

   Hambúrguer grelhado no pão?, oferece ela. Desculpem, mas só há para mim.

BOM DIAAAA!

Acordei com o ribombar da trovoada. Levantei-me na cama, depois de ouvir algumas musiquinhas que me ajudaram a abrir os olhos ao dia, desci as escadas e dirigi-me à cozinha. Pelo meio do caminho, encontrei o Dinky, ensopado em medo dos trovões, que correu a fugir para a cama mais próxima, a da minha avó. Arrastei-o de lá, o bicho todo desorientado, e assumi a derrota - levei-o para o meu quarto. Lá o fiz deitar em cima da manta, para não sujar o édredon, e dirigi-me, uma vez mais, à cozinha. Vi uma frigideira cheia de bifinhos de porco e molho de bifinhos de porco. Meti aquilo ao lume e, dentro de três minutos, já me estava a regalar com um pequeno-almoço de trezentas mil calorias, quatrocentas, quinhentas, bifinho no pão, pão no molho, tudo para a boca*, e a minha avó que nem venha queixar-se que eu não como e que estou tão magra que um dia desapareço. Sinto-me 200% preparada para o fim-de-semana de estudo intensivo.


 


* Não aconselhável a estômagos sensíveis ou a pessoas com a mania que estão gordas. Eu tenho desculpa porque sou um bicho devorador de 46,5kg!