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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Leitura de cabeceira: Meio intelectual, meio de esquerda (Antonio Prata)

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Três crónicas por dia, nem sabe o bem que lhe fazia... Podia ser um ditado popular, mas é só uma das muitas recomendações que por aqui vou plantando.


O livro Meio intelectual, meio de esquerda (Antonio Prata) foi a minha leitura de cabeceira das últimas semanas, depois de o ter encomendado através da promoção de Inverno da Tinta-da-China. Apesar de o ter escolhido às cegas, somente pelo prazer de comprar um livro a preço reduzido, acho que fiz muito bem.

 

Esta edição portuguesa de Meio intelectual, meio de esquerda reúne crónicas do autor e guionista brasileiro desde 2003 até 2016, por isso deu-me sempre a impressão de que, desde a primeira até à última, estava a acompanhar um amigo que ia crescendo, amadurecendo e evoluindo na sua vida pessoal e profissional - e escrevendo sobre isso. Ao contrário do que o título possa indicar, raras são as crónicas de cariz político, preteridas ao futebol (do qual eu percebo muito), amor, filhos e reflexões várias, mais ou menos disparatadas.


Se pensarmos que, em 2003, Antonio Prata tinha vinte e poucos anos, alguém que os tenha ao ler estas crónicas poder-se-á deparar com uma máquina do tempo, em que o futuro se apresenta com a sucessão de eventos (viajar juntos pela primeira vez vs. o casamento; o início duma carreira vs. a sua consolidação), problemas (como usar a palavra "tomate" vs. mãozadas de cocó de bebé) e preocupações (bares ruins vs. recibos e contabilistas) de quem vai registando pequenos apontamentos da sua vida durante mais duma década. Talvez, um dia, também nós sejamos mais ou menos assim. Talvez eu seja mais ou menos assim.


À semelhança do que acontece com a maioria das colectâneas de crónicas, prefiro ir lendo poucas de cada vez, daí ter nomeado Meio intelectual, meio de esquerda como leitura de cabeceira. Antes de dormir, para acalmar a cabeça dos ecrãs, da rotina e do entusiasmo do dia, bastam alguns minutos e páginas. Crónicas de duas ou três são ideais, por não serem demasiado exigentes, nem desinteressantes, enquanto a variedade de temas nos entretém e embala para um sono mais descansado (idealmente!).


Em suma, Meio intelectual, meio de esquerda não é o melhor livro de crónicas de sempre, não é o mais perspicaz ou criativo, mas presta-se a um óptimo trabalho de entretenimento!


[Acabado este, está na altura de passar para Silêncio na Era do Ruído (Erling Kagge).]

Falar outra língua

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Em Banguecoque, comecei a dar aulas ocasionais de Português a estrangeiros, nomeadamente a quem era casado com portugueses, o que tenho feito desde então. Precisam de quem fale com eles, de quem lhes explique como funciona a nossa língua. E eu sempre muito intrigada por que raio não eram os respectivos que lha ensinavam, por que insistiam em fazer do inglês a única língua em comum, quando obviamente poderiam começar a introduzir outra na vida a dois, de forma tão natural!


Isto era o que eu pensava. Depois, conheci o Rui. O Rui é português, felizmente temos isso a nosso favor, mas gosta de futebol, que é um idioma que eu nunca dominei, nem para salvar a vida.


Os meus alunos costumam dizer que os namorados e maridos nunca arranjam tempo para lhes ensinar nada. Eu argumentava que, algures no futuro, eles haveriam de ter filhos e falariam uma língua que não iria ser compreendida por todos, deixando sempre alguém em desvantagem. Que é bom saber a língua materna do respectivo para conseguir falar também com a família dele. Que é todo um mundo de vantagens que já lhes poderia ter sido apresentado.


Agora sou eu quem está desse lado ingrato do processo de comunicação.


Já pedi ao Rui que me ensinasse o que se passa num jogo. Ele diz que eu podia estudar sozinha. Já pedi que me levasse a ver um jogo. Ele diz que sim, que me leva, mas que não vou perceber nada, porque não há comentário como na televisão.


Depois, também sinto esta incompreensão: como é que uma multidão se pode interessar tanto por uma bola, de forma tão apaixonada? Não domino essa cultura, que me trava de entender toda a abrangência da língua correspondente. Vejo os outros vibrarem com os jogos e sim, eu também consigo vibrar com algumas coisas, mas há muito que me passa ao lado num relvado. 


Agora, sei o que é não partilhar uma língua e a outra parte achar que é mais fácil falar uma língua comum do que introduzir uma nova (futebolês, portanto). É uma posição muito ingrata, já que nenhum dos meus amigos ou familiares me pode ajudar. Talvez tenha mesmo de me tornar uma autodidata nesta nova matéria.

Fado, Fátima e Futebol*

Hoje, estive presente numa cerimónia de confirmação de fé (também chamada simplesmente de crisma), na Sé de Lisboa, em que participaram dezenas de jovens. Todos eles iam bonitinhos, quase todos vestidos de cores claras, cabelos penteados, colarinhos engomados para eles e maquilhagem leve para elas, modos beatos, velinhas em riste, literalmente com o Cristo na boca (e, esperemos, no coração).

 

Qual é a primeira coisa que a Beatriz ouve ao sair da missa?

- Então e logo, pá, vamos ao Marquês?

 

*Só faltou o fado!

Ronaldo, Ronaldo e mais Ronaldo

Ando enjoada de tanto Cristiano Ronaldo. Ele é a estátua com as jóias da família em destaque, ele é o livro da D. Dolores (que me parece, contudo, uma granda mãe), ele é as não sei quantas Bolas de Ouro, ele é a rivalidade com o Messi, ele é o fofucho ficar sempre lesionado antes de jogar pela selecção nacional (tristes coincidências desta vida)... Eh pá, caramba, deixem lá o moço! Deslarguem-no! Prendam a vossa atenção noutras coisas bonitas da vossa existência, tipo passear o cão enquanto o sol nasce, serem assinantes duma revista de terceira categoria ou comentarem as calinadas do Gustavo Santos (bem, esta última dispensa-se na mesma).

Já sei, já sei, eu represento a voz duma minoria que não compreende o futebol, mas é só de aparência. Eu tento mesmo compreender o fenómeno do futebol e penso que já estive mais longe de o compreender totalmente. Até costumo ter bastantes conversas com quem é fã ferrenho da coisa (incluindo professores universitários) e já cheguei à conclusão de que ser portista/sportinguista/benfiquista/etc/etc de alma e coração não tem nada que ver com estrato social ou grau de instrução. Só não compreendo por que é que a maioria dos portugueses

 

A banda sonora de Portugal no Mundial 2014

 

(Cantar ao ritmo da música "Acabou", do Boss AC.)

 

Acabou

Não interessa quem marcou

E não me interessa quem falhou

O Cristiano sabe bem o que se passou

Caguei e não liguei

Acreditaram e eu fartei

Custou, mas confirmei

Futebol é m****, agora eu sei

Percebe, isto não é de mau tom

A última coisa que digo vem neste som

 

REFRÃO:

Por mais que custe, ele não foi capaz

O Pepe à bulha não nos trouxe paz

Vão ter saudades e nós vamos saber

Vão dedicar-se à pesca até o povo se esquecer

(Até se esqueceeeeeeee-eeee-eeeeer)

Acabou, acabou, sim acabou
Acabou e não quero mais
Acabou, acabou, sim acabou
Acabou e não chorem mais

 

Não há dor nem desgosto que o tempo não cure
Se eu jamais acreditei que ninguém me censure
Fiz o que pude agora mudem de atitude
A vida não para, estamos vivos e de boa saúde
Não estava escrito, está tudo dito
Se perguntarem pelo Bento, isto não tá nada bem
Que não deu certo mas que a culpa é sempre de alguém
Só é quando tiver que ser
Vão mas é bugiar até eu vos esquecer

 

Em noite de jogo, há quem diga que o seu GRANDE ORGULHO é um clube de futebol...

Mas os meus orgulhos são outros.

O meu GRANDE orgulho é a minha avó, que faz tudo pela família e que continua a ter a energia duma jovem, mesmo depois dos 70.

O meu GRANDE orgulho são os meus amigos, aqueles que eu tenho aprendido a escolher e que, provavelmente, me vão acompanhar durante muitos anos (quem sabe, uma vida), porque são pessoas íntegras, com corações do tamanho do mundo e têm uma dinâmica e um sentido de humor bestiais.

O meu GRANDE orgulho é o meu namorado, que é uma das melhores pessoas que já conheci, sempre pronto a alegrar o dia de qualquer pessoa que com ele se cruze, sem esperar nada em troca, e que me relembra todos-todos-todos os dias o quanto gosta de mim, o quanto eu valho e quanto eu sou liiiiiiiinda de morrer (é ele que diz e eu gosto de poder acreditar, nem que seja apenas aos olhos de quem gosta de mim).

O meu GRANDE orgulho sou eu, que me esforço a estudar e a trabalhar, que pago o meu curso, e, mesmo assim, levo sempre as minhas ideias, objectivos e projectos avante, não abdicando dos meus momentos de pausa e lazer, nem das minhas 7 a 8 horas de sono por noite.

 

Depois disto, não percebo como alguém pode depositar os seus sentimentos mais nobres e profundos num clube de futebol. Digam-me vocês.

Estou tanto para o futebol quanto o meu cabelo está para o loiro

Como já se devem ter apercebido, neste blogue deixou-se passar tudo o que foi o Eusébio a quinar (só por esta expressão, já vou ser excomungada da blogosfera - e de Portugal) e Cristiano Ronaldo a tropeçar nas palavras comovidas quando recebeu a sua bolinha dourada. Vocês já sabem como é que eu sou: não falo do que não sei, do que não conheço, e detesto futebol com todo o meu ser. Os únicos momentos da minha vida em que estive mais perto de não o odiar foi quando o joguei, marquei golos e defendi golos, tudo isto sem levar com nenhuma bola em cima, um autêntico feito. 

Portanto, não, a Beatriz abstem-se de tecer comentários à la Sócrates. Não percebo nada do assunto nem quero ter nada que ver com ele. Eu sei, sou uma portuguesa terrível, uma tuga ainda mais vergonhosa e devia ser vaiada em toda a minha condição e esplendor de ignorante do desporto rei, ou lá o que lhe chamam. Porque pior do que não gostar de futebol é não entender quem gosta de futebol ou quem dá pontapé na bola e desencanta uns milhões de euros por ano.

 

Estou perdida

Não gosto de reality shows, não gosto de futebol, não gosto de passadeiras vermelhas, não gosto da música que, hoje em dia, se considera pop, não percebo nada de moda, não sou popular, também não sou nenhuma oprimida-excluída, não possuo uma beleza rara, não sou lamechas, não tenho do que me queixar no campo emocional, não digo nem escrevo muitas asneiras, estou-me pouco lixando para o acordo ortográfico, ainda ando na secundária, não leio muita literatura "light" e muito menos da pesadona, não escrevo eruditamente, ...

Arre, o que ando eu a fazer na blogosfera...??!