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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Algumas ideias sobre O Método Bullet Journal: o livro vale a pena?

Na semana passada, fui ao Clube de Leitura organizado pela Sónia na Fnac do Colombo e, antes de começarmos, dei uma olhadela a alguns livros dos quais tenho ouvido falar. Calhou um deles ser O Método Bullet Journal, do designer Ryder Carroll, que a Cláudia já tinha mencionado no blog dela. Eis algumas considerações sobre este livro, e não só...

 

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Desde o primeiro ou segundo ano da licenciatura que mantenho cadernos. A certo ponto, deixaram de ser meras listas de tarefas para fazer para passarem a incluir todo o tipo de apontamentos, incluindo os das aulas, trabalho, eventos aos quais ia, estágios, ideias aleatórias...

 

Depois, fui para Banguecoque e grande parte dessa vontade de escrever em cadernos desvaneceu. Cheguei a comprar vários, na esperança de resgatar esse prazer de escrever no papel, mas nunca fui bem sucedida. Nessa altura, perdi a ligação a muitas das coisas que tinham feito sentido nos meus métodos de organização dos últimos anos, o que foi uma pena, porque talvez eu tivesse lidado melhor com algumas mudanças e frustrações se lhes tivesse permanecido fiel e tivesse feito um esforço mais consistente para continuar o que já costumava fazer.

 

No entanto, o que lá vai já passou e o chamamento pelo papel e caneta regressou. Desde que comecei este mestrado que tenho sentido vontade de voltar aos cadernos e caderninhos, só não sabendo bem como ou quando.

 

O livro do qual vos quero escrever, O Método Bullet Journal, acabou por ser a minha desculpa perfeita. Li os primeiros capítulos e senti que o método faria sentido para mim, se o tentasse aplicar. Sim, porque há mesmo um método! Pelo menos, ali estava uma oportunidade de recomeçar a tomar notas.

 

Como o criador do método explica, este é um projecto analógico, isto é, faz-se em papel e não numa app, num telemóvel ou num computador. É uma forma de sairmos da frente dum ecrã e relaxamos através da escrita à mão. Além disso, ao contrário do que alguns utilizadores dos BuJo possam fazer parecer na Internet, o objectivo deve ser criar um caderno funcional, e não necessariamente bonito. Para mim, que possuo sérios obstáculos cognitivos na área da representação visual, essas são óptimas notícias, bastante encorajadoras.

 

Assim sendo, claro que decidi criar o meu BuJo nessa sexta-feira, ainda por cima último dia de Novembro, a desculpa feita à medida. O dia seguinte marcaria o início da minha experiência com o BuJo. Até agora, já passou mais duma semana e continuo a passar tempo com o meu várias vezes por dia.

 

E agora especificamente quanto ao livro...
Adorei o que li quando encontrei O Método Bullet Journal na Fnac, mas à medida que fui progredindo na leitura também me fui desapontando. De facto, gostei muito dos primeiros dois capítulos, "A Preparação" e "O Sistema", ambos sobre aspectos mais técnicos do BuJo (como organizar as várias partes, os símbolos, as colecções...), enquanto o resto do livro me pareceu uma perpetuação de clichés e amálgama de ideias de auto-ajuda, repetitivos e sem grande nexo. Por exemplo, gostaria muito de ver mais exemplos de BuJo bem-sucedidos, como os que são mostrados, e que estes também viessem acompanhados algum tipo de explicação mais detalhada sobre a sua elaboração e funcionamento.

 

Seja como for, não deixou de ser uma leitura construtiva. Só não consigo gostar totalmente dela como gostei até à página 123. Acho que talvez faça mais sentido ver mais materiais sobre o BuJo no YouTube e no Instagram para aprofundar a minha própria prática (vejam o vídeo que vos deixo no fim deste texto). Como é destacado no livro, já há uma grande comunidade construída à volta destes "diários com método".

 

Como estamos quase a terminar o ano, penso que me resta desafiar-vos a darem uma oportunidade ao Bullet Journal. Sentem que vos falta uma estrutura para organizarem o vosso tempo? Precisam de algo que vos ajude a orientar as vossas actividades diárias, mas também a reflectir no passado e a fazer planos para o futuro? Acham que todos os meios são poucos para vos afastarem finalmente da procrastinação e do vício das tecnologias? Tentem fazer um BuJo ou um qualquer diário de ideias.

 

 

Follow Friday: O meu Caderno de Produtividade

Servem as seguintes linhas para justificar por que ando a seguir um blogue recente, chamado O meu Caderno de Produtividade, da autoria doutra Beatriz (só pode ser boa pessoa!). A Beatriz fala dos métodos de gestão de tempo que tem adoptado, fala do seu trabalho e deixa aos leitores algumas sugestões. Ainda tem poucos textos por lá, mas vou continuar a acompanhar o desenvolvimento do blogue! Quem está comigo?! 

 

E por que gosto eu de blogues e pessoas que me inspirem a adoptar melhores métodos de produtividade? 

 

Cada vez tenho mais a sensação de que sou péssima a gerir o meu tempo e cada vez mais adoro ler e ouvir sobre como outras pessoas o fazem.

 

Eu sei que pode ser só, de facto, uma sensação. Na verdade, sempre consegui ir fazendo tudo e mais alguma coisa e, pelos vistos, bem. Mas a outra verdade é que, nos últimos tempos, tenho decidido não fazer dos meus dias meras repetições do padrão trabalho-casa-aulas-casa-trabalho-aulas e suas respectivas variações, o que pede alguma flexibilidade, disciplina e organização. Durante a licenciatura e o primeiro ano a trabalhar, reduzi imenso a parte social, de estar, de confraternizar, de conhecer pessoas novas, em prol duma vida académica e profissional muito intensas e simultâneas (isto sempre aconteceu, mas o segundo e terceiro ano do curso foram uma correria) e mesmo de parar para respirar e fazer nicles. Na altura, também ajudou o facto de confiar que as relações pessoais estavam asseguradas e a maioria dos meus amigos estava a passar pelo mesmo. Ninguém tinha realmente muito tempo disponível para gastar, ou estudávamos todos perto uns dos outros, tal como morávamos num raio de três quilómetros, excepto um ou outro caso. 

 

No entanto, em 2018, as coisas mudaram. Agora, os meus amigos e o meu namorado moram quase todos na outra margem, em zonas tão distantes quanto Oeiras ou a Alameda. E, sim, eu também trabalho e estudo na outra margem, mas tenho inevitavelmente de regressar à minha, a menos que haja a possibilidade de pernoitar na casa de alguém. Tudo isto, de ir e vir diariamente, ou ficar longe de casa até tarde, acaba por me consumir imenso tempo e energia. 

 

Além disso, eu tenho um problema: nunca estou completamente satisfeita com os meus resultados, a mediocridade não é suficiente, tento sempre puxar o elástico mais um bocadinho, meter uma formação pelo meio, mais um cliente ou aluno, mais um projecto pessoal, mais um plano... O que, mais uma vez, pede de mim disciplina que me falta, nem que seja para dizer não a mais sarna para me coçar. 

 

Portanto, nos próximos meses quero trabalhar a gestão do meu tempo: fazer mais em menos tempo e estar disponível para estar com toda a gente, sem me cansar tanto quanto ultimamente. Como já referi aqui, sigo ainda mais uns podcasts sobre ser feliz e procurar um certo equilíbrio psicológico. Se tiverem mais sugestões, adorava conhecê-las! A ver se melhoro o meu próprio caderno de produtividade... A ver se domino o caos.