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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Direitos de autor

Quero imenso escrever um livro. Histórias não me faltam, só que não me vejo no direito de as usar. Todas essas histórias, sejam mais ou menos minhas, também pertencem a outras pessoas. Principalmente a elas. As minhas histórias, as que são mais minhas, nem sequer merecem tanto ser contadas, passadas para o papel. Só tenho dezoito anos. Mas as outras pessoas têm já imensa experiência, cheias de palavras e de acontecimentos para partilhar, e, em comparação a elas, eu sou só um pequeno bicho.

A minha avó e a minha professora de Francês são quem mais contribui para o meu imaginário real. São quem mais me conta histórias pessoais e de pessoas que foram conhecendo ao longo dos seus (mais de) setenta anos, mas essas histórias são delas, pertencem-lhes, e, na hora de escrever sobre o que me contam, sou incapaz de o transcrever pelas minhas mãos. É como se me fosse apropriar do que não é meu, do que não vivi. No entanto, estas são apenas duas mulheres, dois exemplos, num mundo enorme que absorvo todos os dias e com quem aprendo mais histórias a cada hora que passa. Imaginam quantas histórias cada um de nós tem para contar, ao fim de umas quantas décadas de vida? E eu nem sequer conheço muita gente, mas não é por causa disso que não deixo de me sentir, por vezes, a rebentar de ideias que quero anotar, pequenos acessos de vontade de escrever, de escrever...

Até ser travada.

Porque tais histórias não me pertecem e as minhas palavras nunca parecem ser suficientemente dignas para as revelarem. Assim, retraio-me e vou adiando o dia em que essas histórias também possam ser minhas, seja como for.

Eu, desmancha-prazeres

Acho piada quando as pessoas dizem coisas como “pareces uma princesa” ou “ele é um autêntico príncipe”, em jeito de elogio. É que, empinando factos históricos, os príncipes, princesas, reis e rainhas, até há sensivelmente dois séculos atrás, eram feios que nem cornos, já para não falar das doenças degenerativas de que padeciam, causadas pelo “acasalamento” de familiares próximos, sem sangue novo a correr-lhes nas veias. Sim, está bem, vocês referem-se, como base de comparação, à Cinderela e a essas meninas em vestido comprido e com pé para a valsa que figuram nos contos de fadas, mas, como é evidente, os irmãos Grimm (benditos sejam os seus nomes e que descansem em paz, xisdê) nunca vieram confirmar as personificações das suas princesas pela Disney. Quem nos garante que, depois do final “felizes para sempre”, a Bela Adormecida não acabou por se aborrecer do seu Príncipe, pediu o divórcio e fugiu com um saltimbanco de origem duvidosa mas que até a apreciava bastante, enquanto o ex passou o resto da sua existência a fazer espectáculos em bares diversos sob o nome fictício de Donna Linda, uma drag queen absolutamente concretizada…? E sabemos lá nós se a Branca de Neve não foi encornada e, tal como a Katy Perry, se decidiu fazer forte e ingressar na tropa, onde chegou a ser a primeira mulher a usar a farda, deixando o traste do marido livre para divagações constantes por corpos alheios! À sua maneira, foram realmente "felizes para sempre". Isto é o que se chama “não ligar às aparências”.

obrigadinha

Um enorme agradecimento à Stephenie Meyer e à sua saga "Crespúsculo". Graças a si, a maioria dos jovens já nem sequer conhece o verdadeiro mito dos vampiros como ele é. Em vez de imaginarem um Drácula sanguinário, vestido com uma capa preta e vermelha, dentes bicudos, a viver num castelo escuro e imundo, que não pode sair de dia e está preso num ciclo de drama, solidão e tristeza, imaginam um Edward Cullen, supostamente sexy, jovem, bem penteado, bem vestido de acordo com as tendências, bom falador, com hábitos vegetarianos, a viver numa casa de arquitectura moderna, que anda na escola secundária e trepa às janelas de raparigas adolescentes para as poder comer (sem lhes espetar os dentinhos), mesmo que o pai delas esteja na divisão ao lado. AWESOME!