Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

"Não se queixem, criem!"

 

Às vezes, passo por fases de queixume agudo. Preciso - precisamos todos - de verbalizar, de explorar, de mandar tudo cá para fora. No entanto, nem sempre consigo recuperar e admiro quem recupera (quem não procrastina o resto da vida, por exemplo, depois destes momentos emocionalmente intensos).

 

Claro que não sou sempre assim, ou não andasse a estudar o que ando a estudar, ou não andasse a fazer as mil e uma coisas que faço, mais ou menos bem feitas. Consigo recuperar, seguir em frente, encontrar novas razões de queixa. Nesses "entretantos", gosto de pessoas que me inspiram com ideias e histórias sobre como passar à acção, contrariando a lamentação (não desvalorizando a verdade universal de que é mais fácil falar do que fazer).

 

Assim, hoje venho só dizer que gosto de ouvir a Tina Roth Eisenberg, de quem a Elisa me tem falado imenso. TRE, a criadora das Creative Mornings, descobriu falhas ou faltas no mundo à sua volta e, em vez de se queixar, diz que acabou por criar ela as soluções para os seus problemas. Vejam a palestra que vos deixo aí em cima. 

 

E, na mesma onda, quero partilhar um dos episódios do podcast "The Happiness Lab" (clicar nesta hiperligação), da investigadora Laurie Santos (professora da disciplina mais concorrida de Yale, também no Coursera, "The Science of Well-Being"), episódio no qual se discutem os efeitos dos queixumes no nosso bem-estar, e como modificar esses padrões de comunicação negativa/agressiva, nomeadamente nas redes sociais.

 

A par destas recomendações, deixo outra absolutamente diferente: um compositor português chamado Rui Massena, que tem feito as delícias do meu Spotify. Dos três álbuns disponíveis, o mais recente, III, é o meu favorito.

Escrever em tempos de isolamento

IMG_20200314_180007.jpg

 

Escrevo - não porque já não tenha nada para fazer, mas sim porque não há mais nada com que preferisse ocupar o meu tempo, este tempo, neste momento; este momento em que sufocamos, mas em que também aprendemos outras formas de respirar.


Escrevo por necessidade, por fôlego, como um peixe que precisa de nadar às profundezas para, aí sim, sobreviver. Preciso de escrever, preciso, mesmo quando não consigo. Deve ser muito triste a vida sem esta forma de expressão, para quem depende tanto de palavras. Preciso de escrever para me materializar, para me pensar, para me construir, para me concretizar inteira.


Escrevo para que o raciocínio tome consistência. Enquanto escrevo, organizo, arrumo, descubro novos espaços onde viver. Durante este isolamento, que as palavras que escrevemos sejam a janela ou a varanda com vista para o resto do mundo! Que sejam a rua que caminhamos sem restrições! E que, se assim o desejarmos, seja o encontro e reencontro com quem nos deseje ler!


Escrevo, e quem me dera que outros também possam escrever para se sentirem menos ansiosos, nervosos, inseguros. Eu escrevo, para fugir das conversas repetidas, do fluxo de informação insistente e da iminência duma vida ainda desconhecida. Eu escrevo, porque, ao fazê-lo, só interessa o presente; este momento em que já não sufoco. E, no meio da cacofonia, interessa a minha voz, a única que monta este texto, que o dita. Não é silêncio, mas é poder.


Por isso, escrevam:

Escrevam em papel, nos cadernos e diários, ou na página branca e regrada do computador. Escrevam rascunhos, adágios, canções, listas e listinhas, diálogos, descrições, ficção e não-ficção, a vossa história ou a história de outros; escrevam porque escolhem, porque escrever faz sentido.

 

Aproveitem o desafio do confinamento para quebrar paredes e barreiras. Escrevam para se conhecerem melhor, para conhecerem os outros melhor, para crescer.

 

Escrever acalma e ritma a inconstância dos pensamentos. Subjuga-os à nossa vontade, diminui o stress e a ansiedade, diminui a dor, reduz a insegurança, alarga as perspectivas.


Eu escrevo, porque confio: hei-de sair mais construída, e mais construtiva, deste tempo que se apresenta como um presente, não sabemos se doce ou envenenado. Eu escrevo, ora para mim, ora para os outros, nos meus blocos de notas, no blog, no telemóvel, textos que guardo ou que me fogem, que partilho ou que escondo.


Escrever é grátis. Pode ser feito em qualquer lado - em casa também. Escrever leva-nos onde quisermos, sempre na ponta dos dedos, como quem afaga um gato adormecido, ou como quem se prende fortemente ao desfiladeiro.

Vamos escrever?

6 lições para ser mais empreendedor: What I Wish I Knew When I Was 20 (Tina Seelig)

LRM_EXPORT_242640375517711_20190425_131211863.jpeg

 

Vi este livro pela primeira vez numa lista de recomendações, não sei se no Goodreads ou no Book Depository. What I Wish I Knew When I Was 20, de Tina Seelig, tem não só um título sugestivo (mais ou menos "o que eu gostaria de ter sabido aos 20 anos"), quanto também uma autora com um percurso profissional e académico impressionante.

 

Não me vou alongar muito, mas o seu currículo inclui o facto de ser professora, neurocientista, consultora, directora do Stanford Technology Ventures Program e membro-fundadora do Hasso Plattner Institute of Design (d.school) da Stanford School of Engineering. Uma vez que ando a estudar empreendedorismo e criatividade neste segundo semestre de mestrado, e aspiro a ser tão multi-tudo quanto a Tina Seelig, ela pareceu-me uma excelente pessoa, um modelo de excelência, para me contar o que é que eu já devia saber aos 20 anos (e mais 3)! Além disso, nestes dias, qualquer inspiração para enfrentar os 20s é bem-vinda!


Mais uma vez, li muito pouca informação adicional antes de começar a ler o livro. O título tinha-me parecido ilustrativo o suficiente, por isso peguei-lhe sem questionar o conteúdo. Então, mais uma vez, fui surpreendida. Afinal, What I Wish I Knew When I Was 20 não é uma narrativa de cariz pessoal ou filosófico (o que eu esperava), mas sim uma reflexão acerca de criatividade e empreendedorismo em faixas etárias jovens.


No entanto, tal como tenho aprendido nas minhas aulas, o empreendedorismo pode antes ser um conjunto de ferramentas e competências úteis para a vida em geral, não só no que toca à concretização de negócios! Aliás, o conteúdo deste livro é inspirado numa lista de lições que Seelig escreveu ao filho quando ele foi para a universidade.


Ao ler What I Wish I Knew When I Was 20, confirmei o que tenho aprendido doutras formas: o empreendedorismo e a criatividade podem ser ensinados e aprendidos, não são atitudes inatas que são inacessíveis a quem não tenha nascido com tal tipo de "dom". Podemos vê-los como atitudes a adoptar para sermos não só bem-sucedidos, mas também felizes.


Por exemplo, destaco algumas que me ocorrem de momento:

 

1. Não devemos ver os problemas que nos surgem como empecilhos, mas sim como uma fonte de experiência e conhecimento;

 

2. Fazer alguma coisa é sempre melhor do que não fazer nada, por isso temos de começar sempre por colocar as nossas ideias em prática e depois logo se vê se corre bem ou não;

 

3. Devemos pensar em ideias viáveis para criar novos projectos, mas as melhores ideias surgirão exactamente do oposto, surgirão das ideias mais absurdas e menos convencionais, que a maioria das pessoas não levaria a sério à primeira vista (foi assim que o Cirque du Soleil surgiu);

 

4. É impossível sermos bem-sucedidos sem falharmos muito mais vezes (tomemos o exemplo das start-ups, que na sua maioria falham, para que no meio de toda essa confusão surja Aquela, a incrível). Por isso, o melhor a fazer é normalizar as falhas enquanto parte inevitável do processo;

 

5. Uma forma de potenciar todos os nossos esforços enquanto estudamos é aproveitando projectos da escola ou da universidade para desenvolver outros paralelos (por exemplo, se temos de escrever um plano de negócios para um seminário, podemos aproveitar essa tarefa para criar uma plano para um negócio real, investigar e experimentar formas de o tornar viável, não deixando apenas a teoria no papel, mas podendo aplicá-la no futuro);

 

6. Devemos encarar todas as pessoas que conhecemos como uma oportunidade para aprender algo ou como uma porta que se abre para novas possibilidades (seja porque se tornam nossos amigos, porque conhecem mais alguém que também deveríamos conhecer ou até porque pode surgir algum tipo de colaboração em projectos futuros).


Para "entrar" na disposição ideal para ler este livro, recomendo o documentário que a Tina Seelig menciona logo nas primeiras páginas, Imagine It!, no qual durante cerca de uma hora, somos relembrados que o empreendorismo não tem de ser apenas sobre a criação de valor monetário, mas também social e cultural, enriquecendo a comunidade de diversas maneiras. Deixo-vos aqui o link para o documentário.

 

Para um primeiro contacto com a autora, também recomendo as Ted Talks da autora, principalmente esta.

 

 Sugerem mais algumas lições que gostariam de ter sabido aos 20?

Ideias que me passam pela cabeça à hora de jantar

Se, um dia, eu for milionária ou tiver, de qualquer modo, uma grande pipa de massa à minha inteira disposição, crio uma fábrica de conservas de peixe, mas estas últimas sem aquele óleo vegetal do costume, um negócio inteiramente dedicado a tornar as vidas de pessoas como eu própria - uma picuinhas no que toca a ter as mãos gordurentas ou besuntadas de seja lá o que for - menos complicadas aquando do consumo de enlatados. Ah, e não nos esqueçamos das aberturas fáceis das latas, nada que tenha de ser puxado pela cavilha até nos marcar as mãos e os dedos, ainda por cima correndo o risco de os (des)fazer em bifes.

quando atentarem contra os vossos princípios morais

Respondam-lhes direito mas tortamente; façam-se ouvir; nunca desistam; persistam; não se importem se não se sentirem compreendidos; mandem-nos à fava; deixem-nos ser eles os infelizes; deixem-nos viver na escuridão; não lhes dêem a "graça" da vossa luz; não a partilhem; continuem a viver; mudem de mundo, se for preciso; "quem está mal, que se mude"; deitem-lhes a língua de fora; digam-lhes adeus e vão dar uma volta ao quarteirão. Parvos, eles.